sábado, setembro 14, 2013

Cidadania

Preparando a acção, agindo: é "Santa Clara - Vida Nova". É a cidadania em prol da freguesia!

O mais recente exemplo da persistente acção cívica e de cidadania do Grupo de Cidadãos Eleitores “Santa Clara – Vida Nova” em prol da sua freguesia, foi a realização do debate político que aconteceu no passado dia 9, aberto a TODOS os candidatos a presidente da Câmara de Ponta Delgada, sob o tema “E Santa Clara?”.
É óbvio que a maioria (diria mesmo a totalidade) dos temas ali tratados, além de serem do interesse específico de Santa Clara, são também de grande interesse para Ponta Delgada. Óbvio também é que muitos deles são do interesse das freguesias vizinhas, nomeadamente os relacionados com a Rua João do Rego, “Tanques do óleo” e Fábrica do Açúcar”, embora seja Santa Clara, em especial “Santa Clara – Vida Nova”, quem pareça ser o único interessado na sua resolução, mantendo-os na agenda política e mediática, e não dando folga a quem quer que seja na denúncia dos incumprimentos e/ou “derrapagens” dos prazos estabelecidos.
A par dos apoios institucionais que vão conseguindo para “levar água ao seu moinho” – demonstra-o (para não dar outros exemplos) a requalificação do pouco que ficou da “Mata da Doca” ou já mais recentemente a grande beneficiação operada no Ramalho –, “Santa Clara – Vida Nova” mantém-se intransigente na defesa da sua freguesia, não se poupando na denúncia da falta de cumprimento de promessas feitas uma, duas e três vezes, e outras tantas vezes não cumpridas e/ou adiadas!
O debate da passada segunda-feira foi prova da eficácia e mérito da denúncia frontal e persistente, sobretudo quando assente em realidades concretas. Houve quem dissesse que passadas aquelas mais de duas horas “saiu como entrou” e que nenhum contributo foi dado no sentido da resolução dos problemas de Santa Clara. Para pensar assim só pode ser alguém que tenha estado desatento ou que ali tenha ido com “missão” de branquear o passado recente, um passado de pelo menos oito anos de falta de cumprimento e "revanchismo", que, claro, há quem tenha interesse em fazer esquecer!
Aqui fica um exemplo (apenas 1) da mais valia do evento: sobre um tema que tem oito anos de “má solução” – a “sui generis” forma gestão do Centro Cívico e Cultural de Santa Clara – conseguiu-se um alargado consenso, ficando o compromisso de que, no mínimo, a sua gestão deveria ser partilhada com a JFSC. Pelo menos neste caso, Aleluia! Mas sobre outras questões foram também deixados indícios de solução. E, gostem ou não, avancem sobre nós com os "exércitos" que entenderem: nunca afrouxaremos a luta para que também sobre estes outros temas (2ª Rua de santa Clara incluída) possamos em breve “cantar hossanas”!


A.O. 14/09/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, agosto 31, 2013

Nunca é demais repetir


São cada vez em maior número as listas de cidadãos eleitores Independentes. Para as combater começa até a aparecer um novo fenómeno: listas partidárias, ditas de independentes, que apenas pretendem dissimular o partido que por detrás dela esconde/disfarça suas cores e símbolo.
“Santa Clara – Vida Nova” é pioneira na participação dos cidadãos na gestão da sua autarquia! Vem de 2005 a intenção de agregar TODOS em Santa Clara. O grupo foi criado para concorrer às primeiras eleições à Junta de Freguesia de Santa Clara, tendo como objectivo claro: TODOS juntos para fazer Santa Clara recuperar o muito tempo perdido até então! Cedo se percebeu que a ideia não interessava ao PSD. O que, em termos estritamente “político/partidários” até era compreensível, tal era a hegemonia do PSD em Ponta Delgada e a sua forte convicção de vencer facilmente as primeiras eleições em Santa Clara. Mas interessou, e interessa, a muitos militantes e simpatizantes do PSD em Santa Clara, que ao contrário do partido, e bem, colocam em primeiro plano os interesses de Santa Clara. Se de certa forma era esperada a posição do PSD em 2005, o que se seguiu é que não era espectável: a falta de solidariedade, a retaliação, a discriminação e o muito mais que aprontou uma Câmara gerida pelo PSD contra Santa Clara!
Ainda de mais difícil compreensão foi ver a história repetir-se em 2009. Repetir-se, agravando a hipocrisia política que a consubstanciava, pois chegou a ser admitido corrigir o erro de 2005 (não fazendo frente a “Vida Nova”) quando em simultâneo aliciavam membros do grupo para isso e aquilo, inclusive para, como independentes, encabeçarem a lista do PSD por Santa Clara!
Em 2013, enquanto se prometia mudança e “rompimento com o passado”, tudo na mesma continuou, diria até que com duas agravantes: a dissimulação do cariz partidário da candidatura (se são independentes porque não se juntam aos verdadeiro Independentes?) e o aproveitamento de alguma ingenuidade e imaturidade tida “à mão de semear”, que, como se nota, já causa danos aos aliciados!
Para “Santa Clara – Vida Nova” o caminho está há muito delineado: Continuemos!


