quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Cantar às Estrelas em Santa Clara IV (pela imprensa)



(Click para ampliar e ler. Depois do primeiro click, pode sempre fazer um segundo, agora no canto inferior direito do resultado da primeira alpliação; dá para ler, acredite)

Já a caminhar para o Carnaval – hoje, “quinta feira de amigas” -, e, porque não há três sem quatro - e isto aqui é o meu arquivo -, aqui vai a quarta e última etapa desta série.

Deixemos as imprecisões por conta de pequenas “falhas na comunicação”.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Cantar às Estrelas em Santa Clara III (em popular poesia)




(a imagem amplia com um click)

O receber, embora em "conta relógio" (como já alguém disse), foi sempre bom.
Quanto ao cantar....



Intercaladas pelo refrão que quase todos conhecemos;


Hoje é véspera das estrelas
Amanhã é o seu dia
Cantam os anjos no céu
Com prazer e alegria

seguem-se quadras, inéditas, mais ou menos expontâneas, exclusivamente para nós efectuadas. Eis as da autoria do Sr. José de Oliveira:


Nesta porta vim parar
Com verdadeiro empenho
Para assim cumprimentar
Um velho amigo que tenho

Esta foi lembrança nossa,
Apego fundo do coração
Esperando que o amigo possa
Dar-nos um aperto de mão

Há muitas coisas belas
Feitas por um grande artista
Tal como a noite das estrelas
É própria para uma visita

Por favor abre a porta
Eu quero falar contigo
Já que a porta fechada corta
A conversa de um amigo

Eu já vejo a luz acesa
Nesta excelente morada
Quase que tenho a certeza
Que daqui não vou sem nada

Viemos aqui cantar
Aos amigos mais chegados
Para podermos recordar
Os nossos antepassados

Nos Santos tempos de outrora
Esta era noite de alegria
E estamos recordando agora
O que há anos se fazia

Nesta noite se cantava
Quase até de madrugada
E depois se preparava
Uma grande jantarada

Enquanto algum cantava
O que à cabeça lhe vinha
O outro já saboreava
Um pescoço de galinha

E quando era um franguinho
Havia então poucas cautelas
Lá ia mais um copinho
Em memória das estrelas

As estrelas não se esquecem
Tal como a tua amizade
E os do grupo agradecem
A tua boa vontade

Oh meu amigo estimado
Nós já vamos caminhar
Desde já estás convidado
Para nos acompanhar

É mais um que acompanha
O passeio da amizade
E assim o grupo ganha
Mais peso na sociedade

Festa é sempre festa
E com chita ou fino pano
Para uma festa como esta
Só se vai uma vez por ano.

e, ainda, algumas das envidas pela Lúcia Cabral:

Esta tradição não para
Celebremo-la com alegria
Aqui na Nova Santa Clara

Com a estrela como guia

Amigos vamos cantar
Estas quadras em harmonia
Para assim poder saudar
Esta nova freguesia

Vamos vamos nossa gente
Com guitarras e violas
Calzinhos de aguardente
Acordeão e castanholas

Nesta noite que está tão bela
Bem fresca e estrelada
Oh Luís Cabral vem à janela
Traz cachaça ou gemada

Abre a porta oh Fernando

Traz contigo um abafado
Não fiques aí ressonando
De boca virada pró lado

Vai p’ra ti também João
Uma quadra embora diferente
Vai preparando o garrafão
Vamos também a São Vicente

A ambos, MUITO OBRIGADO.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Cantar às Estrelas em Santa Clara II (em prosa singela)


Rua cheia ..............Casa cheia ...............uma alegria.
(click sobre as fotos para ampliar)


CANTAR ÀS ESTRELAS
(retomar uma tradição adormecida vai para 30 anos)

A tradição do “cantar às estrelas”, com algumas variantes directamente relacionadas com as idiossincrasias de cada uma das localidades, e, de forma bem mais vincada, das diferentes ilhas, mergulha muito fundo no tempo. O quanto, agora talvez só interesse para nos balizarmos numa época em que, ainda não havendo nos Açores bandas filarmónicas, e por isso, não dispondo o povo dos instrumentos de sopro que as mesmas vulgarizaram entre nós, eram as vozes e os instrumentos de cordas a base instrumental das cantatas.

