domingo, outubro 12, 2014

Santa Clara: nove anos de Vida Nova



Já vai para uma década que os santaclarenses, conquistando a sua independência em relação a São José, tomaram em suas mãos os destinos da “nova” Santa Clara (a velha Santa Clara, a primeira de seu nome e terceira freguesia a ser criada em Ponta Delgada, foi determinada pelo Bispo D. Pedro de Castilho em 1580).
Completaram-se ontem (escrevo na sexta) exactamente nove anos que um grupo de cidadãos – o passar dos anos só tem vindo a reforçar a opção então tomada –, contrariando e “batendo o pé” à lógica do forte poder então praticamente prevalecente em todo o Concelho de Ponta Delgada, saiu vencedor na disputa eleitoral de 09 de Outubro de 2005. Daí para cá, apesar da “estratégia de retardamento” levada a cabo por quem a partir do “Paço do Concelho” nunca digeriu bem a democrática vitória de Santa Clara - Vida Nova (o caso dos sistemáticos avanços e recuos com a Segunda Rua de Santa Clara é disso paradigma), Santa Clara muito melhorou: foi a requalificação da Príncipe do Mónaco; foi o ordenamento do trânsito a Norte desta, com a construção da “Rotunda Vida Nova” (fim da “perigosa armadilha” que aquele entroncamento representava); foi o valorizar do que sobrou da “Mata da Doca” que deu lugar ao “Jardim Padre Fernando”; foi a total transformação do “Caminho Velho do Ramalho”, incluindo a zona fronteiriça à antiga aerogare (em curso está a demorada deslocalização dos “Tanques do Óleo” e o fim do “buraco negro” em que se tornou o antigo “Matadouro Frigorífico Industrial”).
Como se vê são avanços consideráveis: notáveis mesmo tendo por padrão os que durante o mesmo período aconteceram na “freguesia mãe” – São José!
Satisfeitos? Não! Mas o ânimo que dá, paulatinamente, ir vendo resolvidos um a um a esmagadora maioria dos itens do Manifesto Eleitoral de 2005 proporciona um valioso suplemento de força e determinação para encarar o que falta, sobretudo o que a “estratégia de retardamento” atrasou! Até porque, como é cada vez menos o que está por resolver, mais tempo e dedicação lhe está reservado: é Santa Clara; é Vida Nova; é mesmo assim!

AO. 11/10/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, setembro 28, 2014

A face visível


Cedo se deu conta da impreparação de Pedro Passos Coelho – e de grande parte da sua equipa – para a governação, tudo se tornando muito mais notado ainda por se tratar de uma administração a ter de ser feita em tempos difíceis e sob condições exigentes, como é o caso. Rápido e fácil foi perceber ter sido “a dívida” a Miguel Relvas e a sua subordinação ao “mundo de Victor Gaspar” aquilo que melhor qualificara o ex-jotinha – em tempos rebelde, liberal e algo esgrouviado – para tão importante quanto difícil empreitada. Claro que na vida há momentos e oportunidades: as “faces ocultas” e demais trapalhadas que antecederam o seu tempo de PM ajudaram bastante, com a convulsão financeira iniciada no Lehman Brothers estendendo o tapete vermelho que ele haveria de passar até “chegar ao pote”.
Porque a ocasião assim pedia, o liberal (nos costumes) rapidamente se transformou num ultra liberal ideológico, defensor do empobrecimento como método de redenção e da eliminação das funções sociais do Estado como forma de reduzir o deficit. Passaram à história as promessas com que ele “abriu caminho”: os impostos que não iriam subir; os despedimentos que não aconteceriam; as tais “gorduras do Estado” que com uma redução mais ou menos significativa nos “gastos intermédios” chegaria e sobraria para “fazer o milagre”. Esqueceu-se disso e de muito mais, olvidando até, para já em parte e apenas temporariamente, as generosas compensações que uma ONG da Tecnoforma lhe havia proporcionado, com ou sem a fundamental cooperação da “face oculta de Relvas”.
Eis mais um bom exemplo de uns e de outros: uns, aqueles que “vivem acima das suas possibilidades” e para quem o empobrecimento é apresentado como redentor; e outros, agora porque convém ditos remediados, outrora tão bem gratificados que hoje se dão ao luxo de esquecer terem recebido num só mês montantes que no caso dos verdadeiros remediados correspondem a alguns (muitos) meses de vencimento. Esta sim – por enquanto, porque dos “off-shores” podem vir mais más notícias – é a face cada vez mais visível do “nosso primeiro”.
Passa fora!

