terça-feira, agosto 17, 2010

Recordações: o “canto em baixo” da Rua do Carvão.


O "canto em baixo" da Rua do Carvão hoje em dia.

Em especial para o “Zezinho” e para o “Canhoto” - ambos emigrados vai para quarenta anos, e com quem via “Face book” retomei contacto muito recentemente - aqui vai o fruto do autêntico “brain storming” que as suas mensagens causaram. Este texto, à laia de conto, servirá também, que mais não seja, para ajudar a recordar a zona onde crescemos e muitas vezes brincamos: um bom reinício de conversa.

Chamavam-lhe “rua dos milionários”. A alcunha derivava do facto de a partir da década cinquenta do século XX terem lá sido construídas umas quantas novas moradias, meia dúzia delas de traça elegante, com fachadas a fazerem adivinhar comodidades acima da média. O seu verdadeiro nome era porém, e ainda o é: Rua do Carvão, bem mais humilde portanto. Tal como modestos eram também – ainda hoje o são – a esmagadora maioria dos que lá residiam.
Na realidade, tratava-se, tal como muitas outras por ali em Santa Clara, de mais uma artéria estreita, paredes meias com terrenos com usos agro-industriais, traçada sem grande auxílio da régua e do esquadro, não pavimentada, em cuja zona de maior largueza - um irregular largo na sua extrema sul - outrora se localizara a fonte pública que abastecia muitos dos moradores das redondezas. Com o decorrer do tempo, e já desde há muito, o líquido vital deixara de correr no antigo chafariz do “canto do carvão”, mas não era isso porém o que impedia de à sua volta continuarem a verificar-se regulares ajuntamentos de novos e velhos, uns brincando, outros cavaqueando, uns e outros, muitas vezes, aproveitando como encosto, ou assento, a laje de pedra se mi circular onde antes enquanto a água jorrava para o seu interior se apoiavam os recipientes para encher até quase transbordar.
Foi junto daquela peanha, emoldurada por um alto balcão que ainda lá está encimando a entrada de uma farta quinta – que então se estendia até mais de meio da rua por detrás dos quintais das casas novas –, quando integrava um grupo de rapazes que ali jogava ao berlinde, que o mestre José Correia – o “velho Saldanha”, grande futebolista da década de trinta, e pai do “Saldanha” que alguns de nós ainda vimos jogar como aguerrido lateral do CDSC nos anos 50/60 –, humilde operário, homem reservado, já então carregando o peso de longos anos de uma vida dura, surpreendeu-me com uma exclamação que, quase meio século depois, ainda recordo.
Naquele dia, quando chegava ao fim mais uma manhã de verão, e o aroma agridoce que durante a laboração da Fábrica do Açúcar impregnava o ar em Santa Clara reforçava a lembrança de que se aproximava a hora do almoço, uma pequena manada, a caminho do matadouro, obrigou a interrupção da brincadeira. Entre os bovinos um enorme touro causava merecida apreensão. Isto, mesmo com os movimentos tolhidos pela corrente, que partindo de uma das patas, após passar por uma argola presa ao focinho, estava firmemente segura pelo tratador. Foi tal o desassossego que até o circunspecto “velhote”, sempre recolhido no seu habitual silêncio, transferira para os animais a atenção até ali dedicada a observar a brincadeira dos catraios. E estes, receosos, acercaram-se do ancião, nele julgando encontrar a segurança que lhes permitia observar, de perto, tão imponente animal.
Quando a manada dobrou a esquina os rapazes como que recarregaram energias, com um deles, aliviado, exclamando em voz alta:
- Livra, que besta de touro!
Foi então que “Ti Saldanha”, interrompendo o seu habitual silêncio, asseverou:
- Pois é. Este menino está na escola mas ainda não aprendeu que um animal ou é besta, ou é touro, ambas as coisas, ao mesmo tempo, é que não pode ser!
E mais não disse. Foi suficiente. Marcou.

A.O. 17/08/10; “Cá à minha moda" (revisto e ligeiramente acrescentado)

