terça-feira, maio 10, 2005

 

O autopata maníaco



Nos últimos dias, já acabado, mas aparentemente ainda bem acompanhado.



A franzina criatura, adicta dos espasmos de adrenalina resultantes da descompensação entre os seus ciclos de optimismo e desespero, mesmo quando à sua volta já tudo se desmorona, volta a evocar o regresso “à glória efémera”; uma histeria quase colectiva responsável pelo caos que, após “o circo”, trouxera a desgraça de que ele subsistia. A derradeira ridícula alucinação, mais do que acrescentar fantasia ao cenário que o louco improvisara para escamotear os sucessivos fracassos do plano pouco tempo antes apresentado como “a solução milagrosa” – sempre com o mesmo “coelho a sair da cartola” –, destinava-se também a contagiar os que, cada vez em menor número, continuavam contemporizando com as alienadas extravagâncias daquela fértil, mas insana, mente!
A aberração auto-intitulada de “o maior”, apesar de aparentemente não sofrer de alguma doença orgânica, nos últimos tempos espelhava a ruína contagiante desencadeada pela desgraça que como cogumelos nascia à sua volta. Consumia-o um temperamento reles, a sua total ausência de carácter, mas sobretudo o efeito das drogas de que usava e abusava.
Já no covil que lhe serviu de último refúgio prosseguiu a sua bestialidade; prescreveu destruições, ordenou extermínios, e só depois, em leal mas não menos insana companhia, suicidou-se!
Nove dias depois, às zero horas do dia nove de Maio, a Europa, por fim, tinha paz.
Entretanto passaram sessenta anos.
Do próprio. In Açoriano Oriental/Cónicas do Aquém



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