terça-feira, fevereiro 02, 2010

 

Deformar a “Rua Formosa”


Formosa e não segura, mas bem equilibrada com mamarrachos

Quando, depois de andar algum tempo em redor de temas correlativos, tinha por fim pensado em deixar de “bater no ceguinho”, eis que a publicitação de um novo “mamatacho” (que embora embrulhado em “papel de oferta”, e por alguns docilmente classificado de “projecto moderno”, não deixa de estar destinado a camuflar e afiançar mais estorvo para a cidade) me veio obrigar a não cumprir o premeditado.
Vistas amplas, e sólido sentido de subordinação do interesse individual, pessoal, ao interesse público, tiveram aqueles que ainda no século XIX, de forma visionária, e adoptando uma escala e rigor geométrico muito pouco habitual entre nós, projectaram a então Rua Formosa, hoje Rua de Lisboa (até na alteração do nome, a emenda à posteriori ficou muito aquém do original), indicando com um rasgo de modernidade a potencial zona de expansão da cidade. Anos depois, primeiro a Av. Roberto Ivens e logo a Príncipe do Mónaco, adoptando os mesmos parâmetros quando à escala e geometria, confirmavam claramente a direcção, e a amplitude desejada, para a expansão de Ponta Delgada. Já na “primavera marcelista”, tal como muitas vezes acontece quando se confunde inchaço com crescimento, o suposto “progresso” trouxe para ali um aeroporto, para, já em autonomia, e, sob o ponto de vista do ordenamento da área agravando ainda mais a situação, o seu prolongamento para Nascente (outros, mais ousados, prologavam para Poente, pelo mar adentro, tal como na Madeira), com o aberrante aterro que o sustenta, qual monstruoso abcesso artificial, desfigurar toda aquela zona.
Mas isso são contas de outro rosário, regressemos ao que agora interessa.
Hoje, século XXI, quando a tendência é deixar os carros fora das cidades e dotar estas de transportes públicos adequados (amigos do ambiente e cumprindo horários aceitáveis), eis que nos querem presentear com uma central de camionagem acoplada a um parque de estacionamento, tudo numa das principais vias de acesso ao centro da cidade, como se já não fosse suficiente o congestionamento de transito do local, mesmo fora das horas de ponta.Por este andar: construir, construir, quanto mais alto e compacto melhor, não obstante a oferta exceder em muito a procura (o que mais por aí há são ofertas de venda, e até empreendimentos inacabados, alguns quase ao abandono), ainda corremos o risco de ver demolir o Bairro Económico (passem por lá para ver o que é qualidade de vida quase no centro da cidade) para o rentabilizar como área de construção, permitindo ali mais uns não sei quantos “galinheiros de betão”.
A.O. 02/02/10; “Cá à minha moda" (ligeiramente acrescentado)



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