terça-feira, dezembro 20, 2011

 

Recordar: “Xalim”


"Xalim" e o irmão mais velho (Zé Henrique), antes de um CDSC vs "Oliveirenses", Agosto de 1982;
"Xalim" na sede do CDSC, Maio de 2008.

Sem andar muito longe da verdade é possível afirmar que o “Xalim” foi um dos últimos valiosos frutos do grande e proveitoso “viveiro de futebolistas” em que Santa Clara se transformou ao longo de quase todo o século XX.
De facto, Santa Clara, beneficiando dos espaços livres que existiam, quer junto da sua orla marítima, quer, em especial, dentro do perímetro da “Mata da Doca”, acabou desempenhando um papel muito importante no desenvolvimento do futebol micaelense. Recintos, uns mais improvisados que outros, não faltavam. Só à beira mar, desde o “largo da eira” (mais ou menos onde hoje está o farol, já esteve uma peça que os EUA instalaram em 1917 e antes de um e da outra também lá estiveram os moinhos de vento) até “ao Calço”, já próximo dos “Tanques do Óleo”, com este último campo tendo uma das suas linhas laterais coincidindo com os carris da “locomotiva da doca”, contavam-se pelo menos três. Também os havia na “Mata da Doca”, com o “Campo Açores” à cabeça, mais uns quantos na sua lateral nascente e, ainda – a partir dos anos 60 –, também o “ring do Patronato”. Se não faltavam locais para a prática do futebol, também não faltava quem os utilizasse, sobretudo ao fim-de-semana, em especial ao sábado à tarde, altura em que se verificavam autênticas enchentes, com filas de espera aguardando vez, em consecutivos “perdidos/rua”.
Carlos Silveira, ou “Xalim”, como ficou conhecido para o futebol, integrou ainda uma geração (a última) que obteve usufruto das condições que desde início do século XX fizeram de Santa Clara um fenómeno sócio-desportivo considerável: uma geração que ainda assistiu às últimas edições (versão anos 60/70) dos “Campeonatos de Santa Clara”, então renhidamente disputados pelas equipas do “Calço” das “Cancelas” e do “Farol”, grupos que integrando atletas mais tarde insubstituíveis nas primeiras linhas do CDSC (por exemplo: “Capinha”, Costa Pedro e “Malaco”- com estes dois últimos o “Xalim” haveria, mais tarde, de integrar “onze titulares”), por aqueles anos ocupavam o lugar das que na segunda e terceira década do século XX, patrocinadas pelas “Lojas de Santa Clara”, precederam o futebol organizado em São Miguel; geração que, e sobretudo, pôde ainda, interagir, conviver, herdar vivências e aprender com autênticas centelhas futebolísticas locais, como o “Mestre Artur Garalha” – para referir apenas um exemplo –, que, no caso em concreto do “Xalim”, além de referência, acabou tendo também uma importância capital na sua carreira desportiva.
Desde cedo revelando-se um futebolista bem dotado, ainda muito jovem o “Xalim” passou de assistente ou participante de segundo plano nas clássicas maratonas futebolísticas do “Campo Açores” e do “ring do Patronato”, para figura de primeiro plano nos juniores do CDSC. Foi ainda enquanto júnior, em situação de recurso – a equipa estava a disputar uma prova na Madeira e o guarda-redes titular lesionou-se –, que Xalim passou desempenhar as funções em que se distinguiu.
Era então “Mestre Artur Garalha” o treinador da equipa de juniores, e, conhecendo os dotes que o “miúdo” revelava para a função sempre que para tal era chamado nos “clássicos perdidos/rua” das tardes de sábado, confiou-lhe a guarda das redes naquela excepcional situação.
Foi o início de uma brilhante carreira: “Xalim” rapidamente passou dos juniores à equipa principal – já o CDSC disputava a III divisão série E –, distinguindo-se também no “Os Oliveirenses” (a parte da história mais difícil de contar), ganhando igualmente grande notoriedade na LASA – Liga Norte-americana – já que, passando ao lado do que noutras condições poderia ter sido uma grande carreira, cedo emigrou para os EUA, onde reside.


