terça-feira, agosto 02, 2005

Coisas da terra


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Finais do século XIX; Uma companhia de seguros, uma fábrica de cervejas e uma instalação de enchimento de água. Isto tudo, e muito mais, sem UE nem "caça" ao tesouro dos subsídios públicos.

Alguém, com conhecimento próximo da causa, um dia, contou uma “estória” que jamais esquecerei:
Na Córsega, onde é grande o estímulo ao consumo dos produtos locais, um comerciante – português por sinal – entendeu “dar a volta ao esquema” comprando por “vias e travessas”, em França, produtos que daquela forma lhe proporcionavam maiores mais valias.
Duas vezes foi avisado, à terceira, o restaurante sofreu “um acidente”!
A “estória”, tal como a conheço, parece-me exagerada. Mas não deixa de me obrigar a pensar no quanto, nós, açorianos, nos tornamos comodistas, carentes de orgulho e brio. Pudera. São dezenas de anos de anestesia e suborno da nossa auto-estima, um tal facilitar o “amansar” dos “porcos monteses” que já fomos, agora “marrões de criação” com ração e “lavagem” farta na pia. Um dia, quem sabe, ainda seremos “porquinhos de estimação”; daqueles que agora, muito lavadinhos e perfumados, se usa trazer pela trela!
Tempos houve em que estranhávamos que até as batatas tivessem de ir, de avião, de S. Miguel para Santa Maria. Agora, quase nem damos conta que até os tomates e grelos tenham de atravessar o atlântico para chegar à nossa mesa!
E a água? A muita que se desperdiça para que outra tanta se importe!
E os aterros sanitários? Que já não comportam o “disparo” de embalagens não reutilizáveis com que nos entulham?
E nós – “tal asnos” – sempre fingindo que estas facilidades, como se fossem fruto de um “milagroso progresso”, serão eternas.
São, mas é, as “prendas de pai natal” com que nos “enrolam”!
A moeda própria que, vinda também de entanho, não conseguiu resistir a Salazar.
Créditos: Todas estas imagens foram reproduzidas a partir do I Volume do Livro de Manuel Ferreira; AÇORES. Origens, Raízes e História.
Do próprio. In Açoriano Oriental/Crónicas do Aquém