terça-feira, agosto 03, 2010

Jorge Nascimento Cabral: em sua memória

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Foi tal o atordoamento provocado pela súbita e brutal notícia, que, passados que estão já quase 15 dias, ainda custa acreditar na enorme perda que o “bom combate” sofreu com a partida, sem regresso, de um dos seus mais francos combatentes.
Para além da família, cujo atrevimento em imaginar o quanto nesta hora continuam abalados é dispensável, Jorge Nascimento Cabral origina um avultado rol de órfãos: são aqueles que deixaram de com ele privar, falar, de o poder ler ou ouvir, exercícios mais ou menos solitários, mas sempre recompensados pela lucidez, frontalidade e desassombro do interlocutor, que não pestanejava para dizer ou escrever o que pensava, independentemente do que isso pudesse desagradar a quem quer que fosse. E fazia-o sem confundir amizades pessoais com disputas políticas, ou duras pugnas em defesa de causas!
Do muito que até hoje já se disse e escreveu, permitam-me destacar o comedido elogio fúnebre de Carlos Melo Bento – aqui já infimamente citado – e a feliz frase de Paulo Martinho, enlevando um espírito que “nunca esteve em paz sujeito”. Acrescentar é cada vez mais difícil, mas há algo que não pode deixar de ser referido: Jorge Nascimento Cabral foi MUITO MAIS do que um grande autonomista, porque é necessário ser-se muito mais do que um GRANDE AUTONOMISTA para levar à Assembleia Legislativa dos Açores, tal como ele o fez, a questão da INDEPENDÊNIA DOS AÇORES.
Conheci Jorge Nascimento Cabral em meados da década de oitenta, vivia eu os primeiros anos da minha própria independência, num tempo em que se ia para o Nordeste por uma tão bonita quanto bucólica estrada, ainda toda calcetada, via que a partir da Salga, ziguezagueando de forma cada vez mais pronunciada, procurava as zonas mais estreitas das ribeiras para as transpor, com pontes construídas usando ainda técnicas e métodos herdados aos romanos. Era uma saudosa e agradável viagem, que não se fazia em menos de hora e meia, ou muito mais, caso houvesse paragem pelo caminho para uma refeição, em regra no Porto Formoso. Se a viagem era assim, o Nordeste ainda era melhor: as modernices, e o dito progresso, ainda o não tinham contaminado. Na altura era até possível alugar pequenas casas que havia na margem da Ribeira do Guilherme, junto à foz – na “boca da ribeira” como é hábito ali dizer-se. Na mesma “boca da ribeira” onde à esquerda da ponte de madeira que conduzia até à zona balnear, num acolhedor acampamento – apesar de ter casa de família por perto –, Jorge Nascimento Cabral passou durante anos parte das suas férias. Naquele acampamento, por vezes, qual urbana sala de visitas, havia noites de grande actividade social. De uma delas recordo o animado remate de um qualquer recente debate parlamentar, com os dois tribunos presentes, não obstante estarem em férias, fazendo uso dos seus singulares dotes, com humor e ironia mordaz funcionando em ritmo de pingue-pongue, e rasgadas gargalhadas de permeio. Dos dois jovens políticos de então, ambos desde sempre militando em trincheiras diferentes, um, infelizmente, já não está entre nós, e o outro, há mais de uma década, preside ao Governo dos Açores.
Pois é digníssimo Jorge, ainda não me refiz da desagradável surpresa que nos proporcionaste. Para a atenuar, e compensar a repentina ausência, tenho lido e relido o prefácio com que me brindaste para prelúdio de um livro que por razões várias continua em maqueta, sem ir ao prelo. Ajuda, mas recorda-me que também tenho entre mãos um dos teus órfãos: um prefácio que já não tem o amparo do seu autor. Nada que não se resolva, mas que contigo por perto seria mais fácil.
Descansa em paz amigo.

PS – Faleceu hoje (02Agosto2010) Mário Bettencourt Resendes: também açoriano, também um insigne jornalista, este sim, só e apenas um autonomista.
Terminada uma longa e brava luta, que agora também descanse em paz.

A.O. 03/08/10; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, julho 20, 2010

