terça-feira, março 01, 2011

Mar dos Açores: uma das chaves para a nossa independência




Com a Universidade dos Açores como palco, e “Os Açores na estratégia do mar – perspectivas económicas e de segurança” como tema, o Mar dos Açores andou recentemente de novo na berlinda. Não obstante a numerosa assistência, “casa cheia” não deixou de evidenciar significativas ausências. Algumas “de peso”! É que falar dos Açores não significa necessariamente fazer a sua defesa, nem são “os outros” aqueles que, usando e abusando da atitudes paternalistas, nos devem impingir aquilo que supostamente julgam ser o melhor (para eles) para nós.
Nos Açores nada muda como o tempo. Pena é que há coisas que nem mesmo o tempo as mude!
Desde a terceira década do século XV plataforma geoestratégica para exploração e submissão de uns e outros, agora que das Índias já não vêem especiarias, nem do Brasil ouro e madeiras preciosas, tampouco das possessões africanas “mão de obra escrava”, petróleo e diamantes, aproxima-se o momento de nos Açores o desaforo também acontecer ao nível da exploração dos recursos inorgânicos, minerais e outros.
Não me canso de repetir, mas nestas ocasiões – eu que prefiro, e procuro sempre que possível, o caso de Cabo Verde – é o exemplo de Timor Lorosae que me ocorre. Um exemplo que ganha especial significado, agora, quando aquele antigo território português, um jovem país altamente carenciado, ainda a dar os primeiros passos, passou como que por milagre de frágil “meia ilha” dependente a potencial comprador de divida soberana portuguesa. Quem é que se recorda de em Timor, enquanto esteve sob posse portuguesa, ouvir falar no petróleo que sob o seu mar existia?
Não interessava falar disso, e, interessando, era só a alguns.
Aqui nos Açores não é muito diferente. A nossa posição geoestratégica tem sido sistematicamente subvalorizada, não é que seja esta a real situação, mas porque importa não tornar evidente o muito que Portugal ganha “por nossa conta”, para com isso poderem persistir e ampliar o mito de que são os impostos dos portugueses aquilo que nos sustenta.
A verdade é que a importância geopolítica e estratégica dos Açores tem um valor incalculável, grandeza que nem Portugal, por inépcia, dela beneficia convenientemente!
Alguém poderá quantificar o valor de ter portos e aeroportos seguros a um terço da distância entre a costa ocidental da Europa a costa oriental da América do Norte? Neste contexto, quanto não vale a posição privilegiada dos Açores no apoio às comunicações marítimas e aéreas do Atlântico Norte? Ou ainda, quanto vale controlar o enorme espaço aéreo e marítimo que nos rodeia, correspondente, sem sombra de dúvidas, à maior ZEE da União Europeia?
Só as respostas a estas questões, sobretudo quando comparadas com o PIB/Açores, contribuiriam para desfazer mitos que a muitos interessa perpetuar.
Mas esta é apenas uma parte.
Agora – começa a ser mais comummente conhecido o que desde há muito se fala em surdina – não é só a posição geoestratégica dos Açores aquilo que está a ser alvo de cobiça e domínio neo-colonial. Com a enorme extensão marítima dos Açores acolhendo um património natural único, e as suas profundezas repletas de recursos cujo valor aumenta a cada dia que passa, é também a mais valia incalculável que representam os direitos soberanos sobre esta riqueza: o prospectar, explorar, conservar e gerir o dito “petróleo dos Açores” – o nosso mar, o seu fundo e respectivo subsolo (com isso fazendo render recursos de capital importância) –, aquilo que nos permite encarar com optimismo a sustentabilidade de um país livre e independente: os Açores.
Ou não fossem estes préstimos só sublimados por uma nação soberana, tal como acontece agora com Timor!

A.O. 01/03/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, fevereiro 15, 2011