AO. 27/09/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, setembro 13, 2014

Rigor ou sadismo? / YES




Continua a render – embora cada vez menos, não obstante o cada vez maior esforço do “Ministério da Propaganda” – a já mais que estafada desculpa, para tudo e para nada, da “bancarrota herdada”. Também me insurgi contra o escasso rigor da “Era Socrática”, sobretudo da sua fase final. Mas entre o pouco rigor e o perverso gosto pelo miserabilismo – dos outros (porque para eles nem miséria nem rigor: é ver como cresceram como nunca as “gorduras” relacionadas com os gabinetes ministeriais) – desculpo menos, muito menos, os que com crueldade insistem em optar pela segunda hipótese. Mas, se continuar a evocar a herança de 2011, apesar de tudo, aparenta render, começa já a ser cada vez mais nítido que o legado dos actuais “vivos mortos” irá sair bem mais caro e pesado que a desdita a outros exclusivamente imputada (como se não fosse substancial o contributo dos actuais beneficiários do discurso da “pesada herança” para o agravamento da dita)! O caso GES/BES – com a “procissão ainda só no adro” – é um bom “abre olhos”, tal como o são as “bocas no trombone” em vésperas do aumento de capital, às quais se seguiram estratégicos silêncios, depois dando azo a ridículos “sacudir água do capote”, até dos patronos. Tudo isso demonstra bem como “estes rapazins” pouco mais sabem fazer do que tentar agradar e cumprir a quem deveras os capitaneia (e nem isso fazem bem feito: atendam-se aos queixumes da madame Lagarde e do senhor Silva!).

YES
Aconteça o que acontecer os independentistas escoceses já ganharam. Assim, daqui do meio do Atlântico envio para mais a Norte o meu YES por uma Escócia Independente! Afinal, ao que parece – pelo afã com que os “colonizadores” (sem kilts, mas em suspeita “união reinante”) saindo do seu reduto se foram bater pelo NO –, a Escócia não é um “pesado fardo” para o UK. E porque há “colonizadores” e “colonizadores”, aqui fica também o meu apreço e grande respeito pelos britânicos e sua cultura democrática: como se sabe – e nós açorianos “sentimo-lo na pele” – nem todos os países que dizem prezar a democracia são democráticos de facto. Como se pode falar em democracia quando, simultaneamente, se impede os açorianos de democraticamente organizados em partidos que apoiem a Autodeterminação, poderem também defender a Independência dos Açores?
Eis um bom motivo para alterar a Constituição da Republica Portuguesa!

AO. 13/09/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, agosto 31, 2014

Rectificativo?