O Jardim Padre Fernando




Muito desejado e esforçadamente conseguido, foi inaugurado oficialmente no passado sábado um emblemático jardim público, cujo simbolismo, tal como o legado histórico que acumula, acresce ainda mais valor a esta forte marca da “nova Santa Clara” com que “Santa Clara – Vida Nova” sonhou. Se não, vejamos:
O lugar da ponta delgada, mais tarde Santa Clara, a extrema Poente da acentuada enseada que tem inicio na Ponta da Galera e o local que a meados do século XV foi berço de Ponta Delgada, três séculos volvidos voltou a revelar-se de primordial importância para o desenvolvimento comercial e industrial da cidade que entretanto já crescera e se consolidara como a maior dos Açores.
Os primeiros efeitos desta nova e importante fase de progresso de Ponta Delgada materializaram-se nas milhares de toneladas de pedra com que em Outubro de 1862 se deu início à construção do porto artificial da cidade, inertes todos saídos de uma pedreira cujos vestígios ainda são visíveis, um imenso veio de basalto que aumentando progressivamente em altura, praticamente desde a “Rocha da Nordela” até aos contrafortes da Clínica do Bom Jesus, ainda em finais do século XX como que exibia em retrato a rija essência do lugar.
Na transição do século XIX para o XX, com avultada actividade em 1902, das barrocas e runas resultantes da exploração das “Pedreiras da Doca” o Eng. Dinis Moreira da Mota projectou e impulsionou aquela que se destinava a ser a maior zona arborizada de Ponta Delgada: o “Parque da Alegria” como o seu criador admitiu chama-lo, “Parque Eng. Dinis da Mota” como oficialmente depois foi designado, “Mata da Doca” como todos em Santa Clara lhe chamavam, e assim ficou popularmente conhecida.
A frondosa e luxuriante “Mata da Doca” a partir de meados do século XX foi sendo aos poucos mutilada. Primeiro, na década de sessenta, com a construção dos depósitos da “Pol-Nato”, o que obrigou a destruir, talvez, o maior conjunto de araucárias da Europa. Depois, já em democracia, foi a “Pepom” que também ajudou a devastar e descaracterizar parte substancial do local. Para finalmente, já nas décadas 80 e 90, em consequência do prolongamento do aeroporto - que quase soterrou por completo aquela área - pouco faltar para todo aquele vigoroso pulmão verde desaparecer por completo. De facto, da imensa área que constituía a “Mata da Doca” (220.900 m2 registou com detalhe Gil Mont’Alverne de Sequeira em 1905) apenas sobrou o espaço que depois da espectacular requalificação de que foi alvo se transformou no “Jardim Padre Fernando”.
De regresso ao presente, ao aprazível jardim agora disponível para fruição da população de Ponta Delgada, em especial da de Santa Clara, é justo referir que um projecto com aquela envergadura só foi possível por constituir um muito cuidado e amadurecido fruto da cooperação entre uma pequena e jovem Junta de Freguesia e o Governo dos Açores, consequência de uma alargada conjugação de esforços a que alguns teimam em não aderir, com claro prejuízo para Santa Clara (é ver o modo de ocupação e gestão do Centro C. Santa Clara; foi - e é - o caso do terreno da Rua Dr. Filipe Alvares Cabral; foi - e é - a questão da derrocada na Cerca/Rocha da Nordela; foram - e são - os sucessivos atrasos na requalificação da 2ª Rua de Santa Clara; é o claro sentido de represália que isso, e muito mais, representam).
Relevante também é aquele espaço evocar o Padre Fernando Vieira Gomes: “o Padre Fernando de Santa Clara”, que pouco depois de chegado ao então humilíssimo curato logo sonhou com uma Santa Clara com outro estatuto, muito se batendo por este desiderato. Ele que soube fazer engrossar o exército dos que, durante mais cinco dezenas de anos, acreditaram na “realidade Freguesia” hoje vivida. Ele que premeditou, e hoje se comprova, que com Santa Clara independente tudo se tornaria mais fácil.
Até os sonhos levam menos tempo a realizar!

A.O. 20/07/10; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

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quarta-feira, julho 07, 2010

Santa Clara: uma diferença da noite para o dia

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Hoje tem início mais uma época desportiva, a terceira desta nova fase do CDSC, durante a qual desejamos que seja dada continuidade ao bom trabalho até agora desenvolvido, em consequência do qual, e da estabilidade desportiva que a um nível competitivo muito elevado com o mesmo se tem conseguido, foi disputada até à ultima jornada, em duas épocas consecutivas, a possibilidade de subida à Primeira Liga. Melhor mesmo, autêntica “a cereja em cima do bolo” e culminar do bom trabalho desenvolvido, não é fácil, mas é o que se deseja que desta vez aconteça. Veremos!
Mas não foi só a gestão desportiva o que melhorou. Em paralelo com esta – o que acrescenta qualidade ao trabalho efectuado –, decorridos que estão pouco mais de três anos, começam já a ser visíveis os resultados de uma administração competente, cuidada e criteriosa, que em rotura com as más práticas do passado e contraponto ao desvario que se apoderou do clube ao longo de alguns anos – umas e outro ainda bem presentes na memória de quase todos nós – tem vindo paulatinamente a libertar o CDSC de um destino trágico, que chegou a ser tido como inevitável.
Além de outras, duas notícias recentes dão bem conta da mudança de paradigma agora verificada. A primeira, dando nota de que as contas que serão apresentadas brevemente (só o facto de estas terem voltado a ser apresentadas com regularidade é boa notícia e sintoma de óbvias melhorias) espelham uma clara inversão na tendência dos resultados obtidos, o que acontece mais de uma década depois do clube andar a acumular avultados prejuízos. A segunda, igualmente muito interessante, referindo que também mais de uma década depois, mas desta vez em benefício do CDSC e não de quem dele se servia, são obtidas mais valias com a transferência de um atleta.
É certo que, não desprezando os valores em causa (não é fácil a presente conjuntura), os números de que falamos são claramente mais valiosos pelo que simbolicamente representam do que pelo seu valor material propriamente dito. Mas é também este simbolismo, e o que ele possa representar – e render – no futuro, aquilo que aqui mais interessa evidenciar. Até porque resulta da competente gestão económico/financeira e desportiva já antes referida, para mais quando esta é levada a cabo de forma abnegada e altruísta, em tudo contrastando com outros tempos, o dos profissionais pagos a “peso de ouro”, que nem mesmo assim cumpriam com competência zelo e dignidade as atribuições que lhes eram confiadas.
Podia ser melhor? Claro que sim. É sempre possível fazer melhor, e no caso em concreto, com um pouco de mais determinação em colocar um “ponto final” a duas ou três pendências de pronto identificadas como geradoras de custos exorbitantes, mas cujas soluções se arrastaram arrastando consigo os prejuízos inerentes – o Gímnico, por exemplo –, ainda melhores resultados podiam ser apresentados. Tal como é também bom não esquecer que da herança recebida fazem parte cerca de meio milhão de euros/ano em encargos financeiros; um constrangimento muito considerável.
Parece no entanto que estas melhorias não agradam a todos. Não é difícil detectar – e alguns OCS não se cansam de isso dar conta – os que continuam a recordar com saudade o tempo em que o Santa Clara, em prejuízo próprio e colocando em risco a sua existência, pagava muito mais do que o que podia e devia, gastando quase o dobro daquilo que recebia!
Com isso poucos na altura se preocupavam, e destes, é normal que alguns hoje se encontrem desagradados!
A.O. 06/07/10; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, junho 22, 2010

