sábado, julho 23, 2005

 

CONTRIBUTOS I; Os Açores com que sonhamos...


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Recebido, com pedido de publicação, do meu amigo - e camarada de luta - Luís Silva Melo:

Os Açores com que sonhamos
Tambem aprendi um pouco sobre a minha terra- outros tambem imaginaram... Tal como escutamos a lição, que nos inspirou, das pessoas de eleição... Vi, entre outras coisas, que os Açores sempre deram mais à patria do que receberam. Percebi que, isto de liberdade sempre teve inimigos de fora e de dentro..." Eramos pequeninos, crescemos entretanto. Pequeninos mas já protestavamos quando o professor exagerava na dose das reguadas...". Crescemos, entretanto...Sabemos muito bem o que queremos para a nossa terra...Vimos que é difícil sermos pessoas do nosso tempo e muito mais, pessoas com visão do futuro...Em tempo, a história mostra que foi uma minoria que quis uma ridícula autonomia, comparada com a que temos...Foram acusados de terratenentes.E era verdade. A conclusão, essa, nem tanto...No tempo vermelho seriam apelidados de reaccionarios. Hoje, talvez, em geito de auto-contenção benevolente, de sonhadores. Hoje, parece que todos têm imaginação para dizerem- Região Autónoma dos Açores...Talvez não tenham imaginação para dizerem - Açores Livres!- É. Andamos sempre trocados no tempo...Para percebermos o tempo em que vivemos, temos que ter um metodo de análise seguro. O mais seguro é o metodo chamado visão zeetetica- aquela que faz uma análise diacronica-crítica...Com ela, até podemos descobrir que nem sempre existiram pessoas...seres humanos, apareceram lá nos confins do tempo...Pois. Andamos sempre um passo atrás ou a um passo no nosso tempo...raramente conseguimos olhar pela janela da história e, lá do alto, nos apercebermos de nós proprios. Por isto, nem sempre vejo pessoas a exigir- Patria Açoriana! Pena...Talvez, amanhã, eles, quando saborearem o gosto da liberdade,apareçam...O que queremos?Queremos um fim e um meio. Pelo meio- a que aspiramos? Aspiramos ao direito à defesa da independência, de forma livre, democratica e consciente. Hoje, dizem-nos (diz a lei que estudei) que defender a independência é crime. Tambem Salazar dizia que todas a tendências políticas podiam concorrer a ser governo, mas proibiam a liberdade de organização. De manifestação e de reunião. É. Hoje dizem até que temos tudo isto. Falam no PDA, que é um partido nacional, sem meios e que apenas lhe foi permitido designar a sede para os Açores. E todos, aqueles que apenas conseguem ver para o seu tempo imediato, concordam. Dizem que temos um partido regional. Ou seja, que somos livres...Queremos que os impostos cobrados nos Açores sejam do conhecimento dos Açorianos.Hoje, aquilo que produzimos, vai para Portugal, para, depois, voltar sobre a forma de esmola, tal como um pai que recebe o dinheiro todo do filho e, depois, dá-lhe umas esmolas, esperando que ele se sinta agradecido...Queremos definir o regime da incidência dos impostos. Queremos que, o fundamental da organisação do Estado seja definido pelo Portugal que nos colonisa, sendo o resto tudo definido por nós. Entretanto, continuamos enredados, em leis gerais da república e em interesses específicos, nubelosamente definidos e facilmente contraditados por leis gerais da república que, sendo posteriores, facilmente as ofuscam, para apenas acrescentarmos a previdente interpretação destes princípios, feitas pelo Tribunal Constitucional...Queremos a existência de partidos regionais. Porque os partidos existentes não defendem partidos regionais? Porque, a existir um partido regional, este mesmo partido, que ainda não existe, iria meter pelos olhos dentro de todos que, os restantes partidos, são submissões das direcções partidarias nacionais...Queremos que aquilo que produzimos fique cá e seja nosso. O nosso espaço aereo que nos escapa. O nosso espaço marítimo que rende muito a Portugal. As contrapartidas, cuja maior parte Portugal sempre recebeu e continua a receber. Que Portugal fique, pois, com que é seu, mas NÃO NOS TIRE NADA! Portugal continua preocupadíssimo com os Açores, dizendo que nos dá esmola. Mas nós, porque sabemos quanto valemos, dispensamos essa caridade que nos é dada. Queremos, pois, que a negociação da Base das Lages e da nossa posição geo-estrategica, seja NOSSA! Queremos um referendo para os Açores. Se quem aspira a liberdade (tambem Marcelo Caetano dizia que todos eram marcelistas, mas, quando os portuguêses saborearam a liberdade, num estalar de olhos, todos lhe viraram as costas) tiver direito a manifestar-se. A reunir-se e a organisar-se, há-de ter direito ao referendo. Para que os açorianos digam se querem continuar a ser uma colonia ou a ser independentes.É isto, em resumo, o que queremos, quanto aos meios.Quanto aos fins? Se os Açorianos disserem que querem ser livres, queremos um regime de transição. Para que tenhamos uma liberdade pensada e preparada e para que Portugal, pela primeira vez, dê uma lição ao mundo de responsabilidade. De como se ajuda um país a ser livre. Os nacionalistas açorianos sabem quanto valem os Açores. Aquilo que, com tanta preocupação, com tanta ligeiresa e com tanta intoxicação ideológica, Portugal continua a negar...Com um desconcertante êxito, Portugal continua a colonisar os Açores porque não nos dá os direitos democraticamente aceites numa sociedade livre e democratica. Queremos uns Açores independentes. Que Portugal seja um país responsavel. Livre e que ajude a promover a liberdade no mundo...
Luís Filipe Ferreira da Silva Melo
20Julho de 2005



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