Quarta-feira, Julho 15, 2009

 

Em SANTA CLARA – VIDA NOVA é para continuar



Na passada quinta-feira, perante expressiva assistência, que ovacionou com ruidosas palmas as passagens mais significativas das mensagens ali transmitidas, foi tornada pública a intenção da recandidatura à Junta de Freguesia de Santa Clara do grupo de cidadãos, que, num tão dedicado quanto singular projecto de serviço cívico e cidadania, sob o lema: “Santa Clara – Vida Nova” venceram as primeiras eleições para aquela autarquia, e desde então, de forma amplamente apreciada, tanto pela dinâmica como pela competência, têm vindo a gerir os destinos da mais jovem freguesia da cidade de Ponta Delgada. Exemplos não faltam: se a organização, equipamento e funcionamento dos serviços da Junta, fazendo optimizado uso das mais recentes tecnologias, são só para consumo interno, já o rápido e competente processo de estabelecimento e legalização dos símbolos heráldicos está a “fazer escola”.
Esta intenção de recandidatura, muito reflectida e já desde há algum tempo tomada, só agora foi divulgada porque, de forma responsável, foi decidido aguardar até ao limite possível pela demorada resposta a uma proposta, desta vez feita e reiterada formalmente, que visando colocar acima de TODOS os interesses politico partidários (por muito justificáveis – o que até não foi o caso – ou legítimos que se apresentem), mais não queria do que salvaguardar os mais elevados interesses da Freguesia. Infelizmente, isto voltou a não ser possível.
Para o próximo mandato o projecto “Santa Clara – Vida Nova” vai apresentar-se rejuvenescido e ainda mais consolidado. Consistência e revigoramento que, para além do que já é do conhecimento público – Presidência da Assembleia de Freguesia com Luís Cabral, actual Presidente da Junta, e apresentação como candidato a Presidente da Junta do Ricardo Leite, actual Secretário –, brevemente, se tornará ainda mais perceptível. É que Santa Clara tem um “mística” que as “senhoras/es do poder”, seja quem for que o detenha, continuam sem perceber; quantas mais são as dificuldades que criam, tanto maior é a vontade intrínseca dos santaclarenses em as superar. E há bons exemplos disso, com o CDSC apresentando-se como um deles!
A.O. 15/07/09; “Cá à minha moda”

Terça-feira, Junho 30, 2009

 

Pai tirano


No mar, com os Açores e a Madeira contribuindo decisivamente para a sua dimensão, está o que resta do Império Português.

Pátria mãe” é como os independentistas açorianos chamam habitualmente Portugal.
Antero de Quental, empregando as palavras como só ele sabia fazer, usou o “Quasi patrícios” para diferenciar açorianos de portugueses.
Natália Correia, feminina, sofisticada, com uma sensibilidade à flor da pele, chamou “Matria” à “Mãe Pátria”.
Partindo do particular (Açores) para o geral, e já pedindo desculpas por não acompanhar tanta eloquência e elegância, mas, “cá à minha maneira”, Portugal, em relação aos vários “filhos” que deixou espalhados pelas sete partidas do mundo, tem-se comportado como um padrasto. Por vezes, mesmo como um pai tirano!
Foi assim com o Brasil, onde só o passar dos anos, e a mulata doçura dos “filhos e enteados”, permitem hoje ver naquele país “um imenso Portugal”.
Assim foi em Goa, Damão, Dio, e outras possessões para aquelas bandas.
Voltou a ser assim na Guiné, em Angola, Moçambique, com os “filhos e enteados”, brutamente negligenciados, e envolvidos em guerras fratricidas que até hoje subsistem.
Em Timor ainda foi pior. Ali foi um pai ausente, que fugiu abandonando a família, tendo, felizmente, mais tarde, um rebate de consciência que possibilitou minimizar as desgraças a que a sujeitou os enjeitados e desamparados, por lá resistindo às afiadas garras de Suharto.
Em São Tomé e Cabo Verde Portugal foi também um pai ausente. Embora, nestes casos, os filhos da irresponsabilidade, de forma especial os cabo-verdianos, soubessem demonstrar como é preferível viver emancipados do que permanecer sujeitos, na dependência de um padrasto negligente.
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Portugal tem nos Açores – e na Madeira – a possibilidade de se cumprir como pai pleno: um pai que se realiza vendo os filhos realizados. Um pai que se orgulha ao ver os filhos tratar da sua própria vida; responsáveis, emancipados, livres.

