sábado, maio 25, 2013

Valerá a pena dar-lhe cavaco?


Deixem-me principiar por contar uma anedota. Na manhã de 25 de Abril de 1974, estava Américo Tomás a barbear-se (com navalha), quando Gertrudes, que estava a ouvir rádio, entrou casa de banho adentro, aos gritos: - Américo, Américo….um golpe. Um grande golpe! Américo Tomás suspendeu o que estava a fazer, olhou com aflição para a esposa, virou novamente a cara para o espelho, aproximou-se deste, e nada vendo de especial, retorquiu: - Gertrudes, querida, não me parece. Mas pelo sim pelo não traz-me a “tintura de iodo” e o algodão que estão neste armário atrás da porta!

Vem isso a propósito de quê, perguntam? De Cavaco Silva, claro! O homem não acerta uma, e sua performance nos últimos tempos levam-me a concluir que não tarda nada e já superou Américo Tomás nos cânones do anedotário português!
Só durante este mês foram tantas que quase lhes perdemos a conta: Foi a da “Nossa Senhora de Fátima”. Foi a do São Jorge (que procurou, sem jeito nem eficácia, neutralizar a do “treze de Maio”). Foi a do mote para o último Conselho de Estado, com o que sobre ele se soube, mais aquilo que sobre ele se especula “ajudando a festa”. E já nem falo das gafes: como a de ignorar (terá mesmo sido ignorância?) a celebração do Dia dos Açores (deviam convidá-lo para o 6 de Junho. Quem sabe se ele vinha?)!
Bendito Cavaco Silva. A crise sem ele mais as suas tiradas risíveis era ainda pior de suportar. O que tem lógica: se antes do 25 de Abril as “anedotas políticas” funcionavam como uma pequena válvula de escape para a opressão, em tempo de crise (a ante câmara da opressão), nada como ter quem contribua, sem exigir para tal mais do que aquilo que já lhe pagam, para nos fazer rir. Palhaço: chamou-lhe Miguel Sousa Tavares. Não diria tanto. Até porque ser palhaço exige mais competência do que aquilo que à primeira vista possa parecer. Mas que SEXA nos diverte, é verdade. Isso, claro, não obstante ser dramática a trágica forma de comédia com que nos presenteia.
Nem sempre se pode falar de coisas sérias!

A.O. 25/05/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, maio 12, 2013

Coisíssima nenhuma



Não aposto, coisíssima nenhuma, mas estou certo que tal como Relvas, Gaspar já deve andar à procura da porta de saída!
Destruída que está a pouca economia que sobejava (a interna, porque falar no equilíbrio da balança externa quando este foi conseguido sobretudo à custa do “esmagamento” do poder de compra, vale muito pouco…); emagrecido que foi, muito para além “das gorduras”, todo o tecido social e humano do “cantão” que lhe entregaram para financeiramente afiambrar; desmascarados que estão os erros de Excel com que, mesmo a propósito, foi acelerado o definhamento encomendado; encenada que foi a rábula do “regresso aos mercados” (como se o verdadeiro encenador não fosse o BCE); feito tudo isso – e muito mais que não devia –, prevejo que a “apoteose final”, precedendo a sua saída de cena, esteja para breve. Para antes mesmo do mítico fim do “Plano de Ajustamento”. Convenientemente para antes de ficar ainda melhor demonstrado o exagero da receita aplicada e o consequente desperdício causado, quanto aos enormes sacrifícios impostos!
Numa coisa Gaspar tem toda a razão: ele não foi eleito coisíssima nenhuma. Mas tal como ele outros, tipo António Borges, que principescamente “pago por fora” governa e comanda Passos Coelho, um primeiro-ministro que, também ele, não foi eleito coisíssima nenhuma, pelo menos para fazer o que está fazendo!
Pior do que Gaspar, por andarem mais próximos e a sua incompetência e/ou incoerência mais nos tocar, são os seguidores locais do “passismo”: autêntica promessa de cura que definha mais do que a doença! A estes tudo lhes serve para procurar salvar a própria pele: ainda recentemente culpavam Passos Coelho pela derrota eleitoral sofrida; agora, fingindo saciarem-se com o bónus oferecido a quem liderou o exército derrotado, lá se estão a realinhar com o que sobra do moribundo Relvas/passismo. Em tempos batiam palmas e cantavam loas às toneladas de betão que se espalhou “a eito” em Ponta Delgada (dá dó passar, por exemplo, no Paim); agora, que a “betoneira encravou”, as loas e as palmas são para um tido por desejado “não mensageiro do betão”.
Para falar temos gente. Coerência??; Cumprir com o combinado (uma simples resposta, acto de mínima urbanidade)? Isso não! Coisíssima nenhuma!