Saramago

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Polémico? Sim, claro. Como poderia deixar de ser polémico quem, pensando tão bem e profundamente quanto ele não se coíbe de com enorme frontalidade nos fazer chegar o resultado das suas reflexões, fazendo-o, quer em discurso directo quer de forma romanceada com uma clareza e simplicidades impressionantes?
Coerente? Também, e muito. Quase se pode dizer: a coerência de toda uma vida! Uma coerência e integridade que são tão mais consideráveis quanto menor é a representatividade, na sociedade onde ele se inseria e vivemos, do grupo daqueles que partilham as suas convicções.
Radical? Talvez. O próprio Saramago o admitia. Mas a intransigência, sobretudo quando – e se – lucidamente sustentada, ficava muito melhor a Saramago do que aqueles, como ao "L' Osservatore Romano" (só para citar um exemplo de topo), que aproveitam a hora da morte do adversário para radicalizarem os seus ataques ao falecido.
Genial? Sim. Com certeza. E é este o Saramago que me interessa, e aquele que cuja memória permanecerá!
Cheguei até Saramago já muito tarde. Não o ignorava, pois desde que em Portugal e por tabela aqui nos Açores a liberdade de imprensa começou a fazer o seu caminho, Saramago era nome não passava despercebido, pelo menos nalguma imprensa. Mas, se não o ignorava, de obras como: “Manual de Pintura e Caligrafia”, “ Levantado do Cão”, “Memorial do Convento”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, “A Jangada de Pedra” e “História do Cerco de Lisboa”, pouco mais conhecia do que o título, e as opiniões, avulsas, que delas alguns amigos tinham, de modo especial os mais identificados com “a cartilha comunista”, “catecismo” que encontravam transcrito em muitas das páginas de alguns destes títulos.
Foi Sousa Lara o grande responsável pela minha aproximação à obra de Saramago. O radicalismo do então Subsecretário de Estado da Cultura de Cavaco Silva, o seu prepotente espírito censório e a sua consumada reprovação da candidatura do “Evangelho Segundo Jesus Cristo” a Prémio Literário Europeu em 1992 empurraram-me com força para a aquisição do livro em causa. Foi o primeiro de muitos (quase todos). Depois deste, lido e relido como literatura de viagem numa das vezes que fui a Israel (e o usei como guia para alguns dos percursos), havia que recuperar o tempo perdido, constatando que pelo menos “Memorial do Convento” e “O Ano da Morte de Ricardo Reis” deram real conta do quanto havia até então perdido. Como imperdível (para mim o melhor) é também “Ensaio Sobre a Cegueira”, o primeiro comprado em 1ª edição, quando fresca ainda estava a sua tinta, e se apresenta como um representativo exemplo da enorme capacidade analítica, criativa e descritiva de Saramago.
Já encerrando o livro, tropeçando nas vírgulas que substituem pontos e são marca da escrita de Saramago, o autor, encarnando o médico, e respondendo à pergunta:
- “Por que foi que cegamos”, oferece-nos esta preciosa pérola:
“(…) Não sei, talvez um dia se chegue a conhecer a razão, Queres que te diga o que penso, Diz, Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem.
Tem razão, e não há mais nada a dizer! Como não deixa de ter alguma razão quem disse: “não há palavras. Saramago levou-as todas”. Não foi bem assim, mas foi quase!
A última grande ironia de José Saramago foi ser cremado e mesmo assim permanecer entre os que têm direito a vida eterna. O que não deixa de ser um justo merecimento!

