domingo, dezembro 15, 2013

 

Ai, ai, ai… não fosse o Império …

Tal como em tempos idos, hoje também em época amargurada pelo autoritarismo, pela emigração e por abundante miséria e fome, um dos recorrentes compensatórios “efes”, no caso o do Futebol (o de Fado anda agora mais erudito mas outros ainda continuam a atenuar muitas mágoas e aflições), permitiu recentemente a um alargado número dos súbditos do ex-império alguma tão narcótica quanto efémera alegria. Ao longo de algumas horas até esqueceram a Troika e os incompetentes “Migueis de Vasconcelos” que no protectorado a representa, uns e outra obstinadamente levando a cabo uma destruidora experiência neoliberal que só aos seus olhos é virtuosa.
Foi tal a euforia que, mesmo só quanto ao futebol, até ficou esquecido que o recente êxtase só aconteceu porque, na altura certa, não houve querer – e talvez saber – (facilitar e deixar tudo para a última hora: eis outra marca idiossincrática dos "Tugas") para conseguir o apuramento directo. Mas, como quase sempre “há males que vêm por bem”, o “Play-off” consagrou Cristiano Ronaldo. O Portugal vs Suécia cedo se transformou num Ronaldo vs Ibrahimovic e logo num Ronaldo vs Messi com foros de Reino de Castela vs Republica da Catalunha. Até a uma segunda mão do patético Joseph Blatter vs “Comandante” se assistiu, tudo acabando – pelo menos para já – num global confronto Coca/Pepsi. Grande CR7!
Pelo menos por algum tempo “os restos do Império” (sim, os restos do Império: e não me refiro só ao Pepe, também ao Bruno Alves, Nani, Varela, William Carvalho, Bruma, Cristiano Ronaldo e Rúben Micael) se sobrepuseram à Troika e a todos os troikanos! Aliás, bem representativo da “herança imperial” é o facto de na lista dos melhores marcadores ao serviço da Selecção Portuguesa aparecerem por ordem crescente: o moçambicano Eusébio, e em exequo (pelo menos por enquanto) o açoriano Pauleta e o madeirense Ronaldo, este último bem posicionado para, tal como o “Pantera Negra”, por muitos e bons anos estar habilitado a ser o melhor de todos. 
Com alguma pena minha, claro, pois, mesmo gostando de Poncha, continuo preferindo Vinho de Cheiro com Laranjada a Coca-Cola!

A.O. 23/11/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 




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