terça-feira, junho 30, 2009

 

Pai tirano


No mar, com os Açores e a Madeira contribuindo decisivamente para a sua dimensão, está o que resta do Império Português.

Pátria mãe” é como os independentistas açorianos chamam habitualmente Portugal.
Antero de Quental, empregando as palavras como só ele sabia fazer, usou o “Quasi patrícios” para diferenciar açorianos de portugueses.
Natália Correia, feminina, sofisticada, com uma sensibilidade à flor da pele, chamou “Matria” à “Mãe Pátria”.
Partindo do particular (Açores) para o geral, e já pedindo desculpas por não acompanhar tanta eloquência e elegância, mas, “cá à minha maneira”, Portugal, em relação aos vários “filhos” que deixou espalhados pelas sete partidas do mundo, tem-se comportado como um padrasto. Por vezes, mesmo como um pai tirano!
Foi assim com o Brasil, onde só o passar dos anos, e a mulata doçura dos “filhos e enteados”, permitem hoje ver naquele país “um imenso Portugal”.
Assim foi em Goa, Damão, Dio, e outras possessões para aquelas bandas.
Voltou a ser assim na Guiné, em Angola, Moçambique, com os “filhos e enteados”, brutamente negligenciados, e envolvidos em guerras fratricidas que até hoje subsistem.
Em Timor ainda foi pior. Ali foi um pai ausente, que fugiu abandonando a família, tendo, felizmente, mais tarde, um rebate de consciência que possibilitou minimizar as desgraças a que a sujeitou os enjeitados e desamparados, por lá resistindo às afiadas garras de Suharto.
Em São Tomé e Cabo Verde Portugal foi também um pai ausente. Embora, nestes casos, os filhos da irresponsabilidade, de forma especial os cabo-verdianos, soubessem demonstrar como é preferível viver emancipados do que permanecer sujeitos, na dependência de um padrasto negligente.
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Portugal tem nos Açores – e na Madeira – a possibilidade de se cumprir como pai pleno: um pai que se realiza vendo os filhos realizados. Um pai que se orgulha ao ver os filhos tratar da sua própria vida; responsáveis, emancipados, livres.

A.O. 30/06/09; “Cá à minha moda”

terça-feira, junho 16, 2009

 

Padre Fernando: justa e sentida homenagem





A Junta de freguesia de Santa Clara, que – nunca é demais recordar – fugindo à habitual subordinação aos interesses político partidários resulta de um dedicado e exemplar projecto de cidadania e participação cívica (do grupo de cidadãos “Santa Clara – Vida Nova”), no culminar de importantes passos do seu processo fundacional: ordenação heráldica e regulamentação das insígnias e galardões da freguesia, decidiu homenagear o Padre Fernando Vieira Gomes, o principal impulsionador da restauração do estatuto de freguesia para Santa Clara, desígnio legitimado no acto eleitoral de 09 Outubro de 2005.

A cerimónia aconteceu no passado dia 12 de Junho, data da passagem do sexagésimo aniversário da ordenação daquele que, praticamente desde então até ao final da sua vida, serviu como mais ninguém aquela comunidade, incrementando-lhe um espírito identitário de tal forma forte, que, ainda mesmo antes da localidade ser freguesia, já como tal era considerada pelos seus habitantes.

Recuar até 1949 pode ajudar a compreender muita coisa: Cerca de um mês antes da ordenação do Padre Fernando, era ainda cura de Santa Clara o Padre Osvaldo, a imprensa de Ponta Delgada – notícia retransmitida no Diário de Notícias de New Bedford de 06/Jul/1949 (obrigado a quem me fez chegar este recorte) – deu conta de uma célebre actuação da “Capela de Santa Clara”, acompanhada pelo violonista Jaime Maria de Sousa, dirigida pelo maestro Licínio Costa, detalhando a lista das senhoras, e meninas, que então a compunham: “Genoveva de Medeiros e Maria Angelina, solistas, sendo o coro constituído pela Sra. D. Cisaltina Salgadinho e pelas meninas; Antonieta Cabral, Beatriz de Medeiros Costa, Zuraida Maria dos Santos, Maria Idalina do Rego Sousa, Carmélia de Lourdes Medeiros Salgadinho, Maria Luísa de Jesus Sousa, Maria Manuela do Rosário Moniz, Lorena Maria Tavares Moniz, Lídia Maria Botelho, Genoveva Maria Raimundo e Esbela Maria Raposo Ferreira.”
De quase todas ali referidas, as que não ficaram solteiras, já foi o Padre Fernando que as casou, como também foi ele quem baptizou a esmagadora maioria da sua descendência (gente hoje na casa dos cinquenta), casando também as filhas destas e baptizando os seus filhos, netos das primeiras, em processo que por vezes se repetiu na geração seguinte.
Se a isso associarmos o forte carisma pessoal do Padre Fernando, bem a como a sua natural propensão para a intervenção social, muito fica explicado!
A.O. 16/06/09; “Cá à minha moda”

domingo, junho 07, 2009

 

