terça-feira, agosto 30, 2011

Os mesmos tiques de sempre




Portugal não é um país pequeno, diziam então.
Também posso dizer: nem os Açores serão!



Em tempo de “vacas gordas”, mesmo quando artificialmente engordadas, há um conjunto de “tiques”, reveladores de outros tantos preconceitos – no caso, mais do que isso, são claras manifestações neo-coloniais –, que com maior ou menor dificuldade conseguem ser disfarçados. Porém, quando a crise “bate à porta” – o fazer “cair máscaras”, tal como o “aguçar do engenho”, são das poucas vantagens das crises – sobejam, por vezes surpreendendo, as grandes revelações. Muitas delas insólitas!
Não há muito tempo, no decorrer de uma entrevista ao actual Ministro das Finanças de Portugal, a jornalista – Judite Sousa, se não estou em erro – instou o ilustre entrevistado a “ter mãos neles”. “Eles” eram o Governo dos Açores e da Madeira, Órgãos de Governo Próprio, meia volta/volta e meia tidos ou confundidos com uma simples autarquia, vezes sem conta referidos como Órgãos de Poder Local, e, porventura vingasse a vontade de alguns, “qualquer coisa” a ser completamente subjugada (umas vezes pela disciplina partidária outras pelo emaranhado do quadro politico/legislativo, pois importante mesmo é que sejam “autónomos”, mas não muito. Basta que conste!).
Em abono da verdade deve dizer-se que o governante em causa, não obstante a forma tendenciosamente dirigida como a questão lhe foi colocada, não amesquinhou, ainda mais, o Estatuto de Autonomia, forma de Lei que ao invés de progredir, de se consolidar e valorizar, tem sentido enormes dificuldades em se libertar das grilhetas que, de uma ou de outra forma, insistem em colocar-lhe. A mesma verdade manda também dizer que Alberto João Jardim se tem farto de dar trunfos aos adversários das autonomias: uma pena, porque aquele estilo destemido, e o correspondente “falar grosso”, fazem falta. Bom, mas deixemos a Madeira para os madeirenses!
Quanto aos Açores, nunca é demais lembrar a quem finge insistentemente esquecer, que ao contrário do que alguns gostam de fazer crer, é – e de maneira geral sempre foi – muito maior a contribuição daqui originária para “o grande império” do que aquilo que dele, “império” (em formato grande ou minúsculo), reciprocamente, aos Açores chega. Monta que apesar de tudo poderia aumentar substancialmente não fora a forma aparentemente displicente – há que disfarçar para melhor “vender por baixo da mesa” – com que “o senhorio” negoceia a justa valia da “enorme quinta do meio do Atlântico” com os senhores do “mercado internacional”.
Exemplos não faltam, com um dos últimos, a acontecer já no advento da crise de 2008, fazendo dos Açores, “a insignificante autarquia” – vejam lá se escolheram Lisboa, ou até mesmo Beja? – palco onde Durão Barroso (acompanhado de Bush, Blair e Aznar) se colocou “em bicos de pés” perante o Mundo e a Europa. Ele ainda hoje tira disso dividendos, para os Açores, além dos riscos, ficaram apenas as imagens!
Pior do que as crises que fazem vacas emagrecer são as crises de crescimento, e com estas os Açores têm uma má relação. Diria mesmo que a Autonomia dos Açores quando atinge a idade madura em vez de se fortalecer, “é deitada ao chão” (a Autonomia, não evoluindo, tende a apodrecer). Foi assim com Salazar (finais da década de 20, inicio da de 30 do século XX, com o fim da moeda própria anunciando o “golpe de misericórdia”. Eram também tempos de crise!) e assim, de novo, tentarão que seja. Sinais não faltam: é a crise; é a condescendência aos estilos autoritários (o consulado de Sócrates foi disso inusitado paradigma); e, “last but not the least”, uma conveniente troika: um Presidente, um Governo, uma Maioria (em estreia após “o tempo da velha senhora”).
“Aguçar o engenho”, sim. “Botar sentido”, também!



A.O. 30/08/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)


quarta-feira, agosto 17, 2011

Conveniências, conluios: há quem lhes chame coincidências


Outras Troikas, que com trocas e baldrocas criaram a aprofundaram o buraco BPN



A "instalação Bidão", a ganhar "patine" para se candidatar ao "CMC Niemeyer"


