terça-feira, novembro 30, 2004

 

“Alto astral” na incubadora

Por uma questão de filosofia ou estilo do protagonista - um "style" que se complementa com cabelo esticado a gel, óculos escuros e gravatas vistosas -, quase sem se saber como - tipo delfinato -, passamos a ser iluminados por invejável optimismo, como que se, da noite para o dia, tudo o que sempre foi difícil de obter, exigente para manter, e muito custoso de acrescentar, passasse a estar ao alcance de qualquer um, bastando para isso, apenas, seguir um caprichoso líder!
Quem isso se dispuser contrariar, por mais que sejam as provas dadas, o trabalho desenvolvido, e a competência reconhecidamente demonstrada, mais não é do que um pessimista; um empecilho. E isso, sobretudo, porque insiste em pensar pela sua cabeça, recusando-se a ser guiado pelo mediaticamente ampliado feixe de luz que – a quase todos – vai indicando o caminho, omitindo sistematicamente, por encandeamento, os acidentes de percurso.
A grande habilidade do artista está no valorizar – mesmo se insignificantes – todos os aspectos positivos. E, se estes não existem, também não há que esmorecer; “marcar passo” é uma habilidade de recurso! Os retrocessos – demasiados por ser tão frágil o ponto de partida – são como se nunca existissem, e desvalorizá-los é táctica recorrente!
Só a facilidade na obtenção da benesse justifica tanta leviandade, co-responsabilizando quem cumplicemente a proporcionou ou possibilitou a sua manutenção. Nada que se resolva com um “saltar do barco”, ou com a demonstração de um tardio incómodo!
Parece-me até que, num cinema perto de casa, já vi este filme.
Do próprio. In Açoriano Oriental/Cónicas do Aquém



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