domingo, dezembro 07, 2014

José de Almeida: a obra e o sonho



A ignorância de muitos e a conveniência de outros tantos tem dado a ideia que a “INDEPENDÊNCIA DOS AÇORES” é CAUSA recente, pós 25 Abril. É falso! Mais aproximado da verdade será dizer que foram as consequências do 25 de Abril – que não só a chegada da Democracia (uma democracia, “à portuguesa”, que até impede a constituição de partidos pró independência nos Açores) – e a histórica e corajosa acção do Dr. José de Almeida o que democratizou a “CAUSA INDEPENDÊNCIA DOS AÇORES”, trazendo até ao povo o que antes fora só uma “QUESTÃO” das elites.
Hoje já é consensual dizer que sem José de Almeida e a sua integra, coerente, frontal e corajosa defesa da INDEPENDÊNCIA DOS AÇORES, nem esta escassa autonomia de que alguns tanto se orgulham teríamos. Isto, sim, é verdade! Mas verdade também é que a “CAUSA” de José de Almeida não foi a autonomia, sim a INDEPENDÊNCIA!
Será – já o era de uns tempos a esta parte – grande a falta que o Dr. José de Almeida irá fazer ao processo de Total Emancipação dos Açores. O seu carisma; as suas inatas capacidades de liderança; o seu histórico percurso; a sua profunda cultura e consistente preparação para o cargo; a sua grande capacidade de gerar consensos; a sua enorme integridade pessoal, tal como a imensa coragem e frontalidade com que sempre defendeu a “CAUSA”, muito dificilmente poderão ser igualadas. Mas a sua OBRA ficou. O mais difícil está feito! Há que saber dar continuidade, e, tal como rezam as escrituras, e foi lembrando em oração fúnebre perante o seu féretro, “a semente só germina depois de morta e lançada à terra”!

O sonho do Dr. José de Almeida – “assistir em vida à INDEPENDÊNCIA DOS AÇORES” – não se realizou! Mas nem todos os sonhos são para realizar. Muitos deles são só e apenas para “comandar a vida”, com a aspiração de INDEPENDÊNCIA DOS AÇORES comandando quase por completo a vida de José de Almeida. Convenhamos, perante tão importante desiderato é quase sempre assim. Lembro, apenas por proximidade arquipelágica, Amílcar Cabral: Ele também não assistiu ao “grande dia”, mas isso não impediu de Cabo Verde ser hoje um país independente!

AO. 06/12/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, novembro 22, 2014

1923/1975: os outros campeonatos dos primeiros 50 anos da AFPD.


