terça-feira, fevereiro 27, 2007

O “jogo de cintura” e os factos

Surpreendido, e, não o posso deixar de referir, moderadamente agradado, dei conta de que na proposta de alteração aos estatutos do CDSC (versão levada ao Conselho Santaclarense, sobre a questão em apreço, a mesma que foi aprovada na AG), finalmente, se havia tomado a iniciativa de enfrentar “a farsa do 31 Janeiro de 1921”.
Embora sem estar em completo acordo com o teor do novo art. 1º, não pude – nem posso – deixar de apreciar a tentativa de aproximação à verdade, sobretudo, quando recordo o comportamento do passado ainda recente, onde, a acrescer à então reinante trapalhada, sobre este assunto, era só cinismo e hipocrisia; um permanente “fazer orelhas moucas”, o sistemático remeter para calendas gregas dos diversos compromissos assumidos no sentido de estudar e esclarecer uma verdade de que desde há muito, teimosamente, alguns, se esforçam em escamotear.

Nunca é demais repetir factos:
É falso que o CDSC tenha sido fundado a 31 Janeiro de 1921;
São de Maio de 1927 (dão-se alvíssaras a quem as encontrar antes desta data) as primeiras referências sobre o CDSC;
Ocorreu a 21 Junho de 1927 a AG de aprovou os estatutos de fundação do CDSC; Data de 29 Julho de 1927 o alvará concedido pelo Governo Civil ao CDSC;
A inscrição do CDSC como sócio da Associação de Futebol acontece em Novembro de 1927;
Só a 20 Novembro de 1927 ocorreu o primeiro jogo oficial do CDSC;
…e por aí em diante!
É evidente que estou consciente dos constrangimentos que tudo isso cria. É óbvio que, mesmo não aceitando, até compreenda (por mais primária que se apresente) a argumentação de alguns. Mas – é razoável, julgo –, a minha tolerância é inversamente proporcional ao nível de instrução dos que persistem em bater com o pé as pancadas de Moliére que sempre precedem esta récita.
Do próprio, in A. O. 27/02/07; “Cá à minha moda”

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Day after

Aqui; despenalização vs legalização. Ali; “bêbê” vs embrião. Acolá; se o aborto vai ou não continuar crime passado que seja um dia após os setenta que a lei tolerará, e, sinceramente, já estava a tornar-se insuportável esta sebenta e tortuosa campanha eleitoral; uma pena, tratando-se – como foi o caso – de um dos raros momentos em que o sistema nos permite recorrer à democracia directa.
Serenados os ânimos, e procurando manter um frio alheamento aos apelos que enfatizando emoções básicas acabam resvalando para – e revelando – um certo fanatismo religioso (uma “feroz”, poderosa, e bem organizada legião de leigos, qual guarda avançada, assumiu – e assim continua -, posições bem mais radicais do que a própria hierarquia da Igreja Católica), talvez seja hora de, tipo balanço, com quatro perguntas que também apenas pedem um SIM ou um NÃO como resposta, fazer um ponto de situação:
1ª - Após a vitória do sim, e quando a lei em vigor for alterada, ao contrario daquilo que durante a campanha eleitoral alguns, com veemência, pareceram querer fazer crer, alguém irá ser obrigado a abortar?
2ª - Estabelecida a nova situação, quem é que irá impedir os que, sobretudo quanto à questão em causa, se regem por dogmas de fé, de assim continuarem a actuar?
3ª - Não era muito mais desadequado manter a imposição de uma moral e ética particulares a quem as não deseje adoptar?
4ª - Com esta alteração ficam ou não criadas mais e melhores condições de apoio à Vida, principalmente quando esta resulta de uma maternidade desejada, logo, tendencialmente mais feliz?
Penso que a resposta continua sendo o SIM. Da mesma forma espero, que a partir de agora, uns e outros se mantenham coerentes com posições que em campanha pareceram consensuais; o devido aconselhamento prévio, um efectivo apoio à maternidade desejada, uma eficaz educação sexual e uma doutrina de modernidade quanto a métodos e meios de planeamento familiar!
Do próprio, in A. O. 13/02/07; “Cá à minha moda”