Nota (a ser desenvolvida oportunamente): é bom ser referido pelo Sr. Gustavo Moura (CA-28/08/2013). Melhor ainda quando de forma elogiosa. Tudo o mais é diferença de opiniões, sempre salutar. Já o “ter razão antes do tempo”, condão meu, é bem pior! Obrigado.

A.O. 31/08/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, agosto 03, 2013

SANTA CLARA – VIDA NOVA



Penso em Santa Clara e logo me vem à memória os “Tanques do Óleo”: já estou convencido que o compromisso de os desactivar em 2013 “vai derrapar”, mas certo também estou que não será por muito mais tempo!
Penso em Santa Clara e não posso deixar de me lembrar do “Matadouro”: Ohh como tudo aquilo já podia estar, não fora a demanda judicial pela sua posse por via da “teimosia” da presidência da CMPD, um tempo perdido de incalculável valor, sobretudo tendo em conta que então ainda se vivia o “tempo das vacas gordas”!
Penso em Santa Clara e sobressalta-me a “mesquinha vingança” consubstanciada nos sistemáticos atrasos na requalificação da 2ª Rua de Santa Clara. Inícios de obra prometidos e “reprometidos” consoante se tornava eleitoralmente oportuno – oh que agora se diz de promessas eleitorais com maior consistência, só porque feitas por adversários –, com o resultado que se conhece: NADA FEITO!  A lista das “maldades” que a presidência da CMPD tem feito a Santa Clara enchia por completo este espaço, mas para além de lamentar a mais recente contradição do actual Presidente de Câmara (e candidatado a novo mandato), que se auto intitulou “ homem sem medo de roturas” mas no que respeita a Santa Clara em nada “rompeu” com o passado, dada a época, prefiro preencher destes 2200 caracteres enunciando parte daquilo que já mudou em Santa Clara, muito sem dúvida só possível dado o empenho das entidades directamente responsáveis, mas tudo, estou certo, estaria praticamente na mesma não fora o persistente empenhamento de “Santa Clara – Vida Nova”: desde logo o exemplo de intervenção política em prol da cidadania activa dado por este movimento. Uma acção dinâmica, proactiva, não vinculada a partidos políticos, mas não avessa aos Partidos Políticos, bem pelo contrário, já que da maioria deles (a lamentável excepção é o PSD: o que não pode deixar de estar directamente ligado a uma encarniçada atitude de “mau perder” contraída em 2005!) recebe o mais apreciável dos apoios: “não apresentarem listas à Assembleia de Freguesia de Santa Clara em reconhecimento do bom trabalho efectuado”. Mas muitos outros exemplos do que de diferente há em Santa Clara não faltam. Uma viagem entre a “rotunda das cancelas da doca” e a “rotunda da antiga aerogare” será uma das boas formas de ver, “in loco” e de forma concreta o “antes” e o “depois” de “Santa Clara – Vida Nova”. Mas há mais, muito mais que não vê. E/ou até que nem se pretende mostrar (é que apesar de tudo, ao contrário de outros – que com a “caridade” fazem campanha – com “Santa Clara – Vida Nova” em questões de solidariedade é regra a célebre frase bíblica: “o que a mão direita dá a esquerda não necessita de saber”!