A Associação de Futebol deu os seus primeiros passos em 1923: era a “Associação” a dar os primeiros passos e a I Republica os derradeiros.
Logo em 1923/24 (há coisas que são como o célebre anúncio: “vêm de longe”), tendo como protagonistas os Drs. Francisco Luís Tavares e Lúcio Agnelo Casimiro, começaram as demandas sociopolíticas. Mas então, porque com o tempo iria endurecer, foi mesmo só isso: luta política! Na altura estava muito acesa a querela entre os “velhos republicanos” e os conservadores, muitos deles então ainda monárquicos, sendo que foram os mais conservadores quem depois acabaria por condicionar quase tudo e todos: também, logicamente, e quase por completo, os primeiros 50 anos de vida da Associação de Futebol!
Ao longo da década de vinte – 1924 / 1930 –, e sobretudo depois do 28 de Maio de 1926, novamente com o Dr. Lúcio Agnelo Casimiro encabeçando a falange que já então ganhava cada vez maior preponderância, este confronto político conheceu outro protagonista, o Dr. Jeremias da Costa, que muito a custo conseguiu manter a então AFSM como baluarte de democratas e “velhos republicanos”. Também por isso, em 1929/30, o Dr. Agnelo Casimiro chegou mesmo a criar um organismo alternativo à Associação de Futebol, com Ponta Delgada assistindo a dois campeonatos, que procuravam, cada um deles, “abafar” o outro. Do lado da "Associação", e dos “velhos republicanos”, ficaram o Club União Sportiva; o Sport Club Santa Clara – mantendo-se fiel ao posicionamento do “Santa Clara Velho”; o Operário Sport Club (da Federação Operária de Ponta Delgada); e o Micaelense Foot-ball Club. E do lado da Liga Desportiva Micaelense – foi este o nome do organismo criado pelo Dr. Agnelo Casimiro – e daqueles que a partir de 1931 iriam passar a controlar, quase completamente, os acontecimentos por longos anos, ficaram o Clube União Micaelense e o Clube Desportivo Santa Clara, juntando-se a estes o “Estrela” e o “Artista”, clubes da Ribeira Grande, antecessores do Ideal e do Águia. Esta “revolta” terminou em Agosto de 1930, com a chegada a Ponta Delgada de um Comunicado da Federação Poprtuguesa de Futebol, assinado pelo punho do histórico Ribeiro dos Reis, que ameaçando de exclusão o CUM e o CDSC colocou um ponto final à estratégia da LDM.
A “Revolução das Ilhas”, em 1931, fracassando no seu objectivo de derrubar o Estado Novo, entre nós teve como consequência a “decapitação” dos últimos “velhos republicanos” que estiveram na liderança da Associação de Futebol, os, Dr. Castanheira Lobo e Tenente Luís Lacerda Nunes.
A partir daí acabaram-se as “veleidades democráticas”, e, sempre que estas se esboçavam, lá aparecia uma “mão firme”: com o Sr. Horácio Teves sendo chamado a estas funções por várias vezes.
Tal como o regime, a vida da Associação de Futebol entrou então numa fase de quase perfeita tranquilidade, só suspensa pela interrupção da prática do futebol entre 1942 e 1945, o que aconteceu sobretudo por falta de recintos desportivos, mas também porque a II Grande Guerra atingia então o seu apogeu.
Com o recomeço do futebol federado em São Miguel uma nova geração chegou à liderança da AFPD, foram os casos o Dr. Carlos Bettencourt, embora por pouco tempo – custou-lhe ser apoiante do Movimento Unitário Democrático e, por tal, viu dificultada a tarefa de conseguir reunir os apoios (CMPD e JAPPD) para a obter o necessário recinto desportivo –, do Dr. Fernando Costa Matos, do Arq. Francisco Quintanilha, entre outros. Mas será o Sr. António Horácio Borges, com os quinze mandatos que entre os anos de 1955 e 1972 efectuou como Presidente – muitos deles consecutivamente –, quem, mais do que fazer o “ressurgimento do futebol local” (foi este o que António Horácio Borges atribuiu ao projecto que se propôs dinamizar e executar) acabou levando a cabo uma verdadeira revolução no futebol de São Miguel.
Na transição da década de 60 para a de 70, coincidindo com a “primavera marcelista” e com a aproximação da “nova era” que já se prenunciava, Eduardo Pereira Duarte foi eleito presidente da AFPD, deixando também ele bem visível a sua marca. Com Eduardo Pereira Duarte foi a vez da “revolução” chegar à vida administrativa e financeira da Associação de Futebol, sendo o seu desempenho muito bem acolhido pela imprensa da época, que publicou e elogiou os relatórios de contas e actividade dos seus mandatos.
A inauguração do Aeroporto de Ponta Delgada (na Nordela) e, em consequência disso, a decisão de se não construir o Estádio Distrital na “Mata da Doca”, em Santa Clara, obrigou Eduardo Pereira Duarte a procurar rapidamente outra solução, logo montando, dinamizando e levando a cabo, a campanha de angariação de fundos que se tornou decisiva para construção do Estádio na “Estrada da Ribeira Grande”, ainda hoje, o mais importante palco de futebol em São Miguel.
Já quando o calendário mostrava 1974, a greve dos árbitros, primeiro, e a chegada de Ted Smith, depois, (onde isto nos levaria: Ted Smith foi anunciado como indo do "Estoril" para o Irão, mas, como que conduzido pela “mão invisível do Tio Sam”, apareceu quase de surpresa em Ponta Delgada)… Escrevia então que a greve dos árbitros e a chegada de Ted Smith a Ponta Delgada já anunciavam claramente o que estava a chegar.
Pouco antes de Abril de 1974 João Gago da Câmara chegou à presidência da AFPD, sendo ele o presidente em funções, mas não em presença – fora detido em consequência do 6 de Junho de 1975 – quando terminou a última época dos primeiros 50 anos de vida da Associação de Futebol.
Foi “tão quente aquele verão” que a importante efeméride, o meio século de existência da AFPD, começada a preparar por António Horácio Borges quase uma década antes com a disputa das taças aniversário da AFPD, passou despercebida!
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Tal como já aconteceu com o Sr. Rolando Viveiros, outros presidentes merecem sair da penumbra em que os colocaram. Alguns foram mesmo ostracizados (como foi os casos dos Drs. Francisco Luís Tavares, Duarte Castanheira Lobo e Tenente Luís Lacerda Nunes), podia-se (devia-se), começar por estes. Fica a sugestão! 