A.O. 30/06/09; “Cá à minha moda”

Terça-feira, Junho 16, 2009

 

Padre Fernando: justa e sentida homenagem





A Junta de freguesia de Santa Clara, que – nunca é demais recordar – fugindo à habitual subordinação aos interesses político partidários resulta de um dedicado e exemplar projecto de cidadania e participação cívica (do grupo de cidadãos “Santa Clara – Vida Nova”), no culminar de importantes passos do seu processo fundacional: ordenação heráldica e regulamentação das insígnias e galardões da freguesia, decidiu homenagear o Padre Fernando Vieira Gomes, o principal impulsionador da restauração do estatuto de freguesia para Santa Clara, desígnio legitimado no acto eleitoral de 09 Outubro de 2005.

A cerimónia aconteceu no passado dia 12 de Junho, data da passagem do sexagésimo aniversário da ordenação daquele que, praticamente desde então até ao final da sua vida, serviu como mais ninguém aquela comunidade, incrementando-lhe um espírito identitário de tal forma forte, que, ainda mesmo antes da localidade ser freguesia, já como tal era considerada pelos seus habitantes.

Recuar até 1949 pode ajudar a compreender muita coisa: Cerca de um mês antes da ordenação do Padre Fernando, era ainda cura de Santa Clara o Padre Osvaldo, a imprensa de Ponta Delgada – notícia retransmitida no Diário de Notícias de New Bedford de 06/Jul/1949 (obrigado a quem me fez chegar este recorte) – deu conta de uma célebre actuação da “Capela de Santa Clara”, acompanhada pelo violonista Jaime Maria de Sousa, dirigida pelo maestro Licínio Costa, detalhando a lista das senhoras, e meninas, que então a compunham: “Genoveva de Medeiros e Maria Angelina, solistas, sendo o coro constituído pela Sra. D. Cisaltina Salgadinho e pelas meninas; Antonieta Cabral, Beatriz de Medeiros Costa, Zuraida Maria dos Santos, Maria Idalina do Rego Sousa, Carmélia de Lourdes Medeiros Salgadinho, Maria Luísa de Jesus Sousa, Maria Manuela do Rosário Moniz, Lorena Maria Tavares Moniz, Lídia Maria Botelho, Genoveva Maria Raimundo e Esbela Maria Raposo Ferreira.”
De quase todas ali referidas, as que não ficaram solteiras, já foi o Padre Fernando que as casou, como também foi ele quem baptizou a esmagadora maioria da sua descendência (gente hoje na casa dos cinquenta), casando também as filhas destas e baptizando os seus filhos, netos das primeiras, em processo que por vezes se repetiu na geração seguinte.
Se a isso associarmos o forte carisma pessoal do Padre Fernando, bem a como a sua natural propensão para a intervenção social, muito fica explicado!
A.O. 16/06/09; “Cá à minha moda”

Domingo, Junho 07, 2009

 

Portugal: um padrasto tirano


(roubado no foguetabraze, e com outras contas a ajustar com o NB)

(roubado no entramula. Obrigado MR)

Porque hoje é sete de Junho (trinta e quatro anos e um dia após o 6 de Junho, e mais de trinta e cinco anos após o 25 de Abril) e mesmo assim, passado todo este tempo, os açorianos até para se candidatarem ao Parlamento Europeu tem ainda de fazê-lo arrebanhados nos partidos portugueses, disputando as restritas cotas para “nativos” – quando a isso os partidos coloniais lhes permitem – que os portugueses para os contentar e amansar lhes “oferecem”, não posso deixar de aqui repetir a minha alegoria do “Pai tirano”.

