sábado, janeiro 19, 2013

Tolos a dar…





Pois é. Então o próximo passo é ter-mos as Lajes transformada em “base adormecida”! Com isso os EUA poupam uns dólares, e nós, açorianos, aqui sujeitos ao que der e vier, que nos amanhemos com as “migalhas das sobras do banquete”, comezana com um prato em tempos servido na Lapa, capital do ex-império, e outro, bem mais recente, servido mesmo no local (e que muito deve ter contribuído para o Presidente da Comissão Europeia ser quem é).
Revisitar 1917, em especial os meses que precederam a entrada dos EUA na I Grande Guerra, ajuda a compreender o que ainda hoje se passa com a Base das Lajes.
Até Abril de 1917 os submarinos alemães, varrendo o Atlântico, já tinham afundado cerca de 2.000.000 toneladas de suprimentos que deveriam ter chegado ao Reino Unido com isso obrigando os EUA a entrar na guerra. Estavam também em causa os investimentos feitos até ali, só rentáveis se a Inglaterra pertencesse ao grupo dos vencedores.
Assim, sem dar grande cavaco a quer quem que seja (tampouco aos ingleses) e já preparando a logística para colocarem na Europa o exército que seria determinante na derrota do Kaiser, os EUA fazem chegar a Ponta Delgada (Junho de 1917) um carvoeiro – o célebre Orion – que além do mais dava inicio ao aprovisionamento em carvão daquela que seria a sua primeira base nestas paragens. Cargueiro este que, por coincidência – digo eu – vinha bem armado (com “peças” melhores e mais rápidas do que as cá existentes, até na principal bateria para defesa do porto - Alto da Mãe de Deus ). Cargueiro este que, por coincidência – digo eu – foi colocado “a seco” e logo de forma a que uma das suas armas ficasse acima do molhe de protecção do porto, o que lhe permitiu rechaçar o ataque do U155 perpetrado semanas depois (4/7/1917). Cargueiro este que, por coincidência – digo eu – assim ficou até chegarem os primeiros vasos de guerra dos EUA e ser dado início à instalação, em Ponta Delgada, de uma Base Naval que aqui se manteve até ao fim da I Grande Guerra (na II Grande Guerra, com evolução dos meios, seguiu-se uma em Santa Maria e depois a das Lajes).
As movimentações que antes se faziam em várias semanas fazem-se hoje em algumas horas (desde que a base exista, mesmo que “adormecida”). Mas, não obstante o poder (e as relações de preferência e proximidade) dos EUA, só “parolos”, como os portugueses, permitem que os Açores sejam tratados como parque de campismo, onde se aluga a longo prazo (garantindo reserva e preço baixo) um espaço de caravana para dele fazer uso quando apetecer, mesmo que só por alguns dias, num qualquer Verão!

A.O. 19/01/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

segunda-feira, janeiro 07, 2013

O que sobrou da “Mata da Doca”

O meu amigo Manuel Moniz (também, pontualmente: companheiro, camarada e cúmplice em acções de intervenção cívico/politico/comunitárias), ontem, via “FB”, após dar a sua opinião sobre o desenho e potencial uso para outras valências do “Jardim Padre Fernando”, “entrou comigo”, desfiando-me a “entrar na liça”. Não é isso que aqui vou fazer (fi-lo na altura com a informação que tinha de memória), mas depois de lhe agradecer “a deixa” para a coluna de hoje, fiquei também de acrescentar alguma da informação que então não me ocorreu, e, aproveitando, voltar a Santa Clara e ao que sobrou da “Mata da Doca”, o que faço sempre com muito gosto, algum prazer e até “sentido de missão”!

Antes do mais é bom não esquecer que o “Jardim Padre Fernando”, desenhado pela Toparis obedecendo a um programa cuja discussão foi muito participada na comunidade santaclarense (atenção: ser santaclarense é uma coisa e ser santaclarista é outra. Há quem as misture, não faz mal, mas nada como ir corrigindo – “andar faz caminho!”), só foi possível dada a colaboração e grande participação da SRAM, ao tempo dirigida pela Dra. Ana Paula Marques, cujo carinho e dedicação por aquele projecto foi a todos os níveis notável. É bom também dizer que foi a “Mata da Doca”, e o muito que ela representou para Santa Clara, aquilo que em primeiro lugar se pretendia evocar com a requalificação do pouco que restou daquele que outrora foi um dos mais frondosos, populares e públicos “pulmões” de Ponta Delgada.

