


Pena que às primeiras páginas só cheguem as transacções de elite, fenómeno que a própria ordem jurídica já segmenta por mercados (a grande, e a pequena), uma infecção que para chegar ao topo tem de percorrer, desde a base, um longo e perverso caminho. O mais das vezes, iniciando-o com actos aparentemente irrelevantes, raramente noticiados, mas que, até pelo despotismo que revelam, logo denunciam os óbvios pequenos passos com que se inicia um longo e rentável percurso. Ou não serão destas “traficâncias” que se trata, por exemplo, no caso do funcionário camarário que é deslocado de determinada freguesia (onde até ali desempenhava função tida por relevante) só porque nas eleições para a Junta local ganhou um partido diferente daquele que se manteve o poder no Concelho que integra a Junta em causa?
Todos sabemos que, mesmo sujeitos às sevícias da nova censura, onde a publicidade institucional tem mais eficácia que o antigo “homem do lápis azul”, títulos como: “Vara ao Sol”, “Aglomerado de Penedos” ou “Figo de luxo”, ainda se lêem mais vezes do que, por exemplo: “Coveiro desaparecido”! Mas, e porque “é de pequenino que se torce o pepino”, também se sabe, que, só quando acabarem as pequenas traficâncias, poder-se-á, um dia, admitir ver reduzido o tentacular (e já institucional) polvo, eficazmente domesticado pela elite dominante (seja ela qual for)!
A.O. 24/11/09; “Cá à minha moda" (Revisto e acrescentado)



























