quinta-feira, abril 28, 2011

 

Leão destinado a ganhar asas e voar alto




A propósito de uma discussão que de um momento para o outro ganhou enorme número de adeptos, importa dizer que se o CDSC decidir alterar o seu emblema (o que, a acontecer, só deverá ocorrer após cumpridos os trâmites estatutáriamente legais), não será a primeira vez que tal acontece pois o actual emblema remonta a meados do século passado (década de 50 do século XX), substituíndo aquele que lhe foi definido no momento da Fundação (21 Junho de 1927).


Assim:


Seguindo com rigor as regras heráldicas, o nº1, do Artigo 4º dos Estatutos de Fundação do Clube Desportivo Santa Clara, reza rigorosamente o seguinte;



“O emblema do Club é um leão vermelho em campo branco.”

quarta-feira, abril 27, 2011

 

O precioso valor da soberania





Numa altura destas, com Portugal de cócoras – entregue a quem o governe por manifesta incapacidade de se auto governar (dando razão a quem já na antiguidade clássica dizia que os lusitanos não eram capazes de se governar nem deixavam que os governassem) – e com os grandes responsáveis por se ter chegado a este “estado das coisas” digladiando-se de forma a garantirem para si e para os seus as migalhas dos despojos conseguidos à custa de sacrifícios da maioria que vão conseguindo espremer, duas notícias, recentes, permitem-nos encher o peito e respirar fundo confirmando que “filhos” humildes, trabalhadores e competentes, após se emanciparem, podem ser exemplo e oferecer apoio a um “pai” tirano, possessivo, sempre mais propenso a subjugar e explorar do que em ajudar os “filhos” a crescer e tornarem-se independentes, como seria sua obrigação.
Foram estas as notícias em causa:
Primeira. A repetida alusão do timorense Ramos Horta – desta vez alargando o âmbito dos “filhos benfazejos” ao Brasil e a Angola – à disponibilidade de Timor Lorosae comprar divida soberana portuguesa, em demonstração do quanto realmente vale a soberania, mesmo tratando-se de um pequeno país, no caso meia ilha, mas com um mar riquíssimo (o Mar é sempre muito rico, só é necessário que seja mesmo NOSSO).
Segunda: Uma interessante reportagem sobre Cabo Verde (TVI24 madrugada dentro, em noite de insónia), dando conta, não obstante o enorme esforço dispensado em encontrar e transportar a água para tal necessária, da vontade e do gosto em cultivar e fazer brotar da terra árida uma variedade de produtos, nomeadamente hortícolas, bens que noutras paragens, de solos férteis e água abundante, têm de chegar em contentores refrigerados após milhares de km feitos por terra, mar e ar: “coisas de gente rica”.
O problema é que estas duas notícias foram logo abafadas por muitas outras: “que a crise apareceu de supetão na noite de 23 para 24 de Março e sem ela não seria necessário FMI”, afirmam Sócrates e seus discípulos; “que o FMI já devia ter chegado há muito tempo”, dizem outros; “que o FMI só vem agravar ainda mais a situação”, indicam outros ainda; “que não é FMI, mas sim FEEF” também foi dito com a carismática certeza de quem nunca tem dúvidas e raramente se engana. Até, como que para contentar uns e outros, agora usa-se e abusa-se do eufemismo “troika”: ou não tivesse sido Washington um dos últimos destinos do périplo de vassalagem. Enfim, uma “confusão de narizes”, condizente com o: “em casa que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão”.

Grave é que a mesma casa que já não consegue fazer chegar pão à mesa de muitos continua a proporcionar “croissants” e caviar a outros, alguns dos quais os directamente responsáveis pela carência e dificuldades de que a maioria padece: gente que facilmente se põe de acordo quando se trata de impor austeridade a terceiros, predisposição só comparável com a facilidade com que pactuam na defesa das mordomias que lhes garante, na hora e para o futuro, a tal mesa sempre farta.
Querem a minha opinião? O FMI chegou tarde a Portugal (se calhar não devia ter ido embora em 1983, ou pelo menos devia ser ele a “governar” os milhões que chegaram da UE, Euros desbaratados apenas em proveito de uns quantos para agora TODOS – no meio dos quais os tais “uns quantos” quase nem contam – pagarem tal desgoverno). “Governado” pelo FMI Portugal com certeza não abateria frotas para depois importar peixe; nem abandonava a terra para importar alimentos, sobretudo os frescos. Nem construía os milhares de km de estradas, muitos deles desnecessários e já carecendo de manutenção apesar do uso insuficiente para gerar rendimento necessário à sua conservação. Nem a Expo; nem todos aqueles Estádios para o EURO; nem projectava aeroportos e TGV’s que mesmo sem terem sido construídos já consumiram recursos suficientes para proporcionar trabalho e pão a quem não tem, e/ou aos que, mesmo tendo, andam já “de calças na mão” sem furos para que possam apertar mais o cinto. Tampouco haveria BPN e outras negociatas que prejudicaram milhões beneficiando meia dúzia!

