terça-feira, abril 27, 2010

175 anos do AO: muito mais que uma vida



O Açoriano Oriental comemorou, aliás, continua e irá continuar a comemorar ao longo do ano, o seu centésimo septuagésimo quinto aniversário.
São muitos anos, uma longa vida, tantos que faz dele o decano dos jornais açorianos, o mais antigo jornal escrito em língua portuguesa, e um dos mais antigos da Europa!
Tilintadas as “flutes”, libado o “champanhe”, remetidos de novo “para a naftalina” os trajes de gala, nada melhor para celebrar a obra do que aqui trazer, também, o seu criador.
Ao contrário do periódico que criou, Manuel António de Vasconcelos teve uma vida relativamente curta (1796-1844), em conturbados tempos, de guerra civil e mutação política. Este vigoroso açoriano, um fruto do meio rural micaelense, nado e criado na emblemática Bretanha, desde cedo convertido aos ideais liberais, e, nestes, militando com desmedido zelo – por vezes radicalmente – na sua margem extrema, foi um baluarte na defesa intransigente dos Açores, do seu Povo, em especial das suas camadas mais desfavorecidas. Entre outros testemunhos, isso mesmo se pode aferir nas suas muitas intervenções na Câmara dos Deputados, em Portugal, numa em especial, onde denunciando a fome que grassava nos Açores, e, simultaneamente, os que matando à fome aqueles que aqui trabalhavam a terra faziam lucro fácil com a exportação de cereais para Portugal, afrontou:

“ (…) que das produções dos Açores uma grande e considerável parte vem para Portugal, porque existem aqui muitos proprietários de lá, e é essa uma sangria que está desatada por onde se derrama o sangue dos podres dos Açores para Portugal (…)”.

Faz cada vez mais falta, quem, como Manuel António de Vasconcelos, combativo e não menos altruísta, servindo e não procurando servir-se, empenhando bens, saúde e até a própria vida, atenda defender as causas em que acredita, sobretudo quando nestas sobressaem as liberdades cívicas e a defesa soberana da terra que o viu nascer.
O “Açoriano Oriental”, açoriano sim, mas açoriano oriental também (não fosse ele herdeiro dos ideais emancipadores de 1821 - dissimulada na parede sob a sombra de velhos plantámos, lá está, em Santa Clara, na única rotunda por aqui existente durante muitos anos, dita “Rotunda da Autonomia” mas de facto Rotunda do Governo Interino, uma marca indelével da época), foi, também, quase sempre, o grande pendão da “Livre Administração dos Açores pelos Açorianos”. Bem vistas as coisas, antes da “Livre Administração dos Açores pelos Açorianos” se transformar no slogan que o 2 de Março de 1895 imortalizou, o Açoriano Oriental já apontava uma “livre administração” que pusesse fim à “livre exploração”, de que a “livre exportação” dos cereais era disso só um exemplo!
Talvez por isso, e também por ter sido assinado por quem foi, não deixa de ser significativo o título escolhido por um dos convidados de honra da edição comemorativa do 175º aniversário daquele que é um dos mais antigos jornais europeus: “Imprensa livre, Açores livres”.
Gostei. E muito mais gostaria se, acompanhando as cativantes palavras, tal como já antes o foram; “Governo dos Açores”, actos e acções eficazes as prosseguissem.
Regressado ao Açoriano Oriental, de agora, final desta primeira década do século XXI, permitam-me convosco partilhar o quanto me sinto honrado em, “cá à minha moda”, publicar num jornal cujas páginas outrora acolheu tão insignes açorianos, a começar pelo próprio Manuel António de Vasconcelos, mas também: Antero, Vitorino, Natália, e outros.

A.O. 27/04/10; “Cá à minha moda"

terça-feira, abril 13, 2010

O Sonho comanda a vida


Partilhar o sonho (01Setembro2007) .......Ver nascer a realidade (12 Abril 2010)