AO. 22/11/2014; “Cá à minha moda" (revisto e muito, muito acrescentado) 

sábado, novembro 08, 2014

Referendo sim, mas…



Quer o referendo realizado na Escócia, quer aquele que, na Catalunha, os “espanhóis” tudo fazem para evitar que se cumpra, devem ser casos a acompanhar com mais tempo e maior detalhe do que aqueles que a eles têm sido habitualmente dedicados.
O caso escocês é exemplar. Não só porque nunca “uma derrota” foi tida por tão vitoriosa, mas, e sobretudo, porque a mais velha democracia do mundo, afora as suas deficiências, continua sendo exemplo de boas práticas democráticas, em especial quando comparada com Espanha e Portugal, seus “velhos” e principais competidores na demanda pelo mundo, quando se tratou de construir um Império. Diferente é o caso catalão: ou, aliás, o esforço que “Castela” está efectuado para que o Referendo na Catalunha não se realize (passe o exagero, lembra o que se passou, embora em sentido contrário, no Leste da Ucrânia: prepotência imperial!). O desenrolar do processo dá bem nota de como continuam deixando marca as ditaduras que, praticamente até ao último quartel do século XX, se mantiveram a sudoeste dos Pirenéus. Um estigma tanto mais profundo quanto mais se avança para ocidente na península. É que, apesar de tudo, os catalães – tal como os bascos, galegos, canarinos e outros –, embora agora aparentemente impedidos de se manifestarem em referendo secessionista, já há muito “ganharam” o direito de democraticamente fazerem a defesa das suas aspirações independentistas. Outra, para pior, é – e permanece, após já quase meio século de alguma democracia – a sorte dos Povos Açoriano e Madeirense, a quem esta pretensão não só lhes está vedada como é equiparada a fascismo!   
Numa democracia civilizada e madura, tal como a inglesa, o Referendo é o instrumento ideal para aferir a vontade emancipalista de um Povo. Mas, antes deste, outros passos tiveram necessariamente de ser dados: a organização política dos que defendam este desiderato é um deles (o que até na Espanha já é permitido).

Não consentir a criação de partidos defensores da Independência dos Açores (e da Madeira) é um dos sinais de como é curta, frágil e insegura a Democracia Portuguesa. Será ainda culpa de Salazar?

AO. 08/11/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, outubro 25, 2014