Em Santa Clara, esta manifestação da cultura popular, teve porém, pelo menos (outras haverão com certeza; será interessante pesquisar), duas particularidades;
- Na transição do século XIX para o XX andou muito associada à existência – e também à forma de subsistência – da “Banda União Fraternal”, filarmónica que tinha muitos músicos e alguns beneméritos residindo em Santa Clara, tornando-se o “Cantar às estrelas”, pelas portas, uma forma de retribuir aos sócios, dirigentes e beneméritos, e até mesmo às famílias dos músicos, alguma da dedicação e do apoio recebido ao longo do ano.

- Já durante o século XX, sobretudo no período que medeia o fim a II Grande Guerra e o da Guerra Colonial, em Santa Clara, organizaram-se as chamadas “Danças de Carnaval”; um misto dos “bailinhos da Terceira” (sem o enredo nem a forte vertente de teatro popular que os caracteriza) (1) e das “Marchas de São João” (os arcos eram uma marca muito visível da coreografia), manifestação que de forma satírica, muitas vezes até burlesca, animavam as ruas da freguesia, e da cidade, durante a quadra carnavalesca.
Neste contexto, o “Cantar às Estrelas” também funcionava como uma forma de “afinar a charanga” que entretanto já iniciara os ensaios para o jocoso desfile, e, simultaneamente, conseguir meios para financiar “as danças”.

(1) Elsa Santos, no livro; “Santa Clara: Um Tempo de Festa”, refere ainda, e também, uma forte relação entre o “Cantar às Estrelas” e o teatro popular que se fazia em Santa Clara em período mais ou menos coincidente com aquele em que decorreu o “movimento das danças”.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Cantar às Estrelas em Santa Clara I (por imagens)


Antes


Últimos ensaios; com o poeta, afinando vozes, acertando o tom!

Durante


Três tempos; o primeiro canto, uma das entradas, já no regresso

Depois


Fim de festa; a delícia do dever cumprido ao som de boa música

("click" sobre as imagens para as ampliar)

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Abater árvores, derrubar matas, destruir a alegria; eis a lei do betão e companhia


(clicando amplia)
"Roubada aqui"

Enriçado numa dura e um tanto ou quanto extraordinária fase de muito trabalho, e, como se isso já não fosse o suficiente, completamente “entalado” entre o sentido do dever e de uma enorme vontade de nada fazer, deixei fugir a oportunidade de ver, ao vivo, a apresentação do manifesto; “A Árvore e a Floresta”, uma singular parceria de dois amigos que muito estimo, perante os quais, sobretudo à sua cultura – é impressionante a simplicidade com que a transmitem – e invulgar competência, nunca me canso de fazer vénias.
Só pela imprensa acompanhei o evento, tendo a referência que foi feita a Dinis Moreira da Mota – um dos grandes vultos da nossa história, praticamente injustiçado pela memória colectiva, em parte, também devido à sombra causada por outra “enorme” figura; Aristides Moreira da Mota, seu irmão –, atendendo à forma directa como a obra daquele visionário engenheiro “se mistura” com uma parte do trabalho que tenho entre mãos, acabando por reforçar a obrigação – já o tinha prometido a alguns – de promover a publicação de um texto “perdido” num dos primeiros números do Correio dos Açores, ainda em 1920.
Pois ele, finalmente, aqui vai:

Domingo. O burguês deixa os asfaltos…

Lembrou-nos Heine.
Dia lindo, ar fresco e lavado, luz doirada convidando-nos à acção. Quebre-se no dia do Senhor a monotonia pungente do viver angustioso destes tempos, dando tréguas às suas preocupações constantes: o futuro da família, da nação, da sociedade! …
E como o Correio dos Açores tivesse anunciado um desafio de foot-ball entre Brazileiros e Micaelenses – excelente pretexto – enveredamos pela Rua Formosa além.

