quinta-feira, fevereiro 16, 2012

 

Loas, lérias e sussurros perversos



Carlos César, Presidente do Governo dos Açores, escolheu Santa Clara para dizer que não existem freguesias a mais nos Açores. Como em política não há coincidências, e tendo o desígnio sido proferido por ocasião da inauguração de uma importante beneficiação na freguesia – a necessária, muito reclamada e desde há muito aguardada requalificação da “Rua Direita do Ramalho” –, a sua mensagem foi também, sem dúvida nenhuma, um sinal de reconhecimento ao muito e bom trabalho desenvolvido em Santa Clara desde que a localidade se afirmou como freguesia: realidade que “entra pelos olhos adentro” de todos – até mesmo daqueles que muito se empenham para que assim não fosse –, e é prova de como a proximidade, a tolerância, a actuação persistente e empenhada, sobretudo (como acontece no caso de Santa Clara) quando devidamente enquadradas num consistente projecto de cidadania activa, podem fazer milagres. Basta lembrar como era Santa Clara em 2005 e comparar com o que é Santa Clara hoje para constatar “o milagre” em tão pouco tempo realizado, prodígio que, não fora a “2ª Rua da Teimosia” – ou Via Marginal dos “bidãs” (nome que também lhe assenta bem) –, seria ainda mais notável.
Num outro registo – o da submissão (no caso dupla submissão) –, Berta Cabral, Presidente da Câmara Municipal de Ponta Delgada, escolheu o Carnaval para, a propósito de uma tolerância de ponto, que lhe era conveniente mas não queria que fosse entendida como afronta ao Primeiro-ministro de Portugal, mostrar uma oportuna subordinação ao Presidente do Governo dos Açores. Também aqui não existem coincidências (nem “Batalha de Limas” ou “ressaca” de Baile no Coliseu que o justifique), e não sendo coincidência tampouco é um bom sinal. Sobretudo quando o “Rolo Compressor Centralista”, hoje conduzido com os tiques autoritários que se conhecem, e que a cada dia que passa se manifestam com maior sobranceria, tem ao seu volante operadores que competem entre si pelo título de “campeão da insensibilidade social” ou da “arrogância política”, cujo exemplo máximo é o Ministro Relvas.
Hoje mais do que nunca – e de forma preferencial assegurando uma transmissão de testemunho geracional – a afirmação identitária dos Açores não pode ser tida como uma conveniência politica da ocasião, mas sim, e obrigatoriamente, como uma convicção, uma causa, um nobre dever a cumprir!
Os tempos que correm não diferem muito dos vividos em finais da década de 20 inicio da de 30 do século XX, e, é sabido, como, em pouco tempo, o “Rolo Compressor Centralista” colocado em marcha na época por António Oliveira Salazar, nuns casos esmagou, noutros seduziu e/ou absorveu muitos, uns quantos mesmo entre aqueles que ainda poucos anos antes andavam tão empolgados com projectos de aprofundamento da autonomia dos Açores.

Outro sinal dos tempos foi o sussurro feito pelo Ministro das Finanças de Portugal ao ouvido do “patrão” europeu. Se dúvidas haviam ficaram praticamente dissipadas. Há uma estratégia: passa por espremer e fazer sangrar quase até à última gota, para depois, o mais próximo possível das eleições, uma qualquer folgazinha poder ser dada “à laia de rebuçado”. Resta saber se os estrategas resistem, e, resistindo estes, se as vitimas desta estratégia, depois de “sangradas até ao limite”, sobreviverão com alguma utilidade?

A.O. 14/02/2012; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)



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