Fotos "roubadas" na net, a do "Bidão" no FB do João Raposo

Existem assuntos sobre os quais, por mais que prometa a mim mesmo não voltar a eles, atazanam-me de tal forma que quando dou por mim já falhei ao prometido.
Seguem-se dois bons exemplos:
1 – O BPN, que apesar de parecer já antigo, porque se reinventa, torna-se inesgotável – com cada fase mais bizarra do que a anterior – mantendo-se sempre actual!
Onde é que vão as centenas de M€ que Miguel Cadilhe pediu (em forma de aval) para dar solução ao assunto? Quantos mil M€, no entretanto, já ali foram “enterrados”? De Miguel Cadilhe – tire-se-lhe o chapéu, pois não fora ele a “agitar o lodo daquele pântano”, talvez hoje nem os “casos de polícia” (que se irão eternizar qual Casa Pia e outros que tais) existissem – já nem se fala. Não descansaram enquanto o não neutralizaram. Como já não se fala de Victor Constâncio, o ineficaz “fiscalizador”, promovido que foi, e agora no BCE, à distância, melhor do que nunca para continuar a “ver a banda passar”. Teixeira dos Santos vai pelo mesmo caminho. Só do BPN, mesmo depois de mudar de nome, dificilmente se poderá deixar de falar. Nacionalizaram o que era “doloroso” deixando “escapar” o que podia valer alguma coisa (a SLN), como quem diz, à descarada: o Passivo pagam todos, os Activos é para “eles se abotoarem”. O problema aqui – que não é de somenos importância – é quem são “eles”: um qualquer “desgraçado” falha um pagamento e logo lhe penhoram a conta bancária, a casa, e o mais que houver. Mas Dias Loureiro, por exemplo, já não tem bens (em seu nome) que possam servir de garantia para o normal desenrolar da investigação em curso. Agora, para “rematar o ramalhete”, a reprivatização segue os mesmos moldes. O que não presta foi de novo repartido por TODOS, para ALGUÉM – e nunca alguém é só alguém – comprar “chicha” pelo preço “da uva mijona”! “Tolos a dar, espertos a aceitar”, não custa entender. A questão é que, ou há quem saiba explicar tudo isso muito bem, ou não convencem – ninguém – que isto “não está tudo ligado”!
2 – Quem diria que a requalificação da 2ª Rua de Santa Clara, uma promessa eleitoral de Setembro de 2005 – “Estou certa que com a requalificação que defendemos e que iremos desenvolver desde a rotunda de Santa Clara até ao inicio desta via, quer a freguesia de Santa Clara quer a própria Relva não mais serão as mesmas.”-, ainda para mais quando associada a uma provocação logo depois muito difícil de digerir – “Esperamos agora que o Governo possa também cumprir a promessa de requalificação da Avenida Príncipe do Mónaco (…).”–, e ao longo dos tempos sempre reforçada com um – “cumprimos o que prometemos” –, o que como se vê, infelizmente, não se aplica a todos, passado todos estes anos estivesse ainda por cumprir?
Um conjunto de “azares” e burocracias, dizem, está na origem deste crónico incumprimento. “Azares” sucessivos, digo eu, que por mero acaso (ou não), ao que parece, só acontecem em Santa Clara. Coincidências! Noutros locais, e para outros destinatários, não faltam empenhos, esforços que chegam ao ponto de “contornar” o PDM, ou a desmanchar e refazer o que foi recentemente feito! Só para a 2ª Rua de Santa Clara não há “mãos à obra” neste "Concelho Feliz" que lhe valham. Coincidências! E as coincidências ficam por aqui, agora, porque não é tempo de referir outras “coincidências”.
Consequência de sucessivos “azares” e burocracias não será com certeza, também, a prolongada “distracção” que votou ao abandono os “bidões” colocados para sinalizar a derrocada da “Rocha da Nordela”. Velhos, enferrujados, podres, carregados de lixo, passados cinco anos eles lá continuam. Para a segurança do local contribuem pouco – está provado –, o que não deixam de ser, feliz ou infelizmente, é um forte de sinal de desmazelo (só muito recentemente minimizado com uma "limpeza" de ocasião) e do óbvio incumprimento de promessas recorrentemente anunciadas, para logo serem adiadas. Seis anos. É muito tempo! Como seria se todos fossem assim?

A.O. 16/08/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, agosto 02, 2011

A “Fontinha da Alta”


A "Fontinha da Alta" (em 1947), o seu proprietário, e João Mariano (filho do distinto jogador e Capitão do CDSC nas décadas de 30 e 40), ainda de bibe e "xucha" ao pescoço.
"Clikando sobre a foto esta aumenta, mostrando pormenores"


