sábado, novembro 08, 2014

Referendo sim, mas…



Quer o referendo realizado na Escócia, quer aquele que, na Catalunha, os “espanhóis” tudo fazem para evitar que se cumpra, devem ser casos a acompanhar com mais tempo e maior detalhe do que aqueles que a eles têm sido habitualmente dedicados.
O caso escocês é exemplar. Não só porque nunca “uma derrota” foi tida por tão vitoriosa, mas, e sobretudo, porque a mais velha democracia do mundo, afora as suas deficiências, continua sendo exemplo de boas práticas democráticas, em especial quando comparada com Espanha e Portugal, seus “velhos” e principais competidores na demanda pelo mundo, quando se tratou de construir um Império. Diferente é o caso catalão: ou, aliás, o esforço que “Castela” está efectuado para que o Referendo na Catalunha não se realize (passe o exagero, lembra o que se passou, embora em sentido contrário, no Leste da Ucrânia: prepotência imperial!). O desenrolar do processo dá bem nota de como continuam deixando marca as ditaduras que, praticamente até ao último quartel do século XX, se mantiveram a sudoeste dos Pirenéus. Um estigma tanto mais profundo quanto mais se avança para ocidente na península. É que, apesar de tudo, os catalães – tal como os bascos, galegos, canarinos e outros –, embora agora aparentemente impedidos de se manifestarem em referendo secessionista, já há muito “ganharam” o direito de democraticamente fazerem a defesa das suas aspirações independentistas. Outra, para pior, é – e permanece, após já quase meio século de alguma democracia – a sorte dos Povos Açoriano e Madeirense, a quem esta pretensão não só lhes está vedada como é equiparada a fascismo!   
Numa democracia civilizada e madura, tal como a inglesa, o Referendo é o instrumento ideal para aferir a vontade emancipalista de um Povo. Mas, antes deste, outros passos tiveram necessariamente de ser dados: a organização política dos que defendam este desiderato é um deles (o que até na Espanha já é permitido).

Não consentir a criação de partidos defensores da Independência dos Açores (e da Madeira) é um dos sinais de como é curta, frágil e insegura a Democracia Portuguesa. Será ainda culpa de Salazar?

AO. 08/11/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, outubro 25, 2014

AFPD: na senda do centenário


Tendo iniciado actividade em Abril de 1923, embora a sua “certidão de nascimento”, cuidada pelo Dr. Agnelo Casimiro e obtida em consequência da revisão estatutária iniciada pelo Dr. Dr. Francisco Luís Tavares em Abril de 1924 (mas só a aprovada mais de meio ano depois) seja de 4/11/1924, a Associação de Futebol de Ponta Delgada (“Associação de Foot-ball de Sam Miguel” até Agosto de 1941) começa a trilhar, a partir da próxima semana, aquela que bem se pode denominar a “Década do seu Centenário”. Percorrido que foi um longo caminho, que iniciado ainda antes fim da I República atravessou duas ditaduras (a Militar e a do Estado Novo), conviveu com a “Primavera Marcelista”, com o “PREC” e com a paixão Emancipalista Açoriana, a AFPD prosperou, como quase tudo e todos, com as vantagens e “virtudes” da Autonomia conquistada pós 24 Abril.
Seguir o percurso das sedes que abrigaram “a Associação” é um – dos muitos – rastos visíveis deste longo percurso de 90 anos. Desde a residência do “presidente proprietário” (Rolando Viveiros), passando pelo escritório do primeiro presidente eleito (Dr. Francisco Luís Tavares), ou mesmo a sua estadia, durante os anos de 45, 46 e parte do de 47 na sede do Clube Desportivo Santa Clara, muitos foram os lugares de poiso da AFPD até conseguir casa própria. A saber: Rua da Esperança; Rua da Cruz; Rua de Lisboa; Rua Coronel Silva Leal; Praça 5 de Outubro; Rua Tavares Resende; Travessa da Conceição; Rua de Lisboa (novamente); Rua Tavares Resende (novamente); Rua da Misericórdia – daí passou para a sede do CDSC, para de lá regressar novamente à Rua da Misericórdia – e Rua Joaquim Nunes da Silva. Quanto a sedes próprias foram duas: a primeira ocupada até 2009 na esquina da Rua Tavares Resende com a Rua dos Capas, sendo a outra a actual: enorme, funcional, construída de raiz para tal!

