quarta-feira, novembro 23, 2011

 

É no que dá ir a jogo com “duques”


Duque de "Relvas"


E, como que a ignorância – diabolicamente manipulada – fosse coisa apreciável, lá tentaram mais uma vez “fazer a cabeça” dos portugueses, desta feita, anunciando pomposamente que “missão histórica” da RTP/Açores já está cumprida!
O disparate foi de tal monta (o Relatório, no seu todo e não só nas escassas linhas que aos Açores e Madeira disseram respeito) que nem mesmo “amigos” e correligionários se furtaram a fazer duras críticas, alguns deles, inteligente e oportunamente, dando pública e notória nota das suas divergências: a disputa eleitoral que se aproxima a isso obriga (não é sensato colocar os ovos todos na mesma cesta).
Mas o Adjunto Relvas, embora com cada vez mais dificuldade em esconder as suas despóticas tendências, usando o Mogadouro para comparar o que é incomparável, lá continuou a sua impetuosa senda neocolonialista.
É caso para dizer:
Com certeza que Sua Ex.ª. sabe que não se pode circular, por via ordinária, entre Ponta Delgada, Angra do Heroísmo e Horta. Mas – pelo menos assim parece – já não é tão certo que SEXA tenha a concreta noção do quanto estão geograficamente afastados entre si os açorianos de Vila Nova do Corvo dos de Vila do Porto, burgos que, distam um do outro quase tantas milhas marítimas quantas aquelas que separam os Açores de Portugal.
Mas há outras questões sobre as quais ficam sérias dúvidas. Por exemplo:
- Terá Sua Ex.ª. consciência que, mesmo tendo os “seus meninos” escrito que a “missão histórica da RTP/Açores” já estava cumprida, ainda há, nos Açores, quem, não obstante pagar as respectivas taxas, não tenha direito a usufruir – por falta de cobertura minimamente decente – daquele serviço?
- Terá Sua Ex.ª. conhecimento que, nos Açores, o Serviço Público de televisão é muito mais do que “o serviço de promoção pública de quem num determinado momento está no poder”?
- Saberá Sua Ex.ª. que, nos Açores, a rádio desempenha há mais de setenta anos a “sua missão histórica”, sem que ninguém tenha ainda dado conta que a mesma – a “missão história” em causa – possa por isso alguma vez ser dispensada?
Sinceramente. Não tenho dúvidas que o actual momento até pode justificar muita coisa, mas não pode justificar tudo!
Pode e deve justificar alguma contenção e grande racionalização: não pode, nem deve, justificar destruição!
Pode e deve justificar um maior esforço de justiça e equidade: não pode, nem deve, justificar cinismo, cobardia, exploração, colonialismo e desonestidade!
É que a “Troika” e os seus ditames parecem tudo justificar. Tudo, desde que as vítimas estejam na base e não no topo da pirâmide social: bastará ver como o realce dado àquilo que se dizem ser os custos de funcionamento da RTP/Açores (e RTP/Madeira) não tem paralelo no que diz respeito ao que se continua a gastar com os “chefões” e as vedetas do universo da RTP SA!
E não é só quanto à RTP que o cinismo dos “Relvas” e “Relvinhas” se revela e confirma. Também a dita Reforma Administrativa, que por imperativo da “Troika” – dizia-se – iria acabar com não sei quantos Municípios e Empresas Municipais, expõe a “valentia” dos que sempre se apresentam fortes e vigorosos para com os mais humildes, mas perfeitamente inofensivos perante os poderosos. Os lóbis “cerraram fileiras” e logo as “exigências da Troika” quanto ao número de Câmaras Municipais, de Empresas Municipais e do excessivo número funcionários municipais (dirigentes, vereadores a tempo inteiro e trabalhadores das E.M.) – tomara, é por aí que se começam a acomodar os “amiguinhos” – saíram “milagrosamente” de cena.
Protegidos “os poderosos”, sobrou para as Juntas de Freguesia – de novo a base da pirâmide –, cujos custos de funcionamento praticamente não tem representatividade no OE. Temos portanto as Juntas de Freguesia, e não os verdadeiros sorvedouros de dinheiros públicos, como “alvos a abater”.
“Pega valente”!