Eis que Portugal já tem mais um rectificativo: um novo rectificativo, para rectificar o rectificativo anterior. É obra: a obra do “Campeão dos Rectificativos”! Uma obra que só por si é um bom indicador da sua impreparação; de como eram falsas as promessas antecipadas; de como o objectivo, encomendado, em vez de ser o “sanear as contas públicas”, mais não é que impor “a ditadura neoliberal”, mandando a esmagadora maioria (“eles” e os compinchas não, como se vê é um viva a fartura) para o conveniente e disciplinador limiar da pobreza. Vejamos: este rectificativo é porquê? Não porque a dívida decresceu, pois esta continua a caminho dos 150%; não porque as “gorduras do Estado” foram, finalmente, “afiambradas”, pois estas continuam a levedar; não porque o Tribunal Constitucional, como eles gostam de dizer, seja culpado “disso ou daquilo”, porque “os chumbos do TC” são só o pretexto. O rectificativo, os rectificativos, são só e apenas porque o que não cresce é a economia (nem pode crescer tal é o “esmirramento” a que a submetem insistentemente)! E “eles” sabem disso, mas são obedientes; coitadinhos; “paus mandatos”!
O PPC rectificador é o mesmo Passos Coelho que dizia ser o seu antecessor incapaz de aumentar a receita sem aumentar os impostos, ou, de forma mais contundente ainda, “ser criminosa a política de privatizações que vendessem ao desbarato os activos públicos”. Quem o ouviu e quem o ouve! Qual Pinóquio qual carapuça. Compará-lo só mesmo aos presidentes dos clubes de futebol que cultivam a máxima do: “o que hoje é verdade amanhã é mentira”. Há até quem já tenha refinado o popularucho aforismo para: “o que da manhã é verdade à tarde é mentira”! É já com estes últimos que PPC compete. Quem nos mandou colocar "o destino" nas mãos de quem na vida pouco mais fez do que cirandar nas “jotinhas”?
E por falar nos que se “fazem homens” à sombra da bananeira esperando pacientemente o dia de “chegar ao pote”: intriga-me o apoio que Seguro obtém nas hostes da actual maioria. Cá para mim – que não estou, nem quero estar, mobilizado para “a guerra dos antónios” – que mais será necessário para demonstrar como Seguro é o melhor seguro de Passos Coelho?

AO. 30/08/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, agosto 16, 2014

Isto tresanda

Apesar de três anos de vida exaurida, para alguns, para a maioria – e foi prometido que assim não seria; que acabar com as “gorduras do Estado” chegava e sobejava! – e quando se torna óbvio que o resultado deste autêntico “confisco fiscal” (não era esta a expressão que Paulo Portas tanto gostava de usar?) leva sumiço só no tapar do buraco BPN, eis que um novo buraco, desta vez a cratera BES, está no nosso caminho.
A nova tragédia indicia que o “caminho das pedras” é para continuar, para ser trilhado com ainda mais dor, embora o “Comité de Propaganda de PPC” se esforce em dizer que desta vez não será assim; que não serão os “dinheiros públicos” a tapar o buraco; balelas… Dizem isso com o mesmo descaramento com que disseram não ir aumentar impostos nem despedir à farta; dizem isso com a mesma “cara de pau” com que ainda recentemente afirmavam que os problemas do GES nada tinham a ver com os do BES, então ainda uno, seguro, tão recomendável que até mobilizou o Presidente da Republica Portuguesa em defesa de tamanha segurança. Isto antes: antes do acelerado Conselho de Ministros, o das votações virtuais; antes da dicotomia “Banco BOM” “Banco MAU” ter criado um problema que, se não me engano, aprofundará ainda mais a medonha cratera GES/BES; antes “deles”, os principais artistas, se terem colocado “a banhos” e “calado como zorras”; antes de, como se adivinhava inevitável, a realidade (primeiro dando a conhecer documentos pretensamente omitidos e logo abrindo novas e sérias feridas) os desminta, a todos. Antes de tudo isso, mas depois, muito depois, quase um ano depois, de serem conhecidos indícios de gestão fraudulenta no universo do bom, hoje mau e amanhã, quiçá, vilão, “Dono Disso Tudo”!
Foram os Oliveiras Costas e quejandos quem viveu acima das suas possibilidades (até quando financiaram campanhas eleitorais), mas são “os papalvos”, nós, ainda para mais acusados de viver acima das nossas posses, quem paga a factura!
Isto já tresanda, e para acentuar o mau cheiro ficamos esta semana a saber que eles, sempre os mesmos, continuam a “criar gordura”: então o filho de Durão Barroso não foi contratado, por convite, para ir ajudar desregular para o Banco de Portugal…

A.O. 16/08/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, agosto 02, 2014

CPLP, olé!


