terça-feira, dezembro 16, 2008

 

Começar às “arrecuas”




Não foram positivas, convenhamos, as primeiras referências provindas da ala maioritária da ALA que esta legislatura nos proporcionou logo no seu início, com destaque para a questiúncula da não votação/votação do Programa de Governo. Os sinais (dos tempos) há muito que já se anunciavam, com o arrebanhar e ordenar das hostes fazendo torcer o nariz a muitos, mesmo entre camaradas de armas. Porém, nada levava a adivinhar que se chegasse tão longe; subtrair uma votação. Como que se o voto não fosse o cerne da democracia!
Se já não é fácil aplacar o poder, fica praticamente impossível refrear o seu jugo sempre que este se prolonga no tempo. Hoje, não é difícil dar conta do bafio que entra pela mesma janela onde, em Outubro de 1996, soprou uma tão agradável quanto arejada lufada de ar fresco; a começar pelo obediente enfático aplauso, com direito a alusão histórica, sublinhando a primeira vez que se aplicou, na íntegra, um preceito regimental até então – e bem – ignorado. Tudo, para logo na manhã seguinte, mais uma vez mansa e submissamente, após oportuno “mea culpa” e respectiva negociata, se voltar à estaca zero. Como se a verdade da véspera deixasse entretanto de o ser; tal qual como no futebol!
Registe-se a coesão de toda a oposição no desmascarar da ocorrência, que – é minha convicção –, fora como antes, ainda pouco alargada e menos plural, e não teria conseguido tanta eficácia na denúncia.

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Passando de uma birra para outra, lá teremos esta semana o Estatuto dos Açores submetido a uma 3ª chamada (e, quase de certeza, não será ainda a última)!
Sobre esta outra trapalhada, que de um lado – nos Açores – colecciona unanimidades para no outro – em Portugal – revelar inusitadas coligações [P.R. e seus apaniguados + PCP + importantes sectores do PSD (umas vezes com, outras sem, Mota Amaral), e agora também + Freitas do Amaral], sou obrigado a concordar com Jorge Sampaio quando referiu que a Autonomia dos Açores já atingira o seu limite.
Mas então porque esperamos?
Não percamos mais tempo com o Estatuto, é de uma Constituição própria que o Povo dos Açores carece!

A.O. 16/12/08; “Cá à minha moda” (Revisto e acrescentado)



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