sábado, fevereiro 26, 2005

 

PORTUGAL

Portugal
Eu tenho vinte e dois anos e tu às vezes fazes-me sentir
como se tivesse oitocentos
Que culpa tive eu que D. Sebastião fosse combater os
infiéis ao norte de África
só porque não podia combater a doença que lhe
atacava os órgãos genitais
e nunca mais voltasse
Quase chego a pensar que é tudo mentira, que o Infante
D. Henrique foi uma invenção do Walt
Disney
e o Nuno Álvares Pereira uma reles imitação do
Princípe Valente
Portugal
Não imaginas o tesão que sinto quando ouço o hino
nacional
(que os meus egrégios avós me perdoem)
Ontem estive a jogar póker com o velho do Restelo
Anda na consulta externa do Júlio de Matos
Deram-lhe uns electro-choques e está a recuperar
àparte o facto de agora me tentar convencer que nos
espera um futuro de rosas

(...)
Jorge de Sousa Braga, 1991

terça-feira, fevereiro 22, 2005

 

“Centrão” Azórico

Estão à vista de todos – incluí o contributo das TV’s privadas e novas tecnologias – as melhorias que os últimos tempos trouxeram à descompressão política nos Açores. Apesar disso – eu acho – continua lento o processo da mudança em curso no arquipélago, residindo aí a manifesta dificuldade em contrariar a ainda significativa inércia centrípeta que a quase todos nos tolhe!
Se no rectângulo português o “centrão”, embora mantendo uma cotação elevada, já só vale 75% (45% do PS + 28% do PSD), por cá, o seu valor ronda os 90% (53% do PS + 35% do PSD). Dito por outras palavras; se fosse possível reunir no BR (Bloco Restante) todos os votos que sobraram do PS e do PSD, mesmo assim, não estaria garantida a eleição de um deputado estranho ao BC (Bloco Central)!
Procurando aprender com os erros – é o mínimo que com eles se pode fazer –, interrogo-me:
. Com uma campanha esclarecedora, sóbria e muito consistente, porque não beneficiou cá a CDU, totalmente, do bom desempenho de Jerónimo Sousa?
. Com uma campanha graciosa, elegante, e coerentemente centrada nas pertinentes questões que lhe são gratas, mesmo tendo duplicando a sua votação, porque não acompanhou aqui, o BE, o fenómeno “Louçã”?
. Tendo caído Santana para 28%, e o PS de César conseguido 53%, o que terá segurado o PSD de Victor Cruz nos 35%?
Das muitas respostas possíveis, uma, é sem dúvida:
- Enganaram-se os que subestimaram a “locomotiva Mota Amaral”!
Do próprio. In Açoriano Oriental/Cónicas do Aquém

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

 

Toma lá este


(enviado pela Fátima Rosado, com a legenda; Lindo!)

A Estória;
Ontem, depois da banhada que o Barata levou, eu, assumindo a minha cota parte nas culpas - sim, porque se calhar era o azeite que não prestava -, não podia ir deitar-me de consciência tranquila sem, pessoalmente, lhe ter dado um um abraço de solidariedade. (Esta é a parte verdadeira do "filme")
Quando chequei ao QG dos discípulos do Paulo Portas, lá estava o núcleo duro do CDS/PP de S. Miguel (isso ainda é verdade), esperanvam todos por, via video-conferência, ouvir o que o GRANDE LÍDER tinha para lhes transmitir.
Enquanto eu abraçava o Nuno Barata, conseguí ver pelo "rabo do olho" o princípio da conversa,
que, sem ter nem tirar, foi:
- Para principiar, e desculpem lá voçês porque eu ainda estou muito transtornado, como é que queriam eleger um deputado nos Açores sem terem colocado um único dos cartazes com a minha cara que para aí enviei....
- Mas, espere aí pelo Nuno...., ele já vem. Só ele lhe pode responder!
Disse alguém com voz semi embargada.
- Quem. Eu? Esperar pelo Barata!
- Não espero. ELE QUER MAS É ESTE!
Eu nem queria acreditar. O Paulo Portas a fazer aquele gesto. Não pode ser! Ele ainda era o Sr. Ministro de não sei o quê mais o Mar. Ou já não seria?

terça-feira, fevereiro 15, 2005

 

De BARATA(o)

Se Santana Lopes, “menino guerreiro”, líder do PSD e ainda “nosso primeiro”, pode dar-se ao luxo de oferecer, na Capital do (mini) Império, lugares elegíveis a amigos e companheiros – PPM e PT incluídos – correndo com isso o risco de não eleger um dos seus vice (o líder do PSD/Açores), porque razão não hei-de, eu, empenhar-me, na eleição de um açoriano lúcido, de muita verve, e com provas dadas na defesa de causas, e dos Açores?
Sei que para votar NUNO BARATA tenho de faze-lo via CDS/PP – recentemente, por razões similares, também votei PS –, mas este é um dos defeitos desta autonomia que o Sr. Presidente da Republica Portuguesa, em declarações criticadas por quase todos (embora nenhum dos para tal habilitados, durante a última oportunidade, soubesse reclamar, ou sugerir, a “insignificância” que é; o fim “de algemas” aos partidos regionais) disse já ter atingido o seu limite!
Ao votar vou ter de engolir um sapo – só pensando em Paulo Portas, até me parece o inchadíssimo sapo de “La Fontaine” –, porém, nada que uma colher de azeite não ajude a resolver, atrevendo-me a sugerir a quem sentir vontade de contribuir para um resultado histórico, mas que inseguro, ou por constrangimentos partidários, ainda está indeciso, para além do azeite, que vá votar após as 18 horas; aí, “fogo lhe abrase” se já não souber como é insignificante o seu contributo, em votos, para a eleição do novo Primeiro-ministro de Portugal!
Do próprio. In Açoriano Oriental/Cónicas do Aquém

sábado, fevereiro 12, 2005

 