Nos finais da década de 40 início da de 50 do século passado, bem “no coração” de Santa Clara, já depois do Largo da Igreja, após percorridos os primeiros cem metros da 2ª Rua de Santa Clara, quem por ali circulasse deparava-se com a “Fontinha da Alta”, uma “Chic” Cervejaria/Café, referência em Ponta Delgada nos estabelecimentos do ramo. Licores finos, reputadas marcas de vinhos do Porto, champanhes, espumantes, outros vinhos licorosos, vasta e requintada doçaria, um esmerado serviço – imagem de marca do proprietário – e a discrição e tranquilidade que aquele espaço proporcionava, apresentavam-se como vantagens competitivas apreciáveis, seriamente prezadas pela significativa clientela que, vinda de Ponta Delgada, da “Fontinha da Alta” faziam local de culto e paragem tão tranquila quanto retemperadora. Futebol e política (esta especialmente discutida sob um ponto de vista conservador, bastas vezes saudoso dos tempos da monarquia) eram temas frequentes nas tertúlias da “Fontinha da Alta”.
António José Carreiro e Silva, “o Sr. Antoninho Carreiro” como era conhecido em Santa Clara, proprietário e promotor do projecto, expandira naquele sentido o negócio que já há muito dedicada e meticulosamente geria, com o novo empreendimento a ser levado a efeito paredes meias com a sua original “loja”, um ícone já então contando mais de três décadas, umbilicalmente ligado aos “Campeonatos de Santa Clara” e com estes ao popular fenómeno sócio desportivo ocorrido pelo menos entre 1917 e 1922, sucessão de “desafios” vs “desforras” e outros episódios que desempenharam um importante papel na promoção e divulgação do futebol em São Miguel, culminando na organização associativa da modalidade.
De facto os “Campeonatos de Santa Clara” tiveram as “lojas” da localidade como núcleo agregador, organizador e patrocinador das equipas que os disputavam, e destas, por factores que tinham a ver com concorrência comercial, mas também com óbvias divergências politicas entre os proprietários – “o sal” da rivalidade das equipas que ambos representavam –, duas destacavam-se como as grandes animadoras daquelas renhidas disputas: a loja do Sr. João Travassos, estabelecimento que não obstante depois conhecer muitos outros administradores continua a desempenhar actividade similar no mesmo local (Largo da Igreja); e a loja do Sr. “Antoninho Carreiro”, que já não existe, com o prédio que a comportava hoje apenas destinado a habitação, transformação que só aconteceu após o falecimento do proprietário (Abril de 1974), não sem que antes, na senda da cuidada gestão que era apanágio do seu detentor, o negócio se ter expandido, dando lugar ao requintado Café/Cervejaria que é mote destas linhas, cuja firma, “A Fontinha da Alta”, isso mesmo parecia indicar logo à partida.

Fazem falta “Fontinhas da Alta” em Santa Clara, mas adiar sistematicamente promessas como a de proceder há urgente e necessária requalificação da 2ª Rua de Santa Clara, por muito esforço que outros façam, em nada contribuiu para o colmatar desta, e de outras carências.
Quando será que, em Santa Clara, as “Mãos à Obra” deste “Concelho Feliz” transformam velhas promessas, já estafadas de incumprimento, em realidades levadas à prática?

A.O. 02/08/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, julho 19, 2011

Promover os Açores e os açorianos





Fotos: Só a primeira é minha (Curva dos Carvalhos, Sete Cidades, "Volta à Ilha S. Miguel", início da década de 70)
As três seguintes são do João Luís Raposo, a última foi "roubada" no FB (A Bandeira).


[Mesmo quando a foto não a capta, há sempre uma outra bandeira a ondular ao vento, hasteada mais alto]

O automobilismo, de forma muito especial o “Sata Rally Açores” – onde já vai a “Volta à Ilha de São Miguel”? – tem sido um eficaz meio de promoção dos Açores e dos açorianos.
Há uma estratégia de gestão de espectáculos, tipo aquela em regra utilizada no universo circense onde não obstante os artistas serem provenientes de vários quadrantes do Globo a origem da Companhia fica sempre associada à dos seus empresários, que se levada ao extremo, consome recursos sem deixar sementes que germinem no futuro. No Circo, que tem a sua raiz na itinerância, isso até faz algum sentido. Mas é exemplo que não pode nem deve – como alguns defendem – ser extrapolado para outras áreas. Importar “artistas” (o mesmo se aplica aos outros profissionais do “métier”), geralmente com grande esforço e dispêndio de meios, para fazer algum sentido deve exigir que estes, de qualquer modo – de preferência obedecendo a um plano previamente delineado – contribuam para ajudar a “fazer crescer” aqueles que por cá despontam, enriquecendo-os com o seu saber e aptidão, potenciando assim a valorização e promoção dos recursos e capacidades endógenos/nas. No mínimo, há que garantir que a sua passagem e/ou permanência venha estimular, e desenvolver, análogas competências locais. O automobilismo nos Açores tem sido um bom exemplo disso!
Já passaram aos anais da História os pioneiras desempenhos de Toste Rego, Labieno Machado, Faria e Maia, e, até, Raul Mendonça, todos eles ao volante dos carros com que faziam o seu “dia a dia”.
Numa fase subsequente, de transição algo longa, foram surgindo mais uns quantos entusiastas da modalidade, alguns deles dotados de elevadas capacidades, pilotos que inseridos noutros contextos, com certeza, teriam ido bastante mais além. Destes, pela sua longevidade na prática da modalidade, mas também porque é aquele que melhor fez a ponte entre os “históricos” e os actuais, permitam-me destacar o Horácio Franco.
Hoje estamos decididamente numa outra era, e nesta o Ricardo Moura tem patenteado grande classe, exibindo-se, mesmo quando fora dos Açores, a um nível que mostra o quanto ele mereceu a oportunidade que conquistou, demonstrando também que, se porventura tivesse sido desobstruída mais cedo a “janela de oportunidade” que merecidamente agarrou, maior ainda poderia ser o brilhantismo com que promove Açores e açorianos.
Neste sentido a última edição do “Sata Rally Açores” foi um bom exemplo disso: em primeiro do Grupo N, um açoriano – Ricardo Moura –, e também em primeiro mas do Grupo A, um escalão mais baixo (mas não menos interessante nem competitivo), outro açoriano – Paulo Maciel –, que sem dar a mínima hipótese à concorrência (muito melhor apetrechada do que ele no que à máquina diz respeito), foi inexcedível.
Sem com isso pretender desmerecer o brilhante desempenho do Ricardo Moura, é impossível não dar realce especial à excelente prestação do Paulo Maciel, que, em crescendo e de forma tão consistente quanto regular, vem construindo uma carreira já a merecer – diria mesmo exigir – mais e melhores apoios, e em consequência a possibilidade de competir noutros palcos (talvez mesmo a um nível superior).
Se o “Sata Rally Açores” foi mais uma vez um bom veículo de promoção dos Açores, as participações do Ricardo Moura e do Paulo Maciel – que me perdoem outros – honraram os Açores, e encheram de orgulho os açorianos.