Portugal: um padrasto tirano


(roubado no foguetabraze, e com outras contas a ajustar com o NB)

(roubado no entramula. Obrigado MR)

Porque hoje é sete de Junho (trinta e quatro anos e um dia após o 6 de Junho, e mais de trinta e cinco anos após o 25 de Abril) e mesmo assim, passado todo este tempo, os açorianos até para se candidatarem ao Parlamento Europeu tem ainda de fazê-lo arrebanhados nos partidos portugueses, disputando as restritas cotas para “nativos” – quando a isso os partidos coloniais lhes permitem – que os portugueses para os contentar e amansar lhes “oferecem”, não posso deixar de aqui repetir a minha alegoria do “Pai tirano”.

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Pátria mãe é como os independentistas açorianos chamam habitualmente Portugal.

Antero Quental, empregando as palavras como só ele sabia fazer, usou o “Quasi patrícios” para relacionar açorianos e portugueses.

Natália Coreria, feminina, sofisticada, com uma sensibilidade sempre à flor da pele, chamou “Matria” a Portugal.

Peço desculpa por não saber acompanhar tanta elegância – eu sou de Santa Clara –, mas “cá à minha moda” Portugal, em relação aos vários “filhos” que deixou espalhados pelas sete partidas do mundo, se não o é, pelo menos tem-se comportado, como um pai tirano. Por vezes até mesmo um padrasto!

Foi assim com o Brasil, onde só o tempo e a mulata doçura dos “filhos e enteados” permite hoje ver naquele país um “imenso Portugal”;

Foi assim em Goa, Damão, Diu e outras possessões por aquelas bandas;

Foi assim na Guiné, em Angola e Moçambique, com os “filhos e enteados” brutamente negligenciados a serem envolvidos em guerras fratricidas;

Em Timor ainda foi pior. Portugal foi um pai ausente, que fugiu abandonando a família, tendo felizmente, mais tarde, um rebate de consciência que possibilitou minimizar as desgraças a que a sujeitou os enjeitados ali desamparados;

Em São Tomé e Cabo Verde, para o bem e para o mal, Portugal, foi também um pai ausente, embora nestes casos os filhos desta irresponsabilidade, de forma especial os cabo-verdianos, mesmo assim soubessem demonstrar como é preferível viver emancipados do que permanecer enteados, sujeitos, a depender de um padrasto negligente.

Portugal tem nos Açores – e na Madeira – a possibilidade de se cumprir como pai pleno. Um pai realizado, e que se realiza ao ver os filhos também realizados; a tratar da sua própria vida, livres, responsáveis, emancipados.

Acham que isso é uma utopia? Eu não!

Vivam os Açores Livres e emancipados.
Viva a autêntica Livre Administração dos Açores Pelos Açorianos.

terça-feira, junho 02, 2009

 

Óhh… San...ta Clara



Sim. Faltou a “cereja no topo do bolo”, mas o conseguido foi mais do que o que à partida era expectável, mesmo por quem teve a coragem de “por a revolução na rua”. E incomparavelmente mais, muito, muito mais, do que aquilo que os incompetentes e oportunistas do passado agoiravam ir acontecer, ou, sem o revelar, davam claras indicações desejar que acontecesse. Porque há sempre um “escrever direito por linhas tortas”, se calhar até foi bom “o bolo” não ter cereja; é que o fruto podia não estar ainda maduro, e só a atracção que o tardio, mas agradável, aroma de Primavera (casa mais limpa, situação melhor controlada) exercia sobre algumas “sórdidas moscas do passado” dava que pensar!
Já muito se ganhou. A demonstrá-lo está a sábia voz do povo, umas vezes em surdina outras com mais desassombro, quando diz, por exemplo: “se nas actuais condições (patrimonialmente delapidado e com os escassos recursos sobejantes altamente condicionados pelo triste legado deixado por quem durante anos sempre confundiu inchaço com crescimento) foi possível ao CDSC fazer o que fez, é fácil imaginar o quanto se desbaratou, ou o quanto, noutras circunstâncias, podia ter sido feito”. Ou, de forma mais rude: “no Santa Clara bastou correr com ladrões, vigaristas, e uns quantos oportunistas, para com muito menos, logo se fazer mais, e bem melhor”.
Nada está consolidado. Há que prosseguir, com redobrado empenho e procurando cada vez mais competência! Uma missão altruísta, mas pouco compatível com atávicos comprometimentos, inusitados agradecimentos, e amedrontadas cedências aos responsáveis (e seus cúmplices) pelos graves danos causados ao CDSC num passado recente. Até porque olhar e seguir em frente não significa esquecer o passado, muito menos branqueá-lo, e os excessos de complacência são facilmente associados a cumplicidades, sobretudo quando não houve a capacidade de evitar interesses próximos, mesmo quando mesquinhos.

A.O. 02/06/09; “Cá à minha moda”

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