Por motivos vários refleti mais de uma vez se usaria este tema, hoje, nesta coluna. Enquanto hesitava ocorreu-me o Albano. Ele próprio um “histórico” da AFPD, também quase centenário (embora, em abono da verdade deva dizer que o Albano dos últimos anos fazia inveja ao Albano que conheci em 66/67). RIP Albano. O teu sorriso indicava como estavas em paz. Olha que já me faz falta ouvir, vinda de ti, a expressão: “Seja pela tua saúde” (era muito mais o de davas do que aquilo que recebias)!

AO. 25/10/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, outubro 12, 2014

Santa Clara: nove anos de Vida Nova



Já vai para uma década que os santaclarenses, conquistando a sua independência em relação a São José, tomaram em suas mãos os destinos da “nova” Santa Clara (a velha Santa Clara, a primeira de seu nome e terceira freguesia a ser criada em Ponta Delgada, foi determinada pelo Bispo D. Pedro de Castilho em 1580).
Completaram-se ontem (escrevo na sexta) exactamente nove anos que um grupo de cidadãos – o passar dos anos só tem vindo a reforçar a opção então tomada –, contrariando e “batendo o pé” à lógica do forte poder então praticamente prevalecente em todo o Concelho de Ponta Delgada, saiu vencedor na disputa eleitoral de 09 de Outubro de 2005. Daí para cá, apesar da “estratégia de retardamento” levada a cabo por quem a partir do “Paço do Concelho” nunca digeriu bem a democrática vitória de Santa Clara - Vida Nova (o caso dos sistemáticos avanços e recuos com a Segunda Rua de Santa Clara é disso paradigma), Santa Clara muito melhorou: foi a requalificação da Príncipe do Mónaco; foi o ordenamento do trânsito a Norte desta, com a construção da “Rotunda Vida Nova” (fim da “perigosa armadilha” que aquele entroncamento representava); foi o valorizar do que sobrou da “Mata da Doca” que deu lugar ao “Jardim Padre Fernando”; foi a total transformação do “Caminho Velho do Ramalho”, incluindo a zona fronteiriça à antiga aerogare (em curso está a demorada deslocalização dos “Tanques do Óleo” e o fim do “buraco negro” em que se tornou o antigo “Matadouro Frigorífico Industrial”).
Como se vê são avanços consideráveis: notáveis mesmo tendo por padrão os que durante o mesmo período aconteceram na “freguesia mãe” – São José!
Satisfeitos? Não! Mas o ânimo que dá, paulatinamente, ir vendo resolvidos um a um a esmagadora maioria dos itens do Manifesto Eleitoral de 2005 proporciona um valioso suplemento de força e determinação para encarar o que falta, sobretudo o que a “estratégia de retardamento” atrasou! Até porque, como é cada vez menos o que está por resolver, mais tempo e dedicação lhe está reservado: é Santa Clara; é Vida Nova; é mesmo assim!

AO. 11/10/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, setembro 28, 2014

