domingo, dezembro 15, 2013

Ai, ai, ai… não fosse o Império …

Tal como em tempos idos, hoje também em época amargurada pelo autoritarismo, pela emigração e por abundante miséria e fome, um dos recorrentes compensatórios “efes”, no caso o do Futebol (o de Fado anda agora mais erudito mas outros ainda continuam a atenuar muitas mágoas e aflições), permitiu recentemente a um alargado número dos súbditos do ex-império alguma tão narcótica quanto efémera alegria. Ao longo de algumas horas até esqueceram a Troika e os incompetentes “Migueis de Vasconcelos” que no protectorado a representa, uns e outra obstinadamente levando a cabo uma destruidora experiência neoliberal que só aos seus olhos é virtuosa.
Foi tal a euforia que, mesmo só quanto ao futebol, até ficou esquecido que o recente êxtase só aconteceu porque, na altura certa, não houve querer – e talvez saber – (facilitar e deixar tudo para a última hora: eis outra marca idiossincrática dos "Tugas") para conseguir o apuramento directo. Mas, como quase sempre “há males que vêm por bem”, o “Play-off” consagrou Cristiano Ronaldo. O Portugal vs Suécia cedo se transformou num Ronaldo vs Ibrahimovic e logo num Ronaldo vs Messi com foros de Reino de Castela vs Republica da Catalunha. Até a uma segunda mão do patético Joseph Blatter vs “Comandante” se assistiu, tudo acabando – pelo menos para já – num global confronto Coca/Pepsi. Grande CR7!
Pelo menos por algum tempo “os restos do Império” (sim, os restos do Império: e não me refiro só ao Pepe, também ao Bruno Alves, Nani, Varela, William Carvalho, Bruma, Cristiano Ronaldo e Rúben Micael) se sobrepuseram à Troika e a todos os troikanos! Aliás, bem representativo da “herança imperial” é o facto de na lista dos melhores marcadores ao serviço da Selecção Portuguesa aparecerem por ordem crescente: o moçambicano Eusébio, e em exequo (pelo menos por enquanto) o açoriano Pauleta e o madeirense Ronaldo, este último bem posicionado para, tal como o “Pantera Negra”, por muitos e bons anos estar habilitado a ser o melhor de todos. 
Com alguma pena minha, claro, pois, mesmo gostando de Poncha, continuo preferindo Vinho de Cheiro com Laranjada a Coca-Cola!

A.O. 23/11/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, novembro 10, 2013

