sexta-feira, setembro 12, 2008

Um açoriano à conquista de Portugal


Um artista açoriano esconde-se em museus portugueses para, clandestinamente, pendurar os seus quadros e assim mostrar o fruto da sua criação.

Quer saber mais? Compre ou consulte a “Sábado” desta semana.

terça-feira, setembro 09, 2008

Cantigas ao desafio


Em Abril de 1886, 25 anos após o início da construção do porto artificial da cidade, inaugurou o matadouro Municipal de Ponta Delgada, então uma instalação bem mais modesta do que aquela que, reconstruída e completamente remodelada, surgiu em meados do século XX como exemplo de avanço tecnológico e arrojo arquitectónico, e que agora se apresenta como uma miserável ruína que a todos, especialmente aos santaclarenses, envergonha e incomoda.
A 7 de Maio de 2008, mais ou menos de surpresa, o “Matadouro de Santa Clara” foi mote de uma “desgarrada” da qual, mais do que as inflamadas palavras que a animou, interessa sim conferir a pratica seguida até aqui – e a que irão seguir?! – pelas entidades envolvidas na demanda pela posse do obsceno destroço em que se transformou aquele antigo sinal de modernidade.
Na ocasião, ficou a ideia que os santaclarenses serão soberanos na escolha do destino a dar àquele espaço. Seria bom que assim fosse. Veremos se assim será, até porque aquela zona pode ser a ancora, e/ou o aprimorado remate, da urgente e necessária ordenação da orla marítima de Santa Clara, que apesar de tudo, é a única em Ponta Delgada a manter o seu perfil natural (mais ou menos original), inserindo-se neste, ainda, a “ponta delgada e rasa”, que deu a Ponta Delgada o seu nome.
Porém, e porque os “senhores do poder”, ao contrário do que nos pretendem fazer crer, continuam a existir – e não de modo muito diferente ao que, destemidamente, em 1968 o Padre Fernando denunciou –, não estou convencido da generosidade ali subitamente manifestada: é que não há nada melhor do que umas quantas toneladas de betão – no caso de Santa Clara, perfeitamente dispensáveis – para conciliar determinados interesses (veja-se o caso da Calheta de Pêro Teive). Também por isso temo que o melhor proveito para os santaclarenses não coincida com o das partes ali em disputa.

A. O. 09/09/08; “Cá à minha moda” (Revisto e acrescentado)

terça-feira, agosto 26, 2008

AUTONOMIA & autonomia

Ainda os portugueses (atletas - naturalizados inclusive -, dirigentes, comentadores e público em geral), na sua olímpica bipolar esquizofrenia, ora carpiam mágoas ora comemoravam eufóricos os resultados de Pequim, já as atenções futebolísticas se focavam na estreia de Carlos Queirós, em jogo tido como fácil, contra uma selecção onde uma das estrelas ganha a vida como carpinteiro.
Por mim, futebol à parte, prefiro analisar este Portugal vs Ilhas Faroé por um outro prisma: o das autonomias quando o são de facto; quando “a pátria mãe” não tem medo da evolução autonómica; e quando a emancipação pode acabar acontecendo, naturalmente.
As ilhas Faroé, ou “Ilhas das ovelhas” ("dos carneiros", teimosos mas seguidistas, ou "das vacas", com sua irritante passividade bovina, seria bem pior), com apenas 47.000 habitantes – 16.000 dos quais fixados em Streymox, a maior e mais populosa das 18 ilhas do arquipélago –, embora aspirem e façam por isso, não são um país independente, mas sim, ainda e só, uma região autónoma. Com uma autonomia que paulatinamente se tem alargado e consolidado; autonomia em cujo horizonte se perfila a independência, mas, por enquanto, só e apenas, uma Autonomia (desde 1948, logo com 60 anos, quando a dos Açores, no papel, tem quase o dobro desta idade).
Imaginando o dia em que, tal como aconteceu antes do jogo com as Ilhas Feroé, poderei ver futebolistas portugueses perfilados perante a Bandeira Açoriana ao som do nosso Hino, logo pensei na oportunidade que o Presidente da Republica Portuguesa com certeza não desaproveitaria para dar trabalho ao Tribunal Constitucional, e/ou promulgar mais um veto!
Passado o devaneio, ocorreu-me a seguinte questão:
- Mas afinal, para Portugal, não seria mais honroso defrontar (mesmo tendo de se colocar em sentido frente à Bandeira dos Açores) uma sua Região Autónoma em lugar da congénere dinamarquesa? Para mais, quando no mesmo dia, as equipas principais dos Reinos da Dinamarca e de Espanha se defrontavam, assim como que conferindo a Portugal o estatuto de comunidade autónoma espanhola.
Eu cá acho que sim!