Desapareceram as antigas Pedreiras da Doca?
Por sobre aqueles montículos pitorescos, coleando pelos vales, em cima das esplanadas, bordando veredas e caminhos, estendendo-se cerrado o arvoredo, que entremeia e tece os ramos, numa confusão imensa de folhagens, matiza os seus verdes diferentes e derrama gratamente, por sobre a terra que o nutre, uma sombra protectora e amiga.
Dum deserto fez-se um bosque! Por entre as pedras brotaram acácias e pinheiros; o antigo solo abrasado ostenta hoje carvalhos, engélias, araucárias, rubínias, piteiras… e sobre aquela terra vermelha e tórrida, que escaldava, que feria a vista, estendeu-se um tapete verde de relva fresca e tenra, que nos descansa a retina…
Quanto podem o entusiasmo de um homem, o escorregar vagaroso do tempo, e o forte viço das plantas!
No meio do parque – seu coração – espraiando-se largamente como arena imensa de um coliseu atlântico o Campo Açores. Plano, nivelado, extenso, presta-se magnificamente a todos os jogos, a todos os desportos: tennis, foot-ball, croquet, bilro barra, gymkanas, corridas de velocidade, de resistência, de bicicleta, concursos hípicos, etc.
A um canto, joga-se, muito mal, o Association. Brazileiros e Micaelenses disputam com ardor quem levará a palma da indisciplina, desorientação e falta de sangue frio, qualidades essenciais para aquele jogo, e que ele tanto desenvolve, quando bem dirigido…
Apesar, porém, de todas as incorrecções e faltas, sempre era um protesto vivo contra a atrofiante civilização actual, que condena ao sedentarismo, amolece as funções, fazendo-lhes perder a tenacidade e o vigor, e priva o corpo do ar e do sol.
Como nos lembraram então os ginásios da Grécia, vastos parques em que rijos efebos, nus, tostados pelo sol, alegres de saúde, se exercitavam com entusiasmo nas palestras, sob a clara luz do dia, enquanto outros, já retemperados pelo exercício, se refrescavam no balneário, esfregando-se com estrigil, lubrificando-se com óleos suaves, e mais longe, outros ainda, lestos e contentes, com a boa disposição que segue a hidroterapia, manejavam com subtileza a dialéctica, avançando altas teorias e conceitos profundos ou equilibrando com agilidade sofismas argutos e delicados… ! Tais instituições formavam os mais belos cérebros, sustentados pelos mais nobres corpos, que a Humanidade tem visto! Sabe-se o resultado obtido no ginásio de Reims pelo grande Hébert...

Denis Mota acariciava este plano; mas não se limitavam a isso os seus projectos. Desejava traçar ali avenidas de rodagem, arruamentos para peões, veredas e atalhos nos sítios mais íngremes, propunha-se desbastar o arvoredo, semeado assim compacto com intuitos de protecção e para obviar as recusas tão frequentes das plantas mais delicadas, introduzindo depois espécies mimosas e belas, mas de resistência menor. Ajardinaria uns dois ou três pontos deixando o resto na sua rudeza de mata, convidando às excursões e aos piqueniques.
Junto à casa do Século XX abrir-se-ia um lago (a cargo do mar enche-lo), e construir-se-ia uma piscina. Uns barquinhos, montes de areia aqui e além, algumas redouças e outros brinquedos eram destinados às crianças…
Assim haviam de passar algumas horas de bom ar, paz e simplicidade aqueles a quem a Vida não permitisse gozar o campo nos meses de verão.

O estabelecimento do seu Parque da Alegria (assim tencionava chamar-lhe); a organização da Praia de São Roque, aproveitando a variante da estrada nacional entre São Roque e o Pópulo (chegou a expropriar os terrenos precisos), que viria a proporcionar a Ponta Delgada as vantagens de uma praia, que o acaso verdadeiramente lhe destinou; o aproveitamento da energia da Ribeira dos Tambores, feito paralelamente com a construção da estrada da Ribeira Quente (serviço que deixou começado) - tais foram as três últimas ideias que lhe inflamaram o coração altruísta. “É o meu testamento à minha terra”, disse uma vez, com um sorriso triste nos olhos de veludo.
Dentro de poucos dias, expirava…
Bruno Denis (presumo que seja pseudónimo de alguém próximo) 28-XI-1920


(clicando amplia)
Piqueniques na "Mata da Doca"; fotos cedidas pela Elsa Santos, uma delas incluída no seu livro:
"Santa Clara: um tempo de festa"
Edição da SREEFP 2002.

domingo, janeiro 22, 2006

Deu Cavaco



Nesta noite de "seca", quando - julgo poder antecipar sem grande margem de erro - até mesmo Mário Soares provavelmente irá "cantar vitória", vou apenas repetir algo aqui escrito, ainda "a procissão ia no adro";

Quinta-feira, Novembro 24, 2005
Calado, calado….chega lá!

