Terça-feira, Novembro 24, 2009
A face visível das forças ocultas



Pena que às primeiras páginas só cheguem as transacções de elite, fenómeno que a própria ordem jurídica já segmenta por mercados (a grande, e a pequena), uma infecção que para chegar ao topo tem de percorrer, desde a base, um longo e perverso caminho. O mais das vezes, iniciando-o com actos aparentemente irrelevantes, raramente noticiados, mas que, até pelo despotismo que revelam, logo denunciam os óbvios pequenos passos com que se inicia um longo e rentável percurso. Ou não serão destas “traficâncias” que se trata, por exemplo, no caso do funcionário camarário que é deslocado de determinada freguesia (onde até ali desempenhava função tida por relevante) só porque nas eleições para a Junta local ganhou um partido diferente daquele que se manteve o poder no Concelho que integra a Junta em causa?
Todos sabemos que, mesmo sujeitos às sevícias da nova censura, onde a publicidade institucional tem mais eficácia que o antigo “homem do lápis azul”, títulos como: “Vara ao Sol”, “Aglomerado de Penedos” ou “Figo de luxo”, ainda se lêem mais vezes do que, por exemplo: “Coveiro desaparecido”! Mas, e porque “é de pequenino que se torce o pepino”, também se sabe, que, só quando acabarem as pequenas traficâncias, poder-se-á, um dia, admitir ver reduzido o tentacular (e já institucional) polvo, eficazmente domesticado pela elite dominante (seja ela qual for)!
A.O. 24/11/09; “Cá à minha moda" (Revisto e acrescentado)
Terça-feira, Novembro 10, 2009
Independências



Num registo diferente, mais focado, como era espectável, no alargar do conhecimento e não na intriga política, assisti com particular interesse à Comunicação da Dr.ª Susana Serpa Silva, naquele que segundo a própria foi um breve contributo – de facto soube a pouco – sobre a visão autonomista dos açorianos que corporizaram a 1º Republica.
Quarta-feira, Outubro 28, 2009
Outro exemplo VIDA NOVA: lixo de campanha

Forum Local - Açoriano Oriental de 12 Outubro de 2009
Para este segundo mandato, onde o lema “Renovação: avança uma nova geração”, muito mais do que um simples slogan, foi também um exemplar modo de actuação, de rejuvenescimento, de incremento de massa crítica, de equilíbrio – muito para além do fixado por lei - quando ao género na composição da lista, corro reduzido risco de enganar-me afirmando que a superação de outros exigentes desafios ficará também registada na lista dos exemplos a ter em conta.
Desde já, podemos tomar como referência um, de pouca importância quando comprado com alguns dos demais, mas que não deixa de apresentar grande significado. Aconteceu logo após as eleições, na segunda-feira (12 Outubro), já que, enquanto outros mantinham a sua permanente campanha eleitoral - apenas transferindo dos placares e panfletos para os jornais os seus slogans e promessas muito requentadas, porém, sempre a jeito para mesmo assim serem oportunisticamente redistribuídas para publicação "na data certa" -, “Vida Nova” empenhava- sereme em retirar da rua todo o seu material de campanha. Exemplo que, embora a custo foi seguido por todos os outros, o que acabou libertando Santa Clara, em pouco mais de uma semana, de todo “lixo de campanha” lá depositado. Um “lixo” que ainda se pode ver com facilidade em muitas outras freguesias de Ponta Delgada e arredores, com cartazes onde a cara dos candidatos, cada vez mais amarelecida, por vezes mesmo apresentando-os como padecendo de grave cirrose hepática, mesmo assim não parece ser razão suficiente para os impelir a proceder (ou mandar que outros procedem) à sua rápida, e tão requerida quanto salutar, remoção.
Quinta-feira, Outubro 22, 2009
"Tomba-Gigantes" (versão adúltera)