A.O. 19/07/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, julho 05, 2011

Açorianos vs ingleses: a primeira vinda da RAF a Ponta Delgada


Foto (imprensa da época) da equipa da RAF, e brazões dos dois Esquadrões RAF que em 1945 e 1946 estiveram nos Açores


Hoje em dia já são poucos aqueles que podem testemunhar – ou se recordam – do que era, nos Açores, disputar uma partida de futebol após uma longa viagem de barco. Tempos houve em que com alguma regularidade (anual) as disputas entre equipas de diferentes ilhas, de forma especial entre as de São Miguel, Terceira e Faial, só se faziam após longas horas de navegação, não sendo assim tão raras as ocasiões em que o jogo se realizava logo após o desembarque. Recuando um pouco mais no tempo, o mesmo também aconteceu com a disputa de jogos entre açorianos e madeirenses, e, embora ainda mais raramente, e com viagens mais difíceis e longas, há também os casos das viagens marítimas de alguns clubes portuguesas aos Açores, e de outros tantos açorianos a Portugal. São disso primeiros exemplos a vinda aos Açores do “Casa Pia” (em 1921, então Campeão de Lisboa em título), e a ida do Clube Desportivo Santa Clara (em 1935, já Pentacampeão Micaelense: uma notícia anunciando-o em Portugal como “Campeão Açoriano” em título despoletou uma polémica de enorme grandeza) para a alargada digressão durante a qual defrontou, ainda no Campo das Amoreiras, o S. L. Benfica, naquele ano Campeão de Portugal (derrota por 11-2, com 4-2 ao intervalo).
O transporte aéreo veio facilitar, e muito, o intercâmbio desportivo (não obstante ainda hoje em dia as viagens serem apontadas como forte handicap), datando de 1945 a primeira vez que o futebol, nos Açores, usou o avião como meio de transporte.
De facto, completam-se esta semana 66 anos sobre a data em que uma equipa da Royal Air Force, vinda da Terceira, aterrou em São Miguel expressamente para disputar dois jogos de futebol.
A iniciativa – numa primeira fase fruto de contactos estabelecidos entre a Direcção do Clube Desportivo Santa Clara e o Delegado Marítimo Britânico em Ponta Delgada – que depois de cuidadas e diplomáticas diligências acabou rapidamente passando para o âmbito da Associação de Futebol de Ponta Delgada, obrigou a organização de duas selecções locais, “Os prováveis” e “Os possíveis”, esta última maioritariamente constituída por jogadores do CDSC: Mariano de Sousa, Manuel Pedro, Manuel de Sousa (Americano), Artur de Sousa (Garalha), João Vicente (Ratana) e José Vicente. Integraram ainda “Os possíveis”: João Maciel, Alírio Fontes, Manuel Azevedo, Tomás Azevedo (Talefa), todos do Micaelense Futebol Club, e António Duarte do Marítimo Sport Club.
Na equipa “Os prováveis” destacavam-se: Armando Goyanes, Manuel Salsa, Bento Macedo, Manuel Maria, Reinaldo Simões, Alberto Ferreira, Hélder Miranda, Humberto Correia, João Casanova, João de Medeiros e Norberto Pacheco. Uma e outra contavam ainda, como suplentes, com: José Pacheco, Manuel Luís, Carlos Lopes, Hugo Correia Machado e Francisco da Costa Santos.
A equipa da RAF valia desportivamente quase tanto quanto o valor tecnológico do meio de transporte que utilizou, integrando-a os seguintes jogadores: Harrison, Burton, Grant, Potter, Nudle, Gilloney, Nuncie, McAnally, Bowers, Mitter e Lambert, sendo os cinco últimos todos jogadores profissionais, e Lambert, para além de profissional, um dos notáveis internacionais ingleses de então.
O resultados dos dois jogos disputados – 6/1 no da estreia contra “Os possíveis”, e 2/0 dois dias depois contra “Os prováveis” – espelharam bem a diferença do futebol patenteado por ambas as partes, rezando as crónicas que foi João Maciel, e as suas espectaculares defesas, o que mais contribuiu para o aparente equilíbrio do derradeiro e mais aguardado jogo.