A.O. 02/08/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, julho 20, 2013

VIDA NOVA

Foi já há oito anos, mas parece ter sido ontem! 
Ansiosos por dar o “primeiro passo”, cedo chegou a primeira surpresa desagradável: saber que a “Comissão Instaladora”, ao contrário do dito na Lei, só mais tarde seria constituída; com a tomada de posse a acontecer cerca de três meses antes das eleições, não a seis, como seria normal e era esperado! 
Iniciado o processo de certificação da recolha de assinaturas de que carecem as candidaturas de Grupos de Cidadãos, já Santa Clara fervilhava com a campanha para as Autárquicas de 2005, prenhe de cartazes (com promessas que 8 anos depois ainda estão por cumprir) e repleta de inaugurações, quando “Santa Clara – Vida Nova” começou a receber as primeiras “bocas”: “Não admito que outros escondidos por trás de listas de independentes venham agora descobrir Santa Clara” disse-se na altura, sem imaginar o número de filiados e apoiantes do seu partido estava ofender e afrontar com a provocação. Afrontar e ofender porque de facto não eram (nem são) “outros”, mas também porque mesmo destes, muitos, desde há muito, não só já conheciam, como tinham dado muito na defesa dos interesses da localidade, nomeadamente em abono da causa que permitiu Santa Clara readquirir o estatuto de freguesia! Mas as “bocas” não se ficaram por aí. A par das muitas “promessas” que o tempo se encarregou de demonstrar o quanto eram demagógicas e enganosas, apareceram também os provocatórios desafios que já antecipavam ambições mais tarde confirmadas: “Esta obra é apenas o início de um processo de requalificação que irá chegar ao largo da Igreja…”, e logo: “Esperamos agora que o Governo possa também cumprir a promessa de requalificação da Av. Príncipe do Mónaco”. É conhecido o resultado dos desfechos eleitorais que se seguiram (em 2005 e 2009), e quem passar em Santa Clara facilmente confirmará quem cumpriu e quem mentiu!
Santa Clara mudou muito, o “Jardim Padre Fernando” e o “Novo Ramalho” são apenas dois exemplos bem elucidativos. Há também, infelizmente, o que, custosamente, se arrasta: “os Tanques da Bencom” e o “Matadouro”, muito embora num e noutro caso "o seu dia” já tardasse mais! Mas mau demais é o que se passa com a 2ª Rua de Santa Clara, a tal promessa de requalificação anunciada em 2005, mais tarde repetida e reforçada, mas até hoje teimosamente adiada a coberto dos mais diversos pretextos. Desculpas que continuam. É pena! 

A.O. 20/07/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, julho 06, 2013

“Rapazins”, hipocrisia e exemplo



Coisas de rapazes” é o mínimo que se pode chamar aos recentes desmandos de Pedro e Paulo, que, de positivo (para os deles), só teve o facto de “passar uma esponja” sobre aquela que foi a mais eficaz “manobra oposicionista” dos últimos dois anos: a carta de despedida do número dois do governo, o “infalível” Gaspar!
A hipocrisia em política pode ser o “pão-nosso de cada dia”, mas há limites que ao serem ultrapassados descredibilizam (mais ainda) todos os seus protagonistas, em especial, os líderes!
- Que sentido faz estes “rapazins” andarem dois anos a compor e implementar todo o mal que têm feito, só para parecerem “bons alunos” e/ou “meninos bem comportados” perante “os patrões internacionais", para depois, numa semana de já longa traquinice, “partirem a louça toda” que nem gregos acossados por troianos?
- Que sentido faz estes “rapazins” andarem todos os dias a pregar as virtudes da credibilidade e da estabilidade política perante os credores externos - e não só -, para, bastando um impulso dos seus enormes egos, serem eles próprios o principal motivo de vergonha e descredibilização geral?
Paulo Portas terá culpas, mas neste caso em concreto (a desastrada governança de Portugal: e já lá vão dois anos!), tal como Victor Gaspar deixou escrito, a incompetência de Passos Coelho, o seu sectarismo, a sua obsessão e obstinação – como que doentias (diria que para disfarçar as incapacidades de liderança que patenteia) – mais que uma imagem de marca: são mesmo uma indelével evidência! Passos Coelho é a estampa do pior que o PSD tem para dar. E se é certo que nem todos no seu partido são assim, certo também é que, infelizmente, ele não é caso único. Nem é necessário ir muito longe! Por cá não faltam “Passos Coelhos”: também “rapazins”; também sectários; também obstinados, e, sem dúvida, também tão ou mais desastrados do que “o seu mandante”. Não faltam "Passos Coelhos" nem faltam exemplos da sua forma de actuação. Alguns retomados recentemente, com a obsessão da Concelhia de Ponta Delgada em “conquistar” Santa Clara mostrando-se o mais visível de todos!
Para o PSD, para algum PSD, há interesses que justificam – e bem - colocar de parte os proveitos partidários em prol de interesses superiores. Para outros vale tudo: (re)prometer o que se sabe não ir cumprir; desafiar e tentar menorizar os que demonstram conseguir vencê-los; aliciar e “comprar” uns e outros para dividir os vitoriosos, fazer campanha com meios que só fazem sentido serem usados em benefício de todos e não só de alguns, e até, já para além do limite da civilidade razoável, não cumprir o acordado, mesmo quando se trata de uma simples carta resposta. E pior que tudo: alargar o número, sem as respeitar, das vítimas que “o sacrifício” deixa pelo caminho!