Foi-se o “Campo Açores”; foi-se o “ring” do Patronato, a “Mata da Doca” deixou de ser o “viveiro” de futebolistas que sempre alimentou o CDSC, os outros “Santa Claras” existentes antes do CDSC, assim como mais clubes de Ponta Delgada. Mas salvou-se a “Mata de Baixo”, ou “Mata Pequenina”, local de “pic-nic’s” e outras distracções, como o deslizar sobre cartões, ou “folhetas” (recuperadas no calhau e na Nordela) nas íngremes encostas confrontantes com a “Fábrica do Papel”, hoje instalações da AC Cymbron.
“Bruno Dennis”, no CA de 28/11/1920, ajuda-nos a perceber o forte “espírito” da “Mata da Doca”. Vale a pena ler!

Obrigado Manél Moniz. "Tá feito"

A.O. 05/01/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

domingo, dezembro 23, 2012

A RTP/A “janelinha”, outro garrote centralista


Mais do que a obsessão ultra liberal, capitaneada por dois ou três “old yuppies” a soldo da finança internacional que norteia ideologicamente a “Relvas/passista” forma de espremer e fazer definhar a que alguns chamam governar; mais até do que o despudorado modo como está a ser desmantelado, e a bel-prazer “do dono” controlado, aquilo que deveria ser o Serviço Público de Rádio e Televisão em Portugal, o que se está a passar com a RTP/Açores mais não é do que a consequência lógica do esmagamento provocado pelo “rolo compressor centralista”, agora conduzido por manobradores de elevado preconceito neocolonial. Nada de novo: já assim foi no século XIX com a “questão do álcool”; assim voltou a ser, no início do segundo quartel do século XX, com Salazar a dar fim à moeda própria; já no nosso tempo e sob a autonomia vigente desde 1976, assim também aconteceu com a estratégica desvalorização (e consequente substituição de “cash” por sucata bélica) da Base das Lajes; e – oxalá me engane – assim irá acontecer brevemente com a usurpação dos direitos de exploração dos recursos naturais existentes no fundo do Mar dos Açores!
Mas, voltando à RTP/Açores, ou melhor, à vergonhosa “janelinha” em que a estão transformando, não será demais aqui trazer as conclusões da tese de Doutoramento de Catarina Burnay, documento de Junho de 2010 que recentemente voltou “à baila”, onde é demonstrado o enorme contributo da televisão dos Açores (em especial da sua produção) no fortalecimento da identidade açoriana, concluindo também que nenhuma outra televisão atingiu esse mesmo objectivo em relação à identidade portuguesa.
Eis pois aqui, muito mais do que nas evocadas razões de racionalização e redução de custos, aquilo com que os preconceituosos neocolonialistas estão preocupados. E não é para menos. Se poucos (mas bons) açorianos, como Antero, Arriaga e Teófilo – só para citar três – provocaram em Portugal as revoluções e mudanças que se conhecem, natural se torna que os neocolonialistas temam que o valor da Açorianidade se imponha, nos liberte e, quiçá, ainda os subjugue. Olhem o exemplo de Angola!

A.O. 22/12/2012; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

domingo, dezembro 09, 2012

Manuel Ferreira

Eu e o Senhor Manuel Ferreira, em Outubro de 2002 (como o tempo passa), quando lhe fui dar a conhecer as ruínas do "Catelinho de Santa Clara", estava então a ser finalizado o "As voltas que Santa Clara deu".

Faz hoje exactamente sete dias que o Senhor Manuel Ferreira - o Comendador Manuel Ferreira -, mui digno paladino da Açorianidade e estóico portador/guardião do testemunho da “Livre Administração dos Açores pelos Açorianos” desde o ocaso dos “velhos autonomistas” até à Autonomia conquistada com o 6 de Junho de 1975, fisicamente, deixou-nos. Partiu ficando, pois o legado que nos proporcionou fará com que Homem e Obra, agora para sempre fundidos, entre nós permaneçam!

