quarta-feira, julho 07, 2010

Santa Clara: uma diferença da noite para o dia

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Hoje tem início mais uma época desportiva, a terceira desta nova fase do CDSC, durante a qual desejamos que seja dada continuidade ao bom trabalho até agora desenvolvido, em consequência do qual, e da estabilidade desportiva que a um nível competitivo muito elevado com o mesmo se tem conseguido, foi disputada até à ultima jornada, em duas épocas consecutivas, a possibilidade de subida à Primeira Liga. Melhor mesmo, autêntica “a cereja em cima do bolo” e culminar do bom trabalho desenvolvido, não é fácil, mas é o que se deseja que desta vez aconteça. Veremos!
Mas não foi só a gestão desportiva o que melhorou. Em paralelo com esta – o que acrescenta qualidade ao trabalho efectuado –, decorridos que estão pouco mais de três anos, começam já a ser visíveis os resultados de uma administração competente, cuidada e criteriosa, que em rotura com as más práticas do passado e contraponto ao desvario que se apoderou do clube ao longo de alguns anos – umas e outro ainda bem presentes na memória de quase todos nós – tem vindo paulatinamente a libertar o CDSC de um destino trágico, que chegou a ser tido como inevitável.
Além de outras, duas notícias recentes dão bem conta da mudança de paradigma agora verificada. A primeira, dando nota de que as contas que serão apresentadas brevemente (só o facto de estas terem voltado a ser apresentadas com regularidade é boa notícia e sintoma de óbvias melhorias) espelham uma clara inversão na tendência dos resultados obtidos, o que acontece mais de uma década depois do clube andar a acumular avultados prejuízos. A segunda, igualmente muito interessante, referindo que também mais de uma década depois, mas desta vez em benefício do CDSC e não de quem dele se servia, são obtidas mais valias com a transferência de um atleta.
É certo que, não desprezando os valores em causa (não é fácil a presente conjuntura), os números de que falamos são claramente mais valiosos pelo que simbolicamente representam do que pelo seu valor material propriamente dito. Mas é também este simbolismo, e o que ele possa representar – e render – no futuro, aquilo que aqui mais interessa evidenciar. Até porque resulta da competente gestão económico/financeira e desportiva já antes referida, para mais quando esta é levada a cabo de forma abnegada e altruísta, em tudo contrastando com outros tempos, o dos profissionais pagos a “peso de ouro”, que nem mesmo assim cumpriam com competência zelo e dignidade as atribuições que lhes eram confiadas.
Podia ser melhor? Claro que sim. É sempre possível fazer melhor, e no caso em concreto, com um pouco de mais determinação em colocar um “ponto final” a duas ou três pendências de pronto identificadas como geradoras de custos exorbitantes, mas cujas soluções se arrastaram arrastando consigo os prejuízos inerentes – o Gímnico, por exemplo –, ainda melhores resultados podiam ser apresentados. Tal como é também bom não esquecer que da herança recebida fazem parte cerca de meio milhão de euros/ano em encargos financeiros; um constrangimento muito considerável.
Parece no entanto que estas melhorias não agradam a todos. Não é difícil detectar – e alguns OCS não se cansam de isso dar conta – os que continuam a recordar com saudade o tempo em que o Santa Clara, em prejuízo próprio e colocando em risco a sua existência, pagava muito mais do que o que podia e devia, gastando quase o dobro daquilo que recebia!
Com isso poucos na altura se preocupavam, e destes, é normal que alguns hoje se encontrem desagradados!
A.O. 06/07/10; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)