A.O. 20/12/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

quarta-feira, dezembro 07, 2011

 

Gordura não falta: desde toucinho a tutano




Fartaram-se de falar em “cortar nas gorduras”. Como tema de discurso pré eleitoral o “cortar nas gorduras” foi – e é – assunto sempre presente e conveniente.
Falar, falam – e continuam –, porém quando chega a “hora da verdade” é o que se vê: só o músculo é sacrificado, comprimido, retalhado. Os golpes entraram pela carne dentro. A muitos, à maioria, já atingiram o osso. Só as gorduras, em alguns casos autêntico “toucinho de quatro dedos”, continuam por aí a medrar doentiamente sem que ninguém lhes toque (ou, quando tocam, é com “muito jeitinho” e ainda mais “respeitinho”).
É ver como o chorume por alguns acumulado durante a época de engoda – o BPN é só um exemplo; o mais pungente – continua bem conservado, nalguns casos a secar ao sol, noutros em salmoura, mas sempre resguardado e completamente isento dos cortes pré anunciados. O mesmo já não acontece com o Subsídio de Natal de muitos, da maioria, a quem, sem dó nem piedade – nem as preocupações legais e constitucionais que noutras ocasiões são pretextos para tudo e mais alguma coisa, até para ajudar a ilibar vigaristas e charlatães – já os “chupam até ao tutano”!
É ver a enorme cerimónia com que abordam a possibilidade do agravamento fiscal de alguns artigos de luxo e/ou provenientes de importações supérfluas, sem que o mesmo aconteça quando se trata de bens de primeira necessidade – alimentação e saúde (medicamentos incluídos) são só dois exemplos; os mais comuns – para os mais desfavorecidos, a quem, sem dó nem piedade, já “chupam o tutano”!
Foi ver como nos entreteram com manobras de diversão – ir para a tomada de posse de “scooter”, ou dar publicidade às viagens do PM em classe económica são só dois exemplos; os mais vistosos –, quando na prática pouco mudou, inclusive, logo na primeira oportunidade, um carro topo de gama substituiu a humilde motorizada do “show”.
Gordura também é – ou era – regular e moralizar os contratos leolinos em que assentam as Parcerias Público Privadas, assunto sobre o qual, agora, pouco ou nada se adianta. De facto as PPP’s não são “gordura”, são “toucinho-do-céu”!
Mas, dos mais recentes, o melhor exemplo do falar em “cortar gorduras” para que o pretendido seja chegar com a faca até ao osso – e tudo feito com enorme hipocrisia, como o demonstra a carta enviada às freguesias, se já não bastasse o televisivo sorrisinho cínico – é a “passos/relvista” proposta de reforma para a Administração Local!
Não são necessários documentos verdes, ou livros brancos, para se saber que são as Câmaras Municipais – algumas, autênticos mini governos, ninho de vícios e corrupção, fonte de prebendas, um santuário para prosélitos, afilhados e protegidos – e o conglomerado de Empresas Municipais que pariram recentemente, o grande sorvedouro dos recursos destinados ao Poder Local. Como é público, só as Empresas Municipais (cujo numero em concreto é desconhecido) já acumulam milhares de milhões de euros de divida. Aí sim, há “toucinho” com fartura para cortar e retalhar. É porém pelas Juntas de Freguesia, o músculo, que pretendem começar. Sintomático!
*
“Chupar até ao tutano” é também aquilo que Portugal anda a fazer com os Açores. Agora até o custo das evacuações de emergência feitas nos Açores pela FAP são, como já foi dito, para facturar aos Açores! Triste sina a nossa (açorianos): ocupam-nos o território, por aqui pouco ou nada fazem além de estorvar e enriquecer, para logo nos obrigarem a pagar (sempre caro e com juros) a pouca utilidade que proporcionam.
E que tal fazer um “encontro de contas” com o valor da renda?
A preços de mercado (perguntem à TROIKA) ficaríamos (nós, os Açores e os açorianos) a ganhar, e muito.
Mas isso merece outro tratamento!

A.O. 06/12/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

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