Sou a favor de uma total emancipação dos Açores. Da mesma forma – e com a mesma convicção – defendo ser a Língua Portuguesa a grande, a maior, herança que algum dia os portugueses nos irão deixar. Também por isso senti simpatia, desde a primeira hora, pela criação da CPLP: Comunidade de Países de Língua Portuguesa, onde, acredito convictamente (mas não coloco nisto datas, muito menos uma tão curta como dois anos), um dia os Açores – e também a Madeira – se integrarão. O desejo dos Açores, como país soberano, integrarem a CPLP mantenho-o; a simpatia pela CPLP, por esta CPLP (a que resultou da cimeira de Díli), confesso, já não é a mesma. Compreendo, até por constrangimentos paternalistas e outras obrigações, a tolerância que Portugal possa ter para com os deficits democráticos de alguns dos países que com o pós 25 de Abril se emanciparam do seu jugo, para mais, porque dificilmente poderiam haver hábitos democráticos após um processo que insistiu até ao fim (e insiste, agora com balizas mais curtas) no lema “do Minho a Timor, Portugal, Portugal, Portugal…”. Diferente poderia ser se, pelo contrário, como noutros casos, Portugal tivesse em conta o natural direito “dos filhos” a autonomizarem-se e tornarem-se independentes. Mas não foi (nem é), Portugal sempre preferiu (e prefere), o vil desejo de exploração e/ou exibição da sua “imperial” grandeza, ao nobre desígnio de ajudar a desenvolver “os filhos”, já tão adultos quanto ele, e por ventura mais capazes que o “próprio pai” para se governarem sozinhos. Compreendendo a tolerância perante os países surgidos das ex- colónias, já não compreendo – nem aceito as razões hipócritas e interesseiras que as justificam – o alargar desta tolerância a um país como a Guiné Equatorial, permitindo de permeio “tempo de antena” a um ditador facínora que não se importa em pagar seja o que for para ir conseguindo “minutos de fama” no cenário internacional.

A desculpa do evitar ficarem isolados não serve: há ocasiões em que “um corajoso isolamento” até fica bem. Outros portugueses assim fizeram quando, não se preocupando se o faziam sós ou acompanhados, aboliram a pena de morte. Outra gente, outros valores, outra coragem! 

A.O. 02/08/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, julho 20, 2014

Dois Jotas

Não, este texto nada terá a ver com “jotinhas” ou com os “jotas” que após marcar passo uns anos nas organizações partidárias de juventude, como que por artes mágicas, passam de “jotinhas” a primeiro-ministro ou mesmo, que seja, a candidatos a primeiro-ministro!
Os Jotas que hoje para aqui trago são outros. São Jotas que, atafulhado como ando de novo em “papéis velhos”, ao relê-los, como que recuei mais de quatro décadas, recordando as leituras dos jornais que fazia em tempos de meninice e juventude, em especial das secções desportivas dos diários de então. Refiro-me ao Jota Valadas Júnior e ao J. JOTA. Se do primeiro, embora senhor de um histórico de presenças em jornais bem mais longo, remontando mesmo quase ao tempo do juntar das minhas primeiras letras, além dos extensos e detalhados relatos escritos dos jogos do fim-de-semana – com uma ou outra pertinente polémica de permeio – o que mais recordo foi a sua eficácia em se “esconder” por detrás daquele pseudónimo; já quanto ao segundo, do J. JOTA daquilo que não me esqueço – além da proximidade, antes como agora, já que também é santaclarense e santaclarista (de e do Santa Clara, como se dizia) – era da sua indisfarçável preferência pelo “Santa Clara”, do seu gosto e abordagem de outras modalidades, e que o seu pseudónimo para mim nada encobria. Recordar o J. JOTA destes tempos é também recordar o seu Ford Cortina GT, e, regressando aos “papéis velhos” que nestes dias me atazanam, recordar também a sua capacidade de premunição quando, como “enviado especial” a um “Rally Papper” à Ilha Lilás, vaticinou, dada a capacidade organizativa que testemunhou, a chegada para breve do automobilismo mais a sério àquela ilha.
Um destes dias, discorrendo ambos sobre estas minhas mais recentes incursões pelos jornais das décadas de cinquenta, sessenta e setenta, o J. JOTA emprestou-me um volume – dedicada de carinhosamente selecionado e encadernado – através do qual, sem correr o risco de agravar as alergias “ao pó dos papéis velhos”, reli com mais descanso a quase totalidade das suas colaborações com o então diário “Açores”. Retive e anotei – mas fica para outra – uma interessante entrevista ao "Zé Manél" Costa Pedro. Bons tempos!