A.O. 06/07/2013; “Cá à minha moda" (revisto e algo acrescentado) 

domingo, junho 23, 2013

Os bidões da birra (2005/2013)

                                   "Clikando" sobre os recortes amplia a imagem e facilita a leitura

As campanhas eleitorais são sempre momento de promessas. De promessas e de mentiras, umas maiores que outras, todas facilmente esquecidas, a não ser que, tal como acontece em Santa Clara, o empenho e a cidadania sejam presença permanente e activa.
Em Setembro de 2005, um mês antes da eleição da 1ª Junta de Freguesia de Santa Clara, na inauguração da “Via Marginal Relva/Santa Clara” – que 8 anos depois continua sem chegar a Santa Clara! –, ninguém podia imaginar o tamanho das mentiras ali proferidas. Aliás, tratando-se de uma contenda opondo “David” a “Golias”, quer as mentiras quer o “enorme palco” dispensado para promover quem a então presidente da Câmara desejava fosse presidente de Junta em Santa Clara, para alargar a já quase hegemonia nas freguesias do Concelho, não faziam sentido. Mas tudo valeu e uma das mentiras foi esta: Estou certa que com a requalificação que defendemos e iremos desenvolver desde a Rotunda de Santa Clara até ao início desta via, (…)”, o que logo seguido de:  Esperemos agora que o Governo possa também cumprir a promessa de requalificação da Avenida Príncipe do Mónaco, desafio que o passar do tempo mostra ser cada vez mais ridículo,  ajuda a perceber as birras que se seguiram e mantêm!
A promessa não cumprida, quando se tornou oportuno, logo ressurgiria. Exemplifica-o esta passagem de mais um discurso, já em pré campanha para Outubro de 2009: Na verdade a requalificação de Santa Clara foi um compromisso eleitoral (…). (…) está também em marcha o concurso público para a 2ª fase da “Via Litoral Santa Clara/Relva”, com correcção e pavimentação do troço “Igreja/Nordela” e construção do talude de reforço da arriba situada na Rua Baden Powell. Atravessando a 2ª Rua esta grande intervenção prevê a requalificação do pavimento e dos passeios, com melhor iluminação pública, maior ajardinamento e mais estacionamento.
Muita conversa mas nada de obra! As “birras”, estas sim, é que aumentaram na proporção directa ao incremento da diferença de votos que distanciou “Santa Clara – Vida Nova”; “o David de Loeste”, do PSD; “o Golias a mirrar de Ponta Delgada”. Birras que, não obstante o protagonista agora ser outro, continuam. 
É pena! Ou talvez não!?

A.O. 22/06/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, junho 08, 2013

6 de Junho: O insistir na “velha narrativa”


Foto cedida por "História dos Açores"         

