terça-feira, março 01, 2011

 

Mar dos Açores: uma das chaves para a nossa independência




Com a Universidade dos Açores como palco, e “Os Açores na estratégia do mar – perspectivas económicas e de segurança” como tema, o Mar dos Açores andou recentemente de novo na berlinda. Não obstante a numerosa assistência, “casa cheia” não deixou de evidenciar significativas ausências. Algumas “de peso”! É que falar dos Açores não significa necessariamente fazer a sua defesa, nem são “os outros” aqueles que, usando e abusando da atitudes paternalistas, nos devem impingir aquilo que supostamente julgam ser o melhor (para eles) para nós.
Nos Açores nada muda como o tempo. Pena é que há coisas que nem mesmo o tempo as mude!
Desde a terceira década do século XV plataforma geoestratégica para exploração e submissão de uns e outros, agora que das Índias já não vêem especiarias, nem do Brasil ouro e madeiras preciosas, tampouco das possessões africanas “mão de obra escrava”, petróleo e diamantes, aproxima-se o momento de nos Açores o desaforo também acontecer ao nível da exploração dos recursos inorgânicos, minerais e outros.
Não me canso de repetir, mas nestas ocasiões – eu que prefiro, e procuro sempre que possível, o caso de Cabo Verde – é o exemplo de Timor Lorosae que me ocorre. Um exemplo que ganha especial significado, agora, quando aquele antigo território português, um jovem país altamente carenciado, ainda a dar os primeiros passos, passou como que por milagre de frágil “meia ilha” dependente a potencial comprador de divida soberana portuguesa. Quem é que se recorda de em Timor, enquanto esteve sob posse portuguesa, ouvir falar no petróleo que sob o seu mar existia?
Não interessava falar disso, e, interessando, era só a alguns.
Aqui nos Açores não é muito diferente. A nossa posição geoestratégica tem sido sistematicamente subvalorizada, não é que seja esta a real situação, mas porque importa não tornar evidente o muito que Portugal ganha “por nossa conta”, para com isso poderem persistir e ampliar o mito de que são os impostos dos portugueses aquilo que nos sustenta.
A verdade é que a importância geopolítica e estratégica dos Açores tem um valor incalculável, grandeza que nem Portugal, por inépcia, dela beneficia convenientemente!
Alguém poderá quantificar o valor de ter portos e aeroportos seguros a um terço da distância entre a costa ocidental da Europa a costa oriental da América do Norte? Neste contexto, quanto não vale a posição privilegiada dos Açores no apoio às comunicações marítimas e aéreas do Atlântico Norte? Ou ainda, quanto vale controlar o enorme espaço aéreo e marítimo que nos rodeia, correspondente, sem sombra de dúvidas, à maior ZEE da União Europeia?
Só as respostas a estas questões, sobretudo quando comparadas com o PIB/Açores, contribuiriam para desfazer mitos que a muitos interessa perpetuar.
Mas esta é apenas uma parte.
Agora – começa a ser mais comummente conhecido o que desde há muito se fala em surdina – não é só a posição geoestratégica dos Açores aquilo que está a ser alvo de cobiça e domínio neo-colonial. Com a enorme extensão marítima dos Açores acolhendo um património natural único, e as suas profundezas repletas de recursos cujo valor aumenta a cada dia que passa, é também a mais valia incalculável que representam os direitos soberanos sobre esta riqueza: o prospectar, explorar, conservar e gerir o dito “petróleo dos Açores” – o nosso mar, o seu fundo e respectivo subsolo (com isso fazendo render recursos de capital importância) –, aquilo que nos permite encarar com optimismo a sustentabilidade de um país livre e independente: os Açores.
Ou não fossem estes préstimos só sublimados por uma nação soberana, tal como acontece agora com Timor!

A.O. 01/03/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)



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