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Pátria mãe é como os independentistas açorianos chamam habitualmente Portugal.

Antero Quental, empregando as palavras como só ele sabia fazer, usou o “Quasi patrícios” para relacionar açorianos e portugueses.

Natália Coreria, feminina, sofisticada, com uma sensibilidade sempre à flor da pele, chamou “Matria” a Portugal.

Peço desculpa por não saber acompanhar tanta elegância – eu sou de Santa Clara –, mas “cá à minha moda” Portugal, em relação aos vários “filhos” que deixou espalhados pelas sete partidas do mundo, se não o é, pelo menos tem-se comportado, como um pai tirano. Por vezes até mesmo um padrasto!

Foi assim com o Brasil, onde só o tempo e a mulata doçura dos “filhos e enteados” permite hoje ver naquele país um “imenso Portugal”;

Foi assim em Goa, Damão, Diu e outras possessões por aquelas bandas;

Foi assim na Guiné, em Angola e Moçambique, com os “filhos e enteados” brutamente negligenciados a serem envolvidos em guerras fratricidas;

Em Timor ainda foi pior. Portugal foi um pai ausente, que fugiu abandonando a família, tendo felizmente, mais tarde, um rebate de consciência que possibilitou minimizar as desgraças a que a sujeitou os enjeitados ali desamparados;

Em São Tomé e Cabo Verde, para o bem e para o mal, Portugal, foi também um pai ausente, embora nestes casos os filhos desta irresponsabilidade, de forma especial os cabo-verdianos, mesmo assim soubessem demonstrar como é preferível viver emancipados do que permanecer enteados, sujeitos, a depender de um padrasto negligente.

Portugal tem nos Açores – e na Madeira – a possibilidade de se cumprir como pai pleno. Um pai realizado, e que se realiza ao ver os filhos também realizados; a tratar da sua própria vida, livres, responsáveis, emancipados.

Acham que isso é uma utopia? Eu não!

Vivam os Açores Livres e emancipados.
Viva a autêntica Livre Administração dos Açores Pelos Açorianos.

Terça-feira, Junho 02, 2009

 

Óhh… San...ta Clara



Sim. Faltou a “cereja no topo do bolo”, mas o conseguido foi mais do que o que à partida era expectável, mesmo por quem teve a coragem de “por a revolução na rua”. E incomparavelmente mais, muito, muito mais, do que aquilo que os incompetentes e oportunistas do passado agoiravam ir acontecer, ou, sem o revelar, davam claras indicações desejar que acontecesse. Porque há sempre um “escrever direito por linhas tortas”, se calhar até foi bom “o bolo” não ter cereja; é que o fruto podia não estar ainda maduro, e só a atracção que o tardio, mas agradável, aroma de Primavera (casa mais limpa, situação melhor controlada) exercia sobre algumas “sórdidas moscas do passado” dava que pensar!
Já muito se ganhou. A demonstrá-lo está a sábia voz do povo, umas vezes em surdina outras com mais desassombro, quando diz, por exemplo: “se nas actuais condições (patrimonialmente delapidado e com os escassos recursos sobejantes altamente condicionados pelo triste legado deixado por quem durante anos sempre confundiu inchaço com crescimento) foi possível ao CDSC fazer o que fez, é fácil imaginar o quanto se desbaratou, ou o quanto, noutras circunstâncias, podia ter sido feito”. Ou, de forma mais rude: “no Santa Clara bastou correr com ladrões, vigaristas, e uns quantos oportunistas, para com muito menos, logo se fazer mais, e bem melhor”.
Nada está consolidado. Há que prosseguir, com redobrado empenho e procurando cada vez mais competência! Uma missão altruísta, mas pouco compatível com atávicos comprometimentos, inusitados agradecimentos, e amedrontadas cedências aos responsáveis (e seus cúmplices) pelos graves danos causados ao CDSC num passado recente. Até porque olhar e seguir em frente não significa esquecer o passado, muito menos branqueá-lo, e os excessos de complacência são facilmente associados a cumplicidades, sobretudo quando não houve a capacidade de evitar interesses próximos, mesmo quando mesquinhos.