Regressar a Santa Clara

                               
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A ida era sempre mais apressada. Volvida a esquina do Carvão logo se deparava com a rectilínea Rua de Lisboa, ou Formosa, já que este nome em tempos também tivera e assim ainda era conhecida. Moderna, pavimentada, com generosos passeios, ponteados por modestos mas bonitos e eficazes candeeiros, muito fluída para a época (desde que se não estivesse em época de laboração da Fábrica do Açúcar), num triz chegávamos ao Largo 2 de Março: à cidade, que segundo a gíria só ali começava.
O regresso fazia-se com outra pausa. Por baixo, mais junto ao mar, pela “Santa Clara velha”, calcorreando um sinuoso percurso, antiquíssimo: com mais de quinhentos anos. Percorrendo-o, mesmo que inconscientemente trilhava-se História, que, ora mais remota ora mais coeva, se sentia presente a cada passo dado numa via então maioritariamente de terra batida.
Era dupla a esquina de referência na volta: a do Hospital e a da não menos memorável farmácia a ele anexa! O Castelo de S. Brás não passava despercebido, porém, sendo verdade que quer um quer outro fossem “paredes meias” com a arcaica Rua de Santa Clara – mais tarde dividida em Rua Teófilo Braga e Primeira Rua de Santa Clara (esta última com indecisões de identidade que ainda hoje persistem e se testemunham na esquina da Rua José Bensaúde e numa das esquinas “do Calço”) –, dada a majestade de ambas aquelas construções ninguém se atrevia a negar ainda “estar na cidade”. A bem dizer, Santa Clara só começava após “a canada da doca” (actual Av. Kopke). Além do cheiro a maresia, a presença de muitos marítimos e outros trabalhadores do porto, tal como operários e mestres das diversas artes requeridas pela antiga “Junta Autónoma do Porto” ajudavam a definir “a fronteira”. Mas as marcas do percurso – sobretudo as retidas pela saudade e alguma nostalgia de quem percorreu aquele caminho a meados do século XX – só se tornavam nítidas depois de ultrapassada a Rua da Vila Nova de Baixo (actual João Francisco Cabral). E começavam já ali, dependendo da hora, com a azáfama originada pelo “Barracão de Peixe”. Mas logo continuava: a Loja do Sr. Tapia e a sua discreta idiossincrasia; a Barbearia do Sr. Silva, com a muita banda desenhada e as várias colecções de cromos que lá se vendiam; a torrefacção dos Bettencourt e o seu característico aroma a farinha de milho torrado. E continuava do outro lado da rua: a Pastelaria do Sr. Lopes (na casa onde nascera Teófilo Braga, S.E.&O.), os seus bolos de arroz e bolachas de limão; a entrada para o “Estradinho”, antiga “porta para o mar de Ponta Delgada”, acesso para o recinto de banhos onde um sem número de pessoas "daquelas bandas" aprenderam a nadar (com minúsculas piscinas, uma poça entre pedras com grossas correntes a servir de módulo de segurança, e já no mar, o “poceirão” ao lado do qual se esperavam as ondas para fazer “carreiras”); a Geladaria Esquimó com seus sorvetes e sumos; e, quase no fim do percurso, a “Loja do Sr. Manuel Pedro”, as “pimentas” (doce de açúcar envolto num palito de cana) e os gelados caseiros de cacau ou baunilha, cujos sabores a memória ainda retém.
Passado “o Calço” lá estava de novo a Rua do Carvão, com o fim da viagem logo ali.

A.O. 09/11/2013; “Cá à minha moda" (revisto e muito acrescentado) 

sábado, outubro 26, 2013

Canárias: saudação e solidariedade

Ocorre ao longo do dia de hoje, a propósito do 49º aniversário da criação da Bandeira das Canárias (a tricolor com sete estrelas que aglutina diversas tendências independentistas canarinas, pavilhão também parcialmente “adaptado” via Estatuto Autonómico, em 1982, substituindo-lhe as estrelas por um escudo encimado pela coroa real espanhola), mais uma manifestação a favor da Independência das Canárias. Quer esta quer as actividades político-culturais que se lhe seguem têm lugar em Aguere, local histórico e emblemático para o independentismo canarino, simbolismo que ficou recentemente acrescido com o facto de lá ter sido subscrita a “Declaración de Aguere” (28/06/2013), pela qual diversas organizações políticas independentistas firmaram em acordo constituir e colocar em funcionamento o Conselho para a Descolonização e Transição, preparando o advento do Estado Livre, Democrático e Soberano Canário.
Há muito a aprender com as Canárias, desde logo no conseguir levar o Estado Português a aceitar a existência de partidos independentistas, única forma de lutarmos, no terreno e democraticamente, pela Autodeterminação dos Açores!
Desde 1993 que os destinos das Canárias, tal como os de muitas das suas autarquias, são dirigidos pela Coligação Canária (CC), agregação de diversos movimentos abrangendo um amplo espectro ideológico: desde os explicitamente independentistas até outros mais moderados que defendem o federalismo dentro da Espanha, passando por movimentos regionalistas, simplesmente autonomistas, até conservadores, mas todos canarinos.
Bem vistas as coisas, nada que nós, açorianos, já não tivéssemos experimentado: foi com partidos açorianos e uma “aliança de lato espectro” que se venceu a primeira grande batalha em prol da Livre Administração dos Açores pelos Açorianos (1895) e, se é certo que Salazar e a Ditadura por si patrocinada se encarregaram que destruir este capital político, estranho é que, depois de um período de Democracia, que conta já quase tantos anos quantos os da Ditadura, seja uma Constituição dita democrática o que nos impede de pacificamente lutar pela emancipação que esta mesma Constituição reconhece a outros, mas não a nós!
A.O. 26/10/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, outubro 12, 2013

