terça-feira, outubro 23, 2007

 

Madeira/Açores

Na tropa – dizem! -, a antiguidade por si só é um posto. Daí talvez, não obstante à luz dos tempos que correm não serem muito expressivos os anos de diferença entre a descoberta e colonização de cada um dos arquipélagos, o significativo avanço, e a maior maturidade patenteada, regra geral a nosso desfavor, sempre que se comparam as realidades; Açores/Madeira. Até no futebol!
O “Marítimo da Madeira” esteve (mais uma vez) entre nós, e uma vez mais marcou a diferença – claro que não me refiro ao resultado do jogo! – entre as duas realidades desportivas. Como anfitrião o CDSC procurou estar à altura. Este esforço, justamente reconhecido – os visitantes não pouparam palavras de agrado –, terá tanto mais utilidade quanto esta ocasião puder ser também aproveitada como um “curso intensivo de dirigismo desportivo”. Há oportunidades que não se devem perder, e “as lições” (protocolo, representatividade, organização desportiva) e “os manuais” que por cá ficaram, para quem quiser ou puder aprender, foram, e são muito úteis.
É óbvio que já não estamos em 1925, quando o “Marítimo da Madeira” – um ano antes de ser campeão de Portugal –, a convite da Associação de Futebol, então liderada pelo Dr. Agnelo Casimiro, veio pela primeira vez a São Miguel efectuar um autêntico curso de futebol, proporcionando simultaneamente um grande festival de golos (nos quatro jogos efectuados marcou 36 golos e apenas sofreu 3). Nem estamos em 1935, quando, no Funchal (durante uma escala do “Carvalho Araújo” – entre as 08:00 e as 16:00 - em viagem entre Lisboa a Ponta Delgada), o Clube Desportivo Santa Clara e o Club Sport Marítimo se defrontaram pela primeira vez, com o resultado do encontro cifrando-se num volumoso 6-0.
Já em 2007 continua a haver muito para aprender. O saber não ocupa lugar, nem nunca é tarde. Basta vontade, e querer!
A. O. 23/10/07; “Cá à minha moda”

terça-feira, outubro 09, 2007

 

Por um projecto que se chama Açores

Para começar, aqui deixo uma declaração de interesses: Quando se trata de eleições para a Presidência da Republica, exerço o meu dever cívico colocando na urna um voto em branco. Não que seja partidário da restauração da Monarquia. A questão é mesmo republicana; fosse outra a Republica (uma Republica Federal dos Açores, por exemplo) e, claro, o uso que faria da “arma do povo” em acto similar seria necessariamente outro.
Já agora – e ainda no âmbito dos “pontos prévios” –, exige a verdade que diga (ou recorde), ter, durante a última disputa eleitoral para a Presidência da Republica Portuguesa andado mais próximo de Manuel Alegre do que de Cavaco Silva. É que, como na altura escrevi – e agora se comprova – nada de melhor podia acontecer a um “Sócrates determinado” do que a eleição de um “Cavaco deliberado” (o vice-versa é também verdadeiro). “Estava na cara” que ambos se complementariam, fazendo uma dupla tipo; “quando um diz: - mata, logo o outro returque: - esfola”!
Dito isso (e foi para à vontade dizer o que se segue, que, atrás, disse o que disse), é importante reconhecer que a magistratura de Cavaco Silva, pelo menos para com os Açores – até aqui –, tem sido bem mais amigável e generosa do que a exercida pelo seu antecessor. Enquanto Jorge Sampaio, descendente de açorianos como gostava de dizer, já entendia a autonomia no limite do admissível, Cavaco Silva – a costela Algarvia não engana – fez questão em sublinhar o êxito político e económico da solução autonómica.
Com o tempo – como eu gostava de viver este tempo – uns e outros, cá e lá, em maioria, todos haverão de reconhecer que quanto maior for a autonomia (o desejo de Livre Administração dos Açores Pelos Açorianos, é anterior à Republica), tanto maior será o êxito político e económico dos Açores.
Do próprio, in A. O. 09/10/07; “Cá à minha moda”

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