terça-feira, abril 21, 2009

 

Mais do que Farol; um símbolo




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Quase sessenta e quatro anos após a sua inauguração, finalmente, o Farol de Santa Clara ganhou direito a Bilhete de Identidade. Assim, a quem hoje passar por Santa Clara, já é possível ler, numa singela placa lá recentemente colocada, não só o ano de instalação da estrutura no local, como também a referência à sua “paternidade”.
Eis pois mais um sinal de que, passo a passo – uns maiores outros mais pequenos mas todos eles deveras importantes –, Santa Clara “vai ficando no mapa”!
Para a história do Farol de Santa Clara, que dada a força e simbolismo da sua presença acabou por ser o ícone adoptado – e a manter – pelo grupo de cidadãos “Santa Clara – Vida Nova” no movimento de cidadania que, vencendo a primeira disputa eleitoral para a Junta de Freguesia de Santa Clara, com brio e determinação, tem conduzido os destinos de Santa Clara desde que esta se tornou independente de São José, aqui ficam mais algumas breves notas:
Após o farol que estava na cabeça do molhe do porto ter sido derrubado por um forte temporal (Dezembro de 1942), foi decidido que o seu substituto deveria ficar sobre terra firme, em lugar conveniente e mais seguro; na restinga a “Loeste” de Ponta Delgada, em Santa Clara, próximo da ponta que deu o nome à cidade.
Coube-nos em sorte um farol algo peculiar, moderno, eléctrico e já com alguns automatismos que dispensavam faroleiro em permanência embora podendo também funcionar a petróleo, e com uma cúpula requintada; um equipamento que antes de chegar a Santa Clara estivera no coração da capital do império, nada mais nada menos do que servindo a Torre de Belém.
Com um foco luminoso colocado a cerca de 25 metros do nível médio do mar (Latitude: 37 graus e 44 minutes, Norte. Longitude: 25 graus e 41 minutos, Poente) e um alcance de 14 milhas, o que lhe permite cobrir toda a costa Sul, desde a Ribeira Quente até à Ferraria, a sua montagem e instalação ficou por conta da Junta Autónoma do Porto de Ponta Delgada, na altura dirigida pelo Eng. Abel Coutinho, em empreitada tecnicamente orientada pelo então Agente Técnico Carlos Horta.
A sua inauguração ocorreu a 15 de Junho de 1945.

A.O. 21/04/09; “Cá à minha moda” (Revisto e acrescentado)

terça-feira, abril 07, 2009

 

Campeões de “FreeSport”



Já Eça de Queiroz, referindo-se ao povo português, dizia: “(…) Paga para ter ministros que não governam, deputados que não legislam, (…). Paga àqueles que o espoliam, (…). Paga tudo, paga para tudo."
Continua a pagar e parece feliz (digo eu)!
De facto, o mesmo Portugal que desde tempos imemoriais é especialista em “cerco à arraia-miúda” (Salazar também foi exímio instrutor desta modalidade), prática cujo último exemplo foi o apertar da malha para apanhar, e punir, aqueles que tendo em conta os miseráveis rendimentos que usufruem se julgavam livres da rede, é um grande promotor, e importante centro de hábeis praticantes, de uma modalidade que não sendo nova, tem ganho ultimamente muita visibilidade; o “FreeSport”.
Se “cerco à arraia-miúda” é coisa para “peixe miúdo”, tipo sardinha, já “FreeSport” destina-se a “peixe graúdo”; tubarões, de preferência!
Também quanto às consequências há diferenças notórias: Enquanto em “cerco à arraia-miúda”, o “Zé da Esquina”, por não fazer declaração do seu rendimento anual, pode vir a ser punido com multa equiparada a 25% do que mensalmente recebe, já em “FreeSport”, quando – o que raramente acontece – não for possível fazer uso das principais vantagens da modalidade (grandes investimentos para empatar as demandas, prescrições e arquivamento dos processos), o mais que pode acontecer ao jogador, mesmo tratando-se de um condenado por corrupção, é ser também punido com uma multa, no caso, irrelevante quando comparada com o montante do “negócio”. Mais, em “FreeSport”, mesmo os detentores de elevados cargos públicos podem alegar ignorância, sobretudo para justificar os depósitos na Suíça provenientes das sobras – e que sobras!? – dos donativos para as campanhas eleitorais.
Resta acrescentar que no “FreeSport”, onde há também I e II divisões, por regra patrocinadas pela banca, os campeonatos regionais são muito renhidos: Lisboa, Porto, Oeiras, Alcochete, Felgueiras, Gondomar e Marco de Canavezes, para já, lideram. Mas, com mais ou menos autonomia, é bom “botar sentido” à Série Açores.

A.O. 0704/09; “Cá à minha moda” (Revisto e acrescentado)

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