terça-feira, janeiro 05, 2010

 

Torres do Dubai




A “Burj Dubai” (por razões óbvias, na última da hora batizada de Burj Khalifa), com cerca de 800 metros de altura, actualmente o arranha-céus mais alto do mundo, um investimento colossal de cerca de mil milhões de euros cuja rentabilização começou a ser posta em causa antes mesmo da obra conhecer o seu fim, foi inaugurada ontem (hoje, 4/01/2010, dia em que escrevo), aproximadamente seis anos após o início da sua construção.
Irónico – ou talvez não –, é que isso acontece no auge da crise provocada pela “bolha imobiliária”, quando o custo do m2 construído na mesma torre já caiu para cerca de cinquenta por cento do valor pelo qual já fora negociado, e num território cuja economia está à beira da bancarrota, com a sua mola original, o petróleo, dada a inevitável mudança de paradigma, muito dificilmente lhe servindo de futura “bóia de salvação”.
Pois é. Mais uma vez sem ter necessidade de olhar para muito longe – tal como no meu anterior escrito aconteceu com Copenhaga –, volto a ver o Dubai aqui tão perto!
Sim. Porque penso no Dubai quando vejo as novas urbanizações, algumas desde à muito inacabadas, às quais se acrescentam as mais que se anunciam projectadas, tudo malha densa, obviamente em altura, a mais das vezes em território cumplicemente “roubado” à reserva agrícola, ou a outras "reservas" ainda mais delicadas.
Sim. Porque é do Dubai que me recordo sempre que reparo nas muitas propriedades agora amplamente anunciadas para venda, prédios ou fracções onde – moda que a necessidade impôs – podem ser vistos, em simultâneo, os dísticos de duas ou mais imobiliárias disputando a intermediação da sua venda.
Sim. É o Dubai que me vem à memória sempre que assisto à destruição de uma das “galinhas de ovos de ouro” dos Açores – a natureza, também marca da nossa singularidade –, recurso avidamente destroçado por um bárbaro planeamento urbanístico: que destrói em vez de preservar; que na ânsia de tanto construir não dá conta do quanto assim contribuiu para a desertificação.
É que, com ou sem rendimentos do petróleo, até acho mais razoável usar o betão para transformar um deserto numa enorme e súbita metrópole, do que usá-lo para destruir um paradisíaco oásis, mesmo que minúsculo.
A.O. 05/01/10; “Cá à minha moda" (Revisto e acrescentado)



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