A. O. 26/08/08; “Cá à minha moda” (Revisto e acrescentado)

terça-feira, agosto 12, 2008

Se com Soares foi o que foi, de Cavaco esperavam o quê?










Os Açores, ou melhor, as ditas inconstitucionalidades contidas na mais recente reforma do Estatuto regulador da acanhada autonomia com que nos sujeitam e amansam, versão que de tão irresoluta deixou cair o “Povo Açoriano” a troco de conseguir ser aprovada por unanimidade – em dois parlamentos; nos Açores e em Portugal, o que, como se viu, de pouco ou nada serviu! –, foi o mote do mais recente “tabu” de Cavaco Silva.
Ainda calado, já na mímica dos primeiros momentos da aparição de S. Exa. o PR dos portugueses se adivinhava que dali coisa boa não viria; é que a sua inopinada e pré anunciada comunicação ao país, dele (porque o meu; os Açores, era ali claramente o alvo a abater), nem os seus próprios compatriotas entusiasmou e interessou. Aliás, aquilo pareceu mais um recado enviado para alguns, do que propriamente uma mensagem à plebe; foi como que a reacção, dorida, à primeira vez em que o T.C. não se pronunciou, como lhe é habitual, de forma clara contra os interesses dos Açores, mesmo quando, com a súplica, mais não se pretende do que uma delicada mini dose.
Depois do que se tem assistido, presumo que a montanha apenas vai parir um rato; o Sr. Eng. tudo faz para que os seus correligionários, mesmo os de cá, refreiem a “briga” com o Sr. Prof. Doutor, e os prosélitos deste último, após os “tiros nos pés” dados - alguns por antecipação como M. Ferreira Leite, aqui nos Açores (rico apoio ao PSD/A), logo secundada, lá, por um característico drible de J. B. Mota Amaral, que tal como Mário Soares pareceu ter-se esquecido de 1986, com ou sem gravata preta e óculos escuros - recorrem a esforçadas 2ªs linhas para “corrigir a mão”.
Por mim, já que de nada serve implorar o que só por conquista se obtém, recolocava a questão do “Povo Açoriano”. Não dá dinheiro, dizem, mas se é bom ser açoriano, pois então façam-LHE justiça!


A. O. 12/08/08; “Cá à minha moda” (Revisto, ligeiramente acrescentado e título integral)
A foto foi "assapada" um destes dias no Sapo, e, as caricaturas, algures na net (já não sei bem onde!)

terça-feira, julho 29, 2008

O outro lado da crise





O disparo, a pique, do preço do petróleo (ao ponto de até alguma esquerda admitir o nuclear como solução aceitável) e a crise daí resultante, se para mais nada servir, deu pelo menos para colocar o transporte público na ordem do dia. Ainda bem!
Os mais novos nem imaginam, mas entre os mais velhos, tirando aqueles que, como que de propósito, parecem fazer questão de não lembrar, alguns recordarão que tempo houve em que dois autocarros (as “Centrais”) se cruzavam em frente ao Mercado da Graça. Eram, ambos, um partindo do “Campo São Francisco” e o outro do “Largo da Pranchinha”, a base de um sistema de transportes públicos citadino, racional, que com mais duas ou três outras “carreiras” – Santa Clara, Ramalho e Passal/Bairros Novos –, para os padrões da época, até que funcionava bem!
Claro que se tratava do tempo em que o automóvel ainda não era dono e senhor da cidade, cujas ruas e largos, mais do que parques de estacionamento – negócio que entretanto já se expandiu ao subsolo – eram então local de circulação de peões sem risco de esmagamento nem necessidade de reivindicar um sistema de “peõeímetros” que os proteja e lhes dê prioridade.
O “progresso” a que se tem assistido, mais à custa de um ordenamento de ocasião, que privilegia o betão – e os brutos dividendos, também pardidários, que daí advêm – em detrimento do cidadão, foi incapaz de adaptar o que de bom havia; transporte público urbano é o que se conhece, tal como são cada vez mais aliciantes os inconvenienetes convites em chegar de carro ao centro da cidade (mesmo às zonas pedonais).
Por coincidência – será? -, um recente parque de estacionamento (na artéria em frente ao antigo quartel dos bombeiros), periférico como convém (quando comparado com os demais), e que, talvez por ter sido construído a preços módicos passou ao lado do “foguetório” habitual, porque "não há bela sem senão", passa-lhe também muito ao lado o parco sistema de transportes públicos existente. É pena!

