terça-feira, dezembro 07, 2010

 

O bom é não dar Cavaco





Cada vez mais me convenço que Cavaco Silva tem um sério – e já antigo – problema com os Açores. Questão velha e complicada. Nada que se resolva com oportunas mini férias no arquipélago, ou comitivas arrebanhadas a contra gosto quando ainda se engolem sapos, que mesmo escorregadios, deixam marcas visíveis por muito tempo. Há mesmo quem diga que o problema é tão velho que remonta ao célebre Congresso da Figueira da Foz – consequência de um “erro táctico” de Mota Amaral. Mas, como dizia a outra, “isso para agora não interessa nada”!
Interessa, isso sim, é não deixar de exercitar a memória. Para não recuar muito regressemos ao Verão de 2008:
A 31 Julho de 2008, em consequência das negociatas de Oliveira e Costa e seus amigos – tudo “boa gente” como os considerava o então ainda Conselheiro de Estado, Dias Loureiro –, já o BPN era um sério candidato a ensopar as largas centenas de milhares de Milhões de €uros que tanto ajudaram no agravar da situação de que todos (uns mais que outros claro, pois cortar 10% na remuneração do Presidente da República Portuguesa não é nada quando comparado com um corte de 200 ou 300 €uros no rendimento de uma família carenciada ou até mesmo remediada), mas TODOS, somos agora vítima. Tal como, por esta mesma altura, as transferências para “off shores” e o “fantasma Banco Insular” já haviam levado o Banco de Portugal a decretar a necessária auditoria interna ao BPN!.
Mas estes eram assuntos que dada a sua insignificância em nada justificavam interromper um qualquer período de férias. O Estatuto dos Açores, e o terrível precedente que ele incorporava (terrível, mas não tão assustador que justificasse a apreciação preventiva do TC), isso sim: E não só justificou a interrupção das férias, como, tal como se pôde assistir com espanto e pasmo, também exigiu aquela tão mediática quanto dramática comunicação feita no pino da “silly season” 2008!
Agora também, no Outono de 2010 (dois anos e quatro meses depois), não foi muito diferente:
* A PT, em clara manobra de fuga ao fisco, prepara-se para antecipar a distribuição do dividendo?
- Eh …, isso é de somenos importância!
* São cada vez mais evidentes as manobras para que seja criado um regime de excepção que contemple o pessoal (de preferência os melhor remunerados) do sector empresarial do Estado?
- Eh …, para quê embarcar em populismos. Isto são “peanuts”!
* Nos Açores vão ser criadas compensações para que três ou quatro milhares de funcionários públicos (da parte inferior da pirâmide salarial) contornem as restrições impostas pelo Governo de Portugal!
- Espera aí! O quê? Onde? Nos Açores? Não podem! Isto é uma discriminação gravíssima. É inconstitucional. Viola o princípio da equidade, pois não se podem distinguir as pessoas em função do lugar onde habitam (nestas alturas lembro-me sempre dos cabo-verdianos)! E a corte aplaude. Tomara: sabem por experiência própria que nem sempre é conveniente querer ser “Povo Açoriano”. O que a mesma corte parece não saber é que determinadas pessoas respeitam mais quem lhes “bate o pé” do que aqueles que se desfazem em vénias e salamaleques. E o exemplo não está muito longe: basta ver como é poupado, e até “acarinhado”, quem que um dia imortalizou o “Sr. Silva”!

Em jeito de rodapé (bem que o podia evitar, mas fazê-lo não seria “à minha moda”) resta acrescentar que tenho muitas reservas quanto à justiça da proposta de Carlos César que está na origem de toda esta polémica. O que não posso deixar de apoiar, incondicionalmente, é que aqui, nos Açores, devemos ser NÓS, Povo Açoriano, a mandar.
E todos os passos dados neste sentido serão sempre poucos!

A.O. 12/07/10; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)



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