AFPD: na senda do centenário


Tendo iniciado actividade em Abril de 1923, embora a sua “certidão de nascimento”, cuidada pelo Dr. Agnelo Casimiro e obtida em consequência da revisão estatutária iniciada pelo Dr. Dr. Francisco Luís Tavares em Abril de 1924 (mas só a aprovada mais de meio ano depois) seja de 4/11/1924, a Associação de Futebol de Ponta Delgada (“Associação de Foot-ball de Sam Miguel” até Agosto de 1941) começa a trilhar, a partir da próxima semana, aquela que bem se pode denominar a “Década do seu Centenário”. Percorrido que foi um longo caminho, que iniciado ainda antes fim da I República atravessou duas ditaduras (a Militar e a do Estado Novo), conviveu com a “Primavera Marcelista”, com o “PREC” e com a paixão Emancipalista Açoriana, a AFPD prosperou, como quase tudo e todos, com as vantagens e “virtudes” da Autonomia conquistada pós 24 Abril.
Seguir o percurso das sedes que abrigaram “a Associação” é um – dos muitos – rastos visíveis deste longo percurso de 90 anos. Desde a residência do “presidente proprietário” (Rolando Viveiros), passando pelo escritório do primeiro presidente eleito (Dr. Francisco Luís Tavares), ou mesmo a sua estadia, durante os anos de 45, 46 e parte do de 47 na sede do Clube Desportivo Santa Clara, muitos foram os lugares de poiso da AFPD até conseguir casa própria. A saber: Rua da Esperança; Rua da Cruz; Rua de Lisboa; Rua Coronel Silva Leal; Praça 5 de Outubro; Rua Tavares Resende; Travessa da Conceição; Rua de Lisboa (novamente); Rua Tavares Resende (novamente); Rua da Misericórdia – daí passou para a sede do CDSC, para de lá regressar novamente à Rua da Misericórdia – e Rua Joaquim Nunes da Silva. Quanto a sedes próprias foram duas: a primeira ocupada até 2009 na esquina da Rua Tavares Resende com a Rua dos Capas, sendo a outra a actual: enorme, funcional, construída de raiz para tal!

Por motivos vários refleti mais de uma vez se usaria este tema, hoje, nesta coluna. Enquanto hesitava ocorreu-me o Albano. Ele próprio um “histórico” da AFPD, também quase centenário (embora, em abono da verdade deva dizer que o Albano dos últimos anos fazia inveja ao Albano que conheci em 66/67). RIP Albano. O teu sorriso indicava como estavas em paz. Olha que já me faz falta ouvir, vinda de ti, a expressão: “Seja pela tua saúde” (era muito mais o de davas do que aquilo que recebias)!

AO. 25/10/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, outubro 12, 2014

Santa Clara: nove anos de Vida Nova



Já vai para uma década que os santaclarenses, conquistando a sua independência em relação a São José, tomaram em suas mãos os destinos da “nova” Santa Clara (a velha Santa Clara, a primeira de seu nome e terceira freguesia a ser criada em Ponta Delgada, foi determinada pelo Bispo D. Pedro de Castilho em 1580).
Completaram-se ontem (escrevo na sexta) exactamente nove anos que um grupo de cidadãos – o passar dos anos só tem vindo a reforçar a opção então tomada –, contrariando e “batendo o pé” à lógica do forte poder então praticamente prevalecente em todo o Concelho de Ponta Delgada, saiu vencedor na disputa eleitoral de 09 de Outubro de 2005. Daí para cá, apesar da “estratégia de retardamento” levada a cabo por quem a partir do “Paço do Concelho” nunca digeriu bem a democrática vitória de Santa Clara - Vida Nova (o caso dos sistemáticos avanços e recuos com a Segunda Rua de Santa Clara é disso paradigma), Santa Clara muito melhorou: foi a requalificação da Príncipe do Mónaco; foi o ordenamento do trânsito a Norte desta, com a construção da “Rotunda Vida Nova” (fim da “perigosa armadilha” que aquele entroncamento representava); foi o valorizar do que sobrou da “Mata da Doca” que deu lugar ao “Jardim Padre Fernando”; foi a total transformação do “Caminho Velho do Ramalho”, incluindo a zona fronteiriça à antiga aerogare (em curso está a demorada deslocalização dos “Tanques do Óleo” e o fim do “buraco negro” em que se tornou o antigo “Matadouro Frigorífico Industrial”).
Como se vê são avanços consideráveis: notáveis mesmo tendo por padrão os que durante o mesmo período aconteceram na “freguesia mãe” – São José!
Satisfeitos? Não! Mas o ânimo que dá, paulatinamente, ir vendo resolvidos um a um a esmagadora maioria dos itens do Manifesto Eleitoral de 2005 proporciona um valioso suplemento de força e determinação para encarar o que falta, sobretudo o que a “estratégia de retardamento” atrasou! Até porque, como é cada vez menos o que está por resolver, mais tempo e dedicação lhe está reservado: é Santa Clara; é Vida Nova; é mesmo assim!