A. O. 29/07/08; “Cá à minha moda” (Revisto e ligeiramente acrescentado)

terça-feira, julho 15, 2008

Furtado Costa





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Sem relação entre si, mas numa desagradável, e aparentemente interminável, sequência de outras – mais ou menos próximas, mas não necessariamente tão notórias (também para ti, Hermano, vai um abraço de condolências) –, fomos surpreendidos pela morte do Arnaldo Furtado Costa.
Há algum tempo que já não nos cruzávamos (em raros e fugazes encontros numa das esplanadas da marginal ao final da manhã, ou, numa ou outra boleia que lhe proporcionei até ao Estádio de São Miguel), mas ainda tenho presentes as suas – apesar de tudo – lúcidas observações, ultimamente despoletadas quase sempre com o CDSC como “rastilho”! Porém, há que dizê-lo, o caso do Furtado Costa é, claramente, um daqueles em que as boas recordações são tanto melhores – e em maior número – quanto mais no tempo recuarmos.
Quem pode esquecer o Furtado Costa do início da década de 70, e a enorme “lufada de ar fresco” que então foi o “Paralelo 38” (aqui, fica também a devida referência ao Aguinaldo de Almeida)?
Como esquecer uma voz inconfundível, marcante e bem colocada ao longo de vários anos, tanto na locução como na canção (como cantor, dizem os entendidos, o irmão, Humberto - que também nos deixou precocemente -, embora menos exuberante, não lhe ficava atrás!)?
Eu, confesso, não esqueço. Nem da voz, nem da pronta disponibilidade com que respondia e se entregava, sempre que acreditava: Foi assim em horas difíceis da luta por aquilo que de melhor queríamos para os Açores. Assim também foi, no início dos anos oitenta (82/83/84), quando, juntos na Direcção do CDSC, foi preciosa a sua colaboração no dinamizar da vertente social do clube – se não estou em erro, foi ele o responsável pelos primeiros passos do Paulino Pavão no Santa Clara, convidando-o a participar, como artista, num dos muitos espectáculos que organizou, realizou e dirigiu!? –, importante fonte de receitas, então, também muito necessárias!
Até sempre Furtado Costa. Repousa então, por fim, tranquilamente.
A. O. 15/07/08; “Cá à minha moda” (Revisto)

terça-feira, julho 01, 2008

Tudo muito “Simplex”, mas …



Finalmente, já estava hoje na minha caixa de correio algo que, pelo que me disseram a 20 de Março p.p. não deveria demorar a lá chegar mais do que quatro ou cinco semanas (como se uma “mão cheia” de semanas já não fosse um tempo por de mais “complex”). Acresce que, no entretanto, passaram também mais outras três semanas desde o dia em que, um mês e meio depois de iniciar o modo, moderno, e supostamente rápido de obter o novo e polivalente meio de identificação, e após uma outra demorada passagem pela “catedral simplex” cá do sítio, me convenceram – e fi-lo! – a pedir uma segunda via do documento em causa, agora perfeitamente dispensável.
Por óbvia necessidade, e convencido da rapidez de um sistema que o socrático marketing político – eficaz a vender, mas nada bom, e por vezes até muito mau, quando chega a hora do “serviço pós venda” – se encarregou de anunciar como mais simples e rápido (os: isso, aquilo e aquele outro “na hora”) do que tudo aquilo a que já nos tínhamos habituado esperar duas ou três semanas para conseguir, fui trocar o meu BI pelo multiusos Cartão do Cidadão. Sinceramente, nunca imaginei a “grande seca” que me aguardava. E, ainda nem fui confirmar os respectivos PIN’s!
De facto, podem chamar-lhe o que quiserem, mas um processo que começa antes da Primavera e só termina com o Verão já a decorrer, pode ser tudo, mas “Simplex” não é de certeza!
“Super Simplex” sim, é, pelo que se vai sabendo, a cobrança coerciva – com ameaça de penhora e tudo – de impostos mesmo quando indevidos, e, até, das multas de “mau estacionamento”, sobretudo quando aplicadas numa cidade que transformou em lugares de parqueamento pago (o preço do petróleo vai ajudar a “meter pelos olhos dentro” o que, apesar de dito à saciedade, nunca quiseram ouvir: é numa boa rede de transportes públicos, e não no estacionamento em plena “down twon”, que está a solução!) as suas estreitas artérias, algumas das quais, nem “passeios” por onde os peões possam circular em segurança, possuem.