Gostei

República Federal dos Açores
A cinco minutos (talvez a dez) de casa, instalaram-me mais um casino. Casino a sério com centenas de máquinas, roletas, tapetes, restaurantes, mulatas explosivas, cartas, perfumes baratos, espelhos, polyester e coisas similares.
Com a mania das reservas índias (“nativas” no politicamente correcto ou “ First Nation People...”) controlarem o jogo na América profunda, via árabes, ando manifestamente farto de ver tanto casino. Claro que lá fomos jantar. Parte das empregadas são brasileiras, obviamente muito atraentes. A que nos atendeu no bar está a fazer(?) um pós doutoramento em antropologia dos instrumentos (não sei o que é) e perguntou-me se o meu sotaque português era do interior (do Brasil).
Disse que era da República Federal dos Açores.
Nota- Roubado a "resistir.blogspot.com"

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

 

MOTO-LOCOMOTIVA


Esta é fresquinha.
Chegou agora mesmo à minha caixa de correio.

Nota importante: "Pu. Pu." é a tradução para açoriano de "pouca terra/pouca terra"

terça-feira, fevereiro 08, 2005

 

CELEBRAR

Tem sido dado enorme relevo à provecta idade do hino da Autonomia. Com 111 anos de idade o hino dos Açores bem pode orgulhar-se de ser contemporâneo do hino nacional português, e, tal como ele, só se ter tornado símbolo hierático após várias tropelias.
É do conhecimento comum que “A Portuguesa” – Alfredo Keil / Henriques Lopes Mendonça –, inicialmente uma marcha patriótica composta por ocasião do ultimato inglês que pouco tempo depois foi adoptada pela sublevação revoltosa do 31 Janeiro de 1891 no Porto, passou à clandestinidade após esta revolução ter sido esmagada, e, só depois da implantação da Republica, foi então, por esta, instituída (Junho de 1911) como hino português.
Sobre o hino dos Açores - cuja idade agora parece ser importante realçar -, não obstante a proximidade da sua criação com a de “A Portuguesa”, ainda, e infelizmente, só poucos sabem muito pouco! Nem mesmo as peripécias que aconteceram por ocasião da sua aprovação na ALRA contribuíram para fazer justiça aos seus originais autores, música e letra (e que LETRA; “...Para nós é vergonhosa/ A central tutela, /Odiosa…”), respectivamente; Joaquim Lima e António Tavares. E isso sem nenhum desprimor por Natália Correia, sobretudo por esta, e Teófilo Frazão.
Teve porém esta inusitada comemoração – que ignorou os “redondinhos” 110 anos, e, sobretudo, um inolvidável centenário – uma enorme vantagem; a de nos recordar, SEMPRE, quem foram, e desde quando o são, os verdadeiros “pais fundadores” da autonomia dos Açores!
Do próprio. In Açoriano Oriental/Cónicas do Aquém

terça-feira, fevereiro 01, 2005

 

Mais um 31

Comemorou-se, ontem, mais um falacioso aniversário do CDSC!
Podia ser apenas outro. Mas não. É mais um a acrescentar àqueles que entretanto passaram já depois de terem sido assumidos compromissos, que antecipadamente se adivinhavam pouco sérios, no sentido de ser apurada a verdadeira data de fundação do clube, o último dos quais, em sede da profunda e competente revisão aos estatutos; como tal, “abortada”. Claro!
Que necessidade tem, hoje, o CDSC de manter a farsa do 31 Janeiro de 1921?
Sinceramente; depois do elevado custo que o clube está a pagar pela ilusão e falsidade mantidas até recentemente, muitas delas sustentadas por quem dá cobertura à fantasia do 31 Janeiro de 1921, que sentido faz persistir no mesmo caminho; a mentira e seus nefastos resultados?
Sejamos sérios:
1 - Haverá quem seja capaz de demonstrar qual a relação existente entre o 31 Janeiro de 1921 e a fundação do CDSC?
2 - Haverá quem consiga desmentir que a existência do CDSC, no máximo, remonta a Maio de 1927, e que os seus estatutos de fundação foram aprovados, inequivocamente, numa AG expressamente convocada para o efeito realizada a 21 Junho de 1927?
3 - Haverá alguém que negue o facto de entre os outros “Santa Clara” que existiram antes do CDSC, como ele membros da Associação de Futebol, algum tenha existência anterior ao Verão de 1922?
Não. Não pode ser só teimosia. Nem será sempre que o 31 Janeiro coincide com o Carnaval!
Do próprio. In Açoriano Oriental/Cónicas do Aquém
PS Agradeço ao João de Brito Zeferino as simpáticas palavras que me tem dirigido sobre este tema, algumas delas publicadas muito recentemente. Porém, e tal como já tive oportunidade de por outra via lhe transmitir, na busca da verdade, entre as palavras rudes que a possam revelar e as simpáticas que habitualmente a contornam, podendo escolher, são as primeiras aquelas que prefiro!

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