Correndo o risco de levar com dois processos crimes em cima: um do JNAS, por plágio adulterado, e outro do Mário Abrantes, por usurpação de obra e assinatura, mas mesmo assim não conseguindo conter o impulso, permitam-me publicar aqui neste “meu lugar” uma adaptação desta pérola:
“Numa saison outonal em que está na moda falar de derrotas não quero deixar de registar um revés pessoal e um concreto desaire eleitoral: o de Berta Cabral na minha freguesia de Santa Clara! Trata-se de uma perda pessoalíssima com um simbolismo que não se esgota no plano local. Com efeito, a Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, e toda a sua entourage, apostou forte na vitória do seu plantel. Berta Cabral que cresceu em Santa Clara e quando lhe dá jeito se diz filha de Santa Clara. Santa Clara contudo dava um case study depois das práticas e metodologias que foram usadas pelos Sociais-democratas e que presumo terem sido replicadas noutras freguesias. Há quatro anos atrás Berta Cabral empenhou o seu prestígio pessoal e institucional no apoio à lista do PSD à freguesia. Perdeu as eleições. Passados quatro anos na oposição resolveu substituir na lista Manuel Ramos pelo Libório filho, descendente do Libório pai, homens fortes da Comissão das Festas da Padroeira, que no seu ritual de entronização, sobre o palanque das arrematações ou junto à máquina do "algodão doce" se viu transformado em "confrade de honra" das Festas. Confrades e familiares à parte o certo é que nem assim o PSD conseguiu tomar a freguesia e Berta Cabral perdeu, outra vez, as eleições. Embora local foi indubitavelmente uma estrondosa derrota pessoal numa freguesia na qual se empenhou o PSD de Berta Cabral. Uma das poucas do concelho de Ponta Delgada onde Libório, o candidato do PSD, teve a "graça" de se ver acompanhado de Berta Cabral e respectiva corte. Foi nesta mesma Freguesia que em vésperas de eleições foi distribuído porta a porta um panfleto de campanha para a Freguesia com a fotografia de Berta Cabral. Nem com esta colagem à imagem e semelhança de Berta Cabral o "evangelho" e slogan de campanha, "Não nos escondemos atrás de coligações", logrou arrebatar tão emblemática freguesia. Justiça seja feita. Tratava-se de facto de gente que fez muito pela Freguesia e que prometeu fazer ainda mais! Fez enfrentando a oposição da Câmara, que canalizou meios para a Centro Paroquial e para o Triatro construído na Freguesia pela Junta de S. José, que, com o devido respeito, mais não fez do que partilhar uma unilateral oposição à Junta de Freguesia. Prometeu fazer, para benefício virtual dos seus correligionários, uma Casa Mortuária e um Pavilhão Multi-usos, anunciando esta promessa depois de os levar a dizer que não apresentariam “obra de outros”, fazendo-os assim, mais uma vez, “engolir em seco” por dar o dito pelo não dito, pois tais equipamentos, para além de serem pensados por outros, já por outros estão projectados e até construídos, em outros locais do concelho. Fez ainda durante a campanha inúmeras promessas populares que espero o povo saiba reivindicar no seu devido tempo. Por exemplo: no fervor da campanha Berta levou à freguesia a sua embaixada, "generais" e "ajudantes de campo", a prometer obra futura nos derradeiros "cartuchos" da campanha! Depois de todo este desvelo de Berta, a mesma foi julgada nas urnas com uma derrota pessoal e institucional. Perdeu mais uma batalha na qual acompanhou as suas tropas em várias das suas aparições ao lado dos Libórios. Usou com insucesso de toda a "artilharia" política e institucional mas ainda assim a "blitzkrieg" social-democrata não passou. Clausewitz escreveu em tempos que "a guerra é a continuação das relações políticas com a mistura de outros meios". Na campanha de Santa Clara misturou-se a Câmara e a sua Presidente com as ditas "forças vivas" da Freguesia, mas o facto é que nem a imagem de Berta serviu para caucionar a ambicionada vitória. Bem sei que ainda estamos longe dos playoffs de 2012 mas neste apuramento de 2009 Santa Clara é uma derrota poderosa, especialmente quando do nosso lado não lutamos com as mesmas armas nem com o plantel da primeira divisão da Câmara Municipal.
Ainda há "tomba-gigantes"!
Mário Abrantes da Silva
Presidente (cessante) da Assembleia de Freguesia de Santa Clara"
Terça-feira, Outubro 13, 2009
Santa Clara: + 4 anos de Vida Nova