Hirto, sisudo, tecnocraticamente dizendo nada ou muito pouco, mas tirando todo o partido do muito que os principais adversários vão revelando de si próprios – um autêntico auto-flagelo –, tudo parece indicar que “a esfinge”, afinal, para lá caminha. Mais “mentira” menos “mentira” (as meias verdades são piores que as mentiras), e, ou muito me engano, ou ainda todos veremos Sócrates verdadeiramente feliz. Bem vistas as coisas, é a confirmação – com direito a repetição – de uma vitória ainda recente!

Acreditar no Pai Natal é como o outro, mas fiar-se na “História do Vôvô Natal”, não sendo ingenuidade, só pode ser estratégia!

segunda-feira, janeiro 16, 2006

VIDA NOVA com gente nova


Passem por aqui.....

http://vidanovafarol.blogspot.com

e vão deixando as vossas opiniões.

É "gente nova" - na idade e na função - a contribuir para uma VIDA NOVA.

Obrigado.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Parabéns




A Universidade dos Açores, sem dúvida, a maior conquista da terceira campanha autonómica – e, estou convicto, o verdadeiro instrumento para um total "APROFUNDAMENTO" da autonomia – celebra, hoje, trinta anos.
Como uma boa trintona, e não obstante os difíceis momentos por que já passou, a UA está em grande forma.
Que esta data se repita por muitos e longos séculos!

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Os moinhos de Santa Clara II


(click sobre a imagem para ampliar)
Foto (de 1903/04/05???); Reprodução obtida a partir do Livro As Voltas que Santa Clara Deu, 2003, de Manuel Ferreira.

Moinhos de Santa Clara, vendo-se em primeiro plano “um estaleiro” de secagem de bacalhau, e algumas representantes da muita mão de obra feminina que ele empregava.
Nos primeiros anos do século XX, uma conjunto de empresários micaelenses adquiriu em Boston um barco (por aqui baptizado de; “AUTONÓMICO MICAELENSE”), que, com uma companha quase exclusivamente local, na qual se incluíam muitos santaclarenses (Botelhos, Sousas, "Garalhas" e "Chicharrinhos" são apenas alguns dos nomes, indiscutivelmente de Santa Clara, que a documentação da época regista) , fez mais de uma dezena de campanhas à Terra Nova.
Não só a maioria da tripulação – pescadores, escaladores e salgadores – tinha origem local, como era também localmente que se procedia à descarrega, secagem e comercialização do "fiel amigo".
ps - "Bacalhau" é uma das muitas dezenas de alcunhas - socialmente aceites e até transmitidas de geração em geração - de famílias que ainda permanecem em Santa Clara.

O “Autonómico Micaelense” naufragou a 15 Janeiro de 1925; a segunda campanha autonómica sofreu também grande rombo, afundando-se de seguida, pouco tempo depois!


segunda-feira, janeiro 02, 2006

Os moinhos de Santa Clara I


(click sobre a imagem para ampliar)

Óleo sobre tela, da autoria do Dr. Luís Bernardo Leite Ataíde
(reprodução obtida a partir do Livro Ponta Delgada, a História e o Armorial, 1992, de Manuel Ferreira)

O moinho representado em primeiro plano, outrora localizando na proximidade do que resta das instalações industriais fronteiras ao antigo Matadouro de Ponta Delgada, existiu até meados de 1917, tendo sido demolido para desimpedir o angulo de tiro da peça de artilharia montada e operada pelo contigente americano acantonado em Santa Clara nos últimos meses da I Grande Guerra, arma esta que esteve instalada onde hoje está o Farol de Santa Clara, sendo ainda hoje possível ver, com atenção (por entre o lixo ali acumulado) as ruínas da casamata e do paiol que a apoiavam.