segunda-feira, fevereiro 06, 2006

 

Cantar às Estrelas em Santa Clara II (em prosa singela)


Rua cheia ..............Casa cheia ...............uma alegria.
(click sobre as fotos para ampliar)


CANTAR ÀS ESTRELAS
(retomar uma tradição adormecida vai para 30 anos)

A tradição do “cantar às estrelas”, com algumas variantes directamente relacionadas com as idiossincrasias de cada uma das localidades, e, de forma bem mais vincada, das diferentes ilhas, mergulha muito fundo no tempo. O quanto, agora talvez só interesse para nos balizarmos numa época em que, ainda não havendo nos Açores bandas filarmónicas, e por isso, não dispondo o povo dos instrumentos de sopro que as mesmas vulgarizaram entre nós, eram as vozes e os instrumentos de cordas a base instrumental das cantatas.

Em Santa Clara, esta manifestação da cultura popular, teve porém, pelo menos (outras haverão com certeza; será interessante pesquisar), duas particularidades;
- Na transição do século XIX para o XX andou muito associada à existência – e também à forma de subsistência – da “Banda União Fraternal”, filarmónica que tinha muitos músicos e alguns beneméritos residindo em Santa Clara, tornando-se o “Cantar às estrelas”, pelas portas, uma forma de retribuir aos sócios, dirigentes e beneméritos, e até mesmo às famílias dos músicos, alguma da dedicação e do apoio recebido ao longo do ano.

- Já durante o século XX, sobretudo no período que medeia o fim a II Grande Guerra e o da Guerra Colonial, em Santa Clara, organizaram-se as chamadas “Danças de Carnaval”; um misto dos “bailinhos da Terceira” (sem o enredo nem a forte vertente de teatro popular que os caracteriza) (1) e das “Marchas de São João” (os arcos eram uma marca muito visível da coreografia), manifestação que de forma satírica, muitas vezes até burlesca, animavam as ruas da freguesia, e da cidade, durante a quadra carnavalesca.
Neste contexto, o “Cantar às Estrelas” também funcionava como uma forma de “afinar a charanga” que entretanto já iniciara os ensaios para o jocoso desfile, e, simultaneamente, conseguir meios para financiar “as danças”.

(1) Elsa Santos, no livro; “Santa Clara: Um Tempo de Festa”, refere ainda, e também, uma forte relação entre o “Cantar às Estrelas” e o teatro popular que se fazia em Santa Clara em período mais ou menos coincidente com aquele em que decorreu o “movimento das danças”.



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