A face visível


Cedo se deu conta da impreparação de Pedro Passos Coelho – e de grande parte da sua equipa – para a governação, tudo se tornando muito mais notado ainda por se tratar de uma administração a ter de ser feita em tempos difíceis e sob condições exigentes, como é o caso. Rápido e fácil foi perceber ter sido “a dívida” a Miguel Relvas e a sua subordinação ao “mundo de Victor Gaspar” aquilo que melhor qualificara o ex-jotinha – em tempos rebelde, liberal e algo esgrouviado – para tão importante quanto difícil empreitada. Claro que na vida há momentos e oportunidades: as “faces ocultas” e demais trapalhadas que antecederam o seu tempo de PM ajudaram bastante, com a convulsão financeira iniciada no Lehman Brothers estendendo o tapete vermelho que ele haveria de passar até “chegar ao pote”.
Porque a ocasião assim pedia, o liberal (nos costumes) rapidamente se transformou num ultra liberal ideológico, defensor do empobrecimento como método de redenção e da eliminação das funções sociais do Estado como forma de reduzir o deficit. Passaram à história as promessas com que ele “abriu caminho”: os impostos que não iriam subir; os despedimentos que não aconteceriam; as tais “gorduras do Estado” que com uma redução mais ou menos significativa nos “gastos intermédios” chegaria e sobraria para “fazer o milagre”. Esqueceu-se disso e de muito mais, olvidando até, para já em parte e apenas temporariamente, as generosas compensações que uma ONG da Tecnoforma lhe havia proporcionado, com ou sem a fundamental cooperação da “face oculta de Relvas”.
Eis mais um bom exemplo de uns e de outros: uns, aqueles que “vivem acima das suas possibilidades” e para quem o empobrecimento é apresentado como redentor; e outros, agora porque convém ditos remediados, outrora tão bem gratificados que hoje se dão ao luxo de esquecer terem recebido num só mês montantes que no caso dos verdadeiros remediados correspondem a alguns (muitos) meses de vencimento. Esta sim – por enquanto, porque dos “off-shores” podem vir mais más notícias – é a face cada vez mais visível do “nosso primeiro”.
Passa fora!

AO. 27/09/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, setembro 13, 2014

Rigor ou sadismo? / YES




Continua a render – embora cada vez menos, não obstante o cada vez maior esforço do “Ministério da Propaganda” – a já mais que estafada desculpa, para tudo e para nada, da “bancarrota herdada”. Também me insurgi contra o escasso rigor da “Era Socrática”, sobretudo da sua fase final. Mas entre o pouco rigor e o perverso gosto pelo miserabilismo – dos outros (porque para eles nem miséria nem rigor: é ver como cresceram como nunca as “gorduras” relacionadas com os gabinetes ministeriais) – desculpo menos, muito menos, os que com crueldade insistem em optar pela segunda hipótese. Mas, se continuar a evocar a herança de 2011, apesar de tudo, aparenta render, começa já a ser cada vez mais nítido que o legado dos actuais “vivos mortos” irá sair bem mais caro e pesado que a desdita a outros exclusivamente imputada (como se não fosse substancial o contributo dos actuais beneficiários do discurso da “pesada herança” para o agravamento da dita)! O caso GES/BES – com a “procissão ainda só no adro” – é um bom “abre olhos”, tal como o são as “bocas no trombone” em vésperas do aumento de capital, às quais se seguiram estratégicos silêncios, depois dando azo a ridículos “sacudir água do capote”, até dos patronos. Tudo isso demonstra bem como “estes rapazins” pouco mais sabem fazer do que tentar agradar e cumprir a quem deveras os capitaneia (e nem isso fazem bem feito: atendam-se aos queixumes da madame Lagarde e do senhor Silva!).

… YES
Aconteça o que acontecer os independentistas escoceses já ganharam. Assim, daqui do meio do Atlântico envio para mais a Norte o meu YES por uma Escócia Independente! Afinal, ao que parece – pelo afã com que os “colonizadores” (sem kilts, mas em suspeita “união reinante”) saindo do seu reduto se foram bater pelo NO –, a Escócia não é um “pesado fardo” para o UK. E porque há “colonizadores” e “colonizadores”, aqui fica também o meu apreço e grande respeito pelos britânicos e sua cultura democrática: como se sabe – e nós açorianos “sentimo-lo na pele” – nem todos os países que dizem prezar a democracia são democráticos de facto. Como se pode falar em democracia quando, simultaneamente, se impede os açorianos de democraticamente organizados em partidos que apoiem a Autodeterminação, poderem também defender a Independência dos Açores?
Eis um bom motivo para alterar a Constituição da Republica Portuguesa!