Vi ontem, 6 de Junho (escrevo na sexta), o trabalho que a RTP/A emitiu a propósito (teria sido?) da efeméride.
Gostei de pouco, de coisas muito específicas, algumas das quais me parecem ter sido editadas pela 1ª vez (eu, pelo menos vi-as pela 1ª vez). Gostei também de um ou outro depoimento que “põe a nu” alguns ditos tabus e conivências que já se suspeitavam existir. Não gostei do geral, da forma, sempre a mesma, como encadeiam “a narrativa”, realçando algumas vítimas mas não considerando outras, quando até há casos em que se tratou de responder à agressão!
Houve comportamentos contra revolucionários? Claro que sim. Tal como não faltaram oportunismos e oportunistas! Mas não se podem (nem devem) esquecer os excessos ultra revolucionários, as vítimas que fizeram, a energia explosiva que desencadearam! Há (e estão por aí) agressores que estiveram ao serviço dos dois lados: inicialmente bateram nos “fascistas”, boicotaram sessões de esclarecimento, para pouco depois, quando a “maré mudou”, os mesmos passarem a agredir, escorraçar e vandalizar bens daqueles que militavam nas fileiras dos que antes os incentivaram!
Aqui em Ponta Delgada (foi sobretudo do que se passou por cá que o trabalho tratou) muito antes dos assaltos às sedes dos partidos de esquerda (PCP, MDP/CDE e até PS) aconteceu o assalto à sede “dos fascistas” do MAPA: como se fosse fascizante defender uma causa ainda mais antiga do que a implantação da República, o próprio fascismo e até o Estado Novo!
Mas vamos ao que gostei: gostei de reouvir o momento em que Altino de Magalhães claudicou perante os gritos de Independência. Gostei de reouvir o tão espontâneo quanto ensurdecedor clamor de Independência que se lhe seguiu. Gostei também de ver confirmado (o que já se sabia e é desculpa para algumas atitudes anticomunistas mais primárias) como o PCP de então, mesmo aqui nos Açores, controlava alguns sectores do Exército Português, queira isso significar o que quer que seja. Tal como gostei de, mais uma vez, ver demonstrada a falsa espontaneidade da contra manifestação ao “6 de Junho”, obviamente aproveitada para Altino de Magalhães “se reabilitar”, destroçado que ficara com o correctivo aplicado por Borges Coutinho, honra se faça – concordando ou não com o seu pensamento –, Homem coerente e corajoso!

A.O. 08/06/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, maio 25, 2013

Valerá a pena dar-lhe cavaco?


Deixem-me principiar por contar uma anedota. Na manhã de 25 de Abril de 1974, estava Américo Tomás a barbear-se (com navalha), quando Gertrudes, que estava a ouvir rádio, entrou casa de banho adentro, aos gritos: - Américo, Américo….um golpe. Um grande golpe! Américo Tomás suspendeu o que estava a fazer, olhou com aflição para a esposa, virou novamente a cara para o espelho, aproximou-se deste, e nada vendo de especial, retorquiu: - Gertrudes, querida, não me parece. Mas pelo sim pelo não traz-me a “tintura de iodo” e o algodão que estão neste armário atrás da porta!

Vem isso a propósito de quê, perguntam? De Cavaco Silva, claro! O homem não acerta uma, e sua performance nos últimos tempos levam-me a concluir que não tarda nada e já superou Américo Tomás nos cânones do anedotário português!
Só durante este mês foram tantas que quase lhes perdemos a conta: Foi a da “Nossa Senhora de Fátima”. Foi a do São Jorge (que procurou, sem jeito nem eficácia, neutralizar a do “treze de Maio”). Foi a do mote para o último Conselho de Estado, com o que sobre ele se soube, mais aquilo que sobre ele se especula “ajudando a festa”. E já nem falo das gafes: como a de ignorar (terá mesmo sido ignorância?) a celebração do Dia dos Açores (deviam convidá-lo para o 6 de Junho. Quem sabe se ele vinha?)!
Bendito Cavaco Silva. A crise sem ele mais as suas tiradas risíveis era ainda pior de suportar. O que tem lógica: se antes do 25 de Abril as “anedotas políticas” funcionavam como uma pequena válvula de escape para a opressão, em tempo de crise (a ante câmara da opressão), nada como ter quem contribua, sem exigir para tal mais do que aquilo que já lhe pagam, para nos fazer rir. Palhaço: chamou-lhe Miguel Sousa Tavares. Não diria tanto. Até porque ser palhaço exige mais competência do que aquilo que à primeira vista possa parecer. Mas que SEXA nos diverte, é verdade. Isso, claro, não obstante ser dramática a trágica forma de comédia com que nos presenteia.
Nem sempre se pode falar de coisas sérias!