A.O. 22/06/10; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, junho 08, 2010

6 de Junho; e já lá vão 35 anos

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Exigiu-se Independência para os Açores, conquistou-se a autonomia com que nos governamos. Contudo, atenção, muita atenção: ao contrário do que muitos pretendem fazer constar, não foi aquela a primeira vez que nestas ilhas os anseios de Autodeterminação e Independência eclodiram. Esta é outra verdade quase sempre, e propositadamente, ignorada!
De então para cá muito mudou. Em 1975 dizia-se que os Açores não tinham condições de ser independentes, que nem “fábrica para fazer cuecas” possuíam, dependendo, até nisso, de Portugal para sobreviver. Santa ingenuidade. Como se não fosse a soberania, este bem de valor incalculável, a grande panaceia, e solução para transpor ou até eliminar dificuldades; basta olhar para o que se passa em Cabo Verde.
Podemos também olhar para Portugal: hoje, e, sem mais nada fazer do que só deixar passar o tempo, verifica-se como na “pátria mãe”, não obstante o número de “fábricas para fazer cuecas” que tem, ou que já teve, são enormes (tão ou mais graves do que os que teriam uns Açores Independentes) os problemas que apresenta para manter a sua própria soberania, se é mesmo que ainda a detém – recordo uma das últimas visitas do Primeiro Ministro de Portugal a Bruxelas, e da sua radical mudança de política e de discurso, a partir daí: “o mundo mudou”, passou então a dizer! Uma “mãe pátria” que, tal como outrora aconteceu com o Brasil e muito mais tarde com Angola, usa e abusa dos Açores, uma das duas “jóias da Coroa” que lhe restam do vasto Império, como mais valia negocial junto da UE, e dos EUA.
De então para cá – dizia eu – muito mudou, mas nem tudo mudou para melhor: não faltam, agora, portos, aeroportos, estradas e outras construções. Escasseia, isso sim, gente, sobretudo gente com a mesma têmpera daqueles que da terra, especialmente colocando-a produzir, tal como aconteceu com a laranja, conquistaram a nata da Europa.
Queiram ou não, o 6 de Junho de 1975 está para a autonomia dos Açores – e da Madeira – como 25 de Abril de 1974 para a democracia em Portugal!
Se não, vejamos: já após a Revolução dos Cravos, em Portugal, como se ainda fosse “o tempo da outra senhora”, o MAI da altura, preparava uma nova divisão administrativa do território transformando os Açores numa província – porventura adjacente –, que com outras oito parcelas (Madeira e mais cinco províncias em “terra firme”) corporizariam o projecto de regionalização ao tempo em curso, dotado de autonomia político administrativa. Só após o “6 de Junho”, e – por mais que desagrade a alguns – em consequência directa deste, se pensou ir mais além no que aos Açores e à Madeira dizia respeito. Mas os efeitos imediatos do “6 de Junho” não se ficaram por aí. Só após o “6 de Junho”, ainda “na ressaca” dos acontecimentos em Ponta Delgada, e usando a estratégia "de amansar" que tanto efeito tem e ainda hoje é muito adoptada e resulta, o Conselho da Revolução determina como medidas a implementar nos Açores, entre outras: a atribuição imediata de 100.000c ao Plano Pecuário dos Açores; um significativo apoio ao sector das pescas e conservas de peixe; a urgente cobertura médica do arquipélago; e até, imagine-se, a instalação de um Secretariado Regional da Banca.
Hoje para continuar a dar sentido ao 6 de Junho, há que olhar em frente e ser cada vez mais exigente: não ter de pedir licença para ensinar ao Povo a que pertencemos a nossa própria História, nela incluindo todos os 6 de Junho que precederam o de 1975, entre outros, o de 1 Março de 1821, ou o de 2 de Março de 1895; revoltarmo-nos contra leis que nos conotam com o fascismo por defendermos a independência da nossa terra; indignarmo-nos por nos impedirem de organizar em partidos aqui originários, único modo democrático de lutar, sem subtilezas, pelos nossos próprios interesses. E também, que haja coragem: já tarda a institucionalização do 6 de Junho, dar nome a uma rua é manifestamente muito pouco!

A.O. 08/06/10; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, maio 25, 2010