segunda-feira, janeiro 29, 2007

SIM,

... porque quando a lei vigente (nºs 2, 3 do Art.140 Código Penal) reza textualmente: “Quem, por qualquer meio e com consentimento da mulher grávida, a fizer abortar, fora dos casos previstos no artigo seguinte será punido com prisão até 3 anos. Na mesma pena incorre a mulher grávida que fora dos casos previstos no artigo seguinte der consentimento ao aborto causado por terceiro, ou que, por facto próprio ou de outrem, se fizer abortar”, e quando o que está de facto em causa é a pergunta: “Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?”, em consciência, não tenho outra resposta a dar.
SIM porque, despenalizar a IVG até às 10 semanas não é sinónimo de obrigar quem quer que seja a abortar, e para além disso, elimina alguma da muita hipocrisia que, ignorando e até pactuando com “soluções topo de gama”, até aqui só tem deixado à mercê da lei “casos de vão de escada”.
SIM, porque, por muito que seja o respeito de deva existir por um projecto de vida, é ainda maior aquele que me merece a vida, a liberdade e a dignidade do ser humano completo que o acolhe no útero.
SIM, porque um Estado democrático, civilizado, moderno, e se deseja tolerante, cedendo a coacções confessionais para impor condutas que só ao foro pessoal íntimo devem dizer respeito, mesmo quando o não parece, aproxima-se de outros em que, por regra legal, a mulher é tida como ser inferior, no melhor dos casos, obrigando-se a sair à rua de rosto coberto.
SIM porque, não é com atitudes fundamentalistas que ainda hoje condenam milhares de humanos à morte (a “pecalização” do uso do preservativo por exemplo), ameaças de excomunhão (sorte nossa já não haver inquisição), nem “hábeis jogos de palavras”, que se combate um grave problema de saúde pública; o aborto clandestino.
Do próprio, in A. O. 30/01/07; “Cá à minha moda”

terça-feira, janeiro 16, 2007

De regresso

Com as oitavas da Festa e do primeiro dia do ano (dias em que o AO não foi publicado) coincidindo com duas Terças-feiras, como que ganhei umas férias, que logo me apressei a estender a outras actividades similares – também à “NET”, sobretudo quanto à “blogosfera” –, aproveitando para colocar em dia umas quantas tarefas que há muito aguardavam oportunidade, para assim, “acertado o passo”, melhor entrar no Novo Ano. Férias casuais, muito bem vindas, principalmente para quem, como eu, passa mal com os excessos – também de hipocrisia – em que a quadra natalícia é pródiga!
De regresso ao dia a dia habitual, fora portanto do “micro universo” em que entretanto me refugiara, claro, tudo continuava na mesma. Nalguns casos até piorara:
É o Bush que, após reconhecer o atoleiro em que “nos meteu”, continua insistindo em chafurdar ainda mais naquele lodo de petróleo fedendo a morte;
É o Chávez, que antecipando o eventual vazio a deixar por Fidel na zona, após usar a democracia para ser eleito, anuncia a sua “eternização” no cargo;
É o “aborto” desta pré campanha sobre o referendo para a despenalização da IVG, que, mais uma vez, contornando o problema fulcral e fugindo aos devidos esclarecimentos, transformada que está numa cruzada fundamentalista, ou muito me engano, ou já está a contribuir para abrir ainda maiores brechas nas hostes dos que muito teriam a ganhar com uma actuação mais sensata e discreta;
Foi a triste confirmação – e não faltou quem avisasse – de ter sido pior a emenda do que o soneto no agitado caso do transporte marítimo inter ilhas;
É a infeliz constatação – o caso McDolnad’s, apesar de muito visível, é apenas um pequeno exemplo – de que Ponta Delgada resiste cada vez menos ao “progresso” imposto pelos grandes interesses, sempre em detrimento do manifesto interesse público.
E basta; Bom Ano!
Do próprio, in A. O. 16/01/07; “Cá à minha moda”

