terça-feira, outubro 05, 2004

TORRES CADUCAS I


Recorte de 03.26

Exercício de Ignácio González:

Na baia de Ponta Delgada, em lugar submetido a mudanças patentes, elevam-se quatro torres orientadas para optimizar a energia que se referencia na paisagem da ilha através da sua imagem emergente e característica. A sua organização interna, e o espaço público gerado entre elas pretende construir um complexo em que os seus utilizadores possam recorrer experimentalmente o espectro completo desde a intimidade-privacidade ao público-colectivo. As torres têm uma organização complexa, com usos diversos subdivididos em vivendas e espaços colectivos. Serão usadas as pedras encontradas no local e a sugestão da paisagem e do clima para gerar um sistema construtivo que permita regular o envelhecimento no tempo tomando simultaneamente a referência da decomposição dos resíduos e as alterações cromáticas da paisagem nas diferentes estações.
O trabalho explora as possibilidades de projecto do tempo incorporado na imparável actividade microscópica da mudança permanente, que já não é deterioração ou decomposição, mas sim transmutação e continua busca simbiótica de um equilíbrio de corte biológico.
(tradução livre e apressada)

In:
CAMBIO + ENERGIA + INFORMACIÓN / PALACIOS DE LA DIVERSIÓN / ISLA DE SAN MIGUEL / MEMORIA DE PROYECTOS CURSO 2003/04 / UNIDAD Q - ETSAM
Juan Herreros Posted by Hello

Palácios da Diversão

O melhor contraponto à fastidiosa interacção com a tacanhez que insiste no avançar de olhos vendados em direcção a lugar algum, ou com a esperteza saloia que medra que nem praga entre parolos e oportunistas sem procurar enxergar aquilo que é óbvio, é uma fugaz mas profunda imersão na lucidez; no arrojo inteligente; numa sadia fantasia. Um repuxo de utopia balizada pelo “pensar sustentável”!
Juan Herreros, primeiro pela iniciativa em trazer aos Açores um significativo grupo de alunos seus na Escola de Arquitectura de Madrid, e agora – a convite da Delegação dos Açores da Ordem dos Arquitectos –, neste regresso para apresentar e discutir o resultado do trabalho desenvolvido, presenteia-nos com um tão singular quanto valioso “brain- storm”, nas palavras do arquitecto Jorge Kol “(…) proporcionando-nos um tempo de meditação, uma atitude crítica sobre o que fazemos, capaz de nos ajudar a melhor decidir, a melhor planear, a melhor fazer.”
E como estes contributos são importantes, e reparadores, nesta hora em que vale tudo para agradar e satisfazer clientelas e descalçar responsabilidades!
Quando tanto se fala – ou se falou – na via marginal da Relva a São Roque, não pude deixar de dedicar uma especial atenção a três dos exercícios propostos:
ZAPATOS EN PONTA DELGADA, TORRES CADUCAS e RE-ACCIÓN EN SANTA CLARA.
Simples, acessível e divertido.Desanuviador.

Do próprio. In Açoriano Oriental/Crónicas do Aquém

segunda-feira, outubro 04, 2004

Porto de Ponta Delgada. 2004


Foto recente do Porto de Ponta Delgada (Nuno Barata Almeida e Sousa), onde mais uma vez o ênfase está no "Quebra Mar", agora constituído por tetrápodes de betão armado.
Santa Clara continua lá ao fundo. Desta vez à direita (não fosse a foto do Nuno Barata) Posted by Hello