Falhar na segunda, fugir à terceira



Há momentos que podem marcar toda uma vida, ou carreira. São por regra ocasiões em que alguém, ora por não saber avaliar a hora certa para sair em grande (perceber quando não tem capacidade de acrescentar mais ao desígnio / quando já não é factor de progresso, ou de diferença em relação ao passado), ou, no outro extremo, quando interrompe abruptamente um projecto, abandonando-o antes do tempo, fugindo assim à pressão e à responsabilidade do cumprimento de objectivos contratados, como, ao que parece, está a acontecer com o ainda treinador do CDSC, Prof. Vítor Pereira.
É pena que assim seja.
Pena porque macula sobremaneira o trabalho positivo por ele desenvolvido nas duas épocas que passou no CDSC. Pena porque representa “um passo atrás” no trajecto de pessoas e instituições que se empenham estoicamente por uma “nova ordem” para o futebol. Pena porque retira credibilidade ao que foi pelo próprio Vítor Pereira, dito e repetido várias vezes no final da época 2008/09, quando os métodos da “velha ordem” vingaram perante os que dizia defender, tendo na altura feito a apologia da força do trabalho em detrimento das “outras forças”.
Até pessoalmente sinto pena: pena por mim, que acreditei no projecto; pena pelo CDSC, que dado o esforço feito merecia ver concluído o propósito, e com sucesso; mas também pena por Vítor Pereira, que independentemente do que possa vir a acontecer, e dos sucessos que ainda venha a obter, foi claramente o grande – para não dizer único – responsável pelo não cumprimento dos objectivos definidos, e quem, esgueirando-se sorrateiramente a meio do processo, não só inviabiliza uma forte possibilidade de cumprir completamente os desafios com que se comprometeu (apresentando-se depois como um verdadeiro vencedor), como, ainda, ao fugir – mesmo que para a frente –, não deixa de “dar parte de fraco”, saindo como um vencido.
O Vítor Pereira da primeira época (2008/09) encantou. Com as enormes restrições orçamentais do CDSC soube construir uma equipa jovem, ambiciosa, que praticou bom futebol, patenteando exibições em casa – em especial na primeira volta – que agradaram e cativaram os adeptos e simpatizantes. Apenas houve um “se não”: foi muito além das expectativas, handicap que com o decorrer do tempo se haveria de revelar complicado de ultrapassar!
O Vítor Pereira da segunda época (2009/10) falhou. Por pouco, mas falhou: as exibições em casa não conseguiram o brilho das da época anterior, faltando fulgor, capacidade de risco e um bom "plano B" - sobretudo para as equipas que nos estudaram e por isso não as conseguimos surpreender -, sobejando desperdício (defensivo e ofensivo) e passividade; a estabilidade emocional do grupo não evoluiu, repetindo-se, nos momentos chave, a “tremideira” que já se verificara – embora mais compreensivelmente – na época anterior; faltaram três ou quatro pontos, escassos quando comparados com os excessivos dezasseis perdidos em casa, porém os determinantes.
O Vítor Pereira da terceira época (2010/11), ao que parece, “vai fugir”. E é pena!
Só espero que não se repita um “Manuel Fernandes II” (o Santa Clara ser o veiculo promovedor, ficando o promovido com fartas vantagens e o promotor com consideráveis prejuízos), já que, pelo que se vai lendo, de um “Paulo Sérgio II” (terminar a época com a cabeça noutro clube, lesando significativamente o clube a que ainda está vinculado, no mínimo, negligenciando a programação e planeamento da época que se aproxima) já ninguém nos livra.

ps – Escrito na manhã de sexta-feira, 21 de Maio de 2010 (assim me pediram no AO por a segunda-feira limite ser "o feriado da pombinha"), quando tudo ainda pode acontecer, ou não estivéssemos no universo que originou a já popular sentença, um dia ditada por Pimenta Machado: “no futebol o que hoje é verdade, amanhã pode ser mentira!”.
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A.O. 25/05/10; “Cá à minha moda" (ligeiramente acrescentado)