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Futebol Carolino

Não podia ser melhor a decisão do novo PGR quanto à escolha da responsável para coordenar os estridentes e escaldantes efeitos do “apito de filigrana”. Temo porém, minado como parece estar o processo – até a constitucionalidade da lei está em causa –, pelo “calar” de uma voz incómoda; a de uma magistrada cuja reputação, frontalidade, competência e coragem é tida como um oásis no desesperante deserto da Justiça. Deseja-se que a Senhora seja feliz na sua nova incumbência, que a actuação que dela se espera “faça escola” e se estenda a outras latitudes.
É que, por maior que seja o “amor clubista”, não imaginam como é difícil – quase insuportável – assistir a um espectáculo onde um desavergonhado “artista”, sem mudar cenário nem adereços, troca o circense funambulismo por um drama melodramático. Passa fora; já lá vão três dias e ainda estou enojado!
Nem sempre foi assim. Tempo houve – algum ainda recente – em que o futebol convivia de perto com cultura, altruísmo e filantropia, ocupando estes um espaço, em grande parte, hoje tomado pela boçalidade, oportunismo e corrupção.
A propósito. Permitam que partilhe convosco um naco da obra de Rolando Viveiros (fundador da “Associação de Foot-ball de Sam Miguel”):

QUESTÃO DE CLASSES…
Para o comboio da Vida
a todos é dado um passe…
O mal é que a maioria,
numa inconsciência atrevida,
só quer andar, hoje em dia,
avante, em primeira classe…

HISTÓRIA DE UM JOGADOR (excertos)
(…)
Deixando-se levar pelos arrancos
de uma paixão do jogo, desmedia,
perdera, aquela noite, dez mil francos,
fazendo, contra a Sorte, uma investida.
(…)
(…)
Pus-me a fazer as cenas, de tropel,
para me colocar em evidência…
Deu isto que aqui vês – uma falência!
Arrepiar não posso já carreira!
É o caso de “asneira puxa asneira”…
(…).

Do próprio, in A. O. 19/12/06; “Cá à minha moda”

Come back

Mais de um mês depois, com a vidinha supostamente melhor organizada, aqui estou eu de volta.
No entanto, vou já avisando - sobretudo aos muitos resistentes que por aqui foram passando mesmo sem eu ter nada de novo para lhes dar - , daqui para a frente irei ser ainda bem mais poupadinho no tempo a empregar nesta função.
Como diria o Guterres; "É a vida"!

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Uma justa homenagem



Embora significativamente atrasado, não quero – nem podia – deixar de, modestamente, também contribuir para tentar amplificar o eco do reconhecimento público assumido pela Universidade dos Açores sobre a vida e Obra do Comendador Manuel Ferreira. Que mais não fosse, porque entre o muito que devo ao decano dos autonomistas em combate, está o agradecimento pelo convite (foi com certeza por sua iniciativa que a UA me fez chegar honrosa missiva), assim como a justificação pela minha não comparência na distinta cerimónia (está a acalmar, felizmente, o alucinante rodopio em que para mim se tornou este ano de 2006, com o facto de ter mudado um dos meus poisos habituais a agravar, ainda mais, a desorientação e vertigem).
É relativamente recente – não superior a uma década – e tem sido imensamente gratificante, autêntico privilégio, poder conhecer, de perto, este enorme vulto da açorianidade, o incansável, apesar dos seus noventa anos de idade, lutador pela autonomia dos Açores que é Manuel Ferreira. No entanto, já vem, pelo menos desde os tempos da polémica demolição do antigo “Edifício das Finanças”, a minha fidelidade à sua acutilante pena. Em finais de setenta, já em tempos de liberdade, comprei o “Barco e o Sonho” com o mesmo frenesim subversivo, e quase o mesmo “nervoso miudinho”, com que no início da mesma década, ainda antes de 1974, havia subido a Rua de São João para, receoso, tentar assistir a uma sessão da CDE. Se foi o conto que trata a aventura do “Varito” e do “Vito” o que deu nome e popularizou a publicação, para mim, naquele livro, um verdadeiro ícone é o “Alevante da isca”. Que irreverência; que belo “chamar dos bois pelo nome”. E que dizer quando se sabe que aquele texto foi escrito, e publicado, em 1948?
Bem hajas Comendador Manuel Ferreira.
Do próprio, in A. O. 05/12/06; “Cá à minha moda”

terça-feira, novembro 21, 2006

A previsível “relação perfeita”