O estado a que isto chegou


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1 – Cavaqueira em dia
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avaco ganhou. Bom para ele. A questão é que, atendendo à fragilidade da sua vitória, ainda estou por perceber o entusiástico alvoroço com que alguns a celebraram.
Quer os muitos milhões de elitores que pura e simplesmente ignoraram os dramáticos apelos de Cavaco para irem às urnas, quer, sobretudo, a escassíssima margem com que foi conseguida uma vitória por regra fácil, em condições normais – julgo eu – recomendariam mais preocupação do que gáudio. Não faltaram porém impulsivos festejos. Custa a perceber! Ou, aliás, perceber, percebe-se: houve que aproveitar, mesmo tratando-se de uma vitória de Pirro!
Daquela noite, para além de um discurso de vitória embebido em bílis, ficaram ainda outras duas fortes impressões.
Primeira: a convicção de que se metade dos votos em branco tivesse ido parar à “cartola de um qualquer coelho” o fadário cavaquista não ficava resolvido logo ali.
Segunda: a imagem quixotesca de uns eufóricos “vivas ao PSD”, deixando atónito um parceiro de empreitada – não de partido – ali tido como mero figurante.
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2 – Matadouro: insistir no presente envenenado
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inalmente o tribunal decidiu. Felizmente a decisão não foi favorável a quem se prontificou oferecer aquilo que não tinha a certeza lhe pertencer. Por sinal, os mesmos que, por outro lado, teimam em não “abrir mão” naquilo que por direito podem, e devem!
Tão ou mais esquisito foi assistir ao insistir nas “ofertas envenenadas”. Bondade não é com certeza! Assim fora, e bem mais fácil do que instigar “boas vontades alheias” seria mimosear ofertando aquilo que é desejado (o Centro Cultural de Santa Clara e a forma como é gerido), ou, simplesmente, cumprir aquilo que há muito anda a ser adiado: a questão da 2ª Rua de Santa Clara (é só mais um exemplo).
A requalificação da zona do “Matadouro”, uma área bem maior do que parece, é muito importante para Santa Clara. Importante e urgente. Claro que não será outro “Açores Arena” aquilo que mais falta faz à freguesia. Resolver "o Matadouro” deverá ser também uma oportunidade para intervir urbanisticamente em Santa Clara (é bom não esquecer que a Canada da Carreira do Tiro só é “beco sem saída” porque entronca com "o Matadouro”), e a ocasião não pode ser negligenciada!
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3 – Com este Estado nem depois da morte há paz
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ai ficar conhecida como a “idosa da Rinchoa”. A senhora faleceu, depois dela faleceram também os seus fiéis companheiros de solidão: um cão e dois pássaros, amigos que a acompanharam para além do fim, num degredo pós morte que durou quase uma década. O que só por si já foi desumano o quanto baste, ganhou ainda maior impiedade ao conhecerem-se as razões que levaram à descoberta do cadáver.
- Os vizinhos estranharam a ausência da senhora, procuraram as autoridades. As Polícias amesquinharam a preocupação demonstrada: o Estado falhou!
- Os familiares igualmente deram pela falta da parente desaparecida. Procuraram quem de direito. A Justiça ignorou-os: o Estado voltou a falhar!
- Os impostos também foram parar a uma porta há muito fechada, procurar quem os liquidasse. Os mortos não abrem a correspondência, mas isso não deteve as Finanças: a casa foi para a penhora; a sua venda foi efectuada; os impostos foram pagos – sem que devolvessem à falecida a parte remanescente –, e só então a cidadã até ali ignorada, depois de passar por contribuinte incumpridora, foi finalmente encontrada. Os cobradores de impostos não falharam. O Estado, este, mais uma vez, falhou. E de que maneira. Vá de retro séquito cego, cruel e hediondo.
Há quem lhe chame Estado Social. Eu cá digo que é o estado a que isso chegou!

A.O. 15/02/2011; “Cá à minha moda" (revisto e ligeiramente acrescentado)