A.O. 26/04/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, abril 12, 2011

 

A festa continua





Chamam-lhe crise. Qual crise qual carapuça: festa é festa, e continua.

O fim-de-semana que passou foi disso bom exemplo. Festa em Matosinhos, e no Funchal. E que festas. Não sei se houve fogo-de-artifício no final, mas teatro – com excelentes encenações diga-se de passagem –, palcos bem compostos, luzes de ribalta muito bem dirigidas e focadas, coros afinados – Ana Gomes destoou, mas ainda bem, nada como haver alguém que quebre a monotonia, mesmo que seja a horas impróprias – e, até, nem faltaram jograis. Tanta festa – e as que estão para vir – mais não são do que uma nova “season de caça ao voto” a ter início. Só que começa a faltar público. Ou melhor dito: o público começa a ficar impaciente, a demonstrar descrença. E um público impaciente, descrente, sobretudo quando de “barriga vazia” é capaz de tudo, até de acabar com o espectáculo.

Dizem que a História não se repete. Não acredito: só a mesma água não passa duas vezes por baixo da mesma ponte! As guerras hoje são outras, mas também nisso a diferença não é muita: a La Lys dos nossos dias bem pode estar no Afeganistão ou na Líbia, com as trincheiras 1917 substituídas por “Hummeres” e F16”.

Quase um século depois, pelo menos ao nível da tão maquiavélica quanto interesseira disputa partidária; da miserável cifra com que se enuncia o PIB – já com zeros à esquerda –; e até da ameaça de “banca rota”, são muitas as semelhanças entre os tempos de hoje e as próximas e/ou correspondentes décadas do século XX.

Oxalá que estas se esgotem por aqui pois Sidónios e Antónios são perfeitamente dispensáveis!

Para não lembrar coisas ruins, voltemos então “às festas” e àquilo que de positivo se possa, ou não, delas retirar.

Desconfio daquela exagerada unidade de Matosinhos. Não comparando, pareceu-me as declarações de apoio indefectível que as direcções dos clubes de futebol costumam fazer na ante véspera da “chicotada psicológica” com que justificam a dispensa do treinador. Quer-me parecer que “mais jogo menos jogo” – e nisso os maus resultados não costumam perdoar – vai haver mudança de comando, e, quase apostaria, o substituto será um dos mais exuberantes dos efectivos apoiantes do “actual treinador”. Uma coisa é certa, não há “toque a reunir”, nem excelência de marketing comunicacional, que esconda as muitas falhas e contradições que já corroem o grupo: desmentir de um dia para o outro o “esgotado” Ministro das Finanças foi só mais um episódio.

Mas como há disputa entre festas, a do Funchal não quis ficar atrás, e entre, outras trouxe uma novidade: o modelo “Ilhas do Canal”.

Boa. Agora que João Jardim colocou uma etapa intermédia entre a “Autonomia Constitucional” e o “Estado Federado” resta aguardar para ver o desenvolvimento dos próximos episódios. Para já, Passos Coelho ou não percebeu ou então fez-se desentendido: “o PSD não tem uma visão desconfiada das autonomias, nem nenhuma reserva quanto ao seu aprofundamento”, disse, como se fosse a primeira vez que do PSD se tenha ouvido tal . Uma novidade!

No que à evolução de autonomia diz respeito, nada como ser claro: pedir Independência.

E nisso os Açores já vão na dianteira. Até quero crer que a nomeação do novo representante da Republica Portuguesa – um Embaixador, para mais, com experiência considerável pois foi ele o responsável pela transição da última parcela do “ex-império” para fora da esfera da soberania portuguesa – é um bom prenúncio.

Costuma dizer-se que as crises são também tempo de oportunidades: há que saber aproveitá-las.

A.O. 12/04/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

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