AO. 13/09/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, agosto 31, 2014

Rectificativo?

Eis que Portugal já tem mais um rectificativo: um novo rectificativo, para rectificar o rectificativo anterior. É obra: a obra do “Campeão dos Rectificativos”! Uma obra que só por si é um bom indicador da sua impreparação; de como eram falsas as promessas antecipadas; de como o objectivo, encomendado, em vez de ser o “sanear as contas públicas”, mais não é que impor “a ditadura neoliberal”, mandando a esmagadora maioria (“eles” e os compinchas não, como se vê é um viva a fartura) para o conveniente e disciplinador limiar da pobreza. Vejamos: este rectificativo é porquê? Não porque a dívida decresceu, pois esta continua a caminho dos 150%; não porque as “gorduras do Estado” foram, finalmente, “afiambradas”, pois estas continuam a levedar; não porque o Tribunal Constitucional, como eles gostam de dizer, seja culpado “disso ou daquilo”, porque “os chumbos do TC” são só o pretexto. O rectificativo, os rectificativos, são só e apenas porque o que não cresce é a economia (nem pode crescer tal é o “esmirramento” a que a submetem insistentemente)! E “eles” sabem disso, mas são obedientes; coitadinhos; “paus mandatos”!
O PPC rectificador é o mesmo Passos Coelho que dizia ser o seu antecessor incapaz de aumentar a receita sem aumentar os impostos, ou, de forma mais contundente ainda, “ser criminosa a política de privatizações que vendessem ao desbarato os activos públicos”. Quem o ouviu e quem o ouve! Qual Pinóquio qual carapuça. Compará-lo só mesmo aos presidentes dos clubes de futebol que cultivam a máxima do: “o que hoje é verdade amanhã é mentira”. Há até quem já tenha refinado o popularucho aforismo para: “o que da manhã é verdade à tarde é mentira”! É já com estes últimos que PPC compete. Quem nos mandou colocar "o destino" nas mãos de quem na vida pouco mais fez do que cirandar nas “jotinhas”?
E por falar nos que se “fazem homens” à sombra da bananeira esperando pacientemente o dia de “chegar ao pote”: intriga-me o apoio que Seguro obtém nas hostes da actual maioria. Cá para mim – que não estou, nem quero estar, mobilizado para “a guerra dos antónios” – que mais será necessário para demonstrar como Seguro é o melhor seguro de Passos Coelho?

AO. 30/08/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, agosto 16, 2014

Isto tresanda

Apesar de três anos de vida exaurida, para alguns, para a maioria – e foi prometido que assim não seria; que acabar com as “gorduras do Estado” chegava e sobejava! – e quando se torna óbvio que o resultado deste autêntico “confisco fiscal” (não era esta a expressão que Paulo Portas tanto gostava de usar?) leva sumiço só no tapar do buraco BPN, eis que um novo buraco, desta vez a cratera BES, está no nosso caminho.
A nova tragédia indicia que o “caminho das pedras” é para continuar, para ser trilhado com ainda mais dor, embora o “Comité de Propaganda de PPC” se esforce em dizer que desta vez não será assim; que não serão os “dinheiros públicos” a tapar o buraco; balelas… Dizem isso com o mesmo descaramento com que disseram não ir aumentar impostos nem despedir à farta; dizem isso com a mesma “cara de pau” com que ainda recentemente afirmavam que os problemas do GES nada tinham a ver com os do BES, então ainda uno, seguro, tão recomendável que até mobilizou o Presidente da Republica Portuguesa em defesa de tamanha segurança. Isto antes: antes do acelerado Conselho de Ministros, o das votações virtuais; antes da dicotomia “Banco BOM” “Banco MAU” ter criado um problema que, se não me engano, aprofundará ainda mais a medonha cratera GES/BES; antes “deles”, os principais artistas, se terem colocado “a banhos” e “calado como zorras”; antes de, como se adivinhava inevitável, a realidade (primeiro dando a conhecer documentos pretensamente omitidos e logo abrindo novas e sérias feridas) os desminta, a todos. Antes de tudo isso, mas depois, muito depois, quase um ano depois, de serem conhecidos indícios de gestão fraudulenta no universo do bom, hoje mau e amanhã, quiçá, vilão, “Dono Disso Tudo”!
Foram os Oliveiras Costas e quejandos quem viveu acima das suas possibilidades (até quando financiaram campanhas eleitorais), mas são “os papalvos”, nós, ainda para mais acusados de viver acima das nossas posses, quem paga a factura!
Isto já tresanda, e para acentuar o mau cheiro ficamos esta semana a saber que eles, sempre os mesmos, continuam a “criar gordura”: então o filho de Durão Barroso não foi contratado, por convite, para ir ajudar desregular para o Banco de Portugal…