O rescaldo da “briga”


Em “Tirar o pauzinho do ombro” – AO 28 de Setembro – procurei assinalar as excepções ao ditado “Brigam dois se um quer”, enfatizando a importância que os “terceiros” tinham, na defesa de interesses que em regra nada têm a ver com os de “Loeste”, no estimular da contenda. Referi também que neste como em muitos outros casos só excepcionalmente os vencedores da “briga” não eram aqueles que sensatamente mais a tinham procurado evitar; que os “terceiros”, com a crónica dificuldade patenteada (desde 2005) em discernir entre fraqueza ou debilidade momentânea vs ponderação / humildade de vencedor (que só alguns têm) / afincada defesa do interesse da localidade, de tudo serem capazes para estimular o conflito; que as “vitimas” (fora aquelas, raras, que de uma forma ou de outra por tal foram – ou irão ser – recompensadas) ainda antes de verem “saradas as feridas” já tinham percebido que os “terceiros” eram quem mais espicaçava a demanda, embora também rapidamente isso esquecessem, para logo, ignorando a lição, caírem em novas e repetidas “esparrelas”!
Há sinais que parecem óbvios e não deviam (é até pouco inteligente fazê-lo) serem ignorados. Não cedendo a paternalismos fáceis nem às oportunistas alterações de perfil (inicialmente a experiência; depois mais juventude; agora ainda mais juvenilidade, desta feita associada a melhor imagem e suposta maior popularidade) dos sucessivos candidatos apresentados para combater um projecto já consolidado (o preferido desde a primeira hora) os santaclarenses têm demonstrado serem eleitores esclarecidos e com consciência cívica formada. Muitos outros seriam os exemplos possíveis, mas o invulgar número de votos em branco também o atesta, dando por isso ainda mais significado ao acentuado reforço na votação obtido por “Santa Clara – Vida Nova”: em 2005, pouco mais de uma dezena de votos de diferença; 2009, +/ – 150 votos de diferença; 2013, +/ – 200 votos de diferença. Sempre a crescer, enquanto os adversários nunca mais atingiram o patamar de 2005!
Será que os “terceiros” entendem estes sinais? Pelo menos até aqui não os entenderam, bem pelo contrário: prometer só para constar e retaliar só para tentar vergar tem dado no que deu. Irá mudar? Veremos!
Uma coisa é certa: não será por aí que nos conseguem desmobilizar (ou será que ainda não está demonstrado?). Continuemos!

A.O. 12/10/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, setembro 28, 2013