AO. 11/10/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, setembro 28, 2014

A face visível


Cedo se deu conta da impreparação de Pedro Passos Coelho – e de grande parte da sua equipa – para a governação, tudo se tornando muito mais notado ainda por se tratar de uma administração a ter de ser feita em tempos difíceis e sob condições exigentes, como é o caso. Rápido e fácil foi perceber ter sido “a dívida” a Miguel Relvas e a sua subordinação ao “mundo de Victor Gaspar” aquilo que melhor qualificara o ex-jotinha – em tempos rebelde, liberal e algo esgrouviado – para tão importante quanto difícil empreitada. Claro que na vida há momentos e oportunidades: as “faces ocultas” e demais trapalhadas que antecederam o seu tempo de PM ajudaram bastante, com a convulsão financeira iniciada no Lehman Brothers estendendo o tapete vermelho que ele haveria de passar até “chegar ao pote”.
Porque a ocasião assim pedia, o liberal (nos costumes) rapidamente se transformou num ultra liberal ideológico, defensor do empobrecimento como método de redenção e da eliminação das funções sociais do Estado como forma de reduzir o deficit. Passaram à história as promessas com que ele “abriu caminho”: os impostos que não iriam subir; os despedimentos que não aconteceriam; as tais “gorduras do Estado” que com uma redução mais ou menos significativa nos “gastos intermédios” chegaria e sobraria para “fazer o milagre”. Esqueceu-se disso e de muito mais, olvidando até, para já em parte e apenas temporariamente, as generosas compensações que uma ONG da Tecnoforma lhe havia proporcionado, com ou sem a fundamental cooperação da “face oculta de Relvas”.
Eis mais um bom exemplo de uns e de outros: uns, aqueles que “vivem acima das suas possibilidades” e para quem o empobrecimento é apresentado como redentor; e outros, agora porque convém ditos remediados, outrora tão bem gratificados que hoje se dão ao luxo de esquecer terem recebido num só mês montantes que no caso dos verdadeiros remediados correspondem a alguns (muitos) meses de vencimento. Esta sim – por enquanto, porque dos “off-shores” podem vir mais más notícias – é a face cada vez mais visível do “nosso primeiro”.
Passa fora!

AO. 27/09/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, setembro 13, 2014

Rigor ou sadismo? / YES




Continua a render – embora cada vez menos, não obstante o cada vez maior esforço do “Ministério da Propaganda” – a já mais que estafada desculpa, para tudo e para nada, da “bancarrota herdada”. Também me insurgi contra o escasso rigor da “Era Socrática”, sobretudo da sua fase final. Mas entre o pouco rigor e o perverso gosto pelo miserabilismo – dos outros (porque para eles nem miséria nem rigor: é ver como cresceram como nunca as “gorduras” relacionadas com os gabinetes ministeriais) – desculpo menos, muito menos, os que com crueldade insistem em optar pela segunda hipótese. Mas, se continuar a evocar a herança de 2011, apesar de tudo, aparenta render, começa já a ser cada vez mais nítido que o legado dos actuais “vivos mortos” irá sair bem mais caro e pesado que a desdita a outros exclusivamente imputada (como se não fosse substancial o contributo dos actuais beneficiários do discurso da “pesada herança” para o agravamento da dita)! O caso GES/BES – com a “procissão ainda só no adro” – é um bom “abre olhos”, tal como o são as “bocas no trombone” em vésperas do aumento de capital, às quais se seguiram estratégicos silêncios, depois dando azo a ridículos “sacudir água do capote”, até dos patronos. Tudo isso demonstra bem como “estes rapazins” pouco mais sabem fazer do que tentar agradar e cumprir a quem deveras os capitaneia (e nem isso fazem bem feito: atendam-se aos queixumes da madame Lagarde e do senhor Silva!).