A.O. 05/07/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, junho 21, 2011

Porque hoje é 21 de Junho




No hemisfério Norte o 21 de Junho coincide em regra com o Solstício de Verão. Este ápice místico e mítico, ancestralmente relacionado com a pujança e fertilidade, mesmo depois de cristianizado, com "a bênção" de S. João Batista, continua encontrando na folia, nas fogueiras e no orvalho matinal, referências actuais para a sua celebração. O momento é também fonte de bons presságios, de abundância, e, remetendo para o “Sol Invictus”, vaticínio de vitória.
Há coincidências? Claro que as há! Mas não acredito que tenha sido simples coincidência – sobretudo tendo em conta o saber e a cultura de indivíduos como o Dr. Lúcio Agnelo Casimiro, o Capitão Eduardo Reis Rebelo e o Tenente João Joaquim Vicente Jr. – a escolha do dia 21 de Junho de 1927 para a realização da AG de fundação do Clube Desportivo Santa Clara, um processo que então já decorria há mais de um mês.
De facto, na sequência a expulsão do Santa Clara Foot-ball Club da Associação de Foot-bal de San Miguel (12/03/1927), e mesmo depois de o Sport Club Santa Clara ter sido aceite na AFSM como sucessor e continuador do “velho Santa Clara” (30/03/1927), um ilustre grupo de cidadãos de Ponta Delgada, procurando apaziguar e reunir as facções santaclaristas desavindas, empenhou-se competentemente na constituição e organização do “Santa Clara” que chegou aos nossos dias. Assim, depois de a 12 de Maio de 1927 ter sido nomeada uma Direcção Interina (Eduardo dos Reis Rebelo, João Joaquim Vicente Jr., Humberto Pacheco Botelho, Álvaro Pimenta dos Santos e José Cardoso), o estabelecimento do CDSC conheceu o seu ponto mais importante na AG que, sob a Presidência João Joaquim Vicente Jr., aprovou os Estatutos de Fundação da nova colectividade (21/06/1927), documento que obteve o Alvará do Governo Civil a 29 de Julho de 1927, e levou à eleição dos primeiros O.S. do clube (5/08/1927), que ficaram assim constituídos: AG – João Batista Rodrigues, Jacinto Medeiros de Sousa e Carlos Manuel Simões; Direcção – Eduardo Reis Rebelo, João Joaquim Vicente Jr., Humberto Pacheco Botelho, Álvaro Pimenta dos Santos, José Cardoso, Ivo José Custódio e Carlos Augusto Raposo; CF – Manuel Inácio de Sousa, Júlio César Ferreira Pacheco e Amável de Medeiros Casanova.
No entretanto o CDSC havia feito chegar à AFSM uma missiva solicitando a sua inscrição naquele organismo, carta de Maio de 1927, escrita e assinada pelo punho de Eduardo Reis Rebelo, e que referia clara e textualmente (os documentos e a atenção aos seus pormenores ajudam muito no dissipar das dúvidas): “Tendo-se fundado nesta cidade uma nova agremiação desportiva com o nome de «Clube Desportivo Santa Clara» pretende a mesma ser inscrita nessa Associação (…)”.
Para além dos “Santas Claras” filiados na Associação: o Santa Clara Foot-ball Club, o Sport Club Santa Clara e o Clube Desportivo Santa Clara, há ainda o fenómeno sócio desportivo “Santa Clara”, e, aí sim, com este podemos recuar - à vontade e de forma séria - uma década.
Remontam pelo menos ao “four July” de 1917 os “Campeonatos de Santa Clara”, com o ataque do U 155, a pronta resposta da tripulação do “Orion” afugentando o submarino alemão, e algumas das consequências daí advindas, condicionando uma das importantes “Desforras” daquele Verão.
Com “os americanos no Field Azores” o futebol em Santa Clara esmoreceu, para voltar a reaparecer, em força, em 1919.
Em 1920 “brilhou” o Sport Club Terror. Ainda em 1920, mas sobretudo durante 1921 (já com Joaquim de Sousa por perto) apareceu o Ginásio Club Micaelense / Instituto de Educação Física. No Verão de 1922 (também com Joaquim de Sousa no processo) a União Sportiva dos Empregados do Comércio transformou-se em Club União Sportiva. Só depois disso, em Outubro de 1922, e de novo beneficiando das boas graças de Joaquim de Sousa – ainda Alferes – o primeiro dos três “Santas Claras” federados fez a sua estreia, e fê-lo com vitória folgada: uns expressivos 4-0 sobre o “velho e temível Terror”.
Passados alguns meses, em Março de 1923, a Associação de Foot-ball de San Miguel dava também os primeiros passos. Tenho-o dito!