PS – Já depois de publicado este texto li que também Carlos Abreu Amorim, vice-presidente do grupo parlamentar do PSD, tornou publicas declarações, consideradas pelo Secretário Geral do PSD como inaceitáveis, incorrectas e ineficientes, sobre este mesmo assunto. Oh laricas!

A.O. 11/05/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

domingo, abril 28, 2013

Mar dos Açores: o nosso “petróleo”


Aproveitando o facto do tema, e muito bem, ir “andar na baila” nos próximos dias, vou também a ele regressar com algumas das “achas” com que ando alimentando “esta fogueira” ao longo de anos.
Relembro que, de forma diferente do que se passou por exemplo em Cabinda, enquanto Timor-leste foi uma possessão portuguesa, nunca se ouviu falar do petróleo que sob o seu mar existia. Apesar de tudo, mesmo depois dos portugueses terem sido empurrados “borda fora” daquela ilha, muito pouco se falou sobre as riquezas que o mar de Timor escondia.
Nos Açores, onde – para alguns só recentemente – já se começa a ter uma ideia da fortuna que existe sob o nosso mar, riqueza que inclui metais preciosos e jazidas – mais cedo do que tarde viáveis – de combustíveis fósseis, há que tomar consciência de que, ao invés do que gostam de nos fazer crer, “os coitadinhos” não somos nós, sim outros.
O Mar dos Açores é o nosso “petróleo” e uma das âncoras da nossa soberania: da soberania do Povo Açoriano! Recursos que garantam a nossa independência não faltam. O que nos falta, isso sim, é libertarmo-nos das grilhetas que com a capa desta autonomia nos tolhem. O que nos falta é pugnar para exigir decidir sobre a nossa própria soberania: condição última para negociar as dependências que subsistam. Isso é tanto mais verdade quando a nossa dupla dependência desloca-se cada vez mais de Lisboa para Bruxelas, obrigando-nos a “despachar com subchefes”, impedidos que estamos de aceder directamente “aos chefes”. Nós ainda nem, tal como outros já o fazem (bascos, catalães e galegos, por exemplo), podemos eleger em partidos próprios – e não nas quotas para “nativos” que os partidos portugueses concedem às suas sucursais açorianas – os nossos representantes no seio da UE. E já lá vão 39 anos após o 25 Abril!

Por falar em 25 de Abril: O discurso de Cavaco Silva lembrou, como nunca, outros tempos. Até recordou Américo Tomás! Nunca como naquele discurso o “um presidente, uma maioria, um governo” se aproximou tanto do que sempre me pareceu querer ser: uma “União Nacional”, à moda antiga!