A.O. 16/08/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, agosto 02, 2014

CPLP, olé!


Sou a favor de uma total emancipação dos Açores. Da mesma forma – e com a mesma convicção – defendo ser a Língua Portuguesa a grande, a maior, herança que algum dia os portugueses nos irão deixar. Também por isso senti simpatia, desde a primeira hora, pela criação da CPLP: Comunidade de Países de Língua Portuguesa, onde, acredito convictamente (mas não coloco nisto datas, muito menos uma tão curta como dois anos), um dia os Açores – e também a Madeira – se integrarão. O desejo dos Açores, como país soberano, integrarem a CPLP mantenho-o; a simpatia pela CPLP, por esta CPLP (a que resultou da cimeira de Díli), confesso, já não é a mesma. Compreendo, até por constrangimentos paternalistas e outras obrigações, a tolerância que Portugal possa ter para com os deficits democráticos de alguns dos países que com o pós 25 de Abril se emanciparam do seu jugo, para mais, porque dificilmente poderiam haver hábitos democráticos após um processo que insistiu até ao fim (e insiste, agora com balizas mais curtas) no lema “do Minho a Timor, Portugal, Portugal, Portugal…”. Diferente poderia ser se, pelo contrário, como noutros casos, Portugal tivesse em conta o natural direito “dos filhos” a autonomizarem-se e tornarem-se independentes. Mas não foi (nem é), Portugal sempre preferiu (e prefere), o vil desejo de exploração e/ou exibição da sua “imperial” grandeza, ao nobre desígnio de ajudar a desenvolver “os filhos”, já tão adultos quanto ele, e por ventura mais capazes que o “próprio pai” para se governarem sozinhos. Compreendendo a tolerância perante os países surgidos das ex- colónias, já não compreendo – nem aceito as razões hipócritas e interesseiras que as justificam – o alargar desta tolerância a um país como a Guiné Equatorial, permitindo de permeio “tempo de antena” a um ditador facínora que não se importa em pagar seja o que for para ir conseguindo “minutos de fama” no cenário internacional.

A desculpa do evitar ficarem isolados não serve: há ocasiões em que “um corajoso isolamento” até fica bem. Outros portugueses assim fizeram quando, não se preocupando se o faziam sós ou acompanhados, aboliram a pena de morte. Outra gente, outros valores, outra coragem! 