terça-feira, maio 11, 2010

Mário Soares, Cabo Verde e Açores

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São célebres a “gaffes” de Mário Soares, tal como foi também célebre o seu observar visionário, e a sua capacidade de antecipar acontecimentos, embora muitas das soluções encontradas não fossem as mais adequadas. “Gaffes” e originalidades à parte, Mário Soares continua polémico, como aconteceu recentemente no colóquio “Vozes da Revolução: Guerra Colonial e Descolonização”, no ISCTE, com a descabida e tardia revelação: "Eu sempre achei que Cabo Verde não deveria ter sido independente, não assisti à independência de Cabo Verde por isso mesmo".
Não posso concordar com Mário Soares. Nisto, como noutras coisas, estamos nos antípodas. Cabo Verde, felizmente, é já independente. Tal como o deveriam ser, também: os Açores, a Madeira e as Canárias. E determinante aqui não é o facto de Cabo Verde ser ou não África, que a ter em conta aquilo que Mário Soares diz que pensava, o não seria propriamente. Determinante sim é, para os arquipélagos do Atlântico Norte, que o incalculável valor da sua soberania é aquilo que mais pode contribuir para os desenvolver, fazer progredir, e, consequentemente, garantir melhores condições de vida aos habitantes de nações tão singulares, e valiosas, como os quatro arquipélagos macaronésicos.
É indiscutível que “o factor autonomia”, de 1975 para cá, trouxe aos Açores – e à Madeira – um indubitável desenvolvimento. Mas, mesmo sem recorrer a sofisticados estudos comparativos, só por má fé se não admite que Cabo Verde, neste mesmo período, em termos relativos – as potencialidades dos Açores e de Cabo Verde são incomparavelmente diferentes, tal como diferente, também para pior, era em 1975 o ponto de partida de Cabo Verde em relação aos Açores –, progrediu mais que os Açores.
Cabo Verde tem percorrido um invejável percurso, com os cabo-verdianos mostrando-se orgulhosos por viverem num país independente; um dos mais jovens do mundo, e o único dos PALOP, africano, em que a vida das populações melhorou após a independência. Não seria necessário muito mais para demonstrar as vantagens “do factor independência”. Mas há mais, bastante mais. Cabo Verde, apesar da mísera herança dos cinco séculos de dominação portuguesa (falta de luz eléctrica, de esgotos, de estradas e de escolas, com as poucas existentes apresentando um elevado défice de condições e professores), e não obstante a sua condição de deserdado pela mãe natureza (com falta de água potável, escassez de terra arável, com tudo isso causando uma enorme dependência de bens alimentares), é hoje, e cada vez mais, um país promissor, que ao invés da maioria dos seus congéneres africanos, tem revelando uma gestão eficiente e reprodutiva dos apoios internacionais que recebe, fazendo disso a chave do seu sucesso, um êxito que persevera. Vejamos: Ainda recentemente o Índice da Liberdade de Imprensa (RSF) colocou Cabo Verde entre os 50 países do Mundo com maior liberdade de imprensa (44º lugar), isso, enquanto Portugal, no mesmo período, descia do 16º para o 30º lugar. Significativo. E este é só mais um exemplo!
Por cá, Açores, onde para alguns as semelhanças com Cabo Verde ficam só pelo facto de também sermos um arquipélago desabitado quando os portugueses aqui chegaram – para outros, nem isso! –, só por estarmos mais a Norte, e porque a nossa mestiçagem é claramente mais europeia do que africana, fomos vítimas daqueles que em 1975 transpuseram o “Muro de Berlim” para o Atlântico.
Mas, acredito, melhores dias advirão!


A.O. 11/05/10; “Cá à minha moda"

terça-feira, abril 27, 2010

175 anos do AO: muito mais que uma vida



O Açoriano Oriental comemorou, aliás, continua e irá continuar a comemorar ao longo do ano, o seu centésimo septuagésimo quinto aniversário.
São muitos anos, uma longa vida, tantos que faz dele o decano dos jornais açorianos, o mais antigo jornal escrito em língua portuguesa, e um dos mais antigos da Europa!
Tilintadas as “flutes”, libado o “champanhe”, remetidos de novo “para a naftalina” os trajes de gala, nada melhor para celebrar a obra do que aqui trazer, também, o seu criador.
Ao contrário do periódico que criou, Manuel António de Vasconcelos teve uma vida relativamente curta (1796-1844), em conturbados tempos, de guerra civil e mutação política. Este vigoroso açoriano, um fruto do meio rural micaelense, nado e criado na emblemática Bretanha, desde cedo convertido aos ideais liberais, e, nestes, militando com desmedido zelo – por vezes radicalmente – na sua margem extrema, foi um baluarte na defesa intransigente dos Açores, do seu Povo, em especial das suas camadas mais desfavorecidas. Entre outros testemunhos, isso mesmo se pode aferir nas suas muitas intervenções na Câmara dos Deputados, em Portugal, numa em especial, onde denunciando a fome que grassava nos Açores, e, simultaneamente, os que matando à fome aqueles que aqui trabalhavam a terra faziam lucro fácil com a exportação de cereais para Portugal, afrontou:

“ (…) que das produções dos Açores uma grande e considerável parte vem para Portugal, porque existem aqui muitos proprietários de lá, e é essa uma sangria que está desatada por onde se derrama o sangue dos podres dos Açores para Portugal (…)”.

Faz cada vez mais falta, quem, como Manuel António de Vasconcelos, combativo e não menos altruísta, servindo e não procurando servir-se, empenhando bens, saúde e até a própria vida, atenda defender as causas em que acredita, sobretudo quando nestas sobressaem as liberdades cívicas e a defesa soberana da terra que o viu nascer.
O “Açoriano Oriental”, açoriano sim, mas açoriano oriental também (não fosse ele herdeiro dos ideais emancipadores de 1821 - dissimulada na parede sob a sombra de velhos plantámos, lá está, em Santa Clara, na única rotunda por aqui existente durante muitos anos, dita “Rotunda da Autonomia” mas de facto Rotunda do Governo Interino, uma marca indelével da época), foi, também, quase sempre, o grande pendão da “Livre Administração dos Açores pelos Açorianos”. Bem vistas as coisas, antes da “Livre Administração dos Açores pelos Açorianos” se transformar no slogan que o 2 de Março de 1895 imortalizou, o Açoriano Oriental já apontava uma “livre administração” que pusesse fim à “livre exploração”, de que a “livre exportação” dos cereais era disso só um exemplo!
Talvez por isso, e também por ter sido assinado por quem foi, não deixa de ser significativo o título escolhido por um dos convidados de honra da edição comemorativa do 175º aniversário daquele que é um dos mais antigos jornais europeus: “Imprensa livre, Açores livres”.
Gostei. E muito mais gostaria se, acompanhando as cativantes palavras, tal como já antes o foram; “Governo dos Açores”, actos e acções eficazes as prosseguissem.
Regressado ao Açoriano Oriental, de agora, final desta primeira década do século XXI, permitam-me convosco partilhar o quanto me sinto honrado em, “cá à minha moda”, publicar num jornal cujas páginas outrora acolheu tão insignes açorianos, a começar pelo próprio Manuel António de Vasconcelos, mas também: Antero, Vitorino, Natália, e outros.