A.O. 21/06/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, junho 07, 2011

2011: um 6 de Junho diferente


Saber Açores, nº55, Junho de 2004








6 de Junho: 1975, 1976, 1977, 1978 e sempre



Ontem (hoje quando escrevo) foi 6 de Junho – mais um, o 36º após o histórico 6 de Junho de 1975 –, por coincidência ou talvez não (no caso, mais do que o Divino Espírito Santo foi o Senhor Santo Cristo dos Milagres o determinante), um 6 de Junho cujo “day before” tenderá ofuscar-lhe, ainda mais, a visibilidade e dimensão que deveria ter, e não tem!
Na presente conjuntura, e em falta de “uma marca política açoriana” mais genuína (mas aglutinadora o suficiente para marcar posição), valha-nos a diferença horária, já que tem sido esta, mais do que a completa “mão cheia” de deputados por cá eleitos, o que nos Açores contribuiu de forma bem visível no condicionar da vida política portuguesa, sobretudo em dia de eleições. É a consolação dos subjugados: deixar Portugal suspenso durante uma hora. Adianta muito pouco, mas não deixa de ser uma consolação!
Quanto ao resto, nestes penedos, não obstante o variar da cor predominante no habitual 3x2, não existem – nem agora são de esperar – grandes diferenças. A não ser para os próprios, num dos casos, salvo erro, já com pelo menos dois recordes acumulados: o da antiguidade na função, e o de ser, actualmente, o único que deputou nos dois diferentes regimes. Tirado isso, e apesar da indiferença da maioria; da grande euforia de uns; da preocupação de outros; e da justificada tristeza de uns quantos (por uma unha negra Artur Lima não fez a diferença), no que de importante há para resolver, os avanços são poucos ou nenhuns. Se não vejamos:
Quase quatro décadas depois o “papão do fascismo” – como que por ironia do destino vertido em texto constitucional que se pretendia libertador – é ainda uma das alegações que continua a obstruir os açorianos de, por forma legal, lutarem pela sua total emancipação. Um escárnio! E a situação é de tal vilipêndio que chega ao ponto, passado todo este tempo, de não ser necessário andar nem procurar muito para se encontrarem, ainda, referências – até toponímicas – em louvor da “Revolução Nacional” de 1926, ou do “Estado Novo”. Porém, e à luz da actual Constituição Portuguesa, continua sendo fascista quem defende a Independência dos Açores. Parece anedota: é equivalente a fascismo defender a Independência dos Açores, mas, “democraticamente proibido” criar partidos açorianos. Isto, 37 anos após o 25 de Abril!
Por tudo isso, na falta de melhor e jogando pelo seguro, um VIVA para o fuso horário e outro para o anticiclone. Assim, quando, mais dia, menos dia, for inconstitucional, e logo proibido, que a hora dos Açores seja diferente da hora de Portugal, só nos restará o anticiclone: bem mais difícil de ser condicionado pela Constituição Portuguesa. Uma Constituição, dizem os entendidos, avançadíssima. Que permite quase tudo: aos políticos constituírem-se em casta prenhe de direitos e mordomias sem que a tal corresponda deveres e obrigações proporcionais; aos interesses instalados terem trocado o escudo pelo euro, mesmo sem consultar os óbvios e principais prejudicados; e, até, à “Troika”, governarem por procuração depois de terem obrigado os seus delegados a realizarem um acordo prévio, ao que parece, “assinado de cruz”. Uma Constituição exemplar como se vê, que só não permite uma coisa básica e fundamental: que o Povo dos Açores – e já agora o da Madeira – se organize politicamente tendo em vista a sua emancipação e total autodeterminação.
Só mesmo com um novo 6 de Junho, mas desta vez reivindicando conquistar Portugal.
Em 1975, gritando por Independência conseguimos uma “autonomiazinha”. Quem sabe se agora, ameaçando conquistar Portugal, não obtemos a Independência?