terça-feira, fevereiro 01, 2011

O 31 Janeiro e o Clube Desportivo Santa Clara



Quatro dos seis paineis que podem ser visitados no Aeroporto João Paulo II integrando a mostra: Santa Clara . Século XXI - 75 Anos no Nº21 da Travessa dos Mártires da Pátria (hoje Rua Comandante Jaime de Sousa)
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A 31 Janeiro de 1935, depois de, qual caracol, o Clube Desportivo Santa Clara durante os seus primeiros oito anos de vida ter ocupado outras tantas sedes, foi oficialmente inaugurada, no nº21 da então Travessa dos Mártires da Pátria – hoje Rua Comandante Jaime de Sousa – aquela que desde então se mantém como a sede do actual maior clube de futebol dos Açores.
Se a coincidência de oito anos / oito sedes dá uma média de ocupação correspondente a uma sede por ano, a realidade é bem diferente do que à primeira vista aparenta, pois a permanência efectiva do Clube Desportivo Santa Clara em cada uma das sedes por onde passou variou de pouco mais de um mês (Rua do Brum; Junho e Julho de 1927, e Rua de Lisboa; Junho e Julho de 1931) a mais de 24 meses (Rua Luís Soares de Sousa; Julho de 1927 a Novembro de 1929, e 2ª Rua de Santa Clara; Março de 1932 a Maio de 1934).
Para uma melhor compreensão desta itinerância, aqui fica a relação cronológica detalhada das sedes usadas pelo Clube Desportivo Santa Clara ao longo dos seus primeiros oito anos de vida:
Rua do Brum, 38 (Junho e Julho de 1927); Rua Luís Soares de Sousa, 41 (de Julho de 1927 a Novembro de 1929); Travessa da Conceição – em partilha com a LDM (Novembro de 1929 a Junho de 1931); Rua de Lisboa – em partilha com o Sport Club Santa Clara (Junho e Julho de 1931); Rua Direita de Santa Clara (de Julho de 1931 a Março de 1932); 2ª Rua de Santa Clara (de Março de 1932 a Maio de 1934); Rua Machado dos Santos, 43 (de Maio a Dezembro de 1934) e Travessa dos Mártires da Pátria, 21 (inaugurada oficialmente a 31 Janeiro de 1935).
Em 1936, no ano seguinte, naquela em que pela primeira vez no Clube Desportivo Santa Clara se associou o 31 de Janeiro a um aniversário, em brilhante festa que reuniu ilustres convidados, foi comemorado o primeiro aniversário da “nova sede”: fez ontem exactamente 75 anos!
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Outra importante celebração de “bodas de diamante” no Clube Desportivo Santa Clara ocorrerá ainda durante este ano, a 25 Junho, altura em que decorrerão os 75 anos da eleição do Sr. Diniz José da Silva, terceiro presidente da Direcção do Clube Desportivo Santa Clara, um nordestense de rija tempera que dando continuidade à longa passagem do Capitão Eduardo Reis Rebelo pela direcção do clube (1927/1935) e à do Dr. Alberto Paula de Oliveira que se lhe seguiu (1935/36), apesar de receber o Clube Desportivo Santa Clara numa difícil situação financeira, com “vistas amplas” e grande capacidade de gestão e organização, rasgando horizontes, foi o principal responsável pela abertura que o já então clube de futebol dos Açores com maior número de associados passou a dar a outras actividades para além das desportivas – Excursões, Música, Dança –, dotando-o de hábitos e meios com os quais foi possível mais tarde criar um importante grupo dramático, e com o Teatro, resistir, subsistir, e até reforçar-se, enfrentando os difíceis tempos que se seguiram, numa altura em que até a Associação de Futebol se refugiou na sede do Clube Desportivo Santa Clara, nela ficando como inclina para além de Julho 1942 / Abril 1945, período em que o futebol oficial esteve inactivo em São Miguel.
Usando recorrentemente como bordão de oratória apelos à Verdade e à Justiça, é de Diniz José da Silva, inserta numa publicação do Clube Desportivo Santa Clara distribuída aos sócios na década de sessenta a propósito de um dos aniversários, uma frase que tenho sempre presente nestas ocasiões:
(…) Não é tarefa difícil falar do Santa Clara. E não o é, porque a sua história poderia dar, à vontade, matéria para mais de um livro, desde que quem o quisesse escrever partisse desta premissa: VERDADE E A JUSTIÇA”.
Por integrar desde a primeira hora as hostes do Clube Desportivo Santa Clara, e por ter acompanhado mais ou menos de perto a vida dos dois “Santa Claras” antes do Clube Desportivo Santa Clara filiados na Associação de Futebol, é fácil perceber como Diniz José da Silva sabia do que falava, e o quanto tinha razão – o que se mantém!

A.O. 01/02/2011; “Cá à minha moda" (revisto e ligeiramente acrescentado)

