terça-feira, outubro 12, 2004

 

ALTAS e baixas pressões

Em democracia “o poder” não é exercido só por quem governa. Tampouco o 4º poder, cada vez mais presente e poderoso, é independente. Depende de quem o sustenta, via mercado publicitário, ou, sobretudo, quando estão em causa negócios e interesses fundamentais para a sua sobrevivência. É abrir os olhos e ver. Tarefa fácil por exemplo no nosso meio. Com excepções. Claro. Poucas!
O verdadeiro poder está na sociedade – no povo segundo o discurso político –, mas só quando esta tem uma vivência democrática amadurecida; já lhe proporcionaram níveis aceitáveis de instrução e conhecimento; exige, com naturalidade, o que sabe ser seu de direito. Em suma, quando já exerce a plena cidadania. O que, convenhamos, trinta anos após o 25 Abril, ainda é excepção e não regra! É ver como mesmo em círculos restritos, quase diariamente, se assiste à auto-censura. É ver como, com indesejada frequência, se constatam várias e variadas tentativas de silenciamento às vozes incómodas!
O “caso Marcelo” – esta alta pressão continental – só o é por ter sido com quem foi; por ocorrer em clima de denso rebuliço político; por bulir com estrondo com uma audiência superior a um milhão de almas. Paradigmático é como este acaba remetendo para o devido lugar um outro caso – o telefonema em CD –, qual baixa pressão atlântica de grande aparato mas insignificante intensidade.
Enfim, campanha eleitoral!
Do próprio. In Açoriano Oriental/Crónicas do Aquém



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