Mais de três dezenas de títulos publicados e milhares de peças jornalísticas dispersas em vários periódicos – sempre bem fundamentadas, na sua grande maioria exigindo minuciosa preparação, algumas delas geradoras de forte polémica, bastas vezes dando origem a réplicas e tréplicas – dão bem a ideia da enorme capacidade de trabalho que Manuel Ferreira patenteava, facto ainda mais relevante tendo em conta que durante largo tempo acumulou as actividades jornalística e literária com as que realmente lhe garantiam subsistência. A si e aos seus! Um labor frenético que, acompanhado de austera disciplina e suportado por um sempre lúcido raciocínio e uma prodigiosa memória manteve praticamente até aos últimos tempos, deixando “como que esmirrado” quem, mesmo que com pouco mais da metade da sua idade e só o fazendo pontualmente, procurasse acompanhar tamanha energia e produtividade.

Da obra de Manuel Ferreira permitam-me, até também pela actualidade (num tempo de esbulho fiscal e “caça à multa”), aqui trazer o “Alevante da isca”, conto, histórico, com o qual, em 1948, ganhou, os Jogos Florais do Instituto Cultural de Ponta Delgada. A acção remonta a 1898, dois anos depois das Cortes ratificarem o hoje já mais que centenário “decreto de 2 de Março de 1895”. Além do “retrato” da Ponta Delgada de então que nos é proporcionado, onde, distintos personagens como o industrial João de Melo Abreu mas também outros bem mais humildes como o pescador santaclarense “João Viúva” são “apanhados na foto”, o uso de expressões como: “O pulha, com cara de tratador de porcos, anos antes destacado do continente para cá, como soldado raso e impedido do comandante da Guarda-fiscal (…)”, ou; “Lisboa só nos mandava daquelas encomendas!”, ou ainda; “Cães danados. – E fala-se em regalias…. em autonomias… – Qual autonomia, nem meia autonomia? – Nem na nossa casa uma pessoa manda!”, dão bem conta do que “ia na alma” do então jovem escritor, que, não obstante serem tempos de ditadura, além das criticas veladamente romanceadas, não se coibiu em lhes dar contexto e personalizar com o paragrafo com que remata o texto: “Daqui vou-me direito, sem mais conversas, tirar a minha licença de isqueiro…”.

Obrigado Manuel Ferreira. Um eterno bem-haja!

A.O. 08/12/2012; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

domingo, novembro 25, 2012

Negócios da china

Têm sido manchete recorrente notícias avulsas dando conta de um eventual interesse da República Popular da China nos Açores. Não estranho, até considero “boas notícias”!
O mais normal, facto confirmado ao longo de séculos, é a cobiça que os Açores suscitam à potência expansionista dominante num determinado momento. Foi assim com Portugal, com a Espanha, com Inglaterra, e mais recentemente com os EUA. Anormal seria o contrário. Como anómalo é também o facto de os açorianos serem, por regra, não obstante os riscos inerentes, quem menos lucra com “o negócio” em que terceiros os envolvem.
Mas as singularidades deste processo não se ficam por aí: é a FLAD ser sediada em Portugal quando podia (e devia) estar nos Açores; é a “renda da parcela da quinta” ser paga em “sucata bélica” quando os Açores tanto necessitam de investimento economicamente reprodutivo e/ou cultural e cientificamente consistente; é o assistir, sem contrariar (pelo menos de forma eficaz), à sistemática campanha de desvalorização da importância geoestratégica dos Açores, e mais, e mais, e mais...
Por tudo isso são “boas notícias” as que dão conta do interesse da China nos Açores. No mínimo – é da lei da oferta e da procura –, acrescenta valor!

Esclarecimento (O fim do Império) A.O. 15Nov2012

Sobre o assunto em epígrafe, as minhas primeiras palavras são de agradecimento. Surpreendeu-me tanta importância, para mais vinda de tão alargado, distinto e douto conjunto de personalidades. Um dos meus “vai lá saber-se porquê” fica assim mitigado. Muito obrigado!
Mas não é tudo. Não posso deixar passar os “delírios”: o dito meu (chamar-lhe-ia “delírio de colonizado”) e os de outrem. O que me é atribuído pretendo mantê-lo: não escondo que gostava de viver num país Livre e Independente chamado Açores (mais utópico é acreditar que o processo se faça pacificamente, tipo “divórcio de veludo” entre gente civilizada. Mas quero manter esta esperança!). Tal como os cabo-verdianos, nós, açorianos, temos também direito a ser “delirantes”! Sobre o “delírio imperial”, reitero: há muito de comum entre os que antes gritavam que Portugal ia do Minho a Timor e os que hoje o desejam, uno e indivisível, porém agora só do Minho ao Corvo.