terça-feira, janeiro 18, 2011

Negócios soberanos




Recentemente, Sócrates e Teixeira dos Santos, ambos ufanos, quase eufóricos – ainda não chegou o PEC que os obrigue a cortar em gestão de imagem e “spin doctors” –, revezaram-se em antena publicitando o “grande sucesso” do dia: a colocação de 1.250 Milhões de euros da divida soberana portuguesa – e, agora sim, vem a parte pior – negócio sujeito a uma taxa de juro de pouco menos de 7% ao ano (6,71% em rigor). A ambos os “caixeiros-viajantes” – governar por estes tempos tem sido pouco mais do que “correr atrás do prejuízo” – só lhes faltou chamar à operação “sucesso estrondoso”. Detonação, de facto, não faltou! Nem irá faltar num futuro próximo, já que aquela foi só uma ínfima parcela – menos de 0,5% – das largas dezenas de Milhões que terão de ser “vendidos” proximamente. A garantia do “sucesso” pomposamente anunciado passou por negociar com a China, em condições que vão muito para além da taxa de juro, mais de 90% do “bolo” leiloado, ficando por dizer, apesar do muito “tempo de antena” ocupado – a uns só compete anunciar a parte boa da notícia –, que com juros àquele nível o “sucesso” vai consumir parte significativa, se não o todo, do efeito obtido no OE por alguns dos sacrifícios impostos. É, como quem diz: “cortar no pão para entregar ao ladrão”. Critérios!
O “road show” português, entretanto, trocando o Extremo Oriente pelo Médio Oriente, aterrou recentemente no Qatar.
Vá lá saber-se porquê a minha memória, recuando umas décadas, recuperou outro “negócio soberano”, este sim, tendencialmente de sucesso, mas que, entre outras, por questões de respeito pela soberania (a dos Açores), não se efectuou. Tratava-se da “troca de água por petróleo”: uma das hipóteses discutidas na segunda reunião da FLA em Paris para o financiamento da Independência dos Açores, processo apadrinhado por uma importante entidade financeira Árabe, que aplicava uma pequena parte dos Biliões de dólares então disponibilizados. Segundo o catecismo anti-independência que circulava, na época, Portugal era um país poderosíssimo, quase uma potência, quase auto-suficiente, e os Açores, coitadinhos – nunca interessou valorizar os seus recursos e potencialidades: a sua posição geoestratégica, o seu imenso e rico mar, a fertilidade do seu solo, etc., etc. –, tal como ainda hoje alguns os continuam considerando, apenas um sorvedouro dos tidos por infindáveis expedientes que Portugal encontra e usa. Para os “catequizados” – então também ufanos –, claro, a “troca de água por petróleo” era só uma hipérbole separatista – nem sabem como custa imenso ter razão antes do tempo!
Troca de água por petróleo é tema que também me ocorre sempre que avisto o minarete da Mesquita de Lisboa (isto, ainda relacionado com o que atrás escrevi: lembrando-me de mais alguns dos detalhes da proposta vinda do Golfo Pérsico), ou, quando por aqui se apela ao consumo dos produtos açorianos. É que, neste caso, muito mais do que outros produtos, tipo o leite, é da água que me lembro em primeiro lugar (em tempos, explorando um estabelecimento comercial, quando a já então única água engarrafada açoriana não estava no mercado, por me recusar a vender outra, oferecia água da torneira como forma de me manifestar). E lembro-me dela – cada vez mais cara e escassa – porque são muitos os milhões litros de água potável nos Açores que, todos os dias, correm para o mar, quando são também muito significativos os milhões de litros de água que têm de atravessar o atlântico para chegar às nossas mesas. Ignorar isso – e/ou permitir que se adquirem nascentes para proteger “o negócio” – é pactuar com o desperdício económico em causa, tanto maior quanto o é o elevado valor da “pegada ecológica” que lhe está associada (as embalagens, na melhor das hipóteses, têm que fazer a viagem de regresso). Eh, minudências minhas!

A.O. 18/01/2011; “Cá à minha moda" (revisto, acrescentado e com o título alterado)

terça-feira, janeiro 04, 2011

O “Marquês Jácome Correia”


O "Campo de Jogos Marquês de Jácome Correia" (Norte/Sul), em Janeiro de 1946, ainda antes de ser inaugurado.


Duas imagens do "Campo de Jogos Marquês de Jácome Correia" (Sul/Norte) , na tarde de 27 Janeiro de 1946, durante o jogo que se seguiu à cerimónia de inauguração.
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O “velhinho” Marquês Jácome Correia comemorará este mês – no próximo dia 27 – sessenta e cinco anos de existência.
Claro que não me refiro ao homem. Este, o Sr. Marquês de facto, de seu nome Aires Jácome Correia, falecera em Genebra – 21 Outubro de 1937 – cerca de um dezena de anos antes do dia em que, com o nome de “Campo de Jogos Marquês Jácome Correia”, abriu ao público o recinto desportivo que veio marcar uma nova era no futebol micaelense.
Na altura, em Ponta Delgada, viviam-se tempos difíceis, com quase todas as actividades – e o futebol particularmente – a sentirem ainda as consequências da II Grande Guerra, que entretanto terminara, mas não sem deixar fortes mazelas.
A prática do futebol oficial, que estivera interrompida desde Junho de 1942, recomeçara recentemente, em Abril de 1945, mas a cidade continuava carecida de um recinto condigno para jogar e ver os espetáculos de futebol já que ao “Campo Açores”, entretanto de novo disponibilizado, além das exíguas condições que sempre oferecera, passaram a acrescer outras dificuldades, nomeadamente, as muitas condicionantes ao seu uso devido à exploração das “Pedreiras da Doca” que entrementes voltara a ganhar actividade por via da construção da Avenida Marginal, que se anunciava para breve.
É oportuno recordar que haviam sido o avolumar das dificuldades colocadas durante o primeiro semestre de 1942 pela Junta Autónoma dos Portos no utilizar do “Campo Açores”, somadas ao fim do uso do “Campo do Liceu” - onde já com o Ginásio a ser construído se iniciara as obras das quais resultariam o seu novo “Campo de Jogos” - o que, conjugadas com as demais contrariedades da época, levara a tão longo jejum na prática oficial do futebol em São Miguel.

Mas, iniciado que estava aquele ano de 1946, a carência de instalações apropriadas para a prática do futebol estava prestes a terminar.
Assim, cuidadosamente preparada pela Associação de Futebol de Ponta Delgada, às 14:30 do dia 27 de Janeiro de 1946, em jogo que colocou frente a frente duas selecções locais, uma denominada “Selecção de São Miguel” e a outra “Selecção de Ponta Delgada” - ambas constituídas por atletas que representavam os cinco clubes a disputar o “Campeonato Distrital” daquela época - foi então inaugurado o Campo de Jogos “Marquês Jácome Correia”.