Tirar o pauzinho do ombro


Brigam dois se um quer”, refrão velho e acertado, não é porém, como quase todos os outros aforismos populares, uma verdade absoluta!
Em Santa Clara, onde nasci e cresci, havia um generalizado hábito – não creio ser exclusivo de Santa Clara, mas só lá o presenciei –, quase sempre estimulado por terceiros que não os dois contendores em confronto, que tinha por objectivo impelir uma luta entre dois rapazes. Acontecia quando o “conflito” estava quase a ser amenizado, em regra porque um deles, o mais ponderado, o mais das vezes o mais forte e seguro de si, o tentava evitar. Nesta ocasião sempre havia alguém que “picasse” para que a coisa não ficasse por ali. O costume era, um dos “outsiders”, geralmente mais velho que ambos os “putos” em questão, colocar “um pauzinho” sobre o ombro de um deles – tendencialmente do adversário daquele que conscientemente procurava evitar “a briga” –, dizendo ao outro: «Vê lá se és capaz de “tirar o pauzinho”, se não o tirares é porque tens medo dele!». É óbvio que “a briga” começava logo ali, geralmente acabando sem grandes consequências, e, apesar de tudo, muitas vezes cimentando amizades que se prolongaram pela vida. As excepções existem, mas são irrelevantes!
Também só excepcionalmente o vencedor “da briga” não era aquele que, sensatamente, a tinha procurado evitar. Claro que “aos terceiros”, com pouco a perder fosse qualquer que fosse o desfecho da refrega, o que mais interessava era o espectáculo e só por isso o incentivavam, para tal chegando a convencer aquele que pela consequência lógica dos acontecimentos logo se tornaria vítima, que o mais ponderado, mais seguro de si e em regra mais forte, estava a evitar “a briga” por fraqueza ou por alguma debilidade momentânea: não por ponderação, humildade (aquela que só alguns vencedores têm) e interesse geral de todo o grupo.
Logo que “a briga” acabava tudo voltava ao normal. Ainda antes de “saradas as feridas” já todos tinham percebido que afinal não brigam dois só porque um quer; que “os terceiros”, “moquencos” e ávidos de por uma “briga”, tinham sempre uma enorme cota parte na demanda. Mas algum tempo depois já se tinham esquecido da lição, caindo de novo noutras “esparrelas”!

A.O. 28/09/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, setembro 14, 2013

Cidadania

Preparando a acção, agindo: é "Santa Clara - Vida Nova". É a cidadania em prol da freguesia!

O mais recente exemplo da persistente acção cívica e de cidadania do Grupo de Cidadãos Eleitores “Santa Clara – Vida Nova” em prol da sua freguesia, foi a realização do debate político que aconteceu no passado dia 9, aberto a TODOS os candidatos a presidente da Câmara de Ponta Delgada, sob o tema “E Santa Clara?”.
É óbvio que a maioria (diria mesmo a totalidade) dos temas ali tratados, além de serem do interesse específico de Santa Clara, são também de grande interesse para Ponta Delgada. Óbvio também é que muitos deles são do interesse das freguesias vizinhas, nomeadamente os relacionados com a Rua João do Rego, “Tanques do óleo” e Fábrica do Açúcar”, embora seja Santa Clara, em especial “Santa Clara – Vida Nova”, quem pareça ser o único interessado na sua resolução, mantendo-os na agenda política e mediática, e não dando folga a quem quer que seja na denúncia dos incumprimentos e/ou “derrapagens” dos prazos estabelecidos.
A par dos apoios institucionais que vão conseguindo para “levar água ao seu moinho” – demonstra-o (para não dar outros exemplos) a requalificação do pouco que ficou da “Mata da Doca” ou já mais recentemente a grande beneficiação operada no Ramalho –, “Santa Clara – Vida Nova” mantém-se intransigente na defesa da sua freguesia, não se poupando na denúncia da falta de cumprimento de promessas feitas uma, duas e três vezes, e outras tantas vezes não cumpridas e/ou adiadas!
O debate da passada segunda-feira foi prova da eficácia e mérito da denúncia frontal e persistente, sobretudo quando assente em realidades concretas. Houve quem dissesse que passadas aquelas mais de duas horas “saiu como entrou” e que nenhum contributo foi dado no sentido da resolução dos problemas de Santa Clara. Para pensar assim só pode ser alguém que tenha estado desatento ou que ali tenha ido com “missão” de branquear o passado recente, um passado de pelo menos oito anos de falta de cumprimento e "revanchismo", que, claro, há quem tenha interesse em fazer esquecer!
Aqui fica um exemplo (apenas 1) da mais valia do evento: sobre um tema que tem oito anos de “má solução” – a “sui generis” forma gestão do Centro Cívico e Cultural de Santa Clara – conseguiu-se um alargado consenso, ficando o compromisso de que, no mínimo, a sua gestão deveria ser partilhada com a JFSC. Pelo menos neste caso, Aleluia! Mas sobre outras questões foram também deixados indícios de solução. E, gostem ou não, avancem sobre nós com os "exércitos" que entenderem: nunca afrouxaremos a luta para que também sobre estes outros temas (2ª Rua de santa Clara incluída) possamos em breve “cantar hossanas”!


