quinta-feira, dezembro 23, 2004

 

Marracho por “peixe rosa” (parte I)



O Victor, e o "peixinho" que "pescou" com uma picareta naquele sábado de Santa Clara

Sábado de Santa Clara, numa das primeiras horas de sol daquela manhã de fim de Verão, tal como havia ficado combinado a meio da semana depois da reunião da JOC, primeiro um, e logo depois o duo restante, cedo ficou reunido o grupo dos três que se haviam comprometido a ir apanhar lapas, cujo proveito da venda, como petisco na barraca do adro da igreja, reverteria a favor das festas.
Quando o João e o Manuel chegaram “à beira da rocha”, já o Victor, o mais velho e experimentado dos três naquelas lides, tinha decidido que com aquele tempo o melhor seria “ir mergulhar” para trás da Fabrica do Lory.
Sem dúvida, embora mais para o Victor do que para os outros dois, o calhau de Santa Clara não tinha segredos de maior. Se era para “ir às lapas” para trás da Fábrica do Lory, pois então qual o problema? Nenhum! Para além, claro, de ter de caminhar um pouco mais. Ir até ao Farol, e daí, mesmo junto ao muro de vedação daquela instalação industrial, descer até à beira mar, e procurar o pesqueiro que garantisse, depois do “mergulho”, uma entrada tranquila.
Difícil mesmo era despir, aclimatar o corpo praticamente nu ao ar fresco da manhã, e entrar na água. Depois dos primeiros dois ou três mergulhos, e apanhada que estivesse a primeira dúzia de lapas, logo o corpo aqueceria, só voltando a arrefecer passados trinta ou quarenta minutos, talvez até mesmo uma hora. Tudo dependeria do ritmo da apanha!
Combinado também havia ficado que o Manuel não iria “mergulhar”. Só o Victor e o João iam à água. O Manuel daria apoio. Nunca é demais ter alguém por perto, principalmente quando o mar encapelava e rebentava sobre as rochas, como tinha acontecido nas últimas semanas, sem que já amainasse completamente.
Foi o João o primeiro a despachar-se. Como quase sempre, aliás. E, já se preparava para entrar na água, quando viu uma barbatana ali próximo.
- Olha um marracho! - Gritou com um misto de espanto e medo.
- Porra. Já não vou para a água!
- Marracho! Qual marracho? Deves estar atoleimado. Um marracho não vem tão aqui para dentro - respondeu o Victor aproximando-se da borda água, para logo também gritar:
- Êpá! É mesmo um marracho.
- Possa! Temos de apanhar aquilo!
- O quê? Tu és é tolo. Vou é já vestir-me! - Retorqui-lhe o João.

Era de facto “um marracho”, e eles apanharam-no. Com uma picareta. Por incrível que pareça!




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