domingo, outubro 03, 2004

O engrossar da bola de neve

Quando a base de uma qualquer estrutura cede, há que escorar as fundações, procurar a origem do problema, estudar as suas causas, analisar os recursos empregues – incluindo os humanos, sobretudo os mais responsáveis –, rever os métodos e os processos utilizados. Enfim; identificar tudo o que esteve directamente relacionado com o mal sucedido!
Quando a imponência da estrutura assenta no seu carácter, na sua longevidade – desde 1927; até nisso insistem na mentira! -, no aturado e humilde esforço empregue para que fosse paulatinamente elevada ao lugar de destaque que ocupa, as exigências de rigor e competência têm de ser redobradas!
Quando esta estrutura é o Clube Desportivo Santa Clara, colectividade abalada pela danosa gestão a que a sujeitaram nos últimos anos, cujas panaceias mais não têm sido do que sucessivas fugas para a frente ou reles operações de cosmética, é de crer não estarmos perante boa coisa. Bom. Quando os responsáveis por esta enormidade deixam de dar a cara e transferem para um maquilhador especialmente contratado para o efeito – sabe Deus como? - o desempenho das suas atribuições, de certo, o pior está para acontecer!
Continuo pessimista? Sim! Pessimista e agora curioso:
. Será que continuam a considerar-me pouco optimista os mesmos que assim procederam quando, para aí há uns sete anos, dizia ser só uma questão de tempo para ver o “Complexo Desportivo” responder pelas loucuras do futebol?
. Será que continuo sendo exagerado para os mesmos que assim pensavam quando; há dois, três, e quatro anos atrás já estimava ser cerca do dobro, o montante que responsáveis pelo CDSC insistiam em enumerar como sendo o passivo do clube?
. Será que, depois de lhes ter confrontado com as incorrecções e irregularidades contidas nos documentos que subscreveram, sancionaram e aprovaram, voltarei a ouvir de altos responsáveis do CDSC “que pelo menos por uma vez confie naquilo que dizem”?
É que, de importante, para melhor, POUCO OU NADA MUDOU!
O “Plano de negócios” em que tanto se empenharam foi a mais recente técnica de maquilhagem. Um documento tão profundo e rigoroso quanto o era um outro elaborado em tempos, quando se recomendava a criação da Santa Clara/SAD; um dossier que entre outras demonstrações da sua enorme credibilidade referia ser o “Estádio de São Miguel” propriedade do CDSC, em ambos com muito de comum, sobretudo ao nível dos seus mais activos e interessados promotores!
E para não variar, recentemente, alteram o “objectivo” principal. A subida à I Liga volta a ser o concentrado vitamínico recomendado; um “bluf” estafado. A falaciosa jogada com que procuram justificar o investir às cegas nos resultados desportivos para que estes, independentemente do preço a pagar, tudo possam resolver.
Um póquer de cartas velhas, agora com um crupiê novato no lugar do batido profissional. Mesmo assim, para já, ainda não resultou. Foi tal a desorientação na primeira vasa, que nem a apresentação de um novo reforço – saudades do C. Alberto Silva e do Leandro –, minimizou a frustração face às empolgantes expectativas criadas. Um “filme” que por não surtir os efeitos desejados, levou a produção à montagem da novela dos “três pontos a ganhar na secretaria”, como se aí residisse remédio para tanto mal.
Interessante, lá para mais tarde, será também perceber como irão compatibilizar o dito “plano de negócios” com o Orçamento antes aprovado, ou, que pretextos irão encontrar para justificar o injustificável? Que falta faz uma auditoria séria e independente! Esta sim, o verdadeiro momento da viragem!
Do próprio. In DSP Desporto/ Out. 2004

sábado, outubro 02, 2004

Porto de Ponta Delgada. 1884


Panorâmica do Porto de Ponta Delgada, vendo-se em fundo à esquerda, ainda bem definidas, a ponta "dos algares" e a ponta "delgada e rasa", ou "de Santa Clara".
Foi esta obra, e mais tarde as suas reparações e ampliações, o que justificou a exploração das Pedreiras da "Mata da Doca", local de origem dos milhares de toneladas de pedra ali utilizados.
Desenho de João Cabral (1884) - a impressionante monumentalidade daquele trabalho em pedra é algo que o artista parece querer representar na sua obra - , nas palavras de Manuel Ferreira em Ponta Delgada a História e o Armorial, "um ignorado trecho do Porto articificial de Ponta Delgada, vendo-se ao fundo os três moinhos de Santa Clara".
Gravura inserta originalmente em Paisagens e Costumes dos Açores nº1Posted by Hello

sexta-feira, outubro 01, 2004

Pedreiras da "Mata da Doca"


Cabouqueiros e outros trabalhadores em plena jornada de trabalho na pedreira explorada para a construção do Porto de Ponta Delgada, local hoje completamente soterrado pelo prolongamento do aeroporto João Paulo II.
Desta Pedreira, só para a construção do quebra mar da primeira fase do porto artificial de Ponta Delgada, até final de Novembro de 1886, já haviam saído 3,407,037 das cerca de 5.000.000 toneladas de pedra que se estimaram necessárias.
Muitos outros milhares de toneladas foram dali extraídos para utilização em futuras reparações e ampliações do porto. Mesmo já na era do betão, foi ainda da pedreira da "Mata da Doca" que saiu a pedra necessária às britas e outros inertes que incomporavam "o novo" material. Posted by Hello

quinta-feira, setembro 30, 2004

STOP AND GO

Primeiro, as festas de Santa Clara de 2004, e por via destas, o anormal número de santaclarenses dispersos pelo mundo – alguns deles merecendo-me atenção especial – que este ano cá se juntaram, mas sobretudo, um enorme imprevisto; facto que praticamente ocupou – e ainda ocupa – uma parte substancial do tempo que estipulei dedicar a este BLOG, provocaram a paragem que agora quero recuperar.
No entretanto resolvi um problema – OBRIGADO Nuno Barata – com o “template” do Blog; a inclusão do campo “CONTRIBUTOS”, na esperança que este venha a ter muito, e o devido, uso.
Veremos se "a coisa", agora, arranca definitivamente.

