terça-feira, agosto 02, 2011

 

A “Fontinha da Alta”


A "Fontinha da Alta" (em 1947), o seu proprietário, e João Mariano (filho do distinto jogador e Capitão do CDSC nas décadas de 30 e 40), ainda de bibe e "xucha" ao pescoço.
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Nos finais da década de 40 início da de 50 do século passado, bem “no coração” de Santa Clara, já depois do Largo da Igreja, após percorridos os primeiros cem metros da 2ª Rua de Santa Clara, quem por ali circulasse deparava-se com a “Fontinha da Alta”, uma “Chic” Cervejaria/Café, referência em Ponta Delgada nos estabelecimentos do ramo. Licores finos, reputadas marcas de vinhos do Porto, champanhes, espumantes, outros vinhos licorosos, vasta e requintada doçaria, um esmerado serviço – imagem de marca do proprietário – e a discrição e tranquilidade que aquele espaço proporcionava, apresentavam-se como vantagens competitivas apreciáveis, seriamente prezadas pela significativa clientela que, vinda de Ponta Delgada, da “Fontinha da Alta” faziam local de culto e paragem tão tranquila quanto retemperadora. Futebol e política (esta especialmente discutida sob um ponto de vista conservador, bastas vezes saudoso dos tempos da monarquia) eram temas frequentes nas tertúlias da “Fontinha da Alta”.
António José Carreiro e Silva, “o Sr. Antoninho Carreiro” como era conhecido em Santa Clara, proprietário e promotor do projecto, expandira naquele sentido o negócio que já há muito dedicada e meticulosamente geria, com o novo empreendimento a ser levado a efeito paredes meias com a sua original “loja”, um ícone já então contando mais de três décadas, umbilicalmente ligado aos “Campeonatos de Santa Clara” e com estes ao popular fenómeno sócio desportivo ocorrido pelo menos entre 1917 e 1922, sucessão de “desafios” vs “desforras” e outros episódios que desempenharam um importante papel na promoção e divulgação do futebol em São Miguel, culminando na organização associativa da modalidade.
De facto os “Campeonatos de Santa Clara” tiveram as “lojas” da localidade como núcleo agregador, organizador e patrocinador das equipas que os disputavam, e destas, por factores que tinham a ver com concorrência comercial, mas também com óbvias divergências politicas entre os proprietários – “o sal” da rivalidade das equipas que ambos representavam –, duas destacavam-se como as grandes animadoras daquelas renhidas disputas: a loja do Sr. João Travassos, estabelecimento que não obstante depois conhecer muitos outros administradores continua a desempenhar actividade similar no mesmo local (Largo da Igreja); e a loja do Sr. “Antoninho Carreiro”, que já não existe, com o prédio que a comportava hoje apenas destinado a habitação, transformação que só aconteceu após o falecimento do proprietário (Abril de 1974), não sem que antes, na senda da cuidada gestão que era apanágio do seu detentor, o negócio se ter expandido, dando lugar ao requintado Café/Cervejaria que é mote destas linhas, cuja firma, “A Fontinha da Alta”, isso mesmo parecia indicar logo à partida.

Fazem falta “Fontinhas da Alta” em Santa Clara, mas adiar sistematicamente promessas como a de proceder há urgente e necessária requalificação da 2ª Rua de Santa Clara, por muito esforço que outros façam, em nada contribuiu para o colmatar desta, e de outras carências.
Quando será que, em Santa Clara, as “Mãos à Obra” deste “Concelho Feliz” transformam velhas promessas, já estafadas de incumprimento, em realidades levadas à prática?

A.O. 02/08/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)



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