Deve ser uma tristeza, um “inferno”, viver sem sonhos. Pior mesmo, só passar pela vida sem capacidade de sonhar. Não me refiro a sonhos comezinhos, quimeras triviais, do tipo das que basta “estar parado”, crer, esperar sem nada fazer, pois de tão banais que são, será só uma questão de tempo o assistir à sua realização. Aludo isso sim, a sonhos amplos, aos sonhos que alavacam visões rasgadas, àqueles sonhos que muitos apelidam de utopias, e que, até, por vezes, durante muito tempo não passam disso mesmo: utopias! Sonhos que, é verdade, nem sempre se realizam, mas aquando da sua concretização “enchem a alma” e fazem transbordar de alegria os que ousaram sonhar, bem como também fazem esquecer as dificuldades, que sempre existem, e muito consomem, quantos se empenham em transformar o virtual em realidade palpável.
Estes sonhos, os grandes sonhos, os sonhos que assinalam a sua concretização muito antes desta ser visível a muitos, têm pelo menos três importantes momentos:
Primeiro. O sonhar propriamente dito. Uma ocasião descrita por António Gedeão em poema que para além de oferecer título a este texto, entre o muito mais, ensina-nos também isso: “quando o homem sonha / o mundo pula e avança / como bola colorida / nas mãos de uma criança”.
Segundo. O de lutar tenazmente pela concretização do sonho. Momento muito bem retratado num outro poema, lírica popularizada também pela voz do Padre Fanhais, cantando: “vem, vamos embora / esperar não é saber / quem sabe faz a hora / não espera acontecer”.
Terceiro. O assistir à realização do sonho (o que nem sempre acontece). É este o melhor momento, o mais gratificante, aquele em que os que passaram pelos dois anteriores – e só estes –, umas vezes alimentando a esperança que outros tentaram derrubar, outras, não menos significativas, cerrando dentes e fileiras por forma a ultrapassar os obstáculos e contratempos surgidos, podem, por fim, tactear, sentir, e continuar a sonhar, sim, mas agora já com o fruir do sonho que ajudaram a realizar.
Foi um destes momentos que se viveu, quase que por acaso, recentemente. E conta-se em poucas palavras:
Na passada quinta-feira, terminada que estava mais uma longa sessão de trabalho do grupo “Santa Clara – Vida Nova”, os últimos a dispersar, respondendo ao apelo de uma noite que a isso convidava, fizeram uma breve visita ao “Jardim Padre Fernando” que já está em adiantada fase de conclusão: Já lá estão montados alguns dos equipamentos de diversão infantil. Às poucas árvores, algumas seculares, que resistindo ao aterro se transformaram no pouco que restou da “Mata da Doca”, foram acrescidas largas dezenas – se não mesmo centenas – de outras. É imenso, contando-se aos milhares, o número de plantas e arbustos no entretanto ali plantados. Mas, é a qualidade do projecto, o bom gosto, o ar limpo e arejado que aquele local agora apresenta, aquilo que mais simboliza a marca da “nova” Santa Clara com que “Santa Clara – Vida Nova” soube sonhar.
Pode haver quem já não se lembre, mas há também quem não esqueça que há pouco mais de três anos aquele espaço mais não era do que uma “sala de chuto” ao ar livre, na sombra de araucárias, protegida dos olhares por moitas de silvas, recebendo dezenas de visitas por dia. “Sala de chuto” onde já nem faltavam, por perto, também camufladas entre silvados e arbustos, as barracas e outros abrigos clandestinos que estes lugares costumam atrair.

Felizmente já não é assim. O pérfido tornou-se benéfico. E não é sonho, é realidade!

A.O. 13/04/10; “Cá à minha moda"