A.O. 22/11/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

sábado, novembro 12, 2011

 

Pois é... “não se ponham a pau”, não!



Incomoda-me muito menos assistir à forma “mandona” e prepotente como a chanceler Merkel e o presidente Sarkozy tratam os “seus pares” europeus, do que – sobretudo quando acomanhado da indiferença dos que lhes são mais próximos e deles até se dizem seus amigos –, presenciar, ouvir, ou pura e simplesmente apenas admitir terem existido as tão ufanas quanto autoritárias sentenças dos recém chegados “salvadores da pátria”, alguns deles (não tão poucos assim), autênticos “salazarzinhos”, pretensos aprendizes da arte de bem subjugar.
Como é habitual nestas ocasiões, com excepção dos mais poderosos (ou daqueles que ao passarem pelo poder poderosos também se tornaram, pelo menos perante a Justiça: lista que cresce a cada dia que passa), “tudo o que mexe leva”. Para os novos “pais da pátria” (e nisso até o outro - o Salazar “à sério”- se preocupava em parecer mais justo) parece ser mais fácil “sacar” 50% de um salário mínimo a quem ganha pouco mais de 600€/mês, do que retirar uma pensão vitalícia, de milhares de €/mês, que outra origem não teve do que o desempenho, temporário (que quando mais breve fora, tanto melhor teria sido), de um cargo político. Como mais fácil também parece ser sobretaxar um bem de primeira necessidade, tipo água e luz, quando se desfazem em cerimónias para taxar bens de luxo, ou rendimentos privilegiados.
Mas não se pense ser só a este nível que se assiste à enorme degradação da vida democrática, pelo menos tal como a temos conhecido nas últimas três para quatro décadas. É que este afã autoritário nem as instituições poupa. Tal como as Autonomias (dos Açores e da Madeira – das quais nem sou grande defensor: em especial para os Açores ambiciono muito mais), que têm atraindo sobre si fortes e nefastas agressões.
Para não ir mais longe (nem recuar muito):
- Quem já se esqueceu das “corajosas”, “justas”, “muito bem fundamentadas” e “exemplarmente dialogantes” sentenças do Ministro Miguel Relvas, aquando da sua reunião com os deputados eleitos para o Parlamento Açoriano, sobre a “RTP/A, janela”?
- Ou ainda mais recentemente, quando, como se já não existisse Governo dos Açores, Órgãos de Poder Local são directamente contactados pelo Governo de Portugal, para lhes ser pedido parecer sobre a “Reforma da Administração Local”, como se esta, nos Açores, não fosse competência NOSSA.
“Inconstitucionalidades” existem muitas, para todos os gostos e “feitios”. Com os Açores como pano de fundo, algumas, como já testemunhamos, até provocaram interrupções de férias e exigiram cerimoniosos e avultados “temos de antena”. Porém, para outras, não faltarão “orelhas moucas”. Podem ter a certeza!
Por tudo isso, nestes dias, tenho-me lembrado, e muito, daquele sermão proferido por um pastor luterano, em pleno nazismo, que, mais coisa menos coisa, assim rezava:
“Um dia vieram e levaram o meu vizinho judeu. Não sendo judeu, não me incomodei. No seguinte vieram e levaram outro vizinho, que era comunista. Não sendo eu comunista, também não me incomodei. Ao terceiro dia vieram de novo e desta vez levaram um vizinho católico. Como não era católico, voltei a não me incomodar. Ao quarto dia levaram-me: já não havia mais ninguém para reclamar!”
Não, “não se ponham a pau”, não!


A.O. 08/11/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)







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