A.O. 02/06/09; “Cá à minha moda”

Terça-feira, Maio 19, 2009

 

Ao som dos primeiros foguetes


Este ano, uma das grandes novidades surgidas em tempo de festa, foi o importante contributo de Daniel de Sá para a história do culto do Senhor Santo Cristo, de forma especial, a sua minuciosa pesquisa que aponta para a sexta-feira, 11 de Abril de 1698, como a data de realização da primeira procissão.

Além disso, e de verdadeiramente de substantivo, pouco mais posso acrescentar ao que, noutra ocasião, também com alguma antecedência, já aqui escrevi:

O temor a Deus e a educação para a evocação divina sempre que algo aparentemente sobrenatural necessitava de ser aplacado, levaram os nossos ancestrais que viveram a transição do século XVII para o XVIII, quando confrontados com o pavor causado por uma crise sísmica que parecia não querer terminar, a iniciarem um cortejo penitencial que se mantém até hoje, durante o qual, ainda se podem observar singulares expressões de fé, devoção e religiosidade.
Logo numa das primeiras vezes que o Senhor Santo Cristo percorreu as ruas de Ponta Delgada, com nobres – foram estes, reza a tradição, quem tomou a iniciativa do evento – e plebeus, todos descalços, acompanhando em cortejo a imagem que, ainda hoje, ao passar, suscita estranhos sentimentos mesmo a muitos daqueles que se apresentam como agnósticos, uma “misteriosa” queda da efígie a meio do percurso tornou ainda mais pungente aquela que já era, e durante muito tempo assim continuou sendo, apenas, uma dramática, humilde, e eminentemente religiosa demonstração de fé.
Hoje, para o bem e para o mal, é a parte profana da festa aquela que mais impacto causa; ela é cartaz turístico, é enorme oportunidade de negócio, e até mesmo – há que assumi-lo –, é um autêntico desfile de vaidades onde, o caminhar com pés descalços, deu lugar a minuciosas regras protocolares estabelecendo a ordem de aproximação à venerada imagem, não por motivos de fé, mas de maior visibilidade e destaque!


A.O. 19/05/09; “Cá à minha moda”

Terça-feira, Maio 05, 2009

 

Jorge Amaral Borges: O Professor




No passado Sábado, dia em que o Professor Jorge Amaral completou oitenta anos, um grupo de antigos alunos da Escola Industrial e Comercial de Ponta Delgada, em acto prenhe de simbolismo, promoveu-lhe uma justa homenagem. Até quanto ao local escolhido para tal, a “Velha Escola”, hoje completamente remodelada, não podia ter havido melhor escolha.

Uma aula de ginástica deu início ao programa. Oportunidade para o Professor, apresentando-se em invejável forma física, recordar princípios que fazendo escola entre os seus discípulos nortearam a sua actividade pedagógica, entre os quais; a disciplina, o rigor científico, os hábitos de higiene e de vida saudável. Quem não se recorda do Professor, repreendendo aqueles que por pudores exagerados ou outros motivos inconfessados insistiam em levar para a aula a roupa interior que traziam vestida de casa, dizer-lhes:

Oh pázinho, tira já as cuecas – e/ou descalça estas peúgas – se não queres apanhar falta!”.

Não havia contemplações para com o cigarro, o uso de equipamento que não fosse exclusivo para a aula, tampouco com as tentativas de fuga ao duche final.