A.O. 24/11/2012; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

segunda-feira, novembro 12, 2012

O fim do Império



Tinha planeado a minha vida de forma a hoje, Sábado (09.11.2012), poder ir assistir, na Universidade dos Açores, à dissertação: “Pensar Açores – o fim do Império”, proferida pelo Dr. José Almeida. Vá lá saber-se porquê (mas imagino: há temas e pessoas que causam urticária ao “zeladores da pátria”, sobretudo agora que o “império”, para além do retângulo ibérico, está reduzido aos Açores e à Madeira), notícias de última hora deram conta que o Dr. José Almeida já não incluiu o painel de palestrantes.

Passam os anos, modificam-se os arquétipos e paradigmas, mas fica quase inalterável o “delírio imperial” de uns quantos, que não obstante já pouco mais serem do que meros regentes por conta da Troika, quais “duquesas de Mântua” ou “Migueis de Vasconcelos”, tudo fazem para não perderem uma oportunidade de “puxar pelos galões” ou “arejar a farpela” de representantes do “dono da quinta”, uma "quinta" que desde há muito já deu provas de saber (e poder) viver sem tutelas que nada acrescentam, bem pelo contrário.

Há coisas que não mudam, ou mudando, o que se altera é muito pouco! Perante tanta inércia, tanta presunção e tanta desavergonhada representação – quem se pode esquecer da presença de Miguel Relvas na tomada de posse do novo Governo dos Açores? –, vá lá mais uma vez saber-se porquê, fica-me sempre a sensação que há quem ainda se inflame com o grito salazarento que nos impingiam em criança nas tardes de Mocidade Portuguesa, só que agora, passados todos estes anos, com menor amplitude. Dantes gritava-se: “Do Minho a Timor…. Portugal, Portugal, Portugal”. Agora, impelidos pelo mesmo desejo, porém impedidos de repetir a mesma coisa, parece que dão largas ao “delírio imperial” que os consome gritando em êxtase: “Do Minho ao Corvo … Portugal, Portugal, Portugal”.

A.O. 09/11/2012; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

sábado, outubro 27, 2012

Renovar sim, também as mentalidades

Duarte Freitas, agindo como quem ainda não percebeu parte importante do que acabou de acontecer, numa das suas primeiras aparições como candidato à sucessão de Berta Cabral, não encontrou melhor forma de afirmar o seu “espírito de missão”, senão, inspirando-se em Victor Gaspar. Que pena. Parece que não há forma de aprenderem, nem mesmo depois dos erros recentes.

É que, mais do que a excessiva austeridade provocada pelo incompetente desacerto do governo “Relvas/passista” que a partir de Portugal nos esmaga, sufoca e tudo faz para restringir ao mínimo a escassa autonomia já conquistada; mais do que a tentativa de extrapolar para todos os Açores (vá lá, excepto o Corvo) as práticas e estratégias políticas utilizadas no Concelho de Ponta Delgada, ainda por cima, quando estas já demonstravam visível desgaste; talvez mais (porque começou mais cedo) do que os vários “tiros nos pés” dados ao longo dos meses de Setembro e Outubro – atemorizar com o “resgate” Açores/Portugal para logo apontar quem melhor o podia renegociar e/ou “desfazer” / acenar com um n x 9 que antes de o ser já era um n x 8 / desembainhar o contraditório chorrilho de promessas que ouvimos, a última das quais (os 15.000 empregos) a fazer lembrar o pior da “era socrática” –; mais do que tudo isso, dizia e estou convencido, a recente derrota eleitoral, sobretudo a alargada margem que aquela consubstanciou, teve muito a ver com a terrível tendência que o PSD/A tem patenteado: aplaudir e louvar submissa e de forma seguidista os líderes do partido em Portugal.