Quando, quase em simultâneo, começam a ser de sinal contrário os indicadores macro económicos que até aqui ajudaram a alimentar a mediática forma de comunicar adoptada pelo actual Primeiro-ministro, e, após a ofensiva das “massas”, agora são também os “detentores da massa” quem começa a reagir às “alfinetadas” a que os ameaçam sujeitar, com uma e outras coisas abrindo as primeiras brechas na bem montada campanha marketing político (um magistral “simplex”) que envolve este “socrático” governo, eis então que surge a oportuna – oportuníssima – declaração de apoio do Sr. Professor à política do Sr. Engenheiro.
Para que não surjam dúvidas nem me incluam no grupo dos que, numa hora destas, possam estar a sentir algum complexo de orfandade, ou pior do que isso, no daqueles que, agora desiludidos, antes integravam as hostes que se convenceram de que S. Exa., a partir do Palácio de Belém, ia fazer guerrilha ou até liderar a oposição, recordo o que, ainda a campanha para as presidenciais não tinha saído do adro (vivíamos então o rescaldo do episódio; “onde está o mentiroso?”), escrevi:
“Mais «mentira» menos «mentira» (as meias verdades são piores que a mentira), e, ou muito me engano, ou ainda todos veremos Sócrates verdadeiramente feliz com a eleição de Cavaco Silva».
Quem então ficou com dúvidas tem agora oportunidade de as esclarecer. A mim sempre me pareceu óbvio; para um Sócrates frio, calculista e pragmático, a eleição de Cavaco, até porque conjugada com as derrotas de Soares e Alegre, foi o melhor que lhe podia ter acontecido; estão agora os ovos todos no mesmo cesto, num alargado “cestão”, que, não fora a “embalagem”, em nada diferia daquele que tanto agradou à Drª. Ferreira Leite.
Afinal, onde estão os que diziam haver mais vida para além deficit?
Do próprio, in A. O. 21/11/06; “Cá à minha moda”

terça-feira, novembro 07, 2006

A via dolorosa



Tentando salvar a face, os “senhores da desgraça”, viciados no perde/ganha que, proporcionando-lhes algum contentamento pessoal, revelou-se dramático para o CDSC, continuam – triste consolação –, “felizes” na função de fabricantes de bizarrices. Assim se entende a euforia à volta da vitória resultante da proposta de um voto de louvor (AG de 28 Outubro de 2006) a quem acabava de fazer a sua mais recente demonstração de incompetência e dolo.
Chamando MRPV (Minoria Realista, Persistente e Visionária) ou G6, a uns, e MDLT (Maioria Delapidadora, Leviana e Trafulhona) aos outros, recordemos as principais escaramuças dos últimos anos:
1998: Capitaneado pelo “herói” de então, e já preparando a cama onde se haveriam de refastelar aquando da “glória efémera”, o MDLT esmagava o G6 na contenda em prol da constituição de uma Fundação para salvaguardar o “Complexo Desportivo”, derrotando doze anos de trabalho e a memória de dezenas de santaclarenses (e milhares de beneméritos). No ano seguinte, com o “caso Clayton”, caiu por terra um dos argumentos então esgrimidos; o passar do tempo veio revelar onde estava a seriedade (e a falta dela)!
2002: Confundindo inchaço com crescimento, porém congregando “os poderosos” em seu apoio, em eleições estrategicamente provocadas por uma demissão em bloco, o MDLT obtém mais uma vitória no trágico processo de levar o CDSC à “banca rota”. Só não consegue, como pretendeu, silenciar definitivamente o G6.
Queimando etapas (ohh quantos avisos feitos sobre a inexistência de contas claras, e de como, verdadeiramente clara, era a situação de falência técnica em que o clube já se encontrava?!), chegamos ao fraudulento “Plano de Negócios”.
2004: Outra vitória. Outro “herói”. Outro êxito, mas só para quem, à custa da própria vítima, se “abotoou à fartazana”.
Tardia. Superficial. Mas abençoada “varridela”.
Do próprio, in A. O. 07/11/06; “Cá à minha moda”