Para que conste, e conforme registava a convocatória resultante da reunião de Direcção da AFPD efectuada a 23 de Janeiro de 1946, os atletas participantes no acontecimento foram os que se seguem. Integrando a equipa denominada “Selecção de São Miguel”: Armando Goyanes (GR), Tomas Azevedo, Manuel Salsa, José de Sousa, Fernando Ferreira, Hélder Miranda, Artur Sousa (Garalha), Renato Pereira (Genina), Carlos Azevedo (Talefa), João Vicente (Ratana) e José Garcia. E na de “Ponta Delgada”: Manuel Cristiano da Costa (GR), Henrique de Medeiros, Alberto Ferreira, Fernando Branco (Fernando Madeira), Humberto Correia, Duarte Lopes, José de Sousa Teixeira, João de Deus, Reinaldo Simões, António Duarte e José Vicente. O lote dos suplentes, comum a ambas as equipas, foi o seguinte: Hugo Machado, Pedro Ventura, José Botelho, José Valentim, Fernando Simões de Almeida e Edmundo Batista.
Para o total deste grupo, entre “Selecção de São Miguel”, “Selecção de Ponta Delgada” e respectivos suplentes, o Clube Desportivo Santa Clara contribuiu com mais de onze jogadores. A saber:
Manuel Cristiano da Costa-GR, Henrique de Medeiros, Fernando Ferreira, José Botelho, Fernando Branco (Fernando Madeira), Artur Sousa (Artur Garalha), Renato Pereira (Genina), José Garcia, João Vicente (Ratana), José Valentim e José Vicente.
Quanto ao “Jácome Correia”, já há muito que se foram as “castiças” tascas – uma em cada canto, e cada qual afecta a um diferente clube – que o ornamentavam e completavam; Há muito tempo também que o “popular Albano” deixou de ser o seu principal zelador; Do pregão “quem quer morrer” com que o não menos popular “Caracol” anunciava gelados e outras guloseimas, já poucos se lembram; E nem mesmo a “barraquinha Esquimó” resistiu. Mas, sessenta e cinco anos depois, ampliado, renovado e adaptado às circunstâncias actuais, o “velhinho”, embora agora desconsiderando o Clube Desportivo Santa Clara que tanta vida lhe deu, continua desempenhando o importante papel que lhe foi destinado em Janeiro de 1946.
A.O. 04/01/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, dezembro 21, 2010

O fim do mundo em cuecas







Tenham medo. Muito medo.
Não. Não tem nada a ver com o veto de S. Exa. o Representante da República Portuguesa aqui nos Açores. Com isso podemos nós bem. Podemos bem melhor com o veto de S. Exa. do que com a descriminação remuneratória de uns quantos – cada vez em maior número – funcionários da República Portuguesa que à laia privilegiados representantes coloniais, vêem para estas ilhas fruir douradas comissões de serviço.
Tenham medo. Muito medo. Mas não das queixas de falta de solidariedade Açores vs Portugal de muitos mais – parte deles inexplicavelmente entre nós (é incrível como tudo serve de arma de arremesso político-partidário) – que se esquecem que este mesmo Portugal não foi solidário com outros, nomeadamente aqueles a quem, no Oriente, espoliou das especiarias e do seu comércio, ou na América do Sul, do ouro e de outras preciosidades, e em África, de diamantes, petróleo e do muito mais. Um Portugal ao qual agora pouco mais resta do Império Colonial do que os Açores, o valor geoestratégico, e a imensidão e riqueza do seu mar, o que só por si torna insignificante aquilo que alguns dizem serem os “milhões que para cá são enviados para os açorianos poderem sobreviver” (veja-se como o mar de Timor permite a um país "paupérrimo" solidarizar-se com Portugal, "chegando-se à frente" para comprar divida soberana portuguesa!).
Tenham medo, muito medo, mas não das balelas. Balela por balela, tenham medo sim, porque já faltam menos de dois anos para aquele que muitos dizem ser o fatídico 21 de Dezembro de 2012: resultado da colisão de um asteróide com a Terra, dizem uns. Estranho alinhamento da Terra, Sol e um buraco negro existente no centro da nossa galáxia, invulgar orientação da qual resultará a alteração do campo magnético da Terra com consequências dramáticas, dizem outros. Do abandono da sua orbita por parte do planeta verde, que assim, errante, iniciará um longo e desregulado percurso pelo Universo, referem outros ainda. E, como nem todos são assim tão pessimistas, há também aqueles que apontam para 22 de Dezembro de 2012 o dia da chegada dos extraterrestres, o que não será obrigatoriamente uma má notícia.
E é de ter medo sim, porque estes anúncios de fim do mundo não provêm de apenas uma fonte: desde as antigas filosofias chinesas sobre concepções do mundo contidas em “I Ching” aos argumentistas da série “Ficheiros Secretos”; da Sibyl da Roma Clássica ao Nostradamus da Idade Média; dos astrónomos Maias a Einstein – saltando Merlin e outros profetas (incluindo os dos últimos dias) – têm sido muitos a profetizá-lo e são muitas as coincidências entre as profecias.
Tenham portanto medo. Tanto quanto o que tenho, sobretudo agora, tranquilo que estou, depois de ter encontrado no 21 de Dezembro de 2012 assunto para terminar com a angústia que desde o final do Domingo p.p. sentia por se aproximar o 21 de Dezembro de 2010 (data de publicação desta coluna, sem eu ter assunto para ela).
Por mim, e por agora, já está.
Quanto à eficácia do veto de S. Exa., julgo que ainda antes do fim de 2010 a poderemos aferir.
Mais difícil será para conhecer a forma como Portugal irá adiar a “banca rota” que há séculos o assola. Para tal há que esperar um pouco mais: talvez no segundo trimestre de 2011 já saibamos se o FMI deixa que outros façam aquilo que ele gosta e sabe fazer.
Bem. Sobre o fim do mundo – no que às cuecas diz respeito, ficará, talvez, para outra ocasião –, bom, esta é a melhor parte, até porque, dizem outros profetas e sábios, nesta altura, em Portugal, a economia já está a recuperar. Profecias!
Daqui a dois anos veremos se é para rir ou chorar por mais.