A.O. 02/08/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, julho 20, 2014

Dois Jotas

Não, este texto nada terá a ver com “jotinhas” ou com os “jotas” que após marcar passo uns anos nas organizações partidárias de juventude, como que por artes mágicas, passam de “jotinhas” a primeiro-ministro ou mesmo, que seja, a candidatos a primeiro-ministro!
Os Jotas que hoje para aqui trago são outros. São Jotas que, atafulhado como ando de novo em “papéis velhos”, ao relê-los, como que recuei mais de quatro décadas, recordando as leituras dos jornais que fazia em tempos de meninice e juventude, em especial das secções desportivas dos diários de então. Refiro-me ao Jota Valadas Júnior e ao J. JOTA. Se do primeiro, embora senhor de um histórico de presenças em jornais bem mais longo, remontando mesmo quase ao tempo do juntar das minhas primeiras letras, além dos extensos e detalhados relatos escritos dos jogos do fim-de-semana – com uma ou outra pertinente polémica de permeio – o que mais recordo foi a sua eficácia em se “esconder” por detrás daquele pseudónimo; já quanto ao segundo, do J. JOTA daquilo que não me esqueço – além da proximidade, antes como agora, já que também é santaclarense e santaclarista (de e do Santa Clara, como se dizia) – era da sua indisfarçável preferência pelo “Santa Clara”, do seu gosto e abordagem de outras modalidades, e que o seu pseudónimo para mim nada encobria. Recordar o J. JOTA destes tempos é também recordar o seu Ford Cortina GT, e, regressando aos “papéis velhos” que nestes dias me atazanam, recordar também a sua capacidade de premunição quando, como “enviado especial” a um “Rally Papper” à Ilha Lilás, vaticinou, dada a capacidade organizativa que testemunhou, a chegada para breve do automobilismo mais a sério àquela ilha.
Um destes dias, discorrendo ambos sobre estas minhas mais recentes incursões pelos jornais das décadas de cinquenta, sessenta e setenta, o J. JOTA emprestou-me um volume – dedicada de carinhosamente selecionado e encadernado – através do qual, sem correr o risco de agravar as alergias “ao pó dos papéis velhos”, reli com mais descanso a quase totalidade das suas colaborações com o então diário “Açores”. Retive e anotei – mas fica para outra – uma interessante entrevista ao "Zé Manél" Costa Pedro. Bons tempos!

A.O. 19/07/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, julho 05, 2014

A causa: Independência

A opinião de José San-Bento sobre a Independência dos Açores, que há muito conheço, é respeitável – tal como, espero, por ele seja considerada a minha. São opiniões! Diferente é a consistência da causa “Independência dos Açores”: mais que centenária, ao longo dos tempos autonomicamente adiada, mas que não é, nunca será, “causa perdida”!
Causas perdidas, diziam os “senhores do antigamente”, seriam as independências das antigas “províncias ultramarinas”. Como se viu, deixaram de ser (um dia o mesmo acontecerá com a das “ilhas adjacentes”). Já mais recentemente, causa perdida, diziam outros, muitos, seria ver o Governo dos Açores “nas mãos de socialistas”. Como se vê, também aconteceu! As causas, todas elas, só estão perdidas quando não se luta por elas. Se há vontade de as não perder; gente disposta a por elas lutar, um mínimo de inteligência, organização e persistência, não há causas perdidas: mais década, menos década; mais século menos século, são ganhas!
De volta ao escrito de JSBento há a referir que pelo menos num ponto estamos de acordo: dispensava-se, até por uma questão de credibilização da causa, repetir os prés anúncios de Independência (também já defendi o “Independência Já”, mas isso vai para quarenta anos. Nada nos ensina tanto como o tempo: é só querer aprender!). Quanto ao resto estamos em completo desacordo. Há ali muito erro e alguma superficialidade, com a referência à “tertúlia dos românticos intelectuais” sendo disso bom exemplo. Além do muito mais, ao contrário do que foi escrito, naquela tertúlia nem todos são independentistas. Calculo até que no grupo a percentagem dos independentistas (1/3) não deva estar longe do que acontece, agora, em geral nos Açores. A grande diferença é que ali, ao invés do que se passa numa sociedade condicionada pelos ditames da “democrática” Constituição Portuguesa, o tema Independência não é tabu, nem proibido! Logo, fica o exemplo de que, não fora a “democrática” CRP (que impede partidos políticos pró independência), fácil seria – não obstante os 40 anos de desvantagem – aproximar o número de apoiantes “da causa” do número de apoiantes do PS/A ou do PSD/A, onde também não faltam independentistas!

A.O. 05/07/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 
http://www.acorianooriental.pt/artigo/a-causa-independencia