terça-feira, março 30, 2010

PEC, de “Provação Em Contínuo”, para alguns



De uma forma mais próxima da verdade futebolística – “o que hoje é verdade amanhã pode ser mentira” – do que do que da socrática, o Plano de Estabilidade e Crescimento a cada dia que passa tem vindo a revelar as desagradáveis surpresas que contém. Um PEC que parece mais talhado para desequilibrar do que estabilizar, e que, como tudo o indica, irá fazer mingar ainda mais, ao contrário da pretensa medrança que anuncia. Com ele, uns, a grande maioria, ainda vergados pelo esforço exigido para equilibrar um deficit para o qual pouco ou nada contribuíram, são de novo obrigados a mais sacrifícios, outra vez com o pressuposto de esmagar a maldita cifra, valor que ainda muito antes de se notar ter baixado para o patamar apontado como pretexto da primeira vaga de agruras, já havia disparado – não obstante o empenho em o esconder – para um nível superior ao triplo do objectivo intentado. Cortar nos ordenados e salários (os mais baixos da EU), aumentar impostos (sim, porque anular ou limitar deduções à colecta, para mais quando nem as despesas com saúde e educação escapam à rapina, é um claro aumento da carga fiscal) e destruir, com o que isso representa em termos do aumento do desemprego, aquilo que resta do débil sector produtivo (agricultura é o que se vê, indústria o que se está vendo, e mesmo no sector terciário, só um único segmento económico tem vitalidade: a política, já uma autêntica actividade económica!), são alguns dos efeitos práticos mais evidentes, e previsíveis, deste PEC.
É óbvio que o mal não irá tocar a todos. Para outros, quase sempre os mesmos – um pequeno grupo de privilegiados –, o mal fadado PEC passa rapidamente de “Provação Em Contínuo” para garantia de “Privilégios Especiais de Corridas”: é assim no continuar a permitir a passagem, quase directa, dos bancos da escola para as bancadas parlamentares e/ou para as poltronas dos Conselhos de Administração no dito “Grupo Empresarial do Estado”(cada vez mais gordo com as mais que muitas Empesas Municipais, também elas farta manjedoura); assim é também no manter e reforçar da “panelinha” com as agora tão badaladas “Parcerias Público Privadas”, nas quais se acomodam os que, na volta – “uma mão lava a outra” –, vão ajudar a financiar, e ficar à disposição de quem lá os colocou; assim não deixa de ser com as autênticas “vias verdes” atribuídas basicamente só e apenas por servilismo partidário, atalhos que permitem passagem, ágil e rápida, da condição de acanhados “yes men” para a útil e confortável condição de “boys” estrategicamente bem colocados. Para o que der e vier, digo eu!
Com ou sem PEC, ainda assim é grande a “travessa de papas” colocada à disposição da casta dos privilegiados, assim continuando, por mais que digam o contrário, pelo menos enquanto houver o que rapar no “fundo do tacho”. É que não há (pelo menos daqueles que o poderiam fazer) quem queira acabar com o esquema, pois este permite, umas vezes mais outras menos – mas ininterruptamente e sempre aos mesmos –, ir aproveitando, nem que para isso seja necessário evocar, mesmo que em vão, o “interesse nacional”.
É, como diz o povo, “a abelha procurando a parelha”, para assim, com estes ou outros protagonistas, um nunca mais acabar de rimas e parelhas se poderem fazer. Tais como: Varas e Loureiros rimando com banqueiros; Lino – ao que parece já na fila – e outros comensais aderentes a rimar com pontes, estradas, alcatrão, betão e cimentos; e todos eles entre si, mais os amigos, comparsas e familiares entoando com dinheiro. Muito dinheiro. Tanto que, melhor aplicado, com certeza, podia resultar num PEC diferente, mais maneiro.

A.O. 30/03/10; “Cá à minha moda"

quarta-feira, março 17, 2010

Brados de burro II (e ponto final)


O tal asno, jumento afectado por "pegadilhos" e um grandessíssimo cobarde, depois de ontem ter levado duas ou três ripadas pelas orelhas abaixo (muito mais por ser cobarde do que por ser jerico), armou-se em virgem pudica, e insinuando possuir a “educação esmerada” que segundo ele outros não têm, com a cobardia que lhe é habitual, tentou vitimar-se. Coitadinho!
Asno. Cobarde. Aldrabão. Mentiroso compulsivo, e agora coitadinho.
Se um animal destes, em vez de pretender só parecer, fosse efectivamente educado, com apenas um “Tá asno” (Asno: mote que segundo ele, quebrando o verniz, denuncia uma educação menos esmerada) e sem ter de se “esticar” até ao “Caguei-te Mariano” (vocabulário usado nos dignos salões que frequenta), resolvia o assunto.
Mas como já disse, asnos são asnos, e com este asno em especial (jerico afectado, jumento frouxo), mais do que a sua educação, é o seu mau carácter, a cobardia com que se procura proteger e a hipocrisia que cultiva e o camufla o que me interessa denunciar.

Para ajudar a perceber isto é só passar pelo "Candilhes", mais concretamente aqui.

terça-feira, março 16, 2010

Lusitânia: aproveitar para recordar


Emblemas originais; USEC/CUS (1921/22), S. C. Lusitânia (1922), CDSC (1927), realçando-se a curiosidade de os dois clubes com afinidades ao Sporting, o União Sportiva e o Lusitânia, apresentarem uma águia (em rigor, um açor) no emblema, e aquele que seria mais tarde delegação do Benfica, um leão.