A.O. 27/04/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, abril 13, 2013

Salagasparzar



A recente exigência de “visto prévio”, castigo com que Victor Gaspar entendeu penitenciar uns quantos logo após, pela segunda vez consecutiva, lhe terem feito ver que o “quero, posso e mando” ainda não está acima de todas as regras, deve fazer “soar campainhas” pois remete para 1933, mesmo passando por cima do 28 de Maio de 1926!
A rapidez de reacção (que diferença quando comparada com o eternamente adiado cortar de regalias e mordomias à séria: PPP’s, rendas excessivas, assessores de luxo, etc. e tal) tal como a burocracia que o “gasparista visto prévio” acarreta, só justificadas por uma grande e leviana emotividade, de imediato, fizeram-me recordar uma anedota do tempo da “velha senhora”, na qual um Salazar, “piedoso”, por escrito e caso a caso, se propôs passar um “livre conduto” a uns quantos “pobrezinhos” que cirandavam os jardins na proximidade da de São Bento colhendo e comendo trevo, “livre conduto” este com o qual os “coitados” podiam evitar a dura punição estabelecida, apesar de tudo, mais leve do que a decretada para quem fosse apanhado a mendigar.
Anedota à parte, só me ocorre uma justificação para este estardalhaço sem efeito prático aparente: o Dr. Gaspar foi a Belém com o intuito de se “por na alheta”, por um qualquer motivo (logo se saberá) obrigaram-no a “aguentar”, e, o “mestre nas folhas de Excel”, numa tripla vingança (TC, PM e PR), chamou a si todo o poder. Lembrem-mo-nos que também Salazar deixou a pasta das finanças para depois regressar todo-poderoso como “Presidente do Conselho”!
Mas há um outro “terlintar de campainhas” que não deve – nem pode – ser ignorado. Quando, em comparação com os desmandos e delírios Gaspar/passistas (será que Relvas “já não pica relva” nenhuma?) as vozes e opiniões de Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix soam a “música angelical” é caso para dizer que só mesmo o próprio e a sua corte mais chegada não enxergam que “o rei vai nu”!
E nós açorianos, temos de “por as barbas de molho”. É que vendidos como eles estão aos ditames da alta finança mundial; obcecados como se apresentam em passar por “bons alunos”; determinados como parecem em pagar tudo até ao último cêntimo (mesmo ignorando que do outro lado estão agiotas e que os juros só por si fermentam mais a dívida do que os próprios deficits), depois de valorizar as garantias que os Açores representam diminuindo em simultâneo as receitas que por direito nos pertencem, ainda nos vendem, ilha a ilha!

A.O. 13/04/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, março 30, 2013

Colonizados sim!



Quando o sentir-se colonizado já de si cria repulsa, é duplamente revoltante assistir à impreparação, falta de cultura e estatuto, e completa falta de prestígio e civilidade dos que (embora umas vezes mais hábil, outras de forma mesmo atabalhoada) da “colónia autónoma” só se lembram para humilhar e/ou “sacar”. E não são só “relvices”, como a de equivaler as Assembleias Legislativas do Açores e da Madeira a Assembleias Municipais. São também muitas outras “aldrabices”, como a putativa “extensão da plataforma continental”, milagre geofísico com o qual se pretende abocanhar as riquezas do Mar dos Açores, aliás, como outrora foi feito com as do Brasil, Índia, Angola …, ou até a mais recente “sacanice” ao reduzir o conceito de solidariedade à autorização de acréscimo do endividamento camarário para responder a uma questão que claramente afecta os Açores em geral, não só uma ilha, muito menos um só município!
O preconceito colonial português é velho, e quando muda é para pior. Se há diferenças entre os “velhos colonialistas” e os “colonialistas da nova vaga” estas em nada favorecem os actuais. Uns, os de então, escorados pelo que à época se pensava sobre o assunto, pelo menos não ignoravam que muito antes da Índia, Angola, Moçambique, Cabo Vede e S. Tomé, já os Açores reivindicavam a sua independência. Os de hoje são, quase todos, “uns relvas”!
“A Administração Colonial Portuguesa” (Carneiro de Moura, Livraria Clássica Editora, 1910) é prova de como o tempo passa mas “a escola” permanece. Vale bem uma leitura na íntegra, mas, até porque ajuda a perceber muito do que ainda hoje acontece (e quanto mais de direita for a “administração colonial” tanto pior), deixo-vos com esta parcela da pág. 14 da referida obra:
“ (…) A colonização portuguesa da Madeira e dos Açores está de há muito no regime pleno de assimilação, e Cabo Verde, Angola, Índia, S. Tomé e Moçambique têm sido regidas quase inteiramente pelas leis gerais da metrópole. Mandam deputados ao parlamento, e até se lhes aplica a urdidura política administrativa do continente. E no entanto é nos Açores que as tendências separatistas são mais notadas, de onde não se pode concluir que a política de assimilação não evita a independência das colónias, que alguns julgam ser mais facilitada pelo regime da autonomia.”