A.O. 07/06/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

terça-feira, maio 24, 2011

Mar, submarinos e informação entretanto desclassificada


Nunca como nos últimos tempos – Cavaco Silva deu o mote, os seus obedientes seguidores encarregam-se de retransmitir a mensagem, e a campanha eleitoral em curso ajuda na sua amplificação – se tem falado tanto do mar. É o “novo nicho de mercado”; o mais recente “El Dourado” português; uma das fórmulas mágicas para o messiânico crescimento económico; aquele que será um dos caminhos para debelar o malfadado deficit; a solução para salvar Portugal da bancarrota, etc., e tal. O que não se diz, nem convém que muitos o saibam, é que quase todo este mar é Mar dos Açores. Sim Mar dos Açores! Como o ouro do Século XVI e XVII era do Brasil, e o petróleo, diamantes, algodão e muito mais, no século XX, de Angola!
Mar é fonte inesgotável de riqueza: pelos seus recursos – que são muitos para além da pesca –, mas sobretudo pelo seu valor geoestratégico, para mais quando se localiza no Atlântico Norte, a meio caminho entre a Europa e a América.
Se o valor estratégico do Mar dos Açores foi enorme no tempo do “dar novos mundos ao mundo”, por maioria de razão, muito superior se tornou à medida que a tecnologia foi evoluindo, que os recursos naturais foram escasseando, e o mundo ligando-se e interdependendo. E não pensem que é de agora: a globalização é tão ou mais velha “que a guerra de catorze”!
Aproveitem, já que actualmente Portugal tem na Chanceler Merkel uma governanta, e perguntem aos alemães – os mesmos que impingiram os submarinos e querem impingir os TGVs – porque mandaram em Julho de 1917 o U 155 bombardear Ponta Delgada? E, para garantir o contraditório, pois a “Troika” que governa Portugal também incluiu o FMI, perguntem também aos americanos, nos Açores desde 1917 – primeiro com uma base da US Navy implantada desde o porto de Ponta Delgada até aos confins de Santa Clara (que tal igualmente esmiuçar as trapalhadas que isso provocou com os ingleses?)-, e ainda hoje, como se sabe, com base nas Lajes, porque lhes interessam tanto os Açores?
Para nos defender (Açores) já não é: o submarino bombardeou, o Orion ripostou, mas há muito que a guerra acabou. Só o interesse continuou! Como alguém diria: “É a economia, estúpido”. Claro. Alias, cada vez mais claramente.
E aqui entra um documento de Agosto de 1975, outrora confidencial hoje razoavelmente disseminado (mas nunca é demais divulgá-lo – obrigado à “mão amiga” que mo enviou, “obrigando-me” a relê-lo), cujo conteúdo, que aponta para a viabilidade económica dos Açores como país soberano, apesar do óbvio era então – e assim procuram que continue sendo – desmentido. Aqui vão excertos do dito cujo:
1. DOCTOR NORMAN BAILEY AND EDMOND TONDU OF BKW ASSOCIATES, INC., WASHINGTON BASED MANAGEMENT CONSULTANT FIRM, ARE IN THE AZORES PERSUING ECONOMIC STUDY STARTED SEVERAL YEARS AGO AT REQUEST OF CAETANO GOVERNMENT. BAILEY SAYS FIRM NOW ATTEMPTING COMPLETE STUDY IN ORDER TO PERSUADE WHATEVER GOVERNMENT MAY EMERGE IN AZORES TO RETAIN FIRM AS ECONOMIC ADVISORS. BAILEY AND TONDU HAVE BEEN TALKING TO GOOD NUMBER OF PEOPLE IN PONTA DELGADA AND ANGRA. (…)
2. BAILEY BELIEVES AZORES ECONOMICALLY VIABLE AND PROFITABLE TO LISBON. HE DESCRIES PRESENT ECONOMIC RELATIONSHIP BETWEEN LISBON AND AZORES AS 18TH CENTURY MERCANTILISM.
(…) BAILEY AND TONDU BELIEVE THAT ECONOMICALLY AZORES WOULD BE BETTER OFF INDEPENDENT THAN AUTONOMOUS SINCE AUTONOMY WILL TAKE MONTHS TO ESTABLISH AND COULD BE REVOKED AT ANY TIME. IT THUS WOULD NOT PROVIDE STABILITY NECESSARY FOR INVESTMENT AND GROWTH.
3. BAILEYN CREDIT MANAGER OF BANCO PORTUGUESE DO ATLANTICO WHO DESCRIED RECENT IN DEPTH STUDY OF TOTAL COMMERCIAL AND FINANCIAL RELATIONSHIP BETWEEN AZORES AND CONTINENTAL PORTUGAL. REPORTEDLY GOP HAS NOT PERMITTED PUBLICATION OF STUDY WHICH CONCLUDED THAT CONTINENTAL PORTUGAL GAINS ABOUT 280 MILLION DOLLARS PER YEAR FROM AZORES.
Bom, o telegrama continua com outras tantas palavras, eu é que não tenho mais espaço!