A.O. 14/09/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, agosto 31, 2013

Nunca é demais repetir


São cada vez em maior número as listas de cidadãos eleitores Independentes. Para as combater começa até a aparecer um novo fenómeno: listas partidárias, ditas de independentes, que apenas pretendem dissimular o partido que por detrás dela esconde/disfarça suas cores e símbolo.
“Santa Clara – Vida Nova” é pioneira na participação dos cidadãos na gestão da sua autarquia! Vem de 2005 a intenção de agregar TODOS em Santa Clara. O grupo foi criado para concorrer às primeiras eleições à Junta de Freguesia de Santa Clara, tendo como objectivo claro: TODOS juntos para fazer Santa Clara recuperar o muito tempo perdido até então! Cedo se percebeu que a ideia não interessava ao PSD. O que, em termos estritamente “político/partidários” até era compreensível, tal era a hegemonia do PSD em Ponta Delgada e a sua forte convicção de vencer facilmente as primeiras eleições em Santa Clara. Mas interessou, e interessa, a muitos militantes e simpatizantes do PSD em Santa Clara, que ao contrário do partido, e bem, colocam em primeiro plano os interesses de Santa Clara. Se de certa forma era esperada a posição do PSD em 2005, o que se seguiu é que não era espectável: a falta de solidariedade, a retaliação, a discriminação e o muito mais que aprontou uma Câmara gerida pelo PSD contra Santa Clara!
Ainda de mais difícil compreensão foi ver a história repetir-se em 2009. Repetir-se, agravando a hipocrisia política que a consubstanciava, pois chegou a ser admitido corrigir o erro de 2005 (não fazendo frente a “Vida Nova”) quando em simultâneo aliciavam membros do grupo para isso e aquilo, inclusive para, como independentes, encabeçarem a lista do PSD por Santa Clara!
Em 2013, enquanto se prometia mudança e “rompimento com o passado”, tudo na mesma continuou, diria até que com duas agravantes: a dissimulação do cariz partidário da candidatura (se são independentes porque não se juntam aos verdadeiro Independentes?) e o aproveitamento de alguma ingenuidade e imaturidade tida “à mão de semear”, que, como se nota, já causa danos aos aliciados!
Para “Santa Clara – Vida Nova” o caminho está há muito delineado: Continuemos!


Nota (a ser desenvolvida oportunamente): é bom ser referido pelo Sr. Gustavo Moura (CA-28/08/2013). Melhor ainda quando de forma elogiosa. Tudo o mais é diferença de opiniões, sempre salutar. Já o “ter razão antes do tempo”, condão meu, é bem pior! Obrigado.

A.O. 31/08/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, agosto 03, 2013