As últimas notícias, felizmente, reforçam a confiança de quantos alimentam a esperança do Sport Clube Lusitânia vir a encontrar uma saída para a dramática situação em que o se viu envolvido nos últimos anos. Uma esperança que, pelo menos no meu caso, é inversamente proporcional à vontade de ver esquecidos (o que mais quero é vê-los disseminados) os ensinamentos a retirar das graves consequências do desvario, da irresponsabilidade, do oportunismo, da leviandade, e até, como no caso do Santa Clara já se provou, da vigarice e do roubo, males que assolaram num passado recente – deixando marcas, vícios e hipóteses de trapaça para as quais não vai faltando quem persista no aproveitar – os dois principais emblemas desportivos dos Açores. Esbulho com alguns autores materiais já identificados, mas muitos, muitos mesmo, autores morais, cúmplices, e/ou outros responsáveis, gente que continua fingindo nenhum comprometimento ter tido no processo com a mesma desfaçatez com que, durante anos a fio, mantiveram “ouvidos moucos” aos avisos à navegação que alguns – poucos diga-se de passagem – nunca deixaram de emitir.
E porque a trapaça e intrujice é sempre reprovável – não só quando se trata de bens fiduciários –, nunca é demais recordar que a honra e glória das instituições provém, em regra, da longevidade do seu percurso, dos êxitos que as mesmas acumulam ao longo deste, mas também da seriedade e verdade com que se pauta e escreve o seu historial.
Os factos são factos, e ao contrário do que por vezes se diz, repetir uma mentira nunca a transforma em verdade. Bem pelo contrário, o prolongar de qualquer farsa retira sempre credibilidade a quem insistir em mantê-la, bem como espaço de manobra aos que, por estarem de boa fé, apenas necessitam obter o conhecimento necessário que lhes permita corrigir os efeitos de uma mentira intencionalmente imposta, o que nunca devia ter acontecido, e, sobretudo agora, não faz qualquer sentido manter. Aqui fica um naco de história.
Aproximava-se a primavera do ano de 1922 quando o grupo dirigente do Instituto de Educação Física deu início aos melhoramentos no Campo Açores, recinto onde em Maio daquele mesmo ano, por ocasião das festas do Senhor Santo Cristo, se haveria de disputar uns célebres jogos entre micaelenses e terceirenses, sendo o grupo visitante, orientado por Bernardo Noronha, dirigido por Clemente Pamplona assim constituído: Machado Ávila, Jorge Soeiro Borges - Capitão -, Machado Freitas, Antóio Tavares, Alvaro Silva, José Pimentel, Amadeu Simões, Santos Nascimento, Malequiades Silveira, Tomaz da Silva, Correia de Lima, Inácio Pereira e Ferreira Neves. No grupo dos micaelenses, entre muitos outros (José Tavares, Jaime da Costa, José da Costa, Torrão, Manuel Rodrigues, Pereira Gomes, Manuel de Jesus - o madeirense -, Moisés, António da Cunha, Eduardo Costa, Egídio Costa e Alberto Castro), encontrava-se o jovem alferes José Joaquim de Souza, então já referido como “distinto sportsman” e à época responsável no IEF pelo futebol. Retribuindo a visita ocorrida no mês anterior, em Junho de 1922, por ocasião das festas de S. João de Angra, os “micaelenses” deslocam-se à Terceira, onde no Campo do Relvão tiveram lugar os jogos de futebol programados para a “desforra” das copiosas derrotas que os "terceirenses" averbaram no Campo Açores. Por esta altura (22 Junho de 1922), quiçá em consequência destes acontecimentos, mas com certeza como corolário da grande movimentação futebolística naquele e nos anos imediatamente anteriores verificada um pouco por todos os Açores, nasce o Lusitânia. Pouco depois, no início de Agosto de 1922, em Assembleia-geral para tal convocada, a União Sportiva dos Empregos do Comércio (USEC) alterou a sua designação para Clube União Sportiva (CUS). Na ocasião, José Joaquim de Souza, que entretanto já havia rompido com o IEF, tornara-se uma importante peça da organização futebolística do CUS. Alguns meses depois, no início de Outubro de 1922, mais uma vez com José Joaquim de Souza como pólo dinamizador, aconteceu a apresentação pública do Santa Clara Foot-ball Club, o primeiro dos “Santa Clara” com expressão fora do bairro. Só muitos anos depois aparece o Sport Club Santa Clara, e mais tarde ainda, entre a Primavera e o Verão de 1927, apadrinhado pelo Capitão Eduardo Reis Rebelo e alguns dos seus amigos e companheiros de armas (tenente João Joaquim Vicente Jr., João Baptista Rodrigues, Lúcio Agnelo Casimiro, Manuel Inácio de Sousa, Amável de Medeiros Casanova, e outros), nasce então Clube Desportivo Santa Clara, o terceiro e último dos “Santa Clara” federados, e aquele que chegou aos nossos dias.