Julgo não exagerar – outros certamente serão também credores deste mérito – ao apontar o Professor Jorge Amaral como o principal responsável pela expansão e consolidação entre nós das ditas “modalidades pobres” (tão pobres que só muito mais tarde ganharam direito ao associativismo per se). É que, enquanto os alunos do Liceu, por regra, partiam para ir estudar em Portugal, os da “Escola” por cá ficavam, transformando-se assim no núcleo duro daqueles que durante as décadas de 60 e 70 alimentaram o ecletismo do desporto micaelense. Aliás, entre as quase duas centenas dos que se reuniram em homenagem ao Mestre, sem grande esforço podiam ver-se vários ex atletas (alguns de “primeira agua”) de modalidades como o andebol, basquetebol e voleibol. Isto para além daqueles que, à condição de atleta, acresceram também a de técnico e dirigente.

Bem hajas Professor. Felicidades e longa vida!

A.O. 05/05/09; “Cá à minha moda” (Revisto e acrescentado)

Terça-feira, Abril 21, 2009

 

Mais do que Farol; um símbolo




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Quase sessenta e quatro anos após a sua inauguração, finalmente, o Farol de Santa Clara ganhou direito a Bilhete de Identidade. Assim, a quem hoje passar por Santa Clara, já é possível ler, numa singela placa lá recentemente colocada, não só o ano de instalação da estrutura no local, como também a referência à sua “paternidade”.
Eis pois mais um sinal de que, passo a passo – uns maiores outros mais pequenos mas todos eles deveras importantes –, Santa Clara “vai ficando no mapa”!
Para a história do Farol de Santa Clara, que dada a força e simbolismo da sua presença acabou por ser o ícone adoptado – e a manter – pelo grupo de cidadãos “Santa Clara – Vida Nova” no movimento de cidadania que, vencendo a primeira disputa eleitoral para a Junta de Freguesia de Santa Clara, com brio e determinação, tem conduzido os destinos de Santa Clara desde que esta se tornou independente de São José, aqui ficam mais algumas breves notas:
Após o farol que estava na cabeça do molhe do porto ter sido derrubado por um forte temporal (Dezembro de 1942), foi decidido que o seu substituto deveria ficar sobre terra firme, em lugar conveniente e mais seguro; na restinga a “Loeste” de Ponta Delgada, em Santa Clara, próximo da ponta que deu o nome à cidade.
Coube-os em sorte um farol algo peculiar, moderno, eléctrico e já com alguns automatismos que dispensavam faroleiro em permanência embora podendo também funcionar a petróleo, e com uma cúpula requintada; um equipamento que antes de chegar a Santa Clara estivera no coração da capital do império, nada mais nada menos do que servindo a Torre de Belém.
Com um foco luminoso colocado a cerca de 25 metros do nível médio do mar (Latitude: 37 graus e 44 minutes, Norte. Longitude: 25 graus e 41 minutos, Poente) e um alcance de 14 milhas, o que lhe permite cobrir toda a costa Sul, desde a Ribeira Quente até à Ferraria, a sua montagem e instalação ficou por conta da Junta Autónoma dos Portos de Ponta Delgada, na altura dirigida pelo Eng. Abel Coutinho, em empreitada tecnicamente orientada pelo então Agente Técnico Carlos Horta.
A sua inauguração ocorreu a 15 de Junho de 1945.