A.O. 19/07/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, julho 05, 2014

A causa: Independência

A opinião de José San-Bento sobre a Independência dos Açores, que há muito conheço, é respeitável – tal como, espero, por ele seja considerada a minha. São opiniões! Diferente é a consistência da causa “Independência dos Açores”: mais que centenária, ao longo dos tempos autonomicamente adiada, mas que não é, nunca será, “causa perdida”!
Causas perdidas, diziam os “senhores do antigamente”, seriam as independências das antigas “províncias ultramarinas”. Como se viu, deixaram de ser (um dia o mesmo acontecerá com a das “ilhas adjacentes”). Já mais recentemente, causa perdida, diziam outros, muitos, seria ver o Governo dos Açores “nas mãos de socialistas”. Como se vê, também aconteceu! As causas, todas elas, só estão perdidas quando não se luta por elas. Se há vontade de as não perder; gente disposta a por elas lutar, um mínimo de inteligência, organização e persistência, não há causas perdidas: mais década, menos década; mais século menos século, são ganhas!
De volta ao escrito de JSBento há a referir que pelo menos num ponto estamos de acordo: dispensava-se, até por uma questão de credibilização da causa, repetir os prés anúncios de Independência (também já defendi o “Independência Já”, mas isso vai para quarenta anos. Nada nos ensina tanto como o tempo: é só querer aprender!). Quanto ao resto estamos em completo desacordo. Há ali muito erro e alguma superficialidade, com a referência à “tertúlia dos românticos intelectuais” sendo disso bom exemplo. Além do muito mais, ao contrário do que foi escrito, naquela tertúlia nem todos são independentistas. Calculo até que no grupo a percentagem dos independentistas (1/3) não deva estar longe do que acontece, agora, em geral nos Açores. A grande diferença é que ali, ao invés do que se passa numa sociedade condicionada pelos ditames da “democrática” Constituição Portuguesa, o tema Independência não é tabu, nem proibido! Logo, fica o exemplo de que, não fora a “democrática” CRP (que impede partidos políticos pró independência), fácil seria – não obstante os 40 anos de desvantagem – aproximar o número de apoiantes “da causa” do número de apoiantes do PS/A ou do PSD/A, onde também não faltam independentistas!

A.O. 05/07/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 
http://www.acorianooriental.pt/artigo/a-causa-independencia

sábado, junho 21, 2014

As aclarações

      