Sei que estas, tal como outras, noutras ocasiões proferidas, são verdades incómodas. Porém são verdades!

A.O. 16/03/10; “Cá à minha moda" (Revisto e acrescentado)

Brados de burro


Há um asno, não só asno como um grande asno, cobarde, que de há uns tempos para cá vem zurrando para que outros denunciem aquilo que ele, cobarde, não é capaz de denunciar (tampouco consegue explicar exactamente o que pretende). Aliás, nem para “dar a cara” pelas “encomendas” que faz, este asno, grande asno, hombridade tem!
Asnos são asnos, e asnos há que, não satisfeitos com a sua condição de jericos, com os seus doentios “pegadilhos”, e ainda com a sua monstruosa cobardia, além de asneirarem compulsivamente, inventam e mentem.
De tão asnos que são, até se imaginam suficientemente importantes para estarem na origem do que acontece com a caixa de comentários deste blog.
Tristes asnos. Nem se enxergam!
Como podem este tipo de animais, sem dignidade, eles sim, “material” que se compra e vende por tuta e meia, tentar denegrir aqueles que já derem bastas provas de não terem a sua voz, pena, ou consciência à venda? A começar quando não aceitam “encomendas”, praticamente inofensivas (basta comparar o putativo assunto com outros bem mais delicados), sobretudo porque vindas de asnos, anónimos e cobardes!

Para ajudar a perceber isto é só passar pelo "Candilhes", mais concretamente aqui.

domingo, março 14, 2010

Estreei-me: não foi tão difícil como suponha



Uma aposta/promessa ditou a minha estreia na “missa das seis da manhã”, no Farias, da Ribeira Grande.
Quase no fim do almoço de sábado, por regra uns “chicharinhos”, no “Cigano”, ali em frente ao já totalmente atulhado molhe do castiço porto da Calheta de Pero de Teive, já tranquilizado com a bênção de Baco (sumo de uva, de cheiro, vindo, dizem, da Fajã do Calhau) e olhando o relógio por forma a não perdeu o CDSC vs Portimonense, em dia de chuva e vento, de tal forma que nem a pala da bancada central evitou uma valente molha, um amigo, que comia na mesa em frente, disse em voz alta para todos ouvirem:
- Se o Santa Clara ganhar esta tarde, amanhã vou à missa das seis à Ribeira Grande!
Explicada de que missa se tratava, e que a “capela” era o Farias, logo lhe retorqui:
- Se ganhar, mas só se ganhar, liga-me para casa que vou lá ter contigo.
E assim foi. Por volta das 20:00h do sábado lá recebi o seu telefonema, acertando a hora, e lembrando que ele, sacristão daquele templo, não faltaria. Acrescentou também que; se eu iria ou não, logo se veria! Ele é que, telefonando-me, já fizera a sua parte, e como bom "sacristão" não faltaria.
E lá fui eu, hoje, logo pela manhã, para aquilo que julgava ser um sacrifício difícil. Mas não foi!
Claro que não é como o leite e os cereais do dia a dia, mas um dia não são cem dias, e foi por uma boa causa!
Marchou a sopa de carne (quase toda, porque com a conversa, ao arrefecer, já não estava fácil terminar com o fundo do prato). Marchou também uma boa costeleta de porco, um bom naco de carne de vaca, as rodelas de chouriço e de morcela da conta, e três “meizinhos”; um por conta de cada golo, o último, o mais apetecido (até porque o golo correspondente foi um espectacular exercício de simplicidade) acompanhado com queijo de São Jorge e pão acabadinho de sair do forno.
Às 8:30 estava a cerimónia terminada, e eu com um anormal pequeno-almoço tomado, que acabou não sendo, como já referi, tão difícil como suponha (e a melhor prova do que digo é que aqui estou, quase logo de seguida, a relatá-lo).
Já de regresso a casa no auto-rádio passava o “Dilalah”, do Tom Jones. Não sei porquê – será porque já não ouvia esta música há muitos anos? Ou terá sido mais uma vez obra de Baco? -, até porque é género que pouco aprecio, dei comigo a cantarolar a canção, que naquele contexto, até parecia musica celestial.
Não me custa voltar a fazer promessas destas: venham mas é mais vitórias!

terça-feira, março 02, 2010

Madeira: solidariedade, sim, parar para pensar também!