Não faltaram, à lista do PSD derrotada em Santa Clara, apoios irregularmente obtidos com recurso a património autárquico. Já quando decorria a contagem dos votos entrados em urna, até uma carrinha da Câmara Municipal de Ponta Delgada aguardava o desfecho que, iludidos por vai lá saber-se o quê, alguns, que não a maioria dos santaclarenses, esperavam acontecer. Aqui ficam alguns exemplos.
Dando perfeito sentido ao adágio popular que sentencia: “A união faz a força”, num invulgar exemplo de coesão; de resistência à subjugação a forças muito poderosas; de dedicada e afincada capacidade de trabalho, e denotando grande determinação, organização e muito querer, o Grupo de Cidadãos “Santa Clara – Vida Nova” garantiu, depois de uma campanha eleitoral duríssima, batendo-se contra meios materiais a todos os níveis desiguais, mais quatro anos de gestão do projecto “Vida Nova” para Santa Clara.
Foi uma pena que os, agora mais uma vez, verdadeiramente derrotados não tivessem atempada e inteligentemente sabido trilhar o caminho que lhes foi proposto.
Pena porque Santa Clara para recuperar o muito tempo perdido enquanto gerida a partir de São José – quando foi sistematicamente tratada como “o fundo do quintal de Ponta Delgada” –, do que menos necessita é sujeitar-se a tão estúpidas quanto estéreis tricas politico partidárias, tipo: “se não for da mesma cor da CMPD estão “lixados””.
Pena porque não era necessário se terem sujeitado a uma segunda derrota, desta vez ainda mais clarificadora, para obterem, CABALMENTE, o devido esclarecimento sobre o genuíno carácter dos santaclarenses.
Pena porque o “dividir para reinar” causa sempre feridas difíceis de sarar, sobretudo quando, maquiavelicamente, os grandes e verdadeiros protagonistas derrotados nesta disputa, escondendo-se, entregaram os papéis principais a ingénuos, impreparados, que mesmo não dando conta disso, até pelos supostamente seus, foram e continuam sendo vilipendiados.
Acabou a contenda, há que virar a página. Mas é bom que, mais uma vez, os poderosos e seus representantes não voltem a confundir a nobreza dos vencedores com fraqueza, ou medo do combate político. É que, se em política partidária não é vulgar partilhar o poder em prol do interesse comum, era séria, e foi profundamente reflectida, a oportunidade de partilha oferecida em prol de TODOS por Santa Clara!
Quem, assim não entendendo, julgou a dádiva tratar-se de fraqueza, ou medo do “combate”, como se viu enganou-se.
Mas, como é com os erros que se aprende, pode ser que agora tenham assimilado a lição.
Domingo, Outubro 11, 2009
MAIS QUATRO ANOS DE VIDA NOVA

Mas os santaclarenses, não esquecendo, e gratos, deram uma grande e merecida prenda a VIDA NOVA; mais uma vitória; mais uma maioria, desta vez ainda mais reforçada.
OBRIGADO!
Sábado, Outubro 10, 2009
VIDA NOVA é para continuar
Domingo, Setembro 20, 2009
Álvaro Ramos ou "Mestre Alvarins": se preferirem