Já vai longa esta quaresma. Boa Páscoa!


A.O. 30/03/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado e com outro título) 

domingo, março 17, 2013

Actual (hoje como ontem)


No meio de uma sociedade indiferente, que se atrofia e definha com as intermináveis espoliações do fisco, nunca é demais um estímulo.
Temos sido demasiadamente brandos. E não basta o protesto de hoje, porque a sangria foi grande; é necessário que não deixemos os governos provocar a seu talante as hemorragias continuadas. Façamos a homostase de uma vez para sempre para que não dêem connosco na sepultura.
O Povo Açoriano, (…), precisa de saber as causas da sua degenerescência, os motivos das suas angustias, as razões da sua fraqueza. Degeneramos, porque nos esgotam com impostos; sofremos, porque não temos tido energia para repelir imposições; somos fracos, porque queremos, porque não há coesão política, porque não nos unimos nas horas de combate e porque temos a ingenuidade de acreditar em promessas do poder central.
(…)
Os governos portugueses há mais de vinte anos que deixaram de desempenhar o papel sublime, a que os obriga a ascensão às culminâncias do poder. Esqueceram-se as noções antigas de economia e moralidade, diminuindo dia a dia o respeito pela lei. As garantias de liberdade foram sofismadas, a podridão de costumes e de caracteres determinou as lutas apaixonadas de uma política demente, resultando de tudo isso o desprezo pelas imunidades populares. Hoje para ser ministro basta saber minar como toupeiras, farejar como cães e ter reputação de talento superior. A experiência, porém, vai demonstrando que para bem governar mais vale o escrúpulo da honradez impoluta do que as transcendências de um talento fenomenal.
Os açorianos estão fartos de discursos e de deficits, de promessas e de asneiras. Parece que o país chegou à inverosímil mas real colisão de ter mais gente talentosa que honrada! É de temer que neste evolucionar da espécie, o cérebro venha a queimar com as suas fosforências as flores delicadas da consciência humana…


Para os que ainda o não notaram – embora ao revisitar “Questões Açorianas” não me saiam da cabeça um sem número de iluminados e predestinados “salvadores da pátria” do Século XXI –, os trechos atrás transcritos, não obstante a sua quase integral actualidade, são da autoria de Gil Mont’Alverne de Sequeira e datam de 24 de Julho de 1891 (quatro anos depois mudou qualquer coisinha). 

A.O. 16/03/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado e com outro título) 

sábado, março 02, 2013

Águas de Março



 


Ainda é cedo, mas logo se saberá das consequências resultantes da recente “imposição Goldman Sachs” na vida pública italiana. Haja esperança: se aconteceu o que aconteceu com Monti, que é Monti, com ou sem “5 Estrelas” (mas não desprezando as ajudas que daí advêm: que grande pedrada no charco!) o mesmo poderá acontecer com outro qualquer “pau mandado”, em especial tratando-se de Coelho, um Relvas/Gaspar dependente. Mas, sendo ainda cedo para conhecer o desfecho da “onda Grillo”, o que já se conhece é a merecida vontade de castigar os putativos “salvadores da pátria”, possuídos por uma obsessão ultra liberal que os torna servis servidores de quem gere e comanda os ditos mercados, governantes carecidos de ideias e vontade própria, bons mesmo só para serem “levados ao andor”, já que depois de lá instalados fazem “milagres”. Veja-se o do fim das “gorduras do Estado”, rapidamente transformadas num “raspar do osso até ao tutano”, incluindo aos mais desfavorecidos. É pois esta a marca que fica – causando enorme “fartote” – de uma partidocracia doentia, onde, da alternância que se conhece, volta após volta, cada um que aparece é mais incompetente que o anterior, e todos exibindo uma escandalosa defesa de interesses próprios e dos próximos (já sem disfarce), daí a espiral de contradições e mentiras que se conhecem.