Trágédia anunciada : Clicar no link abaixo para ver video

Poucos serão aqueles que, melhor do que nós, ilhéus, e de forma cabalmente demonstrada, nós, açorianos, conhecem o que é viver em zonas, para tal, sob diversos aspectos, de elevado risco. Conviver amiúde com intempéries e catástrofes naturais, e resistir, ou “renascer”, logo após ser vítima das suas consequências, é outra característica que parece fazer parte do nosso ADN. Lidamos com tanta naturalidade com estas adversidades que, mesmo quando outros – em regra “de fora” – nos chamam à atenção para determinados perigos, ou para algumas situações graves às quais quase permanentemente, mesmo sem darmos disso conta, estamos expostos, ignorá-los, considerando serem exageradas as preocupações que manifestam, é o que, na maioria das vezes, fazemos. Só por isso, talvez – quero de tal convencer-me –, se pode justificar a continuada pouca atenção que é dada às questões que têm a ver com o ordenamento do território, ou mesmo a cumplicidade das diversas entidades na execução, desenvolvimento e implementação dos várioss planos e reservas (que por vezes parecem mais vocacionados para a valorização imobiliária do que para acautelar os fins para que efectivamente são criados), e/ou a passividade, se não mesmo negligência, com que lidam com aqueles que, quando confrontados com as regras que existem, habilidosa e sistematicamente as contornam.
Perante tanta permissividade os efeitos saltam logo à vista, e são os próprios instrumentos supostamente vocacionados para o planeamento e ordenamento que disso melhor nos dão conta: é ver como, mesmo nas áreas onde o solo urbanizável ainda está muito longe de ficar completamente ocupado, as zonas destinadas a outros usos continuam sendo alvo facilitado da invasão do betão. É assim com a Reserva Agrícola, de forma mais comedida também com a Reserva Florestal, e até, como facilmente se verifica, tanto os leitos de cheia como a própria orla marítima (mesmo em zonas sujeitas a regulares sobressaltos e forte erosão) não escapam a tamanha pressão. Casos há que, não obstante a perigosidade do local, ao mesmo tempo que é efectuado um significativo esforço para o realojamento de uns, outros, de forma pouco prudente e a coberto de uma legalidade ambígua, insistem em construir.
Ordenar o território, prática de planeamento cada vez mais necessária onde quer que seja, assume capital importância em ilhas, espaço territorialmente restrito e que tem como única fronteira o oceano. E porque a terra é um bem cada vez mais escasso, num tempo em que já nem o subsolo se livra de usos de duvidoso interesse – com consequências nefastas cada vez mais evidentes –, seria bom que alguém, com responsabilidades, se lembrasse que por cada m2 de alcatrão estendido e m3 de betão colocado, são mais uns quantos ares de solo que deixa de desempenhar as suas importantes funções de drenagem e absorção natural de águas pluviais, evidência que parece facilmente estendível por todos, excepto, pelos decisores.
É no prevenir, não no remediar, que está o ganho. Depois do mal ficar feito pouco mais resta do que os habituais: “ai Jesus”, “Virgem Santíssima”, “meu querido Senhor Santo Cristo dos Milagres”, “Divino Espírito Santo”, “tende piedade de nós”!

A.O. 02/03/10; “Cá à minha moda" (ligeiramente alterado)

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Já estou como o outro: Bom Carnaval


E mais um MONTE de fotografias: anjos de duas faces, bruxas e ciganas vigiadas por um Zorro de acrílico, o tal, e a F. Chada bem acompanhada.

