sábado, março 15, 2014

 

O Novo Império mete água




Parece que há um Portugal novo, à laia do Portugal do Estado Novo.
Não, não é só o facto de após tantos anos Portugal se voltar a organizar enriçado num presidente, numa maioria e num governo, todos afinados pelo mesmo diapasão, germânico, quiçá mesmo ariano, que em união nacional lá vai cantando e rindo, levando-nos, levando-nos sim, de encontro à engrenagem do trapiche que nos irá espremer até sacar a última gota, de tudo, até do suco vital. Mais do que este emaranhado de interesses pouco recomendável (o “velho desígnio” sempre inspirou pouca confiança, confirmando-se agora a sua perigosidade, agravada por os protagonistas estarem a léguas da integridade política e consistência democrática do seu criador: Sá Carneiro), mais até do que o consequente autoritarismo, insensível, que lhe está associado, este Portugal novo, tal como o do Estado Novo, começa também a tornar evidentes os seus tiques despóticos, centralistas, neocolonialistas e até saudosistas da “grandeza imperial” a que muitos parecem ainda atados.
A recente apresentação do “novo mapa de Portugal”, do “Portugal do Mar”, com a pirosa mise en scène que o envolveu, foi disso exemplo eloquente. Como que se já não bastasse a falácia geofísica da dita “extensão da plataforma continental”, toda aquela cena nos remeteu para o Portugal salazarista, o tal Portugal “do Minho a Timor”, com Províncias Ultramarinas e Ilhas Adjacentes, sujeito a um regime que logo na escola primária iniciava a sua doutrinação imperial/colonialista, para tal ostentando mapas cujo objectivo mais não era do que impingir as “grandezas” de um país decadente, “orgulhosamente só”, supostamente disposto a deixar-se levar por tretas como: “soldados e marinheiros vitoriosos ou mortos”, tal como aconteceu no caso da Índia, ou: “rapidamente e em força”, logo depois, tratando-se de Angola.
Propaganda e manias de grandeza que parecem jamais ter fim, agora já que não em terra firme, no mar, Atlântico Norte adentro, com uma suposta plataforma continental, elástica, ajeitando-se para “cercar”, mais ainda, os Açores e a Madeira.
A estes senhores já só lhes falta também dizer, assumidamente: “Temos uma doutrina e somos uma força”!
A.O. 15/03/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado, incluindo o título) 



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