… YES
Aconteça o que acontecer os independentistas escoceses já ganharam. Assim, daqui do meio do Atlântico envio para mais a Norte o meu YES por uma Escócia Independente! Afinal, ao que parece – pelo afã com que os “colonizadores” (sem kilts, mas em suspeita “união reinante”) saindo do seu reduto se foram bater pelo NO –, a Escócia não é um “pesado fardo” para o UK. E porque há “colonizadores” e “colonizadores”, aqui fica também o meu apreço e grande respeito pelos britânicos e sua cultura democrática: como se sabe – e nós açorianos “sentimo-lo na pele” – nem todos os países que dizem prezar a democracia são democráticos de facto. Como se pode falar em democracia quando, simultaneamente, se impede os açorianos de democraticamente organizados em partidos que apoiem a Autodeterminação, poderem também defender a Independência dos Açores?
Eis um bom motivo para alterar a Constituição da Republica Portuguesa!

AO. 13/09/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, agosto 31, 2014

Rectificativo?

Eis que Portugal já tem mais um rectificativo: um novo rectificativo, para rectificar o rectificativo anterior. É obra: a obra do “Campeão dos Rectificativos”! Uma obra que só por si é um bom indicador da sua impreparação; de como eram falsas as promessas antecipadas; de como o objectivo, encomendado, em vez de ser o “sanear as contas públicas”, mais não é que impor “a ditadura neoliberal”, mandando a esmagadora maioria (“eles” e os compinchas não, como se vê é um viva a fartura) para o conveniente e disciplinador limiar da pobreza. Vejamos: este rectificativo é porquê? Não porque a dívida decresceu, pois esta continua a caminho dos 150%; não porque as “gorduras do Estado” foram, finalmente, “afiambradas”, pois estas continuam a levedar; não porque o Tribunal Constitucional, como eles gostam de dizer, seja culpado “disso ou daquilo”, porque “os chumbos do TC” são só o pretexto. O rectificativo, os rectificativos, são só e apenas porque o que não cresce é a economia (nem pode crescer tal é o “esmirramento” a que a submetem insistentemente)! E “eles” sabem disso, mas são obedientes; coitadinhos; “paus mandatos”!
O PPC rectificador é o mesmo Passos Coelho que dizia ser o seu antecessor incapaz de aumentar a receita sem aumentar os impostos, ou, de forma mais contundente ainda, “ser criminosa a política de privatizações que vendessem ao desbarato os activos públicos”. Quem o ouviu e quem o ouve! Qual Pinóquio qual carapuça. Compará-lo só mesmo aos presidentes dos clubes de futebol que cultivam a máxima do: “o que hoje é verdade amanhã é mentira”. Há até quem já tenha refinado o popularucho aforismo para: “o que da manhã é verdade à tarde é mentira”! É já com estes últimos que PPC compete. Quem nos mandou colocar "o destino" nas mãos de quem na vida pouco mais fez do que cirandar nas “jotinhas”?
E por falar nos que se “fazem homens” à sombra da bananeira esperando pacientemente o dia de “chegar ao pote”: intriga-me o apoio que Seguro obtém nas hostes da actual maioria. Cá para mim – que não estou, nem quero estar, mobilizado para “a guerra dos antónios” – que mais será necessário para demonstrar como Seguro é o melhor seguro de Passos Coelho?