A.O. 25/05/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, maio 12, 2013

Coisíssima nenhuma



Não aposto, coisíssima nenhuma, mas estou certo que tal como Relvas, Gaspar já deve andar à procura da porta de saída!
Destruída que está a pouca economia que sobejava (a interna, porque falar no equilíbrio da balança externa quando este foi conseguido sobretudo à custa do “esmagamento” do poder de compra, vale muito pouco…); emagrecido que foi, muito para além “das gorduras”, todo o tecido social e humano do “cantão” que lhe entregaram para financeiramente afiambrar; desmascarados que estão os erros de Excel com que, mesmo a propósito, foi acelerado o definhamento encomendado; encenada que foi a rábula do “regresso aos mercados” (como se o verdadeiro encenador não fosse o BCE); feito tudo isso – e muito mais que não devia –, prevejo que a “apoteose final”, precedendo a sua saída de cena, esteja para breve. Para antes mesmo do mítico fim do “Plano de Ajustamento”. Convenientemente para antes de ficar ainda melhor demonstrado o exagero da receita aplicada e o consequente desperdício causado, quanto aos enormes sacrifícios impostos!
Numa coisa Gaspar tem toda a razão: ele não foi eleito coisíssima nenhuma. Mas tal como ele outros, tipo António Borges, que principescamente “pago por fora” governa e comanda Passos Coelho, um primeiro-ministro que, também ele, não foi eleito coisíssima nenhuma, pelo menos para fazer o que está fazendo!
Pior do que Gaspar, por andarem mais próximos e a sua incompetência e/ou incoerência mais nos tocar, são os seguidores locais do “passismo”: autêntica promessa de cura que definha mais do que a doença! A estes tudo lhes serve para procurar salvar a própria pele: ainda recentemente culpavam Passos Coelho pela derrota eleitoral sofrida; agora, fingindo saciarem-se com o bónus oferecido a quem liderou o exército derrotado, lá se estão a realinhar com o que sobra do moribundo Relvas/passismo. Em tempos batiam palmas e cantavam loas às toneladas de betão que se espalhou “a eito” em Ponta Delgada (dá dó passar, por exemplo, no Paim); agora, que a “betoneira encravou”, as loas e as palmas são para um tido por desejado “não mensageiro do betão”.
Para falar temos gente. Coerência??; Cumprir com o combinado (uma simples resposta, acto de mínima urbanidade)? Isso não! Coisíssima nenhuma!

PS – Já depois de publicado este texto li que também Carlos Abreu Amorim, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, tornou publicas declarações, consideradas pelo Secretário Geral do PSD como inaceitáveis, incorrectas e ineficientes, sobre este mesmo assunto. Oh laricas!

A.O. 11/05/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, abril 28, 2013

Mar dos Açores: o nosso “petróleo”


Aproveitando o facto do tema, e muito bem, ir “andar na baila” nos próximos dias, vou também a ele regressar com algumas das “achas” com que ando alimentando “esta fogueira” ao longo de anos.
Relembro que, de forma diferente do que se passou por exemplo em Cabinda, enquanto Timor-leste foi uma possessão portuguesa, nunca se ouviu falar do petróleo que sob o seu mar existia. Apesar de tudo, mesmo depois dos portugueses terem sido empurrados “borda fora” daquela ilha, muito pouco se falou sobre as riquezas que o mar de Timor escondia.
Nos Açores, onde – para alguns só recentemente – já se começa a ter uma ideia da fortuna que existe sob o nosso mar, riqueza que inclui metais preciosos e jazidas – mais cedo do que tarde viáveis – de combustíveis fósseis, há que tomar consciência de que, ao invés do que gostam de nos fazer crer, “os coitadinhos” não somos nós, sim outros.
O Mar dos Açores é o nosso “petróleo” e uma das âncoras da nossa soberania: da soberania do Povo Açoriano! Recursos que garantam a nossa independência não faltam. O que nos falta, isso sim, é libertarmo-nos das grilhetas que com a capa desta autonomia nos tolhem. O que nos falta é pugnar para exigir decidir sobre a nossa própria soberania: condição última para negociar as dependências que subsistam. Isso é tanto mais verdade quando a nossa dupla dependência desloca-se cada vez mais de Lisboa para Bruxelas, obrigando-nos a “despachar com subchefes”, impedidos que estamos de aceder directamente “aos chefes”. Nós ainda nem, tal como outros já o fazem (bascos, catalães e galegos, por exemplo), podemos eleger em partidos próprios – e não nas quotas para “nativos” que os partidos portugueses concedem às suas sucursais açorianas – os nossos representantes no seio da UE. E já lá vão 39 anos após o 25 Abril!

Por falar em 25 de Abril: O discurso de Cavaco Silva lembrou, como nunca, outros tempos. Até recordou Américo Tomás! Nunca como naquele discurso o “um presidente, uma maioria, um governo” se aproximou tanto do que sempre me pareceu querer ser: uma “União Nacional”, à moda antiga!

A.O. 27/04/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)