terça-feira, maio 20, 2008

 

Prolongamentos



Estava o dito "Apito Final" ainda longe de se fazer ouvir, e já o sistema – que desde há muito Dias da Cunha denunciara apontando frontalmente os seus rostos mais relevantes –, com as armas e bagagens que se lhe conhecem e reconhecem, preparava a extensão que entretanto decorre e cujo desfecho ainda está muito longe de ser conhecido. Isso, como se já não soubesse a pouco a aplicação de penas como que “feitas por medida”; perca de pontos quando estes nenhuma falta fazem, despromoção quando esta, por outros motivos, talvez também fosse inevitável, e suspensão de actividade a quem já não a exerce ou desde há muito já não a devia exercer. Será fora do “sistema”, e com risco de fazer estragos que inicialmente parece não terem sido devidamente avaliados, que a justiça de instâncias “menos caseiras” pode ainda vir a causar danos colaterais apreciáveis!

Embora com outros protagonistas, outros métodos, e noutras paragens – aqui na nossa “santinha terra” – também nos deparamos com processos que se não são “sistemas”, grandes sistemas parecem! Passo a explicar:
Por mais esforço que faça não entendo como os mesmos que antes facilitaram incompreensivelmente o processo de delapidação do CDSC, só agora se apresentem adoptando métodos que, aplicados no passado com metade do rigor agora patenteado, tinham evitado grandes males. Sei como hoje escasseiam as garantias materiais, bens que não obstante os vários avisos na altura efectuados, outros, outrora, desbarataram sem dó nem piedade. Mas também sei que em contrapartida, actualmente, existem outras boas garantias – honestidade e um enorme esforço de gerir bem e abnegadamente o pouco que sobrou –, cauções estas cuja análise foi no passado claramente negligenciada, comprovando-se ser esta grave falha uma das razões do triste e agoniante, actual, “estado das coisas”.

Fazem mesmo falta apitos enérgicos, esclarecedores, definitivos, e em sentido positivo!

A. O. 20/05/08; “Cá à minha moda” (Revisto e acrescentado)

terça-feira, maio 06, 2008

 

Os “Hércules”


No início do século XX, ainda antes do futebol ser entre nós uma modalidade associativamente organizada, a exibição da “força bruta” – expressão então usada, até pela imprensa –, era uma das oportunidades de espectáculo desportivo disponível para as massas.
João Joaquim d’Azevedo, jovem micaelense (na última década do séc. XIX trabalhou como aprendiz de marceneiro com o mestre Carreiro na rua da Vila Nova de Cima) que cedo descobriu e começou a desenvolver as suas capacidades atléticas relacionadas com o uso da força, rapidamente se tornou num “showman” de sucesso, com publico garantido em diversos palcos, mesmo nos mais exigentes, como aconteceu, por exemplo, aquando da sua passagem por Nova York. Em meados de 1910, num dos momentos altos da carreira do “Hércules Açoriano” em Portugal, Azevedo fez a travessia parcial do Tejo suspenso num cabo fixo entre o Terreiro do Paço e um barco fundeado no rio apenas seguro pela força dos seus maxilares e firmeza dos seus dentes, proeza que em Lisboa encheu as primeiras páginas dos jornais.
Como “o bom tempo” não dura sempre, quem chegou a ganhar 2.500USD/semana – recordo; isto aconteceu no início do século passado! –, acabou dependendo da solidariedade pública para poder sobreviver.
Em diversas actividades – do desporto à política – o que por aí não faltam são “artistas” como o “nosso Hércules”, que não sabendo gerir a carreira e/ou, simplesmente, sair de cena na hora certa, começam como “primas donas” e acabam compondo “tristes papeis”!
Acontecimentos recentes, e o impulso de com eles, ironicamente, fazer analogia, trouxeram-me à memória o rijo Azevedo. Mas, ao reler as notas que sobre ele coleccionei, e recordar as suas muitas façanhas e outras tantas desventuras, foram tantos os “Hércules” que desfilaram pela mente que a tal me não atrevi. Fica em aberto; cada um faça as suas!
A. O. 06/05/08; “Cá à minha moda”


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