Hoje é 2 de Março. Em 1895 – há 118 anos – foi decretada a “velha autonomia”. Velha mas frutuosa: filha da “questão do álcool” e mãe de um surto de desenvolvimento industrial e mercantil apreciável, porém já ultrapassada. Com Salazar, clara e descaradamente (tal como com a moeda própria), ou cínica e metodicamente (como sucedeu com todo o resto), a “velha autonomia” foi definhando. Terminada a Ditadura seguiram-se outras Autonomias. Sempre envergonhadas. Sempre incapazes de se libertar das grilhetas de um paternalismo mais preocupado em castrar e extorquir – é ver o que se passa com os “novos salazares” e/ou com a agora tão propalada questão da “extensão da plataforma continental” – do que em, e naturalmente, “cortar o cordão umbilical”. O tempo é outro. A Autonomia está caduca. Há que reclamar outros 2 de Março e/ou 6 de Junho. Há que lutar pela Autodeterminação!

Hoje é 2 de Março de 2013: “cheira a rua”; pairam bons prenúncios no ar!


A.O. 02/03/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, fevereiro 16, 2013

Tal qual um coador

Quanto mais se sabe sobre o BPN mais este colossal buraco se parece com um coador de ralo variável, que em passagens sucessivas, como que cumprindo o plano pré determinado, filtrou o produto das vigarices engendradas pelos seus promotores por forma a servir “material limpo” (expurgo pelo menos de infracções criminais já que das morais e de consciência cada um falará por si), deixando consecutivas borras cada vez mais sujas, com as últimas mutações transformadas em autêntica escória tóxica.
Foram, nas “primeiras passagens”, as mais-valias bolsistas privilegiadas e de favor; foram, ainda em “tempo de bonança”, as ofertas de financiamento para amigos e apaniguados em condições singulares; foram também, já com recurso a “veículos off-shore” e outros cambalachos, os negócios ruinosos cujos responsáveis passam incólumes mas que a todos nos arruínam; foi a falta de controlo e supervisão que tudo isso permitiu e acabou na promoção (como quase sempre) com “fuga para cima” do supervisor mor; foi a nacionalização (dos resíduos insalubres); foi a reprivatização (do derradeiro quinhão “descontaminado”). É aquilo que se continua a conhecer, dia após dia, até sabe-se lá quando? Em tudo isso há um padrão: independentemente do valor, cuja amplitude varia entre as centenas de milhar e os milhares de milhões de euros, alguns, poucos, em regra gente dita distinta, governantes sérios e competentíssimos, ficaram com os lucros. Para os restantes, todos nós, o Povo, sobram os prejuízos. Paga e aguenta!
A “talho de foice”:
O obstinado Relvas, como que ainda extasiado pelo “Réveillon” desfrutado em companhia de um dos beneficiários do BPN (eles sim, a viver acima das nossas possibilidades), sem nada aprender com o “Documento Verde” e subsequente Proposta de Lei 44/XII (onde equiparou as Assembleias Municipais às Assembleias Legislativas dos Açores e da Madeira), voltou agora, de novo, a “misturar” o que não deve ser confundido: a Lei das Finanças Locais com a Lei das Finanças dos Açores e da Madeira. Livra que “ele não se enxerga”, mas o mais grave é ver quem, ali tão perto, não seja capaz de colocar “o rapazinho” em sentido. Bem bom, desta vez votaram contra! 

A.O. 16/02/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, fevereiro 02, 2013