SANTA CLARA – VIDA NOVA



Penso em Santa Clara e logo me vem à memória os “Tanques do Óleo”: já estou convencido que o compromisso de os desactivar em 2013 “vai derrapar”, mas certo também estou que não será por muito mais tempo!
Penso em Santa Clara e não posso deixar de me lembrar do “Matadouro”: Ohh como tudo aquilo já podia estar, não fora a demanda judicial pela sua posse por via da “teimosia” da presidência da CMPD, um tempo perdido de incalculável valor, sobretudo tendo em conta que então ainda se vivia o “tempo das vacas gordas”!
Penso em Santa Clara e sobressalta-me a “mesquinha vingança” consubstanciada nos sistemáticos atrasos na requalificação da 2ª Rua de Santa Clara. Inícios de obra prometidos e “reprometidos” consoante se tornava eleitoralmente oportuno – oh que agora se diz de promessas eleitorais com maior consistência, só porque feitas por adversários –, com o resultado que se conhece: NADA FEITO!  A lista das “maldades” que a presidência da CMPD tem feito a Santa Clara enchia por completo este espaço, mas para além de lamentar a mais recente contradição do actual Presidente de Câmara (e candidatado a novo mandato), que se auto intitulou “ homem sem medo de roturas” mas no que respeita a Santa Clara em nada “rompeu” com o passado, dada a época, prefiro preencher destes 2200 caracteres enunciando parte daquilo que já mudou em Santa Clara, muito sem dúvida só possível dado o empenho das entidades directamente responsáveis, mas tudo, estou certo, estaria praticamente na mesma não fora o persistente empenhamento de “Santa Clara – Vida Nova”: desde logo o exemplo de intervenção política em prol da cidadania activa dado por este movimento. Uma acção dinâmica, proactiva, não vinculada a partidos políticos, mas não avessa aos Partidos Políticos, bem pelo contrário, já que da maioria deles (a lamentável excepção é o PSD: o que não pode deixar de estar directamente ligado a uma encarniçada atitude de “mau perder” contraída em 2005!) recebe o mais apreciável dos apoios: “não apresentarem listas à Assembleia de Freguesia de Santa Clara em reconhecimento do bom trabalho efectuado”. Mas muitos outros exemplos do que de diferente há em Santa Clara não faltam. Uma viagem entre a “rotunda das cancelas da doca” e a “rotunda da antiga aerogare” será uma das boas formas de ver, “in loco” e de forma concreta o “antes” e o “depois” de “Santa Clara – Vida Nova”. Mas há mais, muito mais que não vê. E/ou até que nem se pretende mostrar (é que apesar de tudo, ao contrário de outros – que com a “caridade” fazem campanha – com “Santa Clara – Vida Nova” em questões de solidariedade é regra a célebre frase bíblica: “o que a mão direita dá a esquerda não necessita de saber”!

A.O. 02/08/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, julho 20, 2013

VIDA NOVA

Foi já há oito anos, mas parece ter sido ontem! 
Ansiosos por dar o “primeiro passo”, cedo chegou a primeira surpresa desagradável: saber que a “Comissão Instaladora”, ao contrário do dito na Lei, só mais tarde seria constituída; com a tomada de posse a acontecer cerca de três meses antes das eleições, não a seis, como seria normal e era esperado! 
Iniciado o processo de certificação da recolha de assinaturas de que carecem as candidaturas de Grupos de Cidadãos, já Santa Clara fervilhava com a campanha para as Autárquicas de 2005, prenhe de cartazes (com promessas que 8 anos depois ainda estão por cumprir) e repleta de inaugurações, quando “Santa Clara – Vida Nova” começou a receber as primeiras “bocas”: “Não admito que outros escondidos por trás de listas de independentes venham agora descobrir Santa Clara” disse-se na altura, sem imaginar o número de filiados e apoiantes do seu partido estava ofender e afrontar com a provocação. Afrontar e ofender porque de facto não eram (nem são) “outros”, mas também porque mesmo destes, muitos, desde há muito, não só já conheciam, como tinham dado muito na defesa dos interesses da localidade, nomeadamente em abono da causa que permitiu Santa Clara readquirir o estatuto de freguesia! Mas as “bocas” não se ficaram por aí. A par das muitas “promessas” que o tempo se encarregou de demonstrar o quanto eram demagógicas e enganosas, apareceram também os provocatórios desafios que já antecipavam ambições mais tarde confirmadas: “Esta obra é apenas o início de um processo de requalificação que irá chegar ao largo da Igreja…”, e logo: “Esperamos agora que o Governo possa também cumprir a promessa de requalificação da Av. Príncipe do Mónaco”. É conhecido o resultado dos desfechos eleitorais que se seguiram (em 2005 e 2009), e quem passar em Santa Clara facilmente confirmará quem cumpriu e quem mentiu!
Santa Clara mudou muito, o “Jardim Padre Fernando” e o “Novo Ramalho” são apenas dois exemplos bem elucidativos. Há também, infelizmente, o que, custosamente, se arrasta: “os Tanques da Bencom” e o “Matadouro”, muito embora num e noutro caso "o seu dia” já tardasse mais! Mas mau demais é o que se passa com a 2ª Rua de Santa Clara, a tal promessa de requalificação anunciada em 2005, mais tarde repetida e reforçada, mas até hoje teimosamente adiada a coberto dos mais diversos pretextos. Desculpas que continuam. É pena! 