A.O. 21/04/09; “Cá à minha moda” (Revisto e acrescentado)

Terça-feira, Abril 07, 2009

 

Campeões de “FreeSport”



Já Eça de Queiroz, referindo-se ao povo português, dizia: “(…) Paga para ter ministros que não governam, deputados que não legislam, (…). Paga àqueles que o espoliam, (…). Paga tudo, paga para tudo."
Continua a pagar e parece feliz (digo eu)!
De facto, o mesmo Portugal que desde tempos imemoriais é especialista em “cerco à arraia-miúda” (Salazar também foi exímio instrutor desta modalidade), prática cujo último exemplo foi o apertar da malha para apanhar, e punir, aqueles que tendo em conta os miseráveis rendimentos que usufruem se julgavam livres da rede, é um grande promotor, e importante centro de hábeis praticantes, de uma modalidade que não sendo nova, tem ganho ultimamente muita visibilidade; o “FreeSport”.
Se “cerco à arraia-miúda” é coisa para “peixe miúdo”, tipo sardinha, já “FreeSport” destina-se a “peixe graúdo”; tubarões, de preferência!
Também quanto às consequências há diferenças notórias: Enquanto em “cerco à arraia-miúda”, o “Zé da Esquina”, por não fazer declaração do seu rendimento anual, pode vir a ser punido com multa equiparada a 25% do que mensalmente recebe, já em “FreeSport”, quando – o que raramente acontece – não for possível fazer uso das principais vantagens da modalidade (grandes investimentos para empatar as demandas, prescrições e arquivamento dos processos), o mais que pode acontecer ao jogador, mesmo tratando-se de um condenado por corrupção, é ser também punido com uma multa, no caso, irrelevante quando comparada com o montante do “negócio”. Mais, em “FreeSport”, mesmo os detentores de elevados cargos públicos podem alegar ignorância, sobretudo para justificar os depósitos na Suíça provenientes das sobras – e que sobras!? – dos donativos para as campanhas eleitorais.
Resta acrescentar que no “FreeSport”, onde há também I e II divisões, por regra patrocinadas pela banca, os campeonatos regionais são muito renhidos: Lisboa, Porto, Oeiras, Alcochete, Felgueiras, Gondomar e Marco de Canavezes, para já, lideram. Mas, com mais ou menos autonomia, é bom “botar sentido” à Série Açores.

A.O. 0704/09; “Cá à minha moda” (Revisto e acrescentado)

Terça-feira, Março 10, 2009

 

Sopros de Vida Nova a “Loeste”


Apadrinhada pela Junta de Freguesia de Santa Clara, inaugurou na passada sexta feira – e manter-se-á até ao próximo dia 13 – uma exposição de trabalhos dos alunos da cadeira de arquitectura da Universidade dos Açores.
Passando deliberadamente ao lado de uma das propostas requeridas (composição de uma feira efémera, e elaboração do projecto de construção dos módulos que a estabelecem ao terreno), ressalta da maioria das abordagens ali expostas a clara intenção de qualificação daquela zona, mas fazendo-o sem alterar a topografia da orla marítima, nalguns casos, até mantendo intacto o carácter natural daquele histórico troço da costa de Ponta Delgada, que, embora conspurcado pelos efeitos da estapafúrdia “floresta de tetrápodes” por ali em depósito, mesmo assim, ainda se apresenta como o último reduto da frente de mar de Ponta Delgada que resiste à descaracterização imposta pelo “império do betão”.
Por aquele ser mais um espaço público, e histórico, que por conta do suposto “progresso” também corre risco de ficar soterrado, não pude evitar lembrar a Calheta de Pêro de Teive, seu cais, e o pitoresco porto de pesca que abraçava. Tal como recordei a Cécile e o Pascal, que, em 2000, para concluir o seu Diploma na “Ecole d’architecture de Toulouse”, numa atitude equiparada com a dos autores dos trabalhos agora expostos em Santa Clara, com grande generosidade, propuseram para o espaço entretanto roubado ao oceano um jardim urbano, para usufruto colectivo, interagindo com o mar, tudo perfeitamente articulado com o então existia ali construído.
Só espero um dia não sentir na proximidade da ponta delgada, em Santa Clara, o mesmo que agora se experimenta nos contrafortes do antigo porto da Calheta, quando, hoje, alguém procura olhar o mar; uma frustração!


A.O. 10/03/09; “Cá à minha moda” (Revisto e acrescentado)

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