
- Que grande desassossego terá havido ontem para que este meu humilíssimo blog, local onde em regra não passam mais de 20 diferentes visitantes diários, tenha, de um momento para o outro, atraído mais do quádruplo das atenções habituais?
" Esta cidade da Ponta Delgada é assim chamada por estar situada junto de uma ponta de pedra de biscouto, delgada e não grossa como as outras da ilha, quase rasa com o mar, que depois, por se edificar mais perto dela uma ermida de Santa Clara, se chamou ponta de Santa Clara; entre a qual ponta e a da Galé se faz uma grande enseada (...)" ************************************************************************* Frutuoso, Gaspar; Saudades da Terra, Livro IV.

Já recebi o meu Kit. Gostei, e não entendo o alvoroço que fazem à volta da distribuição, democrática, desta prendinha pré eleitoral. Afinal o Kit vai chegar a casa de cada um de nós, tornando-se assim, talvez, no único mimo de campanha com vida útil superior a um dia – é este, mais ou menos, o tempo que duram os aventais, panfletos e outro lixo (as tshirts duram um pouco mais) – entregue massivamente ao “peixe miúdo”, pois os outros regalos, os substanciais, vão directamente para “os tubarões” (e nisto, poder e oposição com possibilidade de um dia vir a ser poder, em pouco ou nada diferem).



Em Abril de 1886, 25 anos após o início da construção do porto artificial da cidade, inaugurou o matadouro Municipal de Ponta Delgada, então uma instalação bem mais modesta do que aquela que, reconstruída e completamente remodelada, surgiu em meados do século XX como exemplo de avanço tecnológico e arrojo arquitectónico, e que agora se apresenta como uma miserável ruína que a todos, especialmente aos santaclarenses, envergonha e incomoda.
Ainda os portugueses (atletas - naturalizados inclusive -, dirigentes, comentadores e público em geral), na sua olímpica bipolar esquizofrenia, ora carpiam mágoas ora comemoravam eufóricos os resultados de Pequim, já as atenções futebolísticas se focavam na estreia de Carlos Queirós, em jogo tido como fácil, contra uma selecção onde uma das estrelas ganha a vida como carpinteiro.

Os Açores, ou melhor, as ditas inconstitucionalidades contidas na mais recente reforma do Estatuto regulador da acanhada autonomia com que nos sujeitam e amansam, versão que de tão irresoluta deixou cair o “Povo Açoriano” a troco de conseguir ser aprovada por unanimidade – em dois parlamentos; nos Açores e em Portugal, o que, como se viu, de pouco ou nada serviu! –, foi o mote do mais recente “tabu” de Cavaco Silva.