A. O. 01/06/08; “Cá à minha moda” (Revisto e acrescentado)

terça-feira, junho 17, 2008

Raça; Povo, Nação, Grei …

A raça, aquela que usando o “Minhas velhas botas cardadas/ (…)” como banda sonora impunha teimosamente que a pátria se estendia desde o Minho até Timor (ainda hoje, embora com estratégias, tácticas e prédica diferentes, a presunção expansionista “da raça” persiste), volveu à ribalta. E fê-lo ao mais alto nível, embora pela boca de quem, quase sempre que “apanhado com a lição mal estudada”, titubeia: já assim fora com o bolo-rei pela boca adentro, voltou a sê-lo, agora, com a raça pela boca fora. Enfim, minudências; para quem tenta ver um pouco mais para além do óbvio, quer a inestética falta de chá de Dezembro 95, quer o lapsus linguae do 10 de Junho 2008, pouca ou nenhuma importância têm. Mais difícil é aceitar o comportamento dos cruéis de outrora que agora se apresentam meigos e compreensivos!

Raçuda demonstrou ser – por enquanto – a Constituição Irlandesa ao não permitir que em importantes questões (também de soberania; veja-se o caso da ZEE dos Açores por exemplo!) a “ditadura democrática” se substitua ao Povo. Bem que os “instalados” se esforçaram em afastar do povo estas tomadas de posição. Também por isso foi tão importante que o NÃO surgisse logo na primeira – e até agora única –ocasião, a ELE (povo), proporcionada para se pronunciar sobre o assunto. É claro que, mesmo contra a vontade já expressa do Povo irlandês, a agora desfeiteada “coligação dos interesses” tudo fará para impor, “democraticamente”, aquilo que mais interessa ao funcionalismo partidário lá do sítio; é o poder do “Centrão”!
Quem já se esqueceu das “cambalhotas” – promessas eleitorais invertidas, e mudanças de opinião consecutivas – a que ainda recentemente se assistiu em Portugal?

A propósito; e por cá? Que raça terão os que, não obstante as tão badaladas unanimidades obtidas, deixaram cair do Estatuto, sem dó nem piedade, o POVO AÇORIANO?
“Não dá pão”, disseram!
São as precedências protocolares que o darão, digo eu; a eles (os instalados), claro!

A. O. 17/06/08; “Cá à minha moda” (Revisto e acrescentado)

sexta-feira, junho 06, 2008

6 de Junho


Recapitulando 4 anos de 6 de Junho (cibernético) por aqui, e ainda um outro, o da viragem do milénio:

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A ilustração, ainda outro 6 de Junho – o primeiro do século XXI –, é um dos resistentes frutos de uma interessante e animada noite de fim de Primavera, e foi como a “passagem de testemunho” a uma nova geração, gente agora entre os 20 e os 30 anos!

terça-feira, junho 03, 2008

Dia dos Açores: um para esquecer, outro por estabelecer.




Passadas que estão três semanas sobre uma “2ª Feira da Pombinha” de má lembrança – o tempo passa e com o seu decorrer a memória tende a “amolecer” –, e porque, entretanto, já estamos em cima de um outro 6 de Junho; mais cedo ou mais tarde o dia dos Açores por excelência, permitam-me “afogar a mágoa” do passado dia 12 com a evocação, e exaltação, do dia em que milhares de açorianos, reivindicando independência, abriram caminho para esta acanhada autonomia de conveniência, cujo estatuto, nem o conceito de POVO AÇORIANO consegue impor ao resquício de poder colonial português que perdura:
Acanhada, sim; porque mesmo sem estar sujeita às adversidades de 1895 (instabilidade pós ultimato/mudança de regime/1ª Grande Guerra) não consegue criar alicerce, nem “músculo”, para resistir a uma ameaça tipo “Estado Novo" versão Século XXI que por aí apareça.
E, também, de conveniência; porque em tempo de excepcional abastança – pelo menos assim foi durante as duas últimas décadas – aqueles que têm (ou deviam ter) como missão servir, mostram-se sempre muito mais eficazes nas unanimidades conseguidas em defesa de interesses próprios, ou outros mais mesquinhos (aumentar alcavalas pessoais/atribuir comendas dispensáveis) do que na defesa intransigente de princípios fundamentais para TODOS nós; POVO AÇORIANO.
A 3 dias do 33º aniversário do 6 de Junho de 1975, após uma “2ª Feira da Pombinha” de triste recordação, não consigo deixar de questionar quais terão sido as misteriosas forças que empurraram a ALA (isto não é erro. É propositado: tal como fica bem Governo dos Açores, melhor fica ainda Assembleia Legislativa dos Açores) para aquela tão silenciosa quanto unânime condecoração? Será que numa assembleia mais eclética as recentes unanimidades aconteceriam? Estou em crer que não! Nem mesmo o PCP – adversário do 6 de Junho – votaria favoravelmente a comenda “All_tino”.
A. O. 03/06/08; “Cá à minha moda” (Revisto)