terça-feira, maio 24, 2011

 

Mar, submarinos e informação entretanto desclassificada


Nunca como nos últimos tempos – Cavaco Silva deu o mote, os seus obedientes seguidores encarregam-se de retransmitir a mensagem, e a campanha eleitoral em curso ajuda na sua amplificação – se tem falado tanto do mar. É o “novo nicho de mercado”; o mais recente “El Dourado” português; uma das fórmulas mágicas para o messiânico crescimento económico; aquele que será um dos caminhos para debelar o malfadado deficit; a solução para salvar Portugal da bancarrota, etc., e tal. O que não se diz, nem convém que muitos o saibam, é que quase todo este mar é Mar dos Açores. Sim Mar dos Açores! Como o ouro do Século XVI e XVII era do Brasil, e o petróleo, diamantes, algodão e muito mais, no século XX, de Angola!
Mar é fonte inesgotável de riqueza: pelos seus recursos – que são muitos para além da pesca –, mas sobretudo pelo seu valor geoestratégico, para mais quando se localiza no Atlântico Norte, a meio caminho entre a Europa e a América.
Se o valor estratégico do Mar dos Açores foi enorme no tempo do “dar novos mundos ao mundo”, por maioria de razão, muito superior se tornou à medida que a tecnologia foi evoluindo, que os recursos naturais foram escasseando, e o mundo ligando-se e interdependendo. E não pensem que é de agora: a globalização é tão ou mais velha “que a guerra de catorze”!
Aproveitem, já que actualmente Portugal tem na Chanceler Merkel uma governanta, e perguntem aos alemães – os mesmos que impingiram os submarinos e querem impingir os TGVs – porque mandaram em Julho de 1917 o U 155 bombardear Ponta Delgada? E, para garantir o contraditório, pois a “Troika” que governa Portugal também incluiu o FMI, perguntem também aos americanos, nos Açores desde 1917 – primeiro com uma base da US Navy implantada desde o porto de Ponta Delgada até aos confins de Santa Clara (que tal igualmente esmiuçar as trapalhadas que isso provocou com os ingleses?)-, e ainda hoje, como se sabe, com base nas Lajes, porque lhes interessam tanto os Açores?
Para nos defender (Açores) já não é: o submarino bombardeou, o Orion ripostou, mas há muito que a guerra acabou. Só o interesse continuou! Como alguém diria: “É a economia, estúpido”. Claro. Alias, cada vez mais claramente.
E aqui entra um documento de Agosto de 1975, outrora confidencial hoje razoavelmente disseminado (mas nunca é demais divulgá-lo – obrigado à “mão amiga” que mo enviou, “obrigando-me” a relê-lo), cujo conteúdo, que aponta para a viabilidade económica dos Açores como país soberano, apesar do óbvio era então – e assim procuram que continue sendo – desmentido. Aqui vão excertos do dito cujo:
1. DOCTOR NORMAN BAILEY AND EDMOND TONDU OF BKW ASSOCIATES, INC., WASHINGTON BASED MANAGEMENT CONSULTANT FIRM, ARE IN THE AZORES PERSUING ECONOMIC STUDY STARTED SEVERAL YEARS AGO AT REQUEST OF CAETANO GOVERNMENT. BAILEY SAYS FIRM NOW ATTEMPTING COMPLETE STUDY IN ORDER TO PERSUADE WHATEVER GOVERNMENT MAY EMERGE IN AZORES TO RETAIN FIRM AS ECONOMIC ADVISORS. BAILEY AND TONDU HAVE BEEN TALKING TO GOOD NUMBER OF PEOPLE IN PONTA DELGADA AND ANGRA. (…)
2. BAILEY BELIEVES AZORES ECONOMICALLY VIABLE AND PROFITABLE TO LISBON. HE DESCRIES PRESENT ECONOMIC RELATIONSHIP BETWEEN LISBON AND AZORES AS 18TH CENTURY MERCANTILISM.
(…) BAILEY AND TONDU BELIEVE THAT ECONOMICALLY AZORES WOULD BE BETTER OFF INDEPENDENT THAN AUTONOMOUS SINCE AUTONOMY WILL TAKE MONTHS TO ESTABLISH AND COULD BE REVOKED AT ANY TIME. IT THUS WOULD NOT PROVIDE STABILITY NECESSARY FOR INVESTMENT AND GROWTH.
3. BAILEYN CREDIT MANAGER OF BANCO PORTUGUESE DO ATLANTICO WHO DESCRIED RECENT IN DEPTH STUDY OF TOTAL COMMERCIAL AND FINANCIAL RELATIONSHIP BETWEEN AZORES AND CONTINENTAL PORTUGAL. REPORTEDLY GOP HAS NOT PERMITTED PUBLICATION OF STUDY WHICH CONCLUDED THAT CONTINENTAL PORTUGAL GAINS ABOUT 280 MILLION DOLLARS PER YEAR FROM AZORES.
Bom, o telegrama continua com outras tantas palavras, eu é que não tenho mais espaço!

A.O. 10/05/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)



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