Na Guiné, em 1962/64, momento de descontração num "intervalo" da guerra.
(Clikc nas fotos para aumentar)
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A freguesia de Santa Clara perdeu muito recentemente outra das suas mais autênticas referências, alguém que, no desempenho da sua profissão, sobretudo pela alegria, jovialidade e proficiência com que o fazia, marcou muito e muitos, deixando amigos em várias gerações de santaclarenses.
Morreu Álvaro Ramos, ou “Mestre Alvarins Barbeiro”, como era por todos nós conhecido, alguém que, de pasta em punho, sempre de passada arqueada e ritmo apressado, cumprindo horários quase ao minuto, era visita regular da casa de muitos de nós, por parte significativa do seu metier ser efectuado ao domicílio.
Mestre “Alvarins”, acometido subitamente de enfermidade que raramente perdoa, manteve a sua actividade praticamente até ao momento em que a doença o colheu. Um achaque que lhe dominou o corpo, mas não o espírito, sempre alegre e conversador, pronto para uma crítica mordaz e contundente, mormente tratando o assunto de futebol, do seu Benfica, ou do nosso Santa Clara, mas também de outra qualquer actualidade, matéria que cultivava com prazer, surpreendendo-nos amiúde com a oportunidade e profundidade dos temas que abordava.
Será esta a imagem que procurarei guardar dele, uma recordação firmada na nossa última conversa, ao longo dos passeios, já vermelhos, da Príncipe do Mónaco, com ele, já doente, como a querer despedir-se do lugar, hoje freguesia, que o viu nascer, crescer e viver, disfarçando perfeitamente uma enfermidade, que, então, já era bem nítida observando a forma como se deslocava, mas praticamente imperceptível na sagacidade da conversa, um diálogo que versava a “Mata da Doca”, e a sua descrença, confirmada, em ver “a mata de baixo” transformada em “Jardim Padre Fernando”.
Haverá, onde estás, "pevides" com casca, para tu, também por aí, as comeres depois de descascadas a uma velocidade imbatível?
Não creio!
Quarta-feira, Setembro 02, 2009
Santa Clara - Vida Nova: AVANÇA UMA NOVA GERAÇÃO

Quando se tornou oficial a apresentação no Parlamento Açoriano, pelo PCP, da proposta de criação da Freguesia de Santa Clara (já pouco falta para completar uma década sobre esta data), nas páginas do Correio dos Açores, em artigo de opinião com pouco mais de um milhar de caracteres, ainda empolgado com o facto daquela “luta antiga” ter finalmente condições de um feliz desfecho, saiu-me a seguinte frase:
(…) Se Santa Clara fosse uma freguesia, seria mais difícil arrasar a “Mata da Doca” – e o muito que ela representava para Santa Clara – sem ao menos terem oferecido outras alternativas de ocupação, sadia, dos tempos livres aos jovens do bairro (…) .
Só muito mais tarde, durante a pré campanha eleitoral para as autárquicas de 2005, tomei conhecimento da célebre homilia do Padre Fernando, na “Festa de Cristo Rei” em 1968, quando o principal mentor da criação da freguesia de Santa Clara, perante um alto responsável pelo Governo Civil, disse:
(…) Não se construiu a nova Igreja de Santa Clara na “Mata da Doca” e um jardim de dimensões óptimas, com parques de diversões e campos de jogos, porque os Senhores do Poder nunca o quiseram, não autorizando o andamento dos projectos. A paróquia de Santa Clara perdeu muito com isso, se Santa Clara já fosse freguesia talvez não fosse assim (…).
Não me recordo de ter ouvido esta homilia, mas uma coisa é certa, não sei desde quando, nem como, mas com certeza o meu subconsciente registava indelevelmente o grito de revolta que aquelas palavras do Padre Fernando representaram, levando-me, de uma ou de outra forma, como que a reproduzi-las em 2001.
Tendo passado mais de meio século em Santa Clara, não foi só aos da geração que me precedeu, ou da minha geração, que o Padre Fernando ajudou a formar o carácter. Como se vê pelo exemplo da Carolina da Elisa e da Rita (apenas três, mas há mais, muito mais), também muitos daqueles que agora estão na casa dos vinte, fazem brotar as características “semeadas” pelo Padre Fernando ao longo da vida em seus pais, e avós.
Sábado, Agosto 15, 2009
Mais um passo em frente, mais um objectivo alcançado



9 mulheres, 9 homens, 9 elementos com idades compreendidas entre os vinte e os quarenta anos, 9 candidatos que se estreiam, e o muito mais que se poderia dizer.
É a renovação no sentido mais amplo da palavra, é uma nova geração que avança, é Santa Clara – Vida Nova que se fortalece e renova.
Ricardo Leite (a experiência liderando a renovação)
Rita Mota (1ª participação)
Carolina Almeida (1ª participação)
Albano da Silva (1ª participação)
Sara Gomes (1ª participação)
Elisa Frias (1ª participação)
Andreia Fortes (1ª participação)
João Pacheco de Melo
Mário Abrantes
Eduarda Pain (1ª participação)
Berta Carvalheira
Jorge Franco
Lubélia Travassos