Não sendo esta quadra a melhor para tratar coisas sérias, foi em pleno Carnaval, num dos mais tradicionais “assaltos” de São Miguel, que, impressa na camisa do “mordomo da festa”, encontrei a chave de um socrático arcano que dura pelo menos desde que se tornaram públicos pormenores de uma célebre licenciatura, numa não menos célebre universidade, entretanto encerrada compulsivamente, não sem antes ter licenciado mais umas quantas celebridades. “Faça o culto”, lia-se na artística Tshirt, onde também constava uma caricatura do visado. Bingo, pensei eu – talvez inspirado pelo “barulho das luzes” –, aqui está a solução! É que, mais do que ironizar com “face oculta”, o caso, que tudo indica vai continuar e transformar-se em autêntica penitência quaresmal, a mensagem apontava, acertadamente, para a solução do problema real de que o personagem padece: um frustrado sentimento de adoração, de que parece estar carente quem, embora exímio no uso dos média, lida mal com as críticas e demais apreciações mais causticas que pela mesma via lhe são dirigidas. Só assim percebo, para mais porque vindo de quem usa a comunicação como um pilar da governação – muitas vezes raiando a propaganda –, que, quer a estridente insistência de Manuela Moura Guedes, o lúcido “pessimismo” de Medina Carreira, ou até a assertiva contundência de Mário Crespo, sejam um problema para resolver. Percebo mas não concordo: O verdadeiro problema, o problema que pode afectar todos e não só alguns, é o da escassa preparação e lastro (até democrático, pois é isso que o autoritarismo e a prepotência denunciam) de quem detém o poder; o problema, um sério problema, é que a política, poucos anos ainda haviam decorrido desde que deixara de ser monopólio de uns poucos, ainda antes de se consolidar como serviço público, já se transformara em actividade económica, “nicho de mercado” selvaticamente – embora a coberto da democracia – disputado por uns quantos; o problema, o dramático problema, é que a ninguém, por pior que faça, é pedida responsabilidade. Bem pelo contrário, não faltam benesses para distribuir, nem baias douradas para os acolher. Tal como não faltam cintos para mandar apertar, sempre aos mesmos. E não é como o Carnaval, que são só três dias!

A.O. 16/02/10; “Cá à minha moda"

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Deformar a “Rua Formosa”


Formosa e não segura, mas bem equilibrada com mamarrachos

Quando, depois de andar algum tempo em redor de temas correlativos, tinha por fim pensado em deixar de “bater no ceguinho”, eis que a publicitação de um novo “mamatacho” (que embora embrulhado em “papel de oferta”, e por alguns docilmente classificado de “projecto moderno”, não deixa de estar destinado a camuflar e afiançar mais estorvo para a cidade) me veio obrigar a não cumprir o premeditado.
Vistas amplas, e sólido sentido de subordinação do interesse individual, pessoal, ao interesse público, tiveram aqueles que ainda no século XIX, de forma visionária, e adoptando uma escala e rigor geométrico muito pouco habitual entre nós, projectaram a então Rua Formosa, hoje Rua de Lisboa (até na alteração do nome, a emenda à posteriori ficou muito aquém do original), indicando com um rasgo de modernidade a potencial zona de expansão da cidade. Anos depois, primeiro a Av. Roberto Ivens e logo a Príncipe do Mónaco, adoptando os mesmos parâmetros quando à escala e geometria, confirmavam claramente a direcção, e a amplitude desejada, para a expansão de Ponta Delgada. Já na “primavera marcelista”, tal como muitas vezes acontece quando se confunde inchaço com crescimento, o suposto “progresso” trouxe para ali um aeroporto, para, já em autonomia, e, sob o ponto de vista do ordenamento da área agravando ainda mais a situação, o seu prolongamento para Nascente (outros, mais ousados, prologavam para Poente, pelo mar adentro, tal como na Madeira), com o aberrante aterro que o sustenta, qual monstruoso abcesso artificial, desfigurar toda aquela zona.
Mas isso são contas de outro rosário, regressemos ao que agora interessa.
Hoje, século XXI, quando a tendência é deixar os carros fora das cidades e dotar estas de transportes públicos adequados (amigos do ambiente e cumprindo horários aceitáveis), eis que nos querem presentear com uma central de camionagem acoplada a um parque de estacionamento, tudo numa das principais vias de acesso ao centro da cidade, como se já não fosse suficiente o congestionamento de transito do local, mesmo fora das horas de ponta.Por este andar: construir, construir, quanto mais alto e compacto melhor, não obstante a oferta exceder em muito a procura (o que mais por aí há são ofertas de venda, e até empreendimentos inacabados, alguns quase ao abandono), ainda corremos o risco de ver demolir o Bairro Económico (passem por lá para ver o que é qualidade de vida quase no centro da cidade) para o rentabilizar como área de construção, permitindo ali mais uns não sei quantos “galinheiros de betão”.
A.O. 02/02/10; “Cá à minha moda" (ligeiramente acrescentado)