A.O. 12/21/10; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, dezembro 07, 2010

O bom é não dar Cavaco





Cada vez mais me convenço que Cavaco Silva tem um sério – e já antigo – problema com os Açores. Questão velha e complicada. Nada que se resolva com oportunas mini férias no arquipélago, ou comitivas arrebanhadas a contra gosto quando ainda se engolem sapos, que mesmo escorregadios, deixam marcas visíveis por muito tempo. Há mesmo quem diga que o problema é tão velho que remonta ao célebre Congresso da Figueira da Foz – consequência de um “erro táctico” de Mota Amaral. Mas, como dizia a outra, “isso para agora não interessa nada”!
Interessa, isso sim, é não deixar de exercitar a memória. Para não recuar muito regressemos ao Verão de 2008:
A 31 Julho de 2008, em consequência das negociatas de Oliveira e Costa e seus amigos – tudo “boa gente” como os considerava o então ainda Conselheiro de Estado, Dias Loureiro –, já o BPN era um sério candidato a ensopar as largas centenas de milhares de Milhões de €uros que tanto ajudaram no agravar da situação de que todos (uns mais que outros claro, pois cortar 10% na remuneração do Presidente da República Portuguesa não é nada quando comparado com um corte de 200 ou 300 €uros no rendimento de uma família carenciada ou até mesmo remediada), mas TODOS, somos agora vítima. Tal como, por esta mesma altura, as transferências para “off shores” e o “fantasma Banco Insular” já haviam levado o Banco de Portugal a decretar a necessária auditoria interna ao BPN!.
Mas estes eram assuntos que dada a sua insignificância em nada justificavam interromper um qualquer período de férias. O Estatuto dos Açores, e o terrível precedente que ele incorporava (terrível, mas não tão assustador que justificasse a apreciação preventiva do TC), isso sim: E não só justificou a interrupção das férias, como, tal como se pôde assistir com espanto e pasmo, também exigiu aquela tão mediática quanto dramática comunicação feita no pino da “silly season” 2008!
Agora também, no Outono de 2010 (dois anos e quatro meses depois), não foi muito diferente:
* A PT, em clara manobra de fuga ao fisco, prepara-se para antecipar a distribuição do dividendo?
- Eh …, isso é de somenos importância!
* São cada vez mais evidentes as manobras para que seja criado um regime de excepção que contemple o pessoal (de preferência os melhor remunerados) do sector empresarial do Estado?
- Eh …, para quê embarcar em populismos. Isto são “peanuts”!
* Nos Açores vão ser criadas compensações para que três ou quatro milhares de funcionários públicos (da parte inferior da pirâmide salarial) contornem as restrições impostas pelo Governo de Portugal!
- Espera aí! O quê? Onde? Nos Açores? Não podem! Isto é uma discriminação gravíssima. É inconstitucional. Viola o princípio da equidade, pois não se podem distinguir as pessoas em função do lugar onde habitam (nestas alturas lembro-me sempre dos cabo-verdianos)! E a corte aplaude. Tomara: sabem por experiência própria que nem sempre é conveniente querer ser “Povo Açoriano”. O que a mesma corte parece não saber é que determinadas pessoas respeitam mais quem lhes “bate o pé” do que aqueles que se desfazem em vénias e salamaleques. E o exemplo não está muito longe: basta ver como é poupado, e até “acarinhado”, quem que um dia imortalizou o “Sr. Silva”!