Como se necessário fosse, o recente pedido de aclaração que o actual Governo de Portugal, a coberto da maioria que o suporta, tentou obter do Tribunal Constitucional, aclarou, isso sim e mais uma vez, a incompetência e a impreparação de Pedro Passos Coelho, Paulo Portas & Cª. E fê-lo colocando a nu, também uma vez mais, as costumeiras incoerência e prepotência de quem mais não faz do que actuar a mando de outrem, tipo capataz zeloso, sempre focado na sua tão imediata quanto egoísta recompensa, e que, para tal conseguir, “passa por cima” de todo o resto, já nem se dando conta (tampouco se importando) com a espiral de contradição – e destruição – que deixa como rasto. A tentativa valeu porém pelas outras aclarações que permitiu, a primeira das quais ainda nem o “pedido de aclaração” passara de uma intenção. Logo aí ficou aclarado o verdadeiro propósito de quem dizia querer terminar com a figura jurídica da “aclaração”, por considerá-la não ser mais do que uma manobra dilatória. O que de facto, no caso, ficou provado ser! Aclarado também ficou, aos olhos de todos – e evidenciado por alguns deles próprios – o intuito provocador, conflituoso e vingativo da “aclaração”. Mas se dúvidas haviam uma grande aclaração ficou: o “fardo” a carregar; da crise, dos ajustamentos e de tudo o mais, é só para uns nunca para todos. Veja-se como não houve necessidade de esperar pela dita “aclaração” para, no caso dos deputados e dos funcionários do Parlamento, serem logo repostos os cortes de rendimento que tantas dúvidas parecem ainda levantar, mas só quando se trata de outros funcionários públicos? E decoro? E vergonha? E depois esforçam-se em nos convencer que não são todos iguais!

A coluna desta semana do meu amigo José Carlos San-Bento merece resposta – já agora, se calhar até merece também uma aclaração. Vai tê-la. Fica prometida para a próxima oportunidade. São coisas do destino: não é que este ano o 6 de Junho passou sem que eu escrevesse sobre Independência dos Açores, sendo que é um adversário da causa (que defendo) quem me vem “oferecer a deixa”!

A.O. 21/06/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, junho 07, 2014

Inconseguimento


Não há melhor vocábulo para caracterizar o triste desempenho do actual governo português do que aquele recentemente “inventado” pela companheira de muitos deles e actual Presidente da Assembleia da Republica portuguesa: “inconseguimento”.
“Inconseguimento”, triplo, foi o que aconteceu sucessivamente com a execução de uma das tarefas basilares da governação: a apresentação de um OE acatando os preceitos constitucionais vigentes, que alguns juraram cumprir e todos estão sujeitos.  “Inconseguimento”, permanente, é a tentativa de nos convencer que as falhas resultantes da impreparação, inabilidade e incapacidade deste governo são culpa de outros – e já lá vão três anos: dos que lhes antecederam e/ou dos que lhes obrigam a fazer o que tem de ser feito, não de qualquer forma, mas como deve ser feito! Mas o maior e mais recente “inconseguimento”, digamos que o “inconseguimento” de todos os “inconseguimentos”, manifestou-se no pedido de esclarecimento, ou aclaração como outros dizem, ao Tribunal Constitucional, questionando como resolver o que para um qualquer funcionário competente – já nem falo num consultor jurídico, mesmo que em início de carreira – não surtiria dúvidas. Como se não percebesse logo à partida que o que está em causa é a afronta, a criação de manobras dilatórias, uma atrás da outra, na busca de sucessivos “bodes expiatórios”. Com tanto “inconseguimento”, provado ficou também, o “inconseguimento” da Ministra da Justiça em fazer desaparecer a figura da “Aclaração”, pretendido exactamente para evitar as ditas “manobras dilatórias”. Enfim…
E Passos Coelho, tirando já descaradamente a máscara, começa a demonstrar a sua vontade em substituir o Tribunal Constitucional por um outro qualquer, mais simplificado e simplificador, na lógica do antigamente. Qualquer coisa inspirada mais uma vez em Salazar, em Outubro de 1945. Algo tipo os “Tribunais Plenários”, com juízes nomeados segundo critérios de estrita confiança política, "à maneira"! E assim, a “um presidente, uma maioria e um governo” juntava-se um tribunal alinhado, com isso, quem sabe, evitando tanto “inconseguimento”, até o da sua viagem ao Brasil, para ver um jogo do Mundial ao lado da “patroa”!

A.O. 07/06/2014; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)