terça-feira, abril 12, 2011

 

A festa continua





Chamam-lhe crise. Qual crise qual carapuça: festa é festa, e continua.

O fim-de-semana que passou foi disso bom exemplo. Festa em Matosinhos, e no Funchal. E que festas. Não sei se houve fogo-de-artifício no final, mas teatro – com excelentes encenações diga-se de passagem –, palcos bem compostos, luzes de ribalta muito bem dirigidas e focadas, coros afinados – Ana Gomes destoou, mas ainda bem, nada como haver alguém que quebre a monotonia, mesmo que seja a horas impróprias – e, até, nem faltaram jograis. Tanta festa – e as que estão para vir – mais não são do que uma nova “season de caça ao voto” a ter início. Só que começa a faltar público. Ou melhor dito: o público começa a ficar impaciente, a demonstrar descrença. E um público impaciente, descrente, sobretudo quando de “barriga vazia” é capaz de tudo, até de acabar com o espectáculo.

Dizem que a História não se repete. Não acredito: só a mesma água não passa duas vezes por baixo da mesma ponte! As guerras hoje são outras, mas também nisso a diferença não é muita: a La Lys dos nossos dias bem pode estar no Afeganistão ou na Líbia, com as trincheiras 1917 substituídas por “Hummeres” e F16”.

Quase um século depois, pelo menos ao nível da tão maquiavélica quanto interesseira disputa partidária; da miserável cifra com que se enuncia o PIB – já com zeros à esquerda –; e até da ameaça de “banca rota”, são muitas as semelhanças entre os tempos de hoje e as próximas e/ou correspondentes décadas do século XX.

Oxalá que estas se esgotem por aqui pois Sidónios e Antónios são perfeitamente dispensáveis!

Para não lembrar coisas ruins, voltemos então “às festas” e àquilo que de positivo se possa, ou não, delas retirar.

Desconfio daquela exagerada unidade de Matosinhos. Não comparando, pareceu-me as declarações de apoio indefectível que as direcções dos clubes de futebol costumam fazer na ante véspera da “chicotada psicológica” com que justificam a dispensa do treinador. Quer-me parecer que “mais jogo menos jogo” – e nisso os maus resultados não costumam perdoar – vai haver mudança de comando, e, quase apostaria, o substituto será um dos mais exuberantes dos efectivos apoiantes do “actual treinador”. Uma coisa é certa, não há “toque a reunir”, nem excelência de marketing comunicacional, que esconda as muitas falhas e contradições que já corroem o grupo: desmentir de um dia para o outro o “esgotado” Ministro das Finanças foi só mais um episódio.

Mas como há disputa entre festas, a do Funchal não quis ficar atrás, e entre, outras trouxe uma novidade: o modelo “Ilhas do Canal”.

Boa. Agora que João Jardim colocou uma etapa intermédia entre a “Autonomia Constitucional” e o “Estado Federado” resta aguardar para ver o desenvolvimento dos próximos episódios. Para já, Passos Coelho ou não percebeu ou então fez-se desentendido: “o PSD não tem uma visão desconfiada das autonomias, nem nenhuma reserva quanto ao seu aprofundamento”, disse, como se fosse a primeira vez que do PSD se tenha ouvido tal . Uma novidade!

No que à evolução de autonomia diz respeito, nada como ser claro: pedir Independência.

E nisso os Açores já vão na dianteira. Até quero crer que a nomeação do novo representante da Republica Portuguesa – um Embaixador, para mais, com experiência considerável pois foi ele o responsável pela transição da última parcela do “ex-império” para fora da esfera da soberania portuguesa – é um bom prenúncio.

Costuma dizer-se que as crises são também tempo de oportunidades: há que saber aproveitá-las.

A.O. 12/04/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)



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