Em jeito de rodapé (bem que o podia evitar, mas fazê-lo não seria “à minha moda”) resta acrescentar que tenho muitas reservas quanto à justiça da proposta de Carlos César que está na origem de toda esta polémica. O que não posso deixar de apoiar, incondicionalmente, é que aqui, nos Açores, devemos ser NÓS, Povo Açoriano, a mandar.
E todos os passos dados neste sentido serão sempre poucos!

A.O. 12/07/10; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

sábado, novembro 27, 2010

SANTA CLARA: “Um retrato da alma popular, milagre de vontade”



Gráficos obtidos aqui: http://www.cdsantaclara.pt/index.php ("Clikando" ampliam)

É certo - e lamentável - que quem mais razões tinha para estar quieto e calado é quem mais se mexe, “bota palavra” e estrebucha;

É certo - e lamentável - que quem nem o dever mínimo de sócio foi capaz de cumprir (não pagar as cotas durante mais de quatro anos é desrespeito suficiente para deixar envergonhado quem vergonha tivesse) é quem mais se vitimiza, e reclama, por direitos que só muito duvidosamente os pode exigir e usar;

Mas o mais certo é que os números não enganam, e como que se já não bastassem os que demonstram com clareza o bom caminho percorrido – o que isso deve doer a muitos, e sobretudo a quem, abusivamente pago para tal, entre o muito mais, negligenciou (e com isso fez perder) importantes receitas para o CDSC e acrescer significativas despesas –, agora, há outros números também absolutamente clarificadores:

Mais de 90% de votos obtidos, com o universo de votantes a duplicar quando comparado com as últimas eleições disputadas nas mesmas condições (lista única): foi muito bom!
Melhor ainda foi o número, e a qualidade, dos apoios congregados, mais de uma centena deles registados nas listas de apoio e subscrição da candidatura.

Foi tão bom que até hoje, Sábado, o dia nasceu com um sol radioso.

Mas, atenção, bom também é não esquecer que o mais importante é mesmo CONTINUAR NO BOM CAMINHO. E daqui para lá será cada vez mais difícil: “quanto mais se sobe a montanha mais penoso é o trilho”!

Força, parabéns e muitas felicidades.

terça-feira, novembro 23, 2010

Santa Clara: continuar no bom caminho


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Gráficos obtidos aqui: http://www.cdsantaclara.pt/index.php ("Clikando" ampliam)

Mais do que um bom slogan de campanha, neste momento, para o Clube Desportivo Santa Clara, “Continuar no bom caminho” é um imperativo, uma empreitada crucial para desembaraçar o clube do aflitivo garrote que o vem estrangulando há quase uma década, sufoco que nos dois últimos anos, felizmente, tem conhecido algum alívio.
Só é possível “Continuar no bom caminho” porque já se começou a trilhar este mesmo caminho. Um facto inegável para todos, até para aqueles a quem, por razões óbvias, não interessava reconhecer que assim é. Uma das demonstrações disso é ler e ouvir as criticas vindas dos que ainda não há muito tempo pareciam indiferentes aos Estatutos do clube transgredido-os de forma grosseira, e que hoje, evocando-os com zelo, apontam como exemplos de incumprimento aspectos bem menos graves e significativos do que aqueles que antes violavam a torto e a direito. Para não falar de outras questões, pergunto:
- Quem não se recorda da forma pouco ortodoxa, bem como do sistemático atraso, com que as contas do Santa Clara eram apresentadas para aprovação aos sócios em Assembleia-geral?
- E de quando os directores se auto remuneravam com despudor quando os Estatutos determinavam que os dirigentes eleitos não podiam exercer funções remuneradas?
Mas bem bom que agora já se lembram e evocam os Estatutos: é um óbvio sinal que o Santa Clara já está no bom caminho!
Ironias à parte, não restam dúvidas que tem sido a boa gestão imprimida por aqueles que nos últimos tempos comandam os destinos dos Santa Clara aquilo que melhor explícita que o clube está no bom caminho. Nunca será demais recordar que em 2007 o deficit acumulado do CDSC rodava os 18M€; que apenas de 2000 a 2003 o clube acumulou um deficit 11M€ (só por conta do ano de 2003 foram 5M€). Depois, entre os anos 2004 e 2007, não foi muito diferente: foram entretanto acrescentados cerca de mais 7M€ ao enorme deficit que entretanto já se acumulara.
Só a partir de 2008 a situação começou a ganhar algum equilíbrio: (– 150.000 €) foi o resultado apresentado em 2008/09; + 200.000 € foi o resultado de 2009/10; e + 0,5M€, não havendo sobressaltos, é o resultado previsto para a presente época. Isto sim é “Bom Caminho”!
Bom caminho também é, não obstante a significativa redução de custos com o futebol profissional verificada, o bom desempenho desportivo patenteado ultimamente, com a equipa a disputar até ao último jogo, em duas épocas consecutivas, a possibilidade de subida à liga principal. Tal como bom caminho é o rigor, a transparência e as preocupações com a observância de questões fundamentais, como a atempada prestação de contas como progressivamente se passou a efectuar, com a última AG - infelizmente mediatizada não pelos melhores motivos – sendo a primeira em muitos anos onde foram apresentados resultados positivos, e, tão ou mais importante do que isso, levada a cabo dentro dos prazos estatutariamente estipulados.
Há outras questões a melhorar? Claro! É sempre possível fazer melhor, embora quanto maior é o percurso percorrido mais difícil se torne palmilhar o que dele sobra. De uma coisa, porém, não restam dúvidas nenhumas: o mais importante é “Continuar no bom caminho”, pois só assim será possível ver compensado o muito trabalho já desenvolvido, para mais, tratando-se de trabalho efectuado de forma generosa, desinteressada e altruísta – em contraste com um passado onde além das obscenas remunerações arrancadas não faltaram casos de usurpação, negligência e oportunismo –, a grande e dedicada tarefa que está na base da visível inversão de rumo que facilmente já se pode observar.