Os Piratas do Mar dos Açores



Caiu a máscara. Agora, sem as subtilezas utilizadas num passado ainda não muito distante – como aconteceu com os proveitos da Base das Lajes enquanto foram generosos e fartos, ou até depois, quando já mais minguados e subtilmente transformados em FLAD –, é de forma desenvergonhada e descarada que os portugueses pretendem dar continuidade ao seu modo de nos espoliar. A matriz do recente projecto de lei, que a pretexto da “extensão da plataforma continental” mais não pretende do que retirar poderes aos Açores em relação à gestão e usufruto dos recursos do NOSSO mar, é disso bom exemplo.
É fácil dizer que nós, Açores e açorianos, “vivemos à pála” das transferências do Estado português quando este mesmo Estado “abocanha” as nossas riquezas (localização geoestratégica inclusive), controla e estrangula as nossas potencialidades e capacidade de desenvolvimento, e, nem daquilo que usa e diz ser seu, como por exemplo os bens patrimoniais ao serviço das funções de Estado aqui exercidas, sabe zelar e manter!
O Mar dos Açores é a nossa (dos Açores) reserva estratégica; o “nosso petróleo” (talvez até também em sentido literal); o “nosso ouro”. O Mar dos Açores será, sem dúvida, a “grande âncora” da nossa (açoriana) soberania!
Por isso é reconfortante verificar a unanimidade que a defesa e salvaguarda desta parcela dos interesses dos Açores está a gerar junto daqueles que, via democracia mas também escassa autonomia até aqui conseguida, para tal foram eleitos. Tal como é animador constatar como o Presidente do Governo dos Açores não tenha poupado no verbo (são suas palavras: “pirataria travestida de lei”, “aberração”) para adjectivar mais esta nova afronta. Mas não basta. Todos somos poucos para defender o Mar dos Açores: há que apelar à mobilização geral.
A propósito: é bom saber o que pensam sobre o assunto aqueles que, na “Casa da Democracia Portuguesa”, eleitos pelos Açores, dos Açores deveriam fazer sua primeira e única bandeira a defender. Será que vão proceder como fizeram no passado recente? A ver vamos!

A.O. 02/02/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado) 

sábado, janeiro 19, 2013

Tolos a dar…





Pois é. Então o próximo passo é ter-mos as Lajes transformada em “base adormecida”! Com isso os EUA poupam uns dólares, e nós, açorianos, aqui sujeitos ao que der e vier, que nos amanhemos com as “migalhas das sobras do banquete”, comezana com um prato em tempos servido na Lapa, capital do ex-império, e outro, bem mais recente, servido mesmo no local (e que muito deve ter contribuído para o Presidente da Comissão Europeia ser quem é).
Revisitar 1917, em especial os meses que precederam a entrada dos EUA na I Grande Guerra, ajuda a compreender o que ainda hoje se passa com a Base das Lajes.
Até Abril de 1917 os submarinos alemães, varrendo o Atlântico, já tinham afundado cerca de 2.000.000 toneladas de suprimentos que deveriam ter chegado ao Reino Unido com isso obrigando os EUA a entrar na guerra. Estavam também em causa os investimentos feitos até ali, só rentáveis se a Inglaterra pertencesse ao grupo dos vencedores.
Assim, sem dar grande cavaco a quer quem que seja (tampouco aos ingleses) e já preparando a logística para colocarem na Europa o exército que seria determinante na derrota do Kaiser, os EUA fazem chegar a Ponta Delgada (Junho de 1917) um carvoeiro – o célebre Orion – que além do mais dava inicio ao aprovisionamento em carvão daquela que seria a sua primeira base nestas paragens. Cargueiro este que, por coincidência – digo eu – vinha bem armado (com “peças” melhores e mais rápidas do que as cá existentes, até na principal bateria para defesa do porto - Alto da Mãe de Deus ). Cargueiro este que, por coincidência – digo eu – foi colocado “a seco” e logo de forma a que uma das suas armas ficasse acima do molhe de protecção do porto, o que lhe permitiu rechaçar o ataque do U155 perpetrado semanas depois (4/7/1917). Cargueiro este que, por coincidência – digo eu – assim ficou até chegarem os primeiros vasos de guerra dos EUA e ser dado início à instalação, em Ponta Delgada, de uma Base Naval que aqui se manteve até ao fim da I Grande Guerra (na II Grande Guerra, com evolução dos meios, seguiu-se uma em Santa Maria e depois a das Lajes).
As movimentações que antes se faziam em várias semanas fazem-se hoje em algumas horas (desde que a base exista, mesmo que “adormecida”). Mas, não obstante o poder (e as relações de preferência e proximidade) dos EUA, só “parolos”, como os portugueses, permitem que os Açores sejam tratados como parque de campismo, onde se aluga a longo prazo (garantindo reserva e preço baixo) um espaço de caravana para dele fazer uso quando apetecer, mesmo que só por alguns dias, num qualquer Verão!

A.O. 19/01/2013; “Cá à minha moda" (revisto e acrescentado)