A.O. 27/04/10; “Cá à minha moda"

terça-feira, abril 13, 2010

O Sonho comanda a vida


Partilhar o sonho (01Setembro2007) .......Ver nascer a realidade (12 Abril 2010)

Deve ser uma tristeza, um “inferno”, viver sem sonhos. Pior mesmo, só passar pela vida sem capacidade de sonhar. Não me refiro a sonhos comezinhos, quimeras triviais, do tipo das que basta “estar parado”, crer, esperar sem nada fazer, pois de tão banais que são, será só uma questão de tempo o assistir à sua realização. Aludo isso sim, a sonhos amplos, aos sonhos que alavacam visões rasgadas, àqueles sonhos que muitos apelidam de utopias, e que, até, por vezes, durante muito tempo não passam disso mesmo: utopias! Sonhos que, é verdade, nem sempre se realizam, mas aquando da sua concretização “enchem a alma” e fazem transbordar de alegria os que ousaram sonhar, bem como também fazem esquecer as dificuldades, que sempre existem, e muito consomem, quantos se empenham em transformar o virtual em realidade palpável.
Estes sonhos, os grandes sonhos, os sonhos que assinalam a sua concretização muito antes desta ser visível a muitos, têm pelo menos três importantes momentos:
Primeiro. O sonhar propriamente dito. Uma ocasião descrita por António Gedeão em poema que para além de oferecer título a este texto, entre o muito mais, ensina-nos também isso: “quando o homem sonha / o mundo pula e avança / como bola colorida / nas mãos de uma criança”.
Segundo. O de lutar tenazmente pela concretização do sonho. Momento muito bem retratado num outro poema, lírica popularizada também pela voz do Padre Fanhais, cantando: “vem, vamos embora / esperar não é saber / quem sabe faz a hora / não espera acontecer”.
Terceiro. O assistir à realização do sonho (o que nem sempre acontece). É este o melhor momento, o mais gratificante, aquele em que os que passaram pelos dois anteriores – e só estes –, umas vezes alimentando a esperança que outros tentaram derrubar, outras, não menos significativas, cerrando dentes e fileiras por forma a ultrapassar os obstáculos e contratempos surgidos, podem, por fim, tactear, sentir, e continuar a sonhar, sim, mas agora já com o fruir do sonho que ajudaram a realizar.
Foi um destes momentos que se viveu, quase que por acaso, recentemente. E conta-se em poucas palavras:
Na passada quinta-feira, terminada que estava mais uma longa sessão de trabalho do grupo “Santa Clara – Vida Nova”, os últimos a dispersar, respondendo ao apelo de uma noite que a isso convidava, fizeram uma breve visita ao “Jardim Padre Fernando” que já está em adiantada fase de conclusão: Já lá estão montados alguns dos equipamentos de diversão infantil. Às poucas árvores, algumas seculares, que resistindo ao aterro se transformaram no pouco que restou da “Mata da Doca”, foram acrescidas largas dezenas – se não mesmo centenas – de outras. É imenso, contando-se aos milhares, o número de plantas e arbustos no entretanto ali plantados. Mas, é a qualidade do projecto, o bom gosto, o ar limpo e arejado que aquele local agora apresenta, aquilo que mais simboliza a marca da “nova” Santa Clara com que “Santa Clara – Vida Nova” soube sonhar.
Pode haver quem já não se lembre, mas há também quem não esqueça que há pouco mais de três anos aquele espaço mais não era do que uma “sala de chuto” ao ar livre, na sombra de araucárias, protegida dos olhares por moitas de silvas, recebendo dezenas de visitas por dia. “Sala de chuto” onde já nem faltavam, por perto, também camufladas entre silvados e arbustos, as barracas e outros abrigos clandestinos que estes lugares costumam atrair.

Felizmente já não é assim. O pérfido tornou-se benéfico. E não é sonho, é realidade!

A.O. 13/04/10; “Cá à minha moda"