A.O. 20/07/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, julho 06, 2013

“Rapazins”, hipocrisia e exemplo



Coisas de rapazes” é o mínimo que se pode chamar aos recentes desmandos de Pedro e Paulo, que, de positivo (para os deles), só teve o facto de “passar uma esponja” sobre aquela que foi a mais eficaz “manobra oposicionista” dos últimos dois anos: a carta de despedida do número dois do governo, o “infalível” Gaspar!
A hipocrisia em política pode ser o “pão-nosso de cada dia”, mas há limites que ao serem ultrapassados descredibilizam (mais ainda) todos os seus protagonistas, em especial, os líderes!
- Que sentido faz estes “rapazins” andarem dois anos a compor e implementar todo o mal que têm feito, só para parecerem “bons alunos” e/ou “meninos bem comportados” perante “os patrões internacionais", para depois, numa semana de já longa traquinice, “partirem a louça toda” que nem gregos acossados por troianos?
- Que sentido faz estes “rapazins” andarem todos os dias a pregar as virtudes da credibilidade e da estabilidade política perante os credores externos - e não só -, para, bastando um impulso dos seus enormes egos, serem eles próprios o principal motivo de vergonha e descredibilização geral?
Paulo Portas terá culpas, mas neste caso em concreto (a desastrada governança de Portugal: e já lá vão dois anos!), tal como Victor Gaspar deixou escrito, a incompetência de Passos Coelho, o seu sectarismo, a sua obsessão e obstinação – como que doentias (diria que para disfarçar as incapacidades de liderança que patenteia) – mais que uma imagem de marca: são mesmo uma indelével evidência! Passos Coelho é a estampa do pior que o PSD tem para dar. E se é certo que nem todos no seu partido são assim, certo também é que, infelizmente, ele não é caso único. Nem é necessário ir muito longe! Por cá não faltam “Passos Coelhos”: também “rapazins”; também sectários; também obstinados, e, sem dúvida, também tão ou mais desastrados do que “o seu mandante”. Não faltam "Passos Coelhos" nem faltam exemplos da sua forma de actuação. Alguns retomados recentemente, com a obsessão da Concelhia de Ponta Delgada em “conquistar” Santa Clara mostrando-se o mais visível de todos!
Para o PSD, para algum PSD, há interesses que justificam – e bem - colocar de parte os proveitos partidários em prol de interesses superiores. Para outros vale tudo: (re)prometer o que se sabe não ir cumprir; desafiar e tentar menorizar os que demonstram conseguir vencê-los; aliciar e “comprar” uns e outros para dividir os vitoriosos, fazer campanha com meios que só fazem sentido serem usados em benefício de todos e não só de alguns, e até, já para além do limite da civilidade razoável, não cumprir o acordado, mesmo quando se trata de uma simples carta resposta. E pior que tudo: alargar o número, sem as respeitar, das vítimas que “o sacrifício” deixa pelo caminho!

A.O. 06/07/2013; “Cá à minha moda" (revisto e algo acrescentado)