terça-feira, junho 07, 2011

 

2011: um 6 de Junho diferente


Saber Açores, nº55, Junho de 2004








6 de Junho: 1975, 1976, 1977, 1978 e sempre



Ontem (hoje quando escrevo) foi 6 de Junho – mais um, o 36º após o histórico 6 de Junho de 1975 –, por coincidência ou talvez não (no caso, mais do que o Divino Espírito Santo foi o Senhor Santo Cristo dos Milagres o determinante), um 6 de Junho cujo “day before” tenderá ofuscar-lhe, ainda mais, a visibilidade e dimensão que deveria ter, e não tem!
Na presente conjuntura, e em falta de “uma marca política açoriana” mais genuína (mas aglutinadora o suficiente para marcar posição), valha-nos a diferença horária, já que tem sido esta, mais do que a completa “mão cheia” de deputados por cá eleitos, o que nos Açores contribuiu de forma bem visível no condicionar da vida política portuguesa, sobretudo em dia de eleições. É a consolação dos subjugados: deixar Portugal suspenso durante uma hora. Adianta muito pouco, mas não deixa de ser uma consolação!
Quanto ao resto, nestes penedos, não obstante o variar da cor predominante no habitual 3x2, não existem – nem agora são de esperar – grandes diferenças. A não ser para os próprios, num dos casos, salvo erro, já com pelo menos dois recordes acumulados: o da antiguidade na função, e o de ser, actualmente, o único que deputou nos dois diferentes regimes. Tirado isso, e apesar da indiferença da maioria; da grande euforia de uns; da preocupação de outros; e da justificada tristeza de uns quantos (por uma unha negra Artur Lima não fez a diferença), no que de importante há para resolver, os avanços são poucos ou nenhuns. Se não vejamos:
Quase quatro décadas depois o “papão do fascismo” – como que por ironia do destino vertido em texto constitucional que se pretendia libertador – é ainda uma das alegações que continua a obstruir os açorianos de, por forma legal, lutarem pela sua total emancipação. Um escárnio! E a situação é de tal vilipêndio que chega ao ponto, passado todo este tempo, de não ser necessário andar nem procurar muito para se encontrarem, ainda, referências – até toponímicas – em louvor da “Revolução Nacional” de 1926, ou do “Estado Novo”. Porém, e à luz da actual Constituição Portuguesa, continua sendo fascista quem defende a Independência dos Açores. Parece anedota: é equivalente a fascismo defender a Independência dos Açores, mas, “democraticamente proibido” criar partidos açorianos. Isto, 37 anos após o 25 de Abril!
Por tudo isso, na falta de melhor e jogando pelo seguro, um VIVA para o fuso horário e outro para o anticiclone. Assim, quando, mais dia, menos dia, for inconstitucional, e logo proibido, que a hora dos Açores seja diferente da hora de Portugal, só nos restará o anticiclone: bem mais difícil de ser condicionado pela Constituição Portuguesa. Uma Constituição, dizem os entendidos, avançadíssima. Que permite quase tudo: aos políticos constituírem-se em casta prenhe de direitos e mordomias sem que a tal corresponda deveres e obrigações proporcionais; aos interesses instalados terem trocado o escudo pelo euro, mesmo sem consultar os óbvios e principais prejudicados; e, até, à “Troika”, governarem por procuração depois de terem obrigado os seus delegados a realizarem um acordo prévio, ao que parece, “assinado de cruz”. Uma Constituição exemplar como se vê, que só não permite uma coisa básica e fundamental: que o Povo dos Açores – e já agora o da Madeira – se organize politicamente tendo em vista a sua emancipação e total autodeterminação.
Só mesmo com um novo 6 de Junho, mas desta vez reivindicando conquistar Portugal.
Em 1975, gritando por Independência conseguimos uma “autonomiazinha”. Quem sabe se agora, ameaçando conquistar Portugal, não obtemos a Independência?




A.O. 07/06/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)



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