A.O. 10/05/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

quarta-feira, maio 11, 2011

Outros tempos, outras crises, os mesmos tiques coloniais







Se há coisa com que Portugal sabe lidar com à vontade e ligeireza – basta ler/ouvir os seus responsáveis: de ontem, de hoje e de amanhã – é a bancarrota!
Recuemos algumas “bancarrotas” atrás, para logo depois do “Grito do Ipiranga”, tempo em que Portugal ao perder o manancial vindo do Brasil que lhe permitia fartos “regabofes” – o ouro do Brasil está para o Convento de Mafra tal como o dinheiro da UE para os CCBs e outros luxos perfeitamente dispensáveis da última década do século XX e primeira do século XXI – garantiu a inevitabilidade do “em casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão”, e logo uma guerra civil (1828/34), seguindo-se a esta um buraco que até final daquele século não mais parou de crescer.
É deste tempo, fruto do primeiro prelo instalado nos Açores, e escrito por Simão Soriano e Bernardo Sá da Nogueira – futuro Marquês de Sá da Bandeira, várias vezes ministro e também Chefe do Governo de Portugal (ambos então emigrados nos Açores, como nos deixou escrito Francisco Maria Supico) – a “Folhinha da Terceira”, em cujo índice de 1832 está bem detalhado o que sobrou do Império depois de “perdido" que estava o Brasil: “Arquipélago dos Açores”, “Arquipélago da Madeira”, Arquipélago de Cabo Verde”, “Bissau e Cacheu”, “Costa da Mina ou S. João Batista da Ajuda”, “Arquipélago da Guiné”, “Costa de Loango, ou Molento e Cabinda”, “Angola e Benguela”, “Governo de Moçambique”, “Estado da Índia”, “Costa da China ou Macau” e “Timor e Solor”.
Nesta mesma publicação, em tom benevolente, algo até galante, porém tipicamente colonialista, pode também ler-se: “O povo dos Açores é em geral de bela aparência, e de muita inteligência e habilidade; tendo as melhores qualidades para o serviço militar. Em breve tempo os Açoreanos aprendem as suas obrigações, são nelas cuidadosos, são asseados, subordinados e briosos (…)”. Não foram referidos, mas seria bom conhecer os termos de comparação, sobretudo no caso da segunda metade da citação.
Depois de descritos os nativos, há também referências ao território, feitas aliás de forma descomplexada (o complexo colonialista aumentou na proporção inversa à redução do Império. Agora é quase blasfemo chamar “Açores” e “Portugal” pelos seus nomes: não falta de imediato quem troque o “Portugal” por “Continente”, como se os Urais fossem logo ali entre Elvas e Badajoz). Atenda-se por exemplo a esta nota geográfica: “Da ilha de São Miguel ao Cabo da Roca, em Portugal, são 210 léguas”.
No documento não poderia faltar – e não faltou – a inventariação dos recursos com que a colónia tinha de nutrir a Capital do Império. E lá se especificava: “O solo destas ilhas é da maior fertilidade; (…) produzem grande quantidade de cereais e legumes de toda a espécie, de batatas, inhames, hortaliças, frutas, vinho e outros géneros: cria-se em grande abundância toda a sorte de gado e aves domésticas, fabrica-se manteiga e queijo, e há bastante lã. (…) Em alguns anos tem-se exportado dos Açores 140 a 150 mil caixas de laranja; 15 a 20 mil moios de cerais; (…); 15 a 20 mil pipas de vinho e aguardente, (…): além destes géneros principais exportam estas ilhas carne de porco, batatas-doces (...), assim como uma considerável quantidade de panos de linho para o Brasil”. Não era pouco, digo eu!
Mas, perdida que estava a grande mina do Império, por mais que espremessem as restantes possessões não houve como evitar o crescimento de uma dívida externa que com o aproximar do final do século XIX atingia já os 75% do PIB, originando assim a bancarrota de 1891 (nota: hoje a divida externa portuguesa é cerca de 100% do PIB).

Aqui nos Açores, por esta altura, adensava e ganhava músculo a campanha autonómico/independentista que culminou no decreto de 2 de Março de 1895, com o surto de desenvolvimento e industrialismo que se seguiu justificando – e merecendo – outra evolução que não o triste fim que lhe foi dado por Salazar, em Fevereiro de 1928, quando ensaiava os primeiros passos da longa ditadura com que nos subjugou.

A.O. 10/05/2011; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)

quinta-feira, abril 28, 2011

Leão destinado a ganhar asas e voar alto




A propósito de uma discussão que de um momento para o outro ganhou enorme número de adeptos, importa dizer que se o CDSC decidir alterar o seu emblema (o que, a acontecer, só deverá ocorrer após cumpridos os trâmites estatutáriamente legais), não será a primeira vez que tal acontece pois o actual emblema remonta a meados do século passado (década de 50 do século XX), substituíndo aquele que lhe foi definido no momento da Fundação (21 Junho de 1927).


Assim:


Seguindo com rigor as regras heráldicas, o nº1, do Artigo 4º dos Estatutos de Fundação do Clube Desportivo Santa Clara, reza rigorosamente o seguinte;



“O emblema do Club é um leão vermelho em campo branco.”