Acredito na renovação. Aliás, mais ainda do que todos os outros motivos antes referidos, estou certo ter sido a renovação, muito propalada e não menos bem evidenciada no projecto de Vasco Cordeiro – em contraponto com o de Berta Cabral, não obstante o célebre “out door” dos figurantes – o verdadeiro “motor” da vitoriosa campanha que renovará a presidência do Governo dos Açores.

A renovação no PSD/A também é bem-vinda. Porém, não há renovação sem que, antes de tudo o mais, se renove as mentalidades (esperemos que o “tropeção de Duarte Freitas seja só isso mesmo: “um tropeção”).

Só com uma nova geração: arejada, descomplexada, desejosa de emancipação e capaz de aceitar o risco de encarar o mundo sem se agarrar às “pernas do papá”, os Açores podem também, um dia, renovando, emancipar-se.

Venham os mais jovens, cheguem sem peias nem teias: a Mátria açoriana agradece!

A.O. 27/10/2012; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)


sexta-feira, outubro 12, 2012

Este ano, 7: No futuro, 70x7

Está patente em Santa Clara, no Centro Cívico e Cultural da freguesia (caso emblemático da gestão social e política do município de Ponta Delgada, que dá guarida e emprego aos que nas listas lideradas pela ex - presidente da CMPD perderam eleições nas suas freguesias e mantém cativa, como inquilina enjeitada, a Junta de Freguesia local), uma exposição de documentos, publicações, fotos e objectos, mostrando parte do muito que mudou em Santa Clara desde que se emancipou de São José, mas fazendo também, e simultaneamente, um retrato de Santa Clara desde 2005 a 2012.

“Sete anos, sete vidas”, patente ao público até dia 16 de Outubro (embora só nos dias úteis e entre as 18:00 e as 20:30), pretende com o seu título aludir à tenacidade em fazer nascer e manter a mais jovem freguesia urbana de Ponta Delgada e com o seu conteúdo mostrar a muita “obra” (mais humana do que material) feita em resultado de um mobilizador projecto de cidadania, pois como se sabe – mas nunca é demais repetir – os destinos da freguesia estão desde a primeira hora entregues a um grupo de cidadãos, intitulado “Santa Clara – Vida Nova”, que à margem dos partidos (mas não contra estes – só o PSD não entendeu o projecto), com grande dedicação e perseverança, reflectindo a forte identidade de Santa Clara, não se poupam a esforços para recuperar o tempo perdido (anos em que Santa Clara foi considerada, e tratada, como o “fundo do quintal de Ponta Delgada”).

Neste seu sétimo ano de vida, Santa Clara recebeu uma especial prenda, pois as suas contas, auditadas pelo Tribunal de Contas, passaram sem mácula, com o único reparo referindo a obrigatoriedade das mesmas serem publicadas no “website” da freguesia (o que de imediato foi efectuado).

“Renovação: avança uma nova geração” foi o lema de campanha usado para o segundo mandato de “Santa Clara – Vida Nova” à frente dos destinos de Santa Clara. Avançou mesmo uma nova geração! Mudaram as pessoas. O que ficou inalterável foi a competência o esforço e a dedicação emprestadas ao projecto, com a juventude – e a vitalidade que daí advém – do novo executivo apresentando-se como mais valia considerável.

Longos anos para Santa Clara.

A.O. 13/10/2012; “Cá à minha moda" (revisto e muito acrescentado, sobretudo com o que não pode ser publicado em dia de reflexão eleitoral)


sábado, setembro 29, 2012

“Ganda noia”!



Talvez porque não interesse dar grande visibilidade aos “pesos pesados” de cá – vá lá saber-se porquê?? –, e porque tampouco interessará – presumo ?? – cá trazer as “primas donas” portuguesas que, fosse outro o resultado da sua governação, aqui estariam dia sim, dia sim, coube a Marcelo Rebelo de Sousa (este mais discretamente porque parece “já não ter aço” para riscos desnecessários) e a Marques Mendes (mais voluntarioso, com menos a perder, mas pelos vistos muito mal informado) o suporte dado pelo PSD de Portugal ao PSD de Berta Cabral (dito Açores, agora só com oito ilhas. Foi-se o Corvo!).

