quarta-feira, dezembro 07, 2011

 

Gordura não falta: desde toucinho a tutano




Fartaram-se de falar em “cortar nas gorduras”. Como tema de discurso pré eleitoral o “cortar nas gorduras” foi – e é – assunto sempre presente e conveniente.
Falar, falam – e continuam –, porém quando chega a “hora da verdade” é o que se vê: só o músculo é sacrificado, comprimido, retalhado. Os golpes entraram pela carne dentro. A muitos, à maioria, já atingiram o osso. Só as gorduras, em alguns casos autêntico “toucinho de quatro dedos”, continuam por aí a medrar doentiamente sem que ninguém lhes toque (ou, quando tocam, é com “muito jeitinho” e ainda mais “respeitinho”).
É ver como o chorume por alguns acumulado durante a época de engoda – o BPN é só um exemplo; o mais pungente – continua bem conservado, nalguns casos a secar ao sol, noutros em salmoura, mas sempre resguardado e completamente isento dos cortes pré anunciados. O mesmo já não acontece com o Subsídio de Natal de muitos, da maioria, a quem, sem dó nem piedade – nem as preocupações legais e constitucionais que noutras ocasiões são pretextos para tudo e mais alguma coisa, até para ajudar a ilibar vigaristas e charlatães – já os “chupam até ao tutano”!
É ver a enorme cerimónia com que abordam a possibilidade do agravamento fiscal de alguns artigos de luxo e/ou provenientes de importações supérfluas, sem que o mesmo aconteça quando se trata de bens de primeira necessidade – alimentação e saúde (medicamentos incluídos) são só dois exemplos; os mais comuns – para os mais desfavorecidos, a quem, sem dó nem piedade, já “chupam o tutano”!
Foi ver como nos entreteram com manobras de diversão – ir para a tomada de posse de “scooter”, ou dar publicidade às viagens do PM em classe económica são só dois exemplos; os mais vistosos –, quando na prática pouco mudou, inclusive, logo na primeira oportunidade, um carro topo de gama substituiu a humilde motorizada do “show”.
Gordura também é – ou era – regular e moralizar os contratos leolinos em que assentam as Parcerias Público Privadas, assunto sobre o qual, agora, pouco ou nada se adianta. De facto as PPP’s não são “gordura”, são “toucinho-do-céu”!
Mas, dos mais recentes, o melhor exemplo do falar em “cortar gorduras” para que o pretendido seja chegar com a faca até ao osso – e tudo feito com enorme hipocrisia, como o demonstra a carta enviada às freguesias, se já não bastasse o televisivo sorrisinho cínico – é a “passos/relvista” proposta de reforma para a Administração Local!
Não são necessários documentos verdes, ou livros brancos, para se saber que são as Câmaras Municipais – algumas, autênticos mini governos, ninho de vícios e corrupção, fonte de prebendas, um santuário para prosélitos, afilhados e protegidos – e o conglomerado de Empresas Municipais que pariram recentemente, o grande sorvedouro dos recursos destinados ao Poder Local. Como é público, só as Empresas Municipais (cujo numero em concreto é desconhecido) já acumulam milhares de milhões de euros de divida. Aí sim, há “toucinho” com fartura para cortar e retalhar. É porém pelas Juntas de Freguesia, o músculo, que pretendem começar. Sintomático!
*
“Chupar até ao tutano” é também aquilo que Portugal anda a fazer com os Açores. Agora até o custo das evacuações de emergência feitas nos Açores pela FAP são, como já foi dito, para facturar aos Açores! Triste sina a nossa (açorianos): ocupam-nos o território, por aqui pouco ou nada fazem além de estorvar e enriquecer, para logo nos obrigarem a pagar (sempre caro e com juros) a pouca utilidade que proporcionam.
E que tal fazer um “encontro de contas” com o valor da renda?
A preços de mercado (perguntem à TROIKA) ficaríamos (nós, os Açores e os açorianos) a ganhar, e muito.
Mas isso merece outro tratamento!

A.O. 06/12/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)



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