AO. 30/08/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, agosto 16, 2014

Isto tresanda

Apesar de três anos de vida exaurida, para alguns, para a maioria – e foi prometido que assim não seria; que acabar com as “gorduras do Estado” chegava e sobejava! – e quando se torna óbvio que o resultado deste autêntico “confisco fiscal” (não era esta a expressão que Paulo Portas tanto gostava de usar?) leva sumiço só no tapar do buraco BPN, eis que um novo buraco, desta vez a cratera BES, está no nosso caminho.
A nova tragédia indicia que o “caminho das pedras” é para continuar, para ser trilhado com ainda mais dor, embora o “Comité de Propaganda de PPC” se esforce em dizer que desta vez não será assim; que não serão os “dinheiros públicos” a tapar o buraco; balelas… Dizem isso com o mesmo descaramento com que disseram não ir aumentar impostos nem despedir à farta; dizem isso com a mesma “cara de pau” com que ainda recentemente afirmavam que os problemas do GES nada tinham a ver com os do BES, então ainda uno, seguro, tão recomendável que até mobilizou o Presidente da Republica Portuguesa em defesa de tamanha segurança. Isto antes: antes do acelerado Conselho de Ministros, o das votações virtuais; antes da dicotomia “Banco BOM” “Banco MAU” ter criado um problema que, se não me engano, aprofundará ainda mais a medonha cratera GES/BES; antes “deles”, os principais artistas, se terem colocado “a banhos” e “calado como zorras”; antes de, como se adivinhava inevitável, a realidade (primeiro dando a conhecer documentos pretensamente omitidos e logo abrindo novas e sérias feridas) os desminta, a todos. Antes de tudo isso, mas depois, muito depois, quase um ano depois, de serem conhecidos indícios de gestão fraudulenta no universo do bom, hoje mau e amanhã, quiçá, vilão, “Dono Disso Tudo”!
Foram os Oliveiras Costas e quejandos quem viveu acima das suas possibilidades (até quando financiaram campanhas eleitorais), mas são “os papalvos”, nós, ainda para mais acusados de viver acima das nossas posses, quem paga a factura!
Isto já tresanda, e para acentuar o mau cheiro ficamos esta semana a saber que eles, sempre os mesmos, continuam a “criar gordura”: então o filho de Durão Barroso não foi contratado, por convite, para ir ajudar desregular para o Banco de Portugal…

A.O. 16/08/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, agosto 02, 2014

CPLP, olé!


Sou a favor de uma total emancipação dos Açores. Da mesma forma – e com a mesma convicção – defendo ser a Língua Portuguesa a grande, a maior, herança que algum dia os portugueses nos irão deixar. Também por isso senti simpatia, desde a primeira hora, pela criação da CPLP: Comunidade de Países de Língua Portuguesa, onde, acredito convictamente (mas não coloco nisto datas, muito menos uma tão curta como dois anos), um dia os Açores – e também a Madeira – se integrarão. O desejo dos Açores, como país soberano, integrarem a CPLP mantenho-o; a simpatia pela CPLP, por esta CPLP (a que resultou da cimeira de Díli), confesso, já não é a mesma. Compreendo, até por constrangimentos paternalistas e outras obrigações, a tolerância que Portugal possa ter para com os deficits democráticos de alguns dos países que com o pós 25 de Abril se emanciparam do seu jugo, para mais, porque dificilmente poderiam haver hábitos democráticos após um processo que insistiu até ao fim (e insiste, agora com balizas mais curtas) no lema “do Minho a Timor, Portugal, Portugal, Portugal…”. Diferente poderia ser se, pelo contrário, como noutros casos, Portugal tivesse em conta o natural direito “dos filhos” a autonomizarem-se e tornarem-se independentes. Mas não foi (nem é), Portugal sempre preferiu (e prefere), o vil desejo de exploração e/ou exibição da sua “imperial” grandeza, ao nobre desígnio de ajudar a desenvolver “os filhos”, já tão adultos quanto ele, e por ventura mais capazes que o “próprio pai” para se governarem sozinhos. Compreendendo a tolerância perante os países surgidos das ex- colónias, já não compreendo – nem aceito as razões hipócritas e interesseiras que as justificam – o alargar desta tolerância a um país como a Guiné Equatorial, permitindo de permeio “tempo de antena” a um ditador facínora que não se importa em pagar seja o que for para ir conseguindo “minutos de fama” no cenário internacional.

A desculpa do evitar ficarem isolados não serve: há ocasiões em que “um corajoso isolamento” até fica bem. Outros portugueses assim fizeram quando, não se preocupando se o faziam sós ou acompanhados, aboliram a pena de morte. Outra gente, outros valores, outra coragem! 

A.O. 02/08/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)