É fácil agitar “bandeiras dos Açores”. É ainda mais fácil usar palavras que “caiem bem no ouvido”, tipo “primeiro os Açores e os açorianos”, difícil é ser-se coerente com estas “facilidades”. Trocar, a pedido, Duarte Freitas por Patrão Neves foi uma clara demonstração desta incoerência e de como cede rápido, deixando-se subjugar facilmente, a autoproclamada “negociadora difícil”. O mesmo aconteceu com a ambígua posição tomada a propósito da relvista pretensão de extinguir freguesias, com o “a cortar serão só as freguesias urbanas”, como se as realidades Lisboa e Ponta Delgada (ou Porto/Angra, Coimbra/Horta, etc. e tal) fossem para este e outros efeitos minimamente comparáveis!

Agora – a inoportunidade a isso obriga –, é mais que notória a preocupação em “descolar” (por vezes de forma tão primária que roça o ridículo) de Passos Coelho e da sua desastrosa desgovernação. Mas antes, e até recentemente, quando a maré era favorável e a onda surfável, os putativos méritos “relvas/passistas” foram explorados até à exaustão e os próprios, Relvas e Passos, ufanos e de “peito feito”, apresentados como autênticos ases de trunfo.

“Primeiro os Açores” é bem mais do que isso. Será, para já, acreditar na renovação e dar oportunidade a uma nova geração: uma geração que não esteja já esgotada; que apresente grande potencial para continuar a evoluir; que rompa com conservadorismos em desuso (independentemente do que rendem eleitoralmente); que aposte na modernidade e no futuro; que busque cada vez mais autonomia, mais autodeterminação.

Os Açores agradecem!

A.O. 29/09/2012; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

domingo, setembro 16, 2012

Pois, é no que dá.

Quando os dados estavam a ser lançados para começar “o jogo a sério”; com os “marqueteiros” de Passos Coelho já a darem os primeiros palpites (afora os milhafres descolorados os “brazucas” bem que recomendaram cuidado com as companhias: além “dos bonecos”, também na constituição da lista - digo eu???); com os devotos das medidas da TROIKA eufóricos, prevendo visíveis melhorias nas contas e até crescimento económico para o 2º semestre de 2012, vivia-se a época dos “beijos e abraços”; o tempo dos convites para tudo e mais alguma coisa.

Bem que a sabedoria popular avisa que “não nos devemos fiar em sapatos de defunto”! Mas há quem não resista, sobretudo não resistem aqueles que, por antigo e entranhado hábito, “surfam todas as ondas” que lhe dão jeito, mesmo quando a última os obriga a dar o dito por não dito em relação à penúltima.

Depois, foi o que se (vê e) está vendo: se até não há muito tempo Berta Cabral usava como trunfo eleitoral estar em melhor condição do que os demais para negociar com os relvas/passistas que desgovernam Portugal (levando por arrasto os Açores), agora que parece ter “caído o céu” sobre a cabeça de Passos Coelho – nada que não fosse esperado, embora para alguns desse jeito que os destroços aparecessem só “depois da vindima” – é impressionante, e cada vez mais desajeitada (por vezes até ridícula) a tentativa das hostes bertistas em se demarcarem dos executores do experimentalismo ultra liberal implementado em Portugal, solução até recentemente merecedora de muitas hossanas e das mais excelsas loas pela quase generalidade dos que apressadamente agora dela se demarcam. O desnorte é tal que, em jeito de descarte, a situação até já mereceu uma analogia desportiva do tipo: “é como se o Santa Clara fosse culpado pelo Benfica jogar mal!” Louvado seja Deus: como se os dirigentes do Santa Clara fossem eleitos nas listas do Benfica para as assembleias da Liga e as vedetas da Luz (dirigentes e jogadores) sistematicamente chamados, como “cabeças de cartaz”, para atrair público ao Estádio de São Miguel.

Pelo “andar da carruagem” um dia destes ainda veremos (à boleia da dita, como já aconteceu em tempos para aproveitar os holofotes focados em outros mais distintos), num qualquer palco dos Açores, Manuela Ferreira Leite rivalizando com Marcelo Rebelo de Sousa pelo papel de “estrela principal”.

“Pois alevá” (como diria Victor Cruz, avô)!


A.O. 15/09/2012; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)