terça-feira, setembro 28, 2004

Invasão alada

Chegaram já há alguns anos, instalaram-se socializando a coberto de uma das nossas características mais marcantes; a passividade!
Quando a praga estava circunscrita e era mais fácil a sua exterminação, nada fizemos. Como de costume, aguardamos que agissem por nós.
Determinante foi também a ignorância. Confundindo estes trituradores insaciáveis com outros seres menos malignos com os quais desde há muito convivemos, contribuímos para a sua proliferação. Hoje estamos perante um fenómeno que atinge níveis catastróficos. Uma situação dramática pois esta nefasta espécie sobrevive à custa dos avultados prejuízos que causa e da enorme destruição patrimonial que provoca.
Refiro-me, claro, à infestação de térmitas – cryptotermes brevis – que grassa em Ponta Delgada, assumindo já contornos de calamidade pública sem que exista, ainda, uma estratégia de actuação concertada, superiormente definida, nem mesmo quando o assunto já chegou à Provedoria da Justiça!
Enganam-se os que pensam ser este um problema exclusivo da zona histórica da cidade. São já conhecidas infestações fora do núcleo central do burgo; desde a “Calheta” até Santa Clara.
Mais uma vez seria bom seguir o exemplo da Terceira, onde os nossos patrícios, bem mais cautelosos e precavidos – como sempre –, já fizeram os responsáveis encarar a situação sem rodeios.
Nós por cá; é o “assobiar para o lado” do costume!

Do próprio. In Açoriano Oriental/Crónicas do Aquém

terça-feira, setembro 21, 2004

O Castelinho

Denotando lamentável estado de ruína e degradação, apenas protegido de ainda maior devassa pelo silvado que o ocupa por completo, o Castelinho de Santa Clara, autêntica relíquia da defesa costeira de Ponta Delgada, devia merecer melhor sorte e ser tratado com maior dignidade.
Aquela construção militar e a história de Ponta Delgada cruzam-se várias vezes, algumas delas, no recôndito dos tempos do lugar da ponta delgada.
Pelo menos na sua localização, o “Castelinho” e a imponente propriedade de Francisco Arruda da Costa – “cercada de muro e cubelos, com sua porta para o mar, tudo muito defensável, e pegado com a porta de Santa Clara por ali estar a igreja paroquial desta Santa, onde se acaba a principal costa da cidade” – partilham, segundo detalhada descrição de Gaspar Frutuoso – “Além, pouco espaço da Fortaleza para loeste, está uma ponta que se chama a Ponta dos Algares , (…) , e logo está uma pequena baía de areia, defronte das casas do generoso e em tudo grandioso Francisco Arruda da Costa” -, a mesma zona.
“Ainda será tempo de acordar e de agir?”, escreveu Manuel Ferreira em “As voltas que Santa Clara deu” livro com preciosos detalhes sobre o assunto. Nunca o será demais recordar nem repetir!Para restaurar, preservar e manter o Castelinho, nada como dar-lhe uso. Sobretudo agora que Santa Clara é já uma freguesia, e todas as instalações disponíveis nunca serão demais!

Do próprio. In Açoriano Oriental/Crónicas do Aquém

terça-feira, setembro 14, 2004

A quem pedir responsabilidades?

Até pouco antes de 1998, início da era da leviandade e da ilusão, tendo como termo de comparação os restantes clubes de futebol nos Açores, tinha então o CDSC um nível de organização médio e era detentor de um património invejável – livre de ónus –, em nítida fase de crescimento e valorização. O clube era também já então, de modo sadio e dentro dos parâmetros da sua estrutura tradicional – e isso é fundamental dizê-lo – líder no panorama futebolístico dos Açores!
No auge das facilidades, ao dinheiro que então parecia fácil e inesgotável, não deram aplicação de médio e longo prazo por forma a potenciar crescimento sustentável e consolidado, acautelando assim o futuro do clube! Em vez disso, desbarataram sem pudor, gastando o que tinham e o que não tinham, satisfazendo oportunismos e clientelas, alimentando vaidades e vícios, tudo feito sem um mínimo de rigor e transparência, num sistemático rodopio de irregularidades que persistem sob a protecção de uma enorme teia de cumplicidades!
Não era necessário ser bruxo para adivinhar que tudo isso iria ser dramático para o “Santa Clara”; que a histeria (quase) colectiva um dia terá de ter fim; e que os vaidosos oportunistas, uns atrás dos outros – há que proteger a retaguarda –, assobiando para o lado, tentarão sair de mansinho para não agitar muito as águas.
Impõe-se uma auditoria. Já! Quem não deve, não teme.

Do próprio. In Açoriano Oriental/Crónicas do Aquém