A.O. 11/23/10; “Cá à minha moda" (revisto e ligeiramente acrescentado)

terça-feira, novembro 09, 2010

Se a moda pegasse até podia ser uma limpeza



Um destes dias, reencaminhado por alguém que habitualmente não envia “lixo” – e só por isso abri aquela mensagem com não sei quantos destinatários associados, tipo corrente a não interromper –, sem lhe faltar os avisos de “MUITO FORTE”, “VIOLENTO”, caiu também na minha caixa de correio o vídeo do politico americano que se suicidou em plena conferência de imprensa, por, segundo se dizia no e-mail que o acompanhava, ter sido apanhado nas malhas da justiça por corrupção, processo cujo montante, tal como também lá dizia, era somente de 15.000 U$D.
Ao visionar as imagens e mensagens contidas no ficheiro recebido recordei-me que já as vira noutra ocasião, que o caso ali registado não era assim tão recente, tampouco era assim tão reduzido o verdadeiro valor em causa. Mas nem o tempo que entretanto passou ou a diferença de valores apresentadas reduzem, em nada, o interesse e a oportunidade em recordar aquele dramático episódio: é que, “vergonha na cara”, aquilo que na altura não faltou ao mediático suicida, é coisa cada vez mais rara, atributo entretanto praticamente inexistente, que, tal como a honra ou a palavra dada, são marcas de carácter em continua desvalorização!
Se neste último quarto de século – foi em Janeiro de 1987 que Robert Dwyer, Secretário do Tesouro republicano, confrontado com uma acusação de corrupção cujos 300.000 U$D em causa o comprometiam implicando também mais uns quantos dos seus correligionários partidários optou por se suicidar frente a um batalhão de jornalistas – todos os corruptos implicados em processos de valor igual ou semelhante adoptassem a mesma atitude, com certeza o mundo estaria bem melhor. E nem é necessário olharmos para o lado de lá do Atlântico, onde, apesar de tudo, a justiça funciona e os “Bernard Madoffes” em poucos meses são julgados e encarcerados. Bastará apenas mirar aqui bem mais perto, para a direita, fixando-nos nos BPNs e em mais uns quantos pardais, ou para esquerda, nas “Faces ocultas” e outros que tais, para se avaliar a amplitude da limpeza caso o incidente Robert Dwyer fizesse escola. Bem vistas as coisas, e falando mais a sério, nem seria necessário chegar a tamanho exagero. Suficiente já seria a adopção de comportamentos ética e moralmente mais sóbrios e recomendáveis: como custa vê-los, por vezes já como arguidos, usando este estatuto não só para se defenderem, mas, sobretudo, poderem manter, prolongar e até acrescentar duvidosas benesses e mordomias!
Foi realmente dramática e muito violenta a forma como Bob Dwyer lidou com a acusação que sobre ele pendeu, cujas imagens, agora tão divulgadas, além de incomodar quem as visiona dão ainda muito que pensar. Mas também não deixará de ser tão ou mais violenta – embora menos dramática, admito – a forma como uns quantos, no extremo oposto, sem “pinga de vergonha na cara”, lidam com situações similares.
Nem oito nem oitenta – nada como qualquer coisa entre o trinta e o quarenta e dois –, mas começam a ser mais que muitos os casos que vão conhecendo a luz do dia, com os respectivos implicados a usar e abusar da desfaçatez.

A.O. 11/09